O Quarto Rei Mago

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06 DE JANEIRO – DIA DOS REIS MAGOS

O QUARTO REI MAGO

*Por Mauro Valle, a partir de um texto de Henry Van Dyke

Desde o inicio conhecemos a história dos três reis magos que viajaram do Oriente para Belém para adorar a Jesus e lhe ofertar as dádivas de ouro, incenso e mirra. Mas poucos conhecem a história do quarto rei mago que também viu a estrela e resolveu segui-la, e do seu grande desejo de adorar o Rei Menino e lhe oferecer as suas prendas. Eis aqui, então, a história de Artaban.
Artaban morava nas montanhas da Pérsia. Era um homem de posses, com a fisionomia de um sonhador e a mente de um sábio. Um homem de coração manso e espírito indominável. A sua morada era rodeada de jardins bem tratados com árvores de frutas e flores exóticas. Suas vestes eram de seda fina e o seu manto era da mais pura lã.

Numa noite, reunindo-se em conselho de uma antiga religião persa (Zoroastrismo) com outros membros, lhes falou sobre a profecia que dizia:“os homens vão ver nos céus, em tempo apontado pelo Eterno, a luz de uma nova estrela e nesse dia, nascerá um grande profeta e Ele dará aos homens a vida eterna, incorruptível e imortal, e os mortos viverão outra vez! Ele será o Messias, o Rei de Israel”. A seguir, informou a todos que havia visto, junto com seus três amigos: Gaspar, Melchior e Baltazar, esta nova estrela, e manifestou seu desejo de segui-la. Disse-lhes que já havia vendido o seu patrimônio e comprado uma safira, um rubi e uma pérola para oferecer como tributo ao Rei. E ao fim deste relato convidou a todos para seguirem com ele naquela peregrinação. Porém, um véu de dúvida cobriu as faces de seus amigos e, um a um, todos o deixaram, dizendo-lhe ser um sonhador.

Naquela mesma noite,Artaban, ainda que sob o descrédito dos seus amigos, preparou o seu melhor cavalo ainda de madrugada e saiu às pressas, pois, para encontrar-se no dia marcado com Gaspar, Melchior e Baltazar, que já estavam a caminho, ele precisaria cavalgar noite e dia.

Já escurecia e ainda faltavam umas três horas de viagem para chegar ao ponto de encontro (e ele precisaria estar lá antes de meia noite ou os três magos não poderiam demorar mais à sua espera), quando em meio ao galope, seu cavalo, numa curva da estrada, se assustou com algo sob o reflexo da lua. O cavaleiro parou. Havia um homem caído, com a pele seca, amarelada, e que já se apresentava com o frio da morte. Artaban, depois de examiná-lo, deu-o como morto; voltou-se com o seu coração triste, pois nada mais haveria a ser feito em benefício daquele homem. Mas, ao levantar-se, sentiu que a mão do homem agarrou-se ao seu manto. Surpreso, mostrou-se indeciso; o homem estava vivo, então teria de socorrê-lo, mas a sua demora ali poderia acarretar um desencontro com os seus amigos, que partiriam sem a sua companhia. Era preciso seguir a estrela! E não era oportuno ficar sem ver o Rei só para dar um pouco de água e assistência a um pobre hebreu que já estava nas garras da morte. Mas Artaban, tomado de misericórdia, mudou de idéia, carregou o hebreu para a sombra de uma palmeira e tratou-o por horas até que ele se recuperasse. Antes de sair, porém, o hebreu lhe indaga: “Quem és tu?” ao que o mago responde: “Sou Artaban e vou a Jerusalém à procura daquele que vai nascer: O Príncipe da Paz e Salvador de todos os homens. Não posso me demorar mais, mas aqui está o restante do que tenho: pão, vinho, e ervas curativas.”

O hebreu então, erguendo as mãos aos céus lhe disse: “Que o Deus de Abraão, Isaac e Jacó o abençoe; nada tenho para lhe pagar, mas ouça-me: Os nossos profetas dizem que o Messias deve nascer, não em Jerusalém mas em Belém de Judá.”

Após o breve diálogo, e deixando com o hebreu as suas provisões e curativos, Artaban partiu à procura dos outros magos.

Chegando ao lugar combinado, não encontrou os seus companheiros. Nem sinal da caravana de camelos. Então, num monte de pedras, ele achou um pergaminho com a seguinte mensagem: “Artaban, não pudemos mais te esperar, seguimos ao encontro do Messias. Aguardamos que você nos siga através do deserto.” Artaban entrou em desespero. Como poderia atravessar o hostil deserto sem ter o que comer e com um cavalo cansado? Decidiu então regressar à Babilônia, e lá vendeu a sua pedra de safira, comprou camelos e provisões suficientes para a longa viagem. E continuou a sua jornada pelo deserto, até chegar a Belém, levando um rubi e uma pérola para oferecer ao Rei.

Caminhando pelas ruas desertas daquela pequena vila, Artaban ouviu, de uma casinha pobre com a porta entreaberta, a voz de uma mulher cantando suavemente. Entrou e encontrou uma jovem mãe acalentando o seu filhinho. A mulher lhe falou sobre os três magos; disse-lhe que eles estiveram na vila e alegaram que seriam guiados por uma estrela ao lugar onde José de Nazaré, sua esposa Maria e o bebê Jesus estariam hospedados. Informou que eles traziam ouro, incenso e mirra para o menino e logo depois desapareceram, tão rápidos quanto apareceram. O bebê daquela mulher olhou para o rosto de Artaban, sorriu e estendeu os bracinhos para ele. De repente, ouviu-se uma grande comoção nas ruas: correria, gritos de dor, o chorar de mulheres e de criancinhas, além do soar de trombetas. Eram os soldados de Herodes que estavam matando as crianças. A jovem mãe, branca de terror, escondeu-se no canto mais escuro da casa, cobrindo o filho com o seu manto para que ele não chorasse e fosse descoberto pelos soldados. Sentindo a aflição daquela mãe, Artaban colocou-se a frente da porta da casa, impedindo a entrada dos soldados. Um oficial aproximou-se para afastá-lo. O mago, tentando não se mostrar nervoso com a situação, olhou o soldado e lhe disse que estava sozinho na casa, esperando a oportunidade para dar uma jóia àquele que lhe deixasse em paz; mostrou-lhe o rubi brilhando, na palma da sua mão. Os olhos do soldado brilharam com o desejo de possuir aquela jóia. Apossou-se da pedra e gritou para os outros soldados que não havia criança alguma ali. E Artaban, olhando para o céu, pediu para que perdoassem o seu pecado, já que dissera uma mentira. Desta forma, duas das suas dádivas, a safira e o rubi, que haviam sido reservadas para o Salvador, já tinham sido dedicadas aos homens. Artaban estava se achando indigno de um dia ver a face do Messias. E continuou a sua jornada, à procura do Rei.

O Mago passou por lugares onde a fome era grande. Estabeleceu morada em cidades onde os enfermos morriam na miséria. Visitou oprimidos nos calabouços e escravos nos mercados. Em um mundo cheio de angústia e sofrimento, ele não achou a ninguém para adorar, mas muitos desgraçados para ajudar! Alimentou aos que tinham fome, cuidou de doentes e confortou prisioneiros.

E os anos se passaram, 33 anos… Os cabelos de Artaban já tinham até embranquecido. Velho, cansado e pronto para morrer, ele ainda era um peregrino à procura do Rei de Israel. E mais uma vez estava em Jerusalém, onde já havia passado muitas vezes na esperança de achar a Sagrada Família.

Os filhos de Israel estavam agora na cidade santa para a festa da Páscoa do Senhor e havia uma estranha agitação. Vendo um grupo de pessoas da sua terra, Artaban lhes perguntou o que se passava e para onde o povo se dirigia, “Vamos para o Gólgota” responderam-lhe, “Dois ladrões vão ser crucificados e com eles, um homem chamado Jesus de Nazaré, que dizem ter feito coisas maravilhosas entre o povo, mas os sacerdotes exigiram a Sua morte, porque Ele disse ser o Filho de Deus. E Pilatos O condenou a ser crucificado hoje, porque muitos disseram ser Ele o Rei dos Judeus.”

Havia conseguido afinal, achara o Rei. Artaban achou que era chegado o tempo de oferecer a sua pérola para livrar a Jesus da morte. E ao seguir a multidão em direção ao Gólgota, um grupo de soldados apareceu arrastando uma jovem aterrorizada, com as roupas rasgadas e ensangüentadas. Ao ver o mago, a jovem reconheceu-o como da sua própria terra, e libertando-se momentaneamente dos guardas, se jogou aos pés de Artaban, implorando por piedade, disse-lhe que o seu pai era mercador na Pérsia mas faleceu em dívidas e que agora aqueles homens iriam vendê-la como escrava, para saldar os débitos de seu finado pai. Artaban tremeu. Era o velho conflito da sua alma, entre a fé, a esperança e o impulso do amor. Já por duas vezes as jóias que trazia foram dadas em benefício de alguém, e agora só lhe restava esta última, uma preciosa pérola! E agora? O mago pressentiu que poderia salvar aquela jovem indefesa e que aquilo seria um gesto de amor. E assim, tirou a pérola do seu alforje e colocou-a na mão daquela moça, dizendo-lhe que a jóia era para ser usada como pagamento aos seus algozes. Assim ela o fez e foi libertada!

Logo depois, o dia se transformou numa escuridão profunda, e um forte tremor de terra abalou aquela cidade; as paredes das casas racharam, soldados fugiram apavorados, Artaban e a moça protegeram-se debaixo de um telhado sob as muralhas da cidade. Porém, em novo tremor de terra, uma telha desprendeu-se e feriu o velho mago na cabeça. Repousou-se no chão e deitou a cabeça nos ombros daquela jovem, com o sangue a escorrer do ferimento. Desesperançado, vendo a morte aproximar-se, pediu perdão por não ter podido adorar o Messias e nem Lhe ofertar o presente que trouxera de tão longe. Por 33 anos ele havia procurado a Jesus, mas nunca vira a face Dele!

E então, como que por mistério, uma voz suave veio dos céus: “Artaban! Quando viste alguém enfermo, deste socorro… Quando viste alguém com fome, deste de comer… Quando viste alguém com sede, deste de beber… Quando viste alguém condenado injustamente, deste a liberdade… Quando viste alguém a perigo, ofereceste ajuda! Em verdade, em verdade vos digo que quando fizeste tudo isso a um dos meus irmãos, foi para mim que o fizeste!”

Neste momento uma alegria radiante iluminou a face de Artaban. Um suspiro longo e aliviado saiu dos seus lábios. Aquela longa viagem de 33 anos, assim como a sua vida, terminara, mas o quarto mago finalmente encontrara o seu Rei!

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Deixo aqui, este texto, com mensagem reflexiva para nosso atos, e como um desejo de que possamos aproveitar para mais uma vez renovar nossas promessas de cumprir os ensinamentos do Mestre, fazendo o que Ele nos ensinou. Um grande abraço.. Muita Paz…

Mauro Valle

Fonte: REDE AMIGO ESPÍRITA

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