( Des ) Conexão

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Por Jean Tinder
Editora do Shaumbra Magazine,
Professora do Círculo Carmesim

Há algum tempo, ao folhear uma das bibliotecas etéreas, encontrei uma estória interessante. Ela tinha muitos detalhes e realmente encheu um livro inteiro, mas eu gostaria de compartilhar os destaques com vocês aqui, pois parece relevante e oportuna.

UMA ESTÓRIA DO MESTRE

Sim, ela era uma garota impetuosa, sempre à frente na fila, a primeira na fila para a próxima aventura e imediatamente pronta para explorar a próxima coisa incrível.

Como você pode imaginar, este entusiasmo criou algumas estórias fabulosas, para não mencionar algumas aventuras de ficar de cabelos em pé e as calamidades de congelar os ossos ao longo do caminho. As vidas foram vividas, as aventuras foram aproveitadas e, então, algo dentro dela sabia que era hora de começar a retornar para casa.

Esta nova parte de sua jornada começaria com uma vida de despertar apaixonante e ela mergulhou fundo. Essa coisa chamada Igreja era ainda fresca e nova, ainda brilhando com as descobertas da Verdade, então foi aí que ela começou. Ao se registrar com o convento local no primeiro momento possível, ela se comprometeu com o serviço ao divino.

Mas, com o tempo e com crescente desânimo, ela começou a perceber rachaduras na fachada, inconsistências nas estórias e na ferrugem nos halos. Quando ela não conseguiu aguentar mais, ela apontou o óbvio – e rapidamente encontrou sua cabeça rolando para longe de seus ombros.

Isso não era o que ela esperava! Mas, imperturbável e quase sem pensar, ela pulou para dentro de novo e desta vez determinada a pegar o absurdo um pouco mais cedo e manter sua a cabeça um pouco mais.

Em algum lugar ao longo do caminho, ela encontrou um velho amigo, um companheiro que também estava no caminho do despertar e descobriu uma paixão compartilhada pela verdade e revolução. Juntamente com alguns amigos de mentes afins, eles começaram a fomentar uma rebelião contra os poderes que imperavam.

Eram poderes poderosos, no entanto, e eventualmente eles a alcançaram. Jogada na masmorra e sem suas mãos, eles a deixaram apodrecer enquanto os ratos mordiscavam suas orelhas. Mais uma vez, não era exatamente o que ela imaginava, mas, persistente como sempre, ela se afastou, encontrou novos pais, respirou fundo e mergulhou de novo. Terceira vez é a correta, certo?

Dessa vez, os dois velhos amigos cresceram quase ao lado um do outro e, durante longas conversas sob o velho carvalho, abriram as delicadas brasas da curiosidade para as chamas do conhecimento. A mudança estava em andamento e eles podiam sentir isso!

Ele foi para se juntar à Igreja desta vez, querendo estar onde estava a ação, mas não durou muito. Liderado por seu próprio despertar e incapaz de se conformar com o status quo, logo ele estava fugindo.

Então, um dia, sua pequena banda passou pela aldeia e contou tudo sobre o que aconteceu. As coisas não estavam indo tão bem em casa e sua inquietação estava no pico, então ela largou tudo e correu para se juntar à “Le Résistance”.

Na verdade, estava efervescendo em toda a terra e muitos mais começaram a se juntar à causa, embora um pouco mais sorrateiros desta vez, graças ao cuidado inerente que eles traziam das desventuras anteriores. Mas os “poderes” estavam ficando mais furtivos também e um dia, enquanto estavam em uma missão de reconhecimento, ela e um pequeno bando de renegados caíram direitamente em uma armadilha.

Durante todo esse tempo, sua fé cresceu, juntamente com uma dose de otimismo enorme e essa prisão foi apenas um breve retrocesso. Ela viu isso como um pequeno preço a pagar para espalhar a Verdade e até mesmo uma oportunidade de compartilhar com uma platéia completamente nova.

Encontrando-se de volta no calabouço (mas conseguindo manter as mãos desta vez), ela trabalhou duramente para manter todos os espíritos para cima. Eles cantavam, rezavam, confiavam e choravam, esperando o dia deles no tribunal, quando tudo ficaria correto. Certa de que sua eloqüência faria com que os corações se abrissem, um Espírito Santo para iluminar os procedimentos e fazer com que todos vissem a luz, ela antecipou apenas a liberdade.

Finalmente, chegou o dia. Ela foi levada perante o magistrado e interrogada durante horas, respondendo pergunta após pergunta sobre o que ela acreditava, o que ela sabia, quem ela amava e em quem ela confiava. É claro que ela respondeu com sinceridade, pois Ele não disse: “A verdade vos libertará”?

Seus interrogadores ocasionalmente sorriram e acenaram com a cabeça e, à medida que o dia passava, ela estava certa de que os olhos deles começaram a brilhar com a luz da verdade. A vitória e a liberdade certamente estavam próximas; na verdade, ela quase não sentia mais as cordas que a prendiam, quase esperando que elas evaporassem a qualquer momento.

Por fim disseram: “O seu testemunho foi verdadeiro e nossos corações foram abertos. Só há mais uma pergunta. Se você nos dissesse onde está o seu líder, nós gostaríamos de conhecê-lo e confessar a nossa fé recém-descoberta.” Ela era cuidadosa para não entregar esse segredo em particular, mas agora, exausta da provação e aplaudida por sua óbvia sinceridade, ela estava segura da vitória.

Claro, querido leitor, você pode ver a armadilha!

Uma casca de banana jogada bem debaixo de seu sapato, uma isca cuidadosamente trabalhada para que ela caísse – anzol, linha e pesos. Com o brilho do Espírito em seu rosto, ela respirou fundo e finalmente compartilhou tudo. Tal eloqüência nunca havia agraciado a corte. A sala ficou em silêncio quando sua estória terminou e ela sorriu, esperando que as cordas fossem soltas, pronta para aquele passo para a liberdade. E então o martelo bateu.

Rapidamente considerada culpada de traição e blasfêmia, além de ajudar a instigar o inimigo e diversas outras acusações lascivas e maliciosas, eles decidiram fazer dela um exemplo. Nenhum esforço foi poupado e depois de uma noite interminável de facas e chicotes, pau-de-arara, roda e muito mais, eles a arrastaram para fora, através da praça, para a pilha de madeira e estaca.

Grosseiramente remendando as feridas abertas para que ela não sangrasse até a morte muito cedo, eles espalharam a palavra e esperaram o pôr-do-sol, enquanto uma multidão se reuniu para assistir ao espetáculo.

Sim, em algum lugar entre o martelo e a estaca, ela percebeu como ela tinha sido tola.

“Se eu tivesse sido mais inteligente e mantivesse a boca fechada”, ela gemeu, “ou mesmo tivesse contado algumas mentiras – qualquer coisa, menos o que eu disse – nada disso estaria acontecendo”.

Sua agonia era insuportável, mas isso aumentou o insulto à injúria, quando desfilaram com seu amigo e outros camaradas que haviam sido rapidamente capturados, amarrados e amordaçados graças a seu testemunho tão eloquente. A vergonha e a culpa eram quase piores do que o tormento físico.

O pôr-do-sol finalmente chegou, as chamas começaram a subir e, quando o seu corpo ferido e quebrado sucumbiu a uma última rodada de angústia, o diabo finalmente nasceu. “Nunca mais”!! Ele gritou de dentro dela. “Nunca, nunca, nunca mais!” Foi o seu juramento moribundo; esquecendo-se de que “Nunca” é a maneira mais certa de trazer tudo de volta novamente.

Ela perambulou por mais algumas vidas. Houve um pouco mais de tormento, alguns escondidos e enfurecidos e então ela decidiu tentar mais uma vez. Desta vez ela faria isso de forma diferente e ela NÃO seria sugada tão facilmente. Ela se reconectaria com todos os velhos camaradas, mesmo aquele grande velho amigo que ela tinha entregado, mas desta vez ela manteria a boca fechada. Já tinha havido drama, dor e sofrimento suficientes; ela não faria isso de novo. Dessa vez ela se lembraria.

Havia uma família que ela conhecia bem demais – alguns deles haviam sido até mesmo seus atormentadores no passado, mas era uma entrada fácil e proporcionaria uma oportunidade de resolver algumas contas – então ela foi. E era verdade; desta vez ela mal esqueceu. Ela praticamente nasceu procurando e finalmente encontrou o seu povo.

Na verdade, seu querido amigo liderava a causa mais uma vez e aquela velha paixão familiar aconteceu quando ela se sentiu compelida a juntar-se. Mas desta vez, era apenas para ela. Não haveria mais proselitismo. Ela não se importava se alguém estava interessado ou não e ela não estava prestes a falar para ninguém. Essa lição tinha sido aprendida – completamente.

Eles se reconectaram, mas demorou um pouco para chegar à parte “amigos” novamente, pois em algum lugar, bem no fundo, ela ainda estava desconfiada. “Mantenha o segredo! Não deixe ninguém saber”! Disse uma voz interior urgente, mesmo quando outra voz dizia: “Você está segura desta vez e não há nada a esconder!!”

Mas a paixão dela era clara, seu saber forte e mais uma vez ela se viu no meio da ação. Ainda cuidando das velhas feridas, ela manteve-se principalmente para si mesma, ficando no fundo e apoiando das margens. Não haveria mais desperdício de ar tentando converter alguém; desta vez era pessoal. Ela absolutamente sabia que desta vez eles iriam finalmente ver isso, finalmente provariam o que eles sempre souberam.

Então algo aconteceu, algo tão inesperado que a deixou sem fôlego.

De repente, o microfone estava em seu rosto, todos os olhos estavam sobre ela e a pergunta era: “Quem é?” Mais uma vez, eles queriam saber, “A quem você está conectada? Quem inspira você? Quem é o amigo mais velho?” Sua resposta inicial foi esquecida, graças a milhares de aspectos em alerta vermelho e parecia que a pergunta estava sendo feita através dos séculos.

Os alarmes eram ensurdecedores, o furacão interno no nível cinco.

“O que diabos eu digo desta vez?” ela pensou. “Eu estive aqui antes e não foi bonito”. Então outra parte dela deu um passo à frente. – Venha, minha querida. É hora de ser livre. Você já enfrentou o pior; não há nada mais a perder exceto suas limitações. Talvez a verdade realmente te liberte.

Ela respirou fundo e, mais uma vez, nomeou aquele que a inspirou desde sempre, que tinha sido um amigo em todas as ocasiões, que compreendia melhor a paixão pela verdade do que qualquer outro ser.

Foi feito. Depois de tantos: “Nunca mais” ela realmente havia dito isso em voz alta e agora ela se preparava para o martelo, o açoite, o fogo, o inferno. Com o coração acelerado e nervos triturados, ela se preparou para o pior – mas nunca chegou. Na verdade, nada realmente aconteceu! “Viu?!” gritou o próprio Mestre. “Eu lhe disse que estávamos a salvo agora!” Devagar, voltando para o seu corpo, ela se maravilhou de como a vida de repente parecia tão diferente.

Depois de me defrontar com esta história, eu apenas tinha que saber mais, então eu rastreei a autora e ela concordou em responder mais algumas perguntas. No topo da lista, é claro, foi: “O que aconteceu depois disso?”

“As próximas semanas foram bastante interessantes”, ela respondeu. “Eu realmente liberei, de uma maneira que eu nunca tinha feito antes. Eu já tinha deixado de lado muitas pessoas, coisas e situações naquela última vida. Às vezes, era fácil, às vezes extremamente difícil, mas chegara a um ponto em que eu não sabia o que mais poderia ser deixado para liberar. Então veio aquele momento de descobrir um medo gigantesco e continuar andando, ao invés de obedecê-lo. Isso realmente mudou tudo!

De alguma forma, depois disso, eu poderia finalmente, verdadeiramente liberar completamente. Descobri que os laços que me ligavam às outras pessoas não eram o que eu pensava que fossem. Eu pensei que era amor, confiança, carinho e tudo isso, mas, como Tobias disse anos atrás, o amor verdadeiro não tem nenhuma conexão. Pelo contrário, era a culpa, a vergonha, a dívida e o juízo que me limitaram.

Eu já tinha liberado muito de tudo isso, mas esta foi uma libertação profunda, bem do núcleo. E então veio a maior sensação de liberdade que eu já senti. Eu percebi que o que as pessoas acham que é mais precioso é exatamente o que elas terão que deixar ir, mais cedo ou mais tarde. Não é porque essas coisas te impedem ou não são boas para você, mas sim que você se ligou a elas de algumas maneiras interessantes.

Você simplesmente não pode ser livre enquanto estiver tão profundamente conectado ou ligado a alguém fora de você.”

“Mas não dói deixar ir?” Eu perguntei.

“Ah”, ela disse, “Foi aí que eu descobri um belo segredo. A dor de liberar vem de puxar as coisas que ainda estão conectadas. Quando você verdadeiramente e completamente libera, a dor vai embora também. É a diferença entre puxar algo que está enganchado em você versus simplesmente remover o gancho.

Eu pensei que seria a coisa mais angustiante que eu já fiz, mas isso era apenas verdade quando eu queria manter segurando as coisas, mesmo que só um pouquinho. Pode parecer difícil liberar velhos amigos, entes queridos, crenças preciosas, hábitos, identidades e posses, mas na verdade não tem que machucar. A liberdade, que você dá a si mesma em troca, é absolutamente impagável”.

Eu agradeci a ela por seu tempo e me levantei para sair.

“Uma última coisa,” ela sorriu. “Eu também descobri que tudo volta para você de uma maneira totalmente nova, sem dor ou distorção e em liberdade absoluta. Diga aos seus leitores que se algo dói, é apenas um sinal de que um vínculo está sendo puxado. Não se preocupe com quem ou o que está puxando; apenas desenganche-se de tudo e você vai rapidamente passar da dor para a liberdade. Então você vai se perguntar por que você esperou tanto tempo.”

“Eu vou ter que verificar essa biblioteca novamente. Deve haver um monte de boas histórias lá!”

Por favor, respeite os créditos ao compartilhar
DE CORAÇÃO A CORAÇÃO – http://www.decoracaoacoracao.blog.br
DE CORAÇÃO A CORAÇÃO – https://lecocq.wordpress.com
Tradução: Léa Amaral – lea_mga2007@yahoo.com.br
http://www.novasenergias.net/circulocarmesim/shaunews.htm

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