Fazer Dieta é Perigoso: o que a Neurociência e a Evolução ensinam!

obesity-evolution-630x300

Apenas 1% das pessoas que fizeram dieta vão conservar o novo peso sem ganhar novamente o que que perderam ao emagrecer. Isso significa que apenas 1 em 100 pessoas que fazem dieta terão sucesso a longo prazo. Esses números ficam ainda mais assustadores quando se trata de obesidade mórbida: apenas 1 a cada 1.290 homens extremamente obesos manterão a perda de peso e apenas 1 a cada 677 mulheres com obesidade mórbida. Sabe qual é o problema? Não é a pouca ou ausente força de vontade, mas sim a forma como o nosso cérebro funciona. O que a evolução e a neurociência nos ensina é que focar na dieta para perder peso é um tremendo equivoco. Além de não garantir a perda de peso, muito pelo contrário, a dieta quase nunca vem acompanhada de melhoras significativas na saúde.

Toda vez que você começa uma dieta, o seu cérebro NÃO vai entender que você quer emagrecer, pelo contrário, ele vai achar que você está faminto e vai acionar um estado de alerta, buscando meios para você não perder peso, seja te fazendo não resistir a dieta ou consumindo menos caloria dos alimentos ingeridos. E se você perder peso seu cérebro não vai esquecer o peso anterior e cedo ou tarde você volta para o peso que o seu cérebro deseja que é o peso indesejado por você mesmo. Tanto faz se a perda de peso ocorreu de forma rápida ou lenta, em meses ou anos o seu peso volta para o peso anterior a deita e – pior! – 41% das pessoas passam a ter mais peso do que o peso que tinham antes da dieta. Assustador?

Então, qual a solução? O foco não pode ser a alimentação mas sim as atividades que tirem o foco da comida. Quais são elas? Exercício e meditação. Essas sim são atividades que podem modificar a forma como seu cérebro funciona. A verdade é que o simples fato de entrar numa dieta aumenta e muito a chance de se tornar obeso um dia: aumenta 2 vezes para homens e 3 vezes para mulheres, bastou entrar em dieta. Mulheres que fizeram 2 ou mais dietas na vida tem 5 vezes mais chances de ficarem com sobrepeso. Triste não? Um estudo com gêmeos idênticos nos mostra que o gêmeo que faz dieta é mais propenso a se tornar obeso comparado ao gêmeo que não faz dieta. A diferença na propensão a ganhar peso chega a ser ainda maior quando se trata de gêmeos fraternais, o que sugere (além de muitos outros estudos) um componente genético bastante expressivo na tendência a ganhar peso ou entrar para a estatística da obesidade. Atletas que fazem dieta para se qualificarem às competições como lutadores de box e wrestlers são 3 vezes mais propensos a se tornarem obesos quando chegarem aos 60 anos do que atletas que não precisam de dieta.

Alguns programas para combater os transtornos alimentares visam o oposto: ensinar as pessoas e principalmente adolescentes a não focarem no peso, a não desejarem ser mais magras e a não entrarem em dietas. Entre eles, o eBody Project e o Tri Delta – Fat Talk Free. Nesses programas, as adolescentes acabam por ganhar menos peso em relação a garotas nas mesmas condições que fazem dieta. De novo: o foco não pode ser o regime! Mas por que? Porque fazer regime é estressante e estresse gera acúmulo de gordura abdominal que por sua vez está relacionada com problemas de saúde como diabetes e doenças cardiovasculares. Além disso, estar em dieta gera mais ansiedade que por sua vez aumenta a chance da pessoa adquirir hábitos alimentares compulsivos no futuro. Adolescentes que fazem regime com frequência tem 12 vezes mais chance de apresentarem compulsões alimentares nos anos seguintes.

A compulsão alimentar é uma resposta natural após os períodos de fome exacerbada. Nosso cérebro não entende o regime como um desejo de passar fome para perder peso, mas sim como um período onde a fome é consequência da ausência de alimentos. Ao que tudo indica, essa é uma resposta comum a maior parte dos mamíferos que enfrentaram ao longo dos últimos milhões de anos muitos períodos de fome, mas principalmente para nós humanos que ao inventarmos a agricultura passamos a ter menor variedade na alimentação e enfrentar de forma mais frequente os períodos de fome em decorrência de desastres naturais que destruíam as futuras colheitas. Hoje, os cérebros que se entregam a compulsão alimentar ficam a espera de um período de escassez que nunca virá e, portanto, se tornam obesos. A obesidade é uma novidade para a sociedade dos homens tanto quanto a abundância em alimentos. Portanto, também é uma novidade para nossos cérebros desejar perder peso, recusar a abundância em açucares e gorduras assim como não precisar esperar pela fome.

Regime é sinônimo de estresse, mas não estresse positivo e sim estresse negativo. O estresse negativo consome muita glicose que é o alimento fundamental do auto-controle que terá sua capacidade de resistir a tentação mais reduzida. Além disso, a frequente privação alimentar altera os circuitos de dopamina assim como de outros neurotransmissores no cérebro que são responsáveis por calibrar nossa satisfação e insatisfação, determinando novos limites para definir fome e saciedade ou aceitação e frustração. Ratos de laboratórios adquirem hábitos compulsivos depois de enfrentarem períodos de privação alimentar. Já os ratos expostos ao mesmo tipo de estresse mas sem enfrentarem fome não se entregam a compulsão. Na prática, ratos estressados e que passaram fome vão comer Oreo compulsivamente enquanto os ratos estressados mas que não passaram fome não vão querer comer Oreo sem parar. Portanto, se você não quer sucumbir a um pacote de Oreo ou um pote de Nutela, o primeiro passo é não fazer dieta.

As pessoas em geral associam a perda de peso com uma melhora no metabolismo quando, na verdade, essa melhora metabólica é causada por mudanças de comportamento como, por exemplo, atividade física ou ingestão de alimentos saudáveis (verduras, fibras, etc). Os praticantes da dieta deixam de prestar atenção nos sinas de fome e saciedade e passam a praticar regras externas que não necessariamente beneficiam o corpo em questão. O regime gera um ciclo vicioso que é destrutivo e geralmente pautado na estética. O uso regular de balanças de peso estão relacionados ao desenvolvimento de transtornos alimentares. Crianças que testemunham a dieta de suas mães tem mais chances de ser obesas ou apresentarem compulsões ou outros transtornos alimentares. Enfim, fazer dieta é perigoso.

 

Esse é um resumo livre do artigo Why You Can’t Lose Weight on a Diet escrito por Sandra Aamodt no The New York Times (6 de maio de 2016) e adiciona o conceito de que o auto-controle é uma fonte limitada de energia (Baumeister et al, 2007) além de pincelar as bases evolutivas da obesidade.

SOBRE ALGUMAS COISAS QUE APRENDI EM 2017

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, barba, nuvem, céu e atividades ao ar livre

Iandê Albuquerque

SOBRE ALGUMAS COISAS QUE APRENDI EM 2017

1. Nunca se envolva com alguém que ainda não superou o ex. Você não merece entrar na bagunça de ninguém, muito menos ser usado como tapa buraco.

2. Se não soma, se não faz bem, se não te trata com respeito e reciprocidade não vale a pena insistir pra que permaneçam ao teu lado.

3. Deixe ir quem nunca mereceu ficar.

4. Por mais que doa, por mais que você sinta falta, por mais que a saudade aperte o teu peito e te confunda. Deixar ir às vezes se faz necessário.

5. Algumas vezes você vai mergulhar em alguém – com a permissão da pessoa -, e de repente, essa pessoa vai te dizer que precisa ir. Isso vai te fazer aprender sobre chegar e partir. Você vai entender que ninguém é obrigado a ficar, e às vezes algumas pessoas só chegam pra ficar ao nosso lado por um curto período de tempo.

6. Responsabilidade emocional não te faz obrigado a dizer ao outro quando estiver indo embora. Ser responsável com o outro te faz mais humano.

7. Por mais que você se importe com os outros, algumas pessoas pouco se importarão com você.

8. Você precisa aceitar o fato de que, às vezes, o outro não vai sentir o mesmo que você, não vai agir como você agiria. E tá tudo bem.

9. Não se culpar. Não se autossabotar quando as coisas não acontecerem como você imaginava que aconteceria.

10. Entender que o silêncio do outro, às vezes também é uma resposta.

11. Não forçar a barra, e em hipótese alguma insistir em uma relação, trabalho ou sentimento que não te traz a calmaria que você precisa. Saiba que a vida vai te exigir maturidade pra se preparar pra isso, às vezes pro seu próprio bem.

12. Cuidar de si é sua obrigação. Não esqueça de si mesmo pra viver as expectativas de uma outra pessoa.

13. Ninguém vale o teu desequilíbrio emocional, tua lágrima e tua insônia.

14. Crescer com os machucados, carregar o peso daquilo que se é. E se reinventar sempre.

Se escolher amar uma mulher desperta

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, crepúsculo, céu, natureza e atividades ao ar livre

“Se escolher amar uma mulher desperta, entenda que estará entrando em um território novo, radical e exigente.
Se escolher amar uma mulher desperta não poderá continuar adormecido.
Se escolher amar uma mulher desperta cada parte da sua alma será despertada, não apenas seus órgãos sexuais, mas também seu coração. Mas, se pretende uma vida normal, siga com uma mulher normal.
Se deseja uma vida dócil, encontre uma mulher que decidiu ser submissa. Se deseja apenas mergulhar o dedo do pé nas águas que correm de Shakti, mantenha-se com uma mulher correta, que ainda não mergulhou na fúria do oceano sagrado feminino.
É fácil amar uma mulher que ainda não ativou seus poderes sagrados internos, porque ela nada exigirá.
Ela não te porá à prova.
Ela não exigirá que te tornes o mais alto Ser que podes ser.
Ela não acordará as partes esquecidas e anestesiadas do seu Espírito pedindo que se lembre que há mais possibilidades de vida do que isso.
Ela não vai olhar fundo em seus olhos cansados e enviar raios de Verdade através do seu corpo, balançando-o acordado e sacudindo seus desejos perdidos há muito dentro de você.
Se isso não for suficiente para você – se o seu coração, corpo e espírito anseiam pela “Outra Mulher” – então deve saber que está prestes a transformar a alma.
Deve saber que está fazendo uma escolha séria com consequências cármicas. Pois, se decidir adentrar a aura e o corpo de uma mulher cujo fogo espiritual está queimando, então saiba que estás ansiando por um certo nível de risco e perigo, com o propósito de crescer.
Uma vez que começa a amar uma mulher dessa natureza você deve aceitar a responsabilidade.
Sua vida não será mais confortavelmente sonolenta o tempo todo.
Sua vida não permitirá que fique preso aos velhos sulcos e rotinas estagnadas, pois ela – A Vida – assumirá radicalmente novo sabor e aroma.
Você será inflamado pela presença do selvagem feminino e irá sintonizar-se com o chamado Divino.
A escolha de ser sexualmente e amorosamente íntimo de uma mulher desperta, é para os homens que precisam de coragem para caminhar sem medo do desconhecido.
Mas esse homem, vai colher recompensas além da compreensão da sua mente. Ela o levará a mundos desconhecidos de mistério e magia.
Ela vai levá-lo hipnotizado e meio entorpecido de amor, às florestas selvagens do êxtase sensual e de admiração.
Ela não vai fugir da sua “escuridão”, porque a sua escuridão não vai assustá-la.
Ela falará palavras que a sua alma entende.
É um risco enorme amar uma mulher desperta, porque de repente não há um lugar para se esconder.
Ela vê tudo, para que ela possa amar com profundidade.
Amar uma mulher como essa é escolher começar a viver com a sua alma no fogo.
Sua vida nunca mais será a mesma, uma vez que convidou essa energia para entrar.
Certifique-se, caso escolha amar uma mulher desperta de que escolheu por não passar o resto da vida olhando para trás sobre o seu ombro, tentando enxergar mais uma vez a visão turva de mistério feminino que desapareceu de sua vista. Pois ela terá voltado para as estrelas e galáxias distantes do céu…de onde ela veio”
~ Sophie Bashford

Comer até morrer?

São notórios nos consultórios de psicanálise o maior número de pacientes mulheres que sofrem com transtornos alimentares, e todas com queixas relacionadas à relação materna, a qual tem um caráter de fusão, não havendo individualidade em cada uma.
Pacientes com obesidade vivem o corpo como certa prisão, afinal, o peso excessivo lhe gera uma série de limitações em seu dia-a-dia, seria a relação materna também uma relação de prisão?

Pensar sobre um corpo obeso é pensar sobre um corpo sem contornos nem limites, que a própria paciente não consegue estabelecer. A incapacidade em lidar com limites como um todo afeta a vida como um todo, no trabalho, social, familiar. Há uma dificuldade em se adaptar, testar os próprios limites, por isso são comuns relatos de pacientes que se submetendo a cirurgias bariátricas passam a ter alterações na personalidade como maior tendência a agressividade. O que acontece é que o modo de gozar em comer até morrer foi proibido, assim houve um impedimento e insatisfação instalados, o que impõe novos limites e um novo modo de lidar com a vida, que lhes parece bastante penoso.

A obesidade revela comportamentos autodestrutivos daquele ser, contudo somente a cirurgia e emagrecimento da pessoa não parecem ser suficientes para lidar com tamanha angústia, por isso é bastante importante o acompanhamento psicológico. O comer compulsivo faz com que o sujeito deixe de lidar com emoções intoleráveis, então se não pode mais fazer isso, como irá lidar? Por isso muitos trocam o vicio em comer por outro, como álcool, cigarro, compras…

O corpo do obeso é grande, mas preenchido por um imenso vazio, quando se torna magro, perde muito peso, mas parece que o peso da vida cai sobre si e ele não sabe como lidar, pois sempre escapou de alguma forma. Pensar sobre o comer vai muito além do peso, pois há também os limites daquele corpo, as angustias que se sentem e as que estão escondidas naquele corpo que só consegue colocar comida para dentro e tem dificuldade em colocar para fora o que sente.

A obesidade é muito mais simbólica, por isso o trabalho de análise é muito interessante para estes pacientes, mesmo os decididos a fazer cirurgia bariátrica. Há que se olhar para tais pacientes em suas subjetividades, o que aquele corpo representa? Sempre foi acima do peso? O que lhe dizer sobre ele? A família também é obesa?

A análise deve ajudar o paciente a lidar com essa pulsão de morte e tentar fazer com que se “recupere a vida” e cuidado consigo mesmo, que talvez a mãe, um dia, não pode dar. Trabalhar a relação com a mãe, com a imagem internalizada dela e essa ligação muito forte, é também um primeiro passo importante.

A psicanálise leva o paciente na direção de si mesmo, localizando seus próprios pontos de fixação e angústia. É comum que os pacientes, ao relatar sua situação, experimentam a falta de palavras e dificuldade em colocar suas angústias para fora, muitos choram bastante. O sentimento de culpa pela má saúde e sentimento de fracasso faz com que o paciente se sinta em constante divida, principalmente com a mãe.

Há muito a se trabalhar sobre cada paciente e suas subjetividades na clínica, muitos resistem a busca ajuda psicológica pelo medo em lidar com a vida que tanto evitam, mas é necessário, afinal há muita dor psíquica instalada.

Imagem de capa: Shutterstock/happykanppy

Mariana Pavani

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/comer-ate-morrer/

 

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.

“Para quando eu me for”

anjo chegando na cama

Morrer é uma surpresa. Sempre. Nunca se espera. Nem mesmo o paciente terminal acha que vai morrer hoje ou amanhã. Na semana que vem talvez, mas apenas se a semana que vem continuar sendo na semana que vem.

Nunca se está pronto. Nunca é a hora. Nunca vamos ter feito tudo o que queríamos ter feito. O fim da vida sempre vem de surpresa, fazendo as viúvas chorarem e entediando as crianças que ainda não entendem o que é um velório (Graças a Deus).

Com meu pai não foi diferente. Na verdade, foi mais inesperado. Meu pai se foi com 27 anos, a idade que leva muitos músicos famosos. Jovem. Moço demais. Meu pai não era músico nem famoso, o câncer parece não ter preferência. Ele se foi quando eu ainda era novo, descobri o que era um velório justamente com ele. Eu tinha 8 anos e meio, o suficiente pra sentir saudade pelo resto da vida. Se ele tivesse morrido antes, não haveriam lembranças. Nem dor. Mas também não haveria um pai na minha história. E eu tive um pai.

Tive um pai que era duro e divertido. Que me colocava de castigo com uma piadinha pra não me magoar. Que me dava um beijo na testa antes de dormir. Hábito esse que eu levei para os meus filhos. Que me obrigou a amar o mesmo time que ele e que explicava as coisas de um jeito melhor que a minha mãe. Sabe? Um pai desses que faz falta.

Ele nunca me disse que ia morrer, nem quando já estava deitado cheio de tubos. Meu pai fazia planos para o ano que vem mesmo sabendo que não veria o próximo mês. No ano que vem iríamos pescar, viajar, visitar lugares que nenhum de nós conhecia. O ano que vem seria incrível. Eu vivi esse sonho com ele.

Acho, tenho certeza na verdade, que ele pensava que isso daria sorte. Supersticioso. Pensar no futuro era o jeito dele se manter otimista. O desgraçado me fez rir até o final. Ele sabia. Ele não me contou. Ele não me viu chorar a sua perda.

E de repente o ano que vem acabou antes de começar.

Minha mãe me pegou na escola e fomos ao hospital. O médico deu a notícia com toda a sensibilidade que um médico deixa de ter com os anos. Minha mãe chorou. Ela também tinha um pingo de esperança. Como disse antes, todo mundo tem. Eu senti o golpe. Como assim? Não era só uma doença normal dessas que a gente toma injeção? Pai, como eu te odiei. Você mentiu pra mim. Não fiquei triste, pai, fiquei com raiva. Me senti traído. Gritei de raiva no hospital até perceber que meu pai não estava lá pra me colocar de castigo. Chorei.

Mas aí meu pai foi meu pai de novo. Trazendo uma caixa de sapato debaixo dos braços, uma enfermeira veio me consolar. Dentro, dezenas de envelopes lacrados com frases escritas onde deveriam ficar os nomes dos destinatários. Entre as lágrimas e os soluços não consegui entender direito o que estava acontecendo. E então a mesma enfermeira me entregou uma carta. A única fora da caixa.

“Seu pai me pediu pra entregar essa pessoalmente e te dizer pra abrir. Ele passou a semana inteira escrevendo tudo isso e disse que era pra você. Seja forte.” Disse a enfermeira com um abraço.

PARA QUANDO EU ME FOR dizia o envelope que ela me entregou. Abri.

Filho,

Se você está lendo eu morri. Desculpa, eu sabia.

Não queria te dizer que ia acontecer, não queria te ver chorar. Parece que consegui. Acho que um homem prestes a morrer tem o direito de ser um pouco egoísta.

Bom, como eu ainda tenho muito pra te ensinar, afinal você não sabe de nada, deixei essas cartas. Você só pode abrir quando o momento certo chegar, o momento que eu escrevi no envelope. Esse é o nosso combinado, ok?

Eu te amo. Cuida da sua mãe, você é o homem da casa agora.

Beijo, pai.

PS: Não deixei cartas para sua mãe, ela já ficou com o carro.

E com aqueles garranchos, afinal naquela época não era tão fácil imprimir como é hoje em dia, ele me fez parar de chorar. Aquela letra porca que uma criança de 8 anos mal entendia (eu, no caso) me acalmou. Me arrancou um riso do rosto. Esse era o jeito do meu pai de fazer as coisas. Que nem o castigo com uma piadinha para aliviar.

Aquela caixa se tornou a coisa mais importante do mundo. Proibi minha mãe de abrir, de ler. Mas elas eram minhas, só pra mim. Sabia decorado todos os momentos da vida em que eu poderia abrir uma carta e ler o que meu pai tinha deixado. Só que esses momentos demoraram muito pra chegar. E eu esqueci.

Sete anos e uma mudança depois eu não tinha ideia de onde a caixa tinha ido parar. Eu não lembrava dela. Algo que você não lembra não faz falta. Se você perdeu algo da sua memória, você não perdeu. Simplesmente não existe. Como dinheiro que depois você acha no bolso da bermuda.

E então aconteceu. Uma mistura de adolescência com o novo namorado da minha mãe desencadeou o que meu pai sabia que um dia aconteceria. Minha mãe teve vários namorados, sempre entendi. Ela nunca casou de novo. Não sei ao certo o motivo, mas gosto de acreditar que o amor da vida dela tinha sido meu pai. Mas esse namorado era ridículo. Eu sentia que ela se rebaixava pra ele. Que ele fazia pouco da mulher que ela era. Que uma mulher como ela merecia algo melhor do que um cara que ela tinha conhecido no forró.

Me lembro até hoje do tapa que veio acompanhado da palavra “forró”. Eu mereci, admito. Os anos me mostraram isso. Na hora, enquanto a pele da minha bochecha ardia, lembrei da minha caixa e das minhas cartas. De uma carta em específico que dizia PARA QUANDO VOCÊ TIVER A PIOR BRIGA DO MUNDO COM A SUA MÃE.

Corri para o quarto e revirei minhas coisas o suficiente para levar outro tapa na cara da minha mãe. Encontrei a caixa dentro de uma mala de viagem na parte de cima do armário. O limbo. Procurei entre os envelopes. Passei por PARA QUANDO VOCÊ DER O PRIMEIRO BEIJO e percebi que havia pulado essa, me odiei um pouco e decidi que a leria logo depois, e por PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE, uma que eu esperava abrir logo, logo. Achei o que procurava e abri.

Pede desculpa.

Eu não sei o motivo da briga e nem quem tem razão. Mas eu conheço a sua mãe. Então a melhor maneira de resolver isso é com um humilde pedido de desculpas. Do tipo rabinho entre as pernas.

Ela é sua mãe, cara. Te ama mais do que tudo nessa vida. Sabe, ela escolheu parto normal porque alguém disse que era melhor pra você. Você já viu um parto normal? Pois é, quer demonstração de amor maior que essa?

Pede desculpa. Ela vai te perdoar. Eu não seria tão bonzinho.

Beijo, pai.

Meu pai passava longe de um escritor, era bancário, mas as palavras dele mexeram comigo. Havia mais maturidade nelas do que nos meus quatorze anos de vida. O que não era muito difícil por sinal.

Corri para o quarto da minha mãe e abri a porta. Já estava chorando quando ela, chorando também, virou a cabeça pra me olhar nos olhos. Não lembro o que ela gritou pra mim, algo como “O que você quer?”, mas lembro que andei até ela e a abracei, ainda segurando a carta do meu pai. Amassando o papel já velho entre os meus dedos. Ela me abraçou de volta e ficamos em silêncio por não sei quantos minutos.

A carta do meu pai fez ela rir alguns momentos depois. Fizemos as pazes e conversamos um pouco sobre ele. Ela me contou umas manias estranhas que ele tinha, como comer salame com geleia de morango. De algum modo, senti que ele estava ali. Eu, minha mãe e um pedaço do meu pai, um pedacinho que ele deixou naquele papel. Que bom.

Não demorou muito e li PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE.

Parabéns, filho.

Não se preocupa, com o tempo a coisa fica melhor. Toda primeira vez é um lixo. A minha foi com a puta mais feia do mundo, por exemplo.

Meu maior medo é você ler o envelope e perguntar da sua mãe antes da hora o que é virgindade. Ou pior, ler o que eu acabei de escrever sem nem saber o que é punheta (você sabe, não sabe?). Mas isso também não será problema meu, não é mesmo?

Beijo, pai.

Meu pai acompanhou minha vida toda. De longe, sim, mas acompanhou. Em incontáveis momentos suas palavras me deram aquela força que ninguém mais conseguia dar. Ele sempre dava um jeito de me arrancar um sorriso em um momento de tristeza ou de clarear meus pensamentos num momento de raiva.

PARA QUANDO VOCÊ CASAR me emocionou, mas não tanto quanto PARA QUANDO EU FOR AVÔ.

Filho, agora você vai descobrir o que é amor de verdade. Vai descobrir que você gosta bastante da sua mulher, mas que amor mesmo é o que você vai sentir por essa coisinha aí que eu não sei se é ele ou ela. Sou um cadáver, não um vidente.

Aproveita. É a melhor coisa do mundo. O tempo vai passar rápido, então esteja presente todos os dias. Não perca nenhum momento, eles não voltam mais. Troque as fraldas, dê banho, sirva de exemplo. Acho que você tem condições de ser um pai tão incrível quanto eu.

A carta mais dolorida da minha vida foi também a mais curta do meu pai. Acredito que ele sofreu para escrever aquelas quatro palavras o mesmo que eu sofri por ter vivido aquele momento. Demorou, mas um dia eu tive que ler PARA QUANDO SUA MÃE SE FOR.

Ela é minha agora.

Uma piada. Um palhaço triste que esconde o choro por trás do sorriso de maquiagem. Foi a única carta que não me arrancou um sorriso, mas entendi a razão.

Eu sempre respeitei o combinado com meu pai. Nunca li nenhuma carta antes do momento certo. Tirando PARA QUANDO VOCÊ SE DESCOBRIR GAY, claro. Nunca acreditei que o momento de ler essa carta chegaria, então abri muitos anos atrás. Ela foi uma das mais engraçadas, por sinal.

O que eu posso dizer? Ainda bem que morri.

Deixando as brincadeiras de lado e falando sério (é raro, aproveita). Agora semimorto eu vejo que a gente se importa muito com coisas que não importam tanto. Você acha que isso muda alguma coisa, filho?

Não seja bobo, seja feliz.

Sempre esperei muito pelo próximo momento. Pela próxima carta. Pela próxima lição que meu pai tinha pra me dar. Incrível como um homem que viveu 27 anos teve tanto pra ensinar pra um senhor de 85 como eu.

Agora, deitado na cama do hospital, com tubos no nariz e na traqueia (maldito câncer), eu passo os dedos por cima do papel desbotado da última carta. PARA QUANDO SUA HORA CHEGAR o garrancho quase invisível diz.

Não quero abrir. Tenho medo. Não quero acreditar que a minha hora chegou. Esperança, lembra? Ninguém acredita que vai morrer hoje.

Respiro fundo e abro.

Oi, filho, espero que você seja um velho agora.

Sabe, essa foi a carta mais fácil de escrever. A primeira que eu escrevi. A carta que me livrou da dor de te perder. Acho que estar perto do fim clareia a cabeça pra falar sobre o assunto.

Nos meus últimos dias eu pensei na vida que eu levei. Na minha curta vida, sim, mas que me fez muito feliz. Eu fui seu pai e marido da sua mãe. O que mais eu poderia querer? Isso me deu paz. Faça o mesmo.

Um conselho: não precisa ter medo.

PS: Tô com saudade.

Por Rafael Zoehler, via Medium

http://www.contioutra.com/para-quando-eu-me-for-um-texto-para-quem-nao-tem-medo-de-se-emocionar/

Efeito Borboleta

A imagem pode conter: planta, flor, natureza e atividades ao ar livre

“O bater das asas de uma borboleta pode provocar um furacão do outro lado do mundo”… Com esta simples frase podemos resumir no que consiste o “efeito borboleta”.

Pequenos gestos para criar seu efeito borboleta

1. Fale diretamente com as pessoas em vez de fazer elucubrações sobre este ou aquele mal-entendido.

2. Faça-se ouvir. Pouco a pouco você mostrará aos outros que tem uma personalidade forte e não se sentirá menosprezado ou maltratado, etc.

3. Com apenas um sorriso ou alguns “bom dia” você criará um ambiente agradável em torno de si mesmo.

4. Aprecie os pequenos prazeres. Uma xícara de café ou chocolate enquanto você observa como chove através da janela, observar como dorme um bebê, brincar com as crianças ou fechar os olhos e cheirar e perceber o som do mar proporcionarão a você uma fonte de prazer imediata e que se prolongará no tempo. Pouco a pouco formarão um “poço de felicidade em seu interior”.

5. Faça pequenas coisas pelos outros sem esperar nada em troca. Com o tempo contribuiremos para produzir uma sociedade melhor, mais humana e mais feliz.

6. Detenha-se um minuto quando estiver chateado, respire fundo e pense que somos afortunados por tudo o que temos… outro furacão… nossos níveis de ansiedade diminuirão, sairemos do círculo da chateação e evitamos sentimentos maléficos. Gestos como estes evitam enxaquecas, dores de estômago, resfriados, etc. As doenças estão muito relacionadas às emoções.

7. Pense no hoje e não no amanhã. Se agora você pode dar um passeio com seu companheiro, fazer uma pequena viagem ou rir na praia com um amigo e um petisco como companhia, faça-o. Você novamente irá gerar um furacão de felicidade com estes pequenos gestos… se vierem os momentos ruins você pensará em quanto riu e aproveitou a vida em tempos passados, e isso lhe ajudará a vencer as dificuldades.

Você já sabe: pequenas atitudes podem melhorar a sua vida.

A imagem pode conter: planta, flor, natureza e atividades ao ar livre
desconheço a autoria!

Mães e filhas: o vínculo que cura, o vínculo que fere

Cada filha leva consigo a sua mãe. É um vínculo eterno do qual nunca poderemos nos desligar. Porque, se algo deve ficar claro, é que sempre teremos algo de nossa mãe.

Para termos saúde e sermos felizes, cada uma de nós deve conhecer de que maneira nossa mãe influenciou nossa história e como continua influenciando. Ela é a que, antes de nascermos, ofereceu nossa primeira experiência de carinho e de sustento. E é através dela que compreendemos o que é ser mulher e como podemos cuidar ou descuidar do nosso corpo.

Nossas células se dividiram e se desenvolveram ao ritmo das batidas do coração; nossa pele, nosso cabelo, coração, pulmões e ossos foram alimentados pelo sangue, sangue que estava cheio de substâncias neuroquímicas formadas como resposta a seus pensamentos, crenças e emoções. Quando sentia medo, ansiedade, nervosismo, ou se sentia muito aborrecida pela gravidez, nosso corpo se inteirou disso; quando se sentia segura, feliz e satisfeita, também notamos.
– Christiane Northrup –

O legado que herdamos de nossas mães

“A maior herança de uma mãe para uma filha é ter se curado como mulher”
– Christiane Northrup –

Qualquer mulher, seja ou não seja mãe, leva consigo as consequências da relação que teve com sua progenitora. Se ela transmitiu mensagens positivas sobre seu corpo feminino e sobre a maneira como devemos trabalhá-lo e cuidá-lo, seus ensinamentos sempre irão fazer parte de um guia para a saúde física e emocional.

No entanto, a influência de uma mãe também pode ser problemática quando o papel exercido for tóxico, devido a uma atitude negligenciada, ciumenta, chantagista ou controladora.

Quando conseguimos compreender os efeitos que a criação teve sobre nós, começamos a compreender a nós mesmas, a nos curarmos, e a sermos capazes de assimilar o que pensamos de nosso corpo ou a explorar o que consideramos possível conseguir na vida.

A atenção materna, um nutriente essencial para toda a vida

Quando uma câmera de TV filma alguém do público em algum evento esportivo ou qualquer outro acontecimento… O que as pessoas costumam gritar? “Oi, mãe!”

Quase todos nós temos a necessidade de sermos vistos por nossas mães, buscamos sua aprovação. Na origem, esta dependência obedece às questões biológicas, pois precisamos delas para subexistir durante muitos anos; no entanto, a necessidade de afeto e de aprovação é forjada desde o primeiro minuto, desde que olhamos nossa mãe para sabermos se estamos fazendo algo certo ou se somos merecedores de uma carícia.

Assim como indica Northrup, o vínculo mãe-filha está estrategicamente desenhado para ser uma das relações mais positivas, compreensivas e íntimas que teremos na vida. No entanto, isso nem sempre acontece assim…

Com o passar dos anos, esta necessidade de aprovação pode se tornar patológica, gerando obrigações emocionais que propiciam que nossa mãe tenha o poder sobre nosso bem-estar durante quase toda a nossa vida.

O fato de que nossa mãe nos reconheça e nos aceite é um sede que temos que saciar, mesmo que tenhamos que sofrer para conseguir isso. Isso supõe uma perda de independência e de liberdade que nos apaga e nos transforma.

filha-mãe1

Como começar a crescer como mulher e filha?

Não podemos escapar desse vínculo, pois seja ou não saudável, sempre estará ali para observar nosso futuro.
A decisão de crescer implica limpar as feridas emocionais ou qualquer questão que não tenha sido resolvida na primeira metade de nossa vida. Esta transição não é uma tarefa fácil, pois primeiro temos que detectar quais são as partes da relação materna que requerem solução e cicatrização.

Disso depende nosso senso de valor presente e futuro. Isso acontece porque sempre há uma parte de nós que pensa que devemos nos dar em excesso para a nossa família ou para o nosso parceiro para sermos merecedoras de amor.

A maternidade e, inclusive, o amor de mulher continuam sendo sinônimos culturais na mente coletiva. Isso supõe que nossas necessidades sejam sempre relegadas ao cumprimento ou não das dos demais. Como consequência, não nos dedicamos a cultivar nossa mente de mulher, senão a moldá-la ao gosto da sociedade na qual vivemos.

mãe-filha

As expectativas do mundo sobre nós podem ser muito cruéis. De fato, eu diria que constituem um verdadeiro veneno que nos obriga a esquecer nossa individualidade.

Estas são as razões que fazem tão necessária a ruptura da cadeia de dor e cicatrização íntegra de nossos vínculos, ou as lembranças que temos deles. Devemos estar cientes de que estes vínculos se tornaram espirituais há muito tempo e, portanto, cabe a nós fazermos as pazes com eles.

Fonte consultada: Mães e filhas de Christiane Northrup

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.

Menu

%d blogueiros gostam disto: