Palavras nunca são apenas palavras

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O mundo é muito bonito! Gostaria de ficar por aqui. Escrever é o meu jeito de ficar por aqui. – Rubem Alves

Quem gosta de escrever, nunca está satisfeito, sempre há o que se aprimorar. Escritor, autor, redator são títulos desnecessários, quem escreve por amor às palavras só gosta de títulos em seus textos.
Estava buscando inspiração para escrever, almejando algo novo, me desafiar a escrever. Mas não tem jeito eu sou puro amor e antes deste texto que estás a ler, dei início a um romance. Meu romance com as palavras é eterno. Penso que não devemos amar mais as palavras do que por quem as escrevemos.
O problema de quem escreve são os pontos finais. Se a história deve ser contada brevemente, o ponto fica na próxima esquina, tudo precisa ser dito claramente ali mesmo, na rua de casa.
No caso de um livro, os pontos finais são inúmeros, porém, nenhum realmente incita o final da história. Porque o leitor sempre opina, o fim que tu escreveste não é o fim. O último ponto final deixa de ser final.
Creio que quem escreve deixa o seu ponto na história da humanidade. Alguns deixam dois pontos, outros o final e ainda há os que deixam as reticências. Um dos meus amados escritores, Fabrício Carpinejar, costuma dizer que o que o incomoda é o ponto vírgula. Eu acabo sempre concordando, o ponto vírgula é uma pausa pretensiosa, que aumenta o suspense mas nada define. Eu não uso ponto vírgula.
Entre palavras e pontos, somos todos contadores de histórias. E não existe melhor coisa do que contar histórias! Uma palavra nunca é só uma palavra, antes de ser escrita ela já está carregada se sentidos e sentimentos. O leitor sempre opina, mas um bom escritor ou um bom comunicador sempre se faz entender, por isso que uma palavra nunca é só uma palavra.

Daniela Bernardi

https://euamoriana.wordpress.com/2016/11/18/palavras-nunca-sao-apenas-palavras/