Mulheres são movidas a carinho, por que é tão difícil para homens entender?!

Às vezes tenho a impressão que precisamos desenhar. Fazer um roteiro, com legendas e afins. Espalhar lembretes por aí. Nós, mulheres, somos movidas a carinho!

Às vezes tenho a impressão que precisamos desenhar. Fazer um roteiro, com legendas e afins. Espalhar lembretes por aí. Nós, mulheres, somos movidas a carinho! Não adianta homens, se vocês querem se relacionar bem conosco, tem que entender isso. E, mais do que entender, colocar em prática. Já. E sempre.

No mundo machista e “prático” em que vivemos, não raro as nossas peculiaridades femininas vão passando batidas, a coisa vai “empurrada com a barriga” e negligenciada, num “faz de conta que tá bom assim”…

De repente, boom, a coisa estoura e nos vem com aquelas perguntas: “mas como assim?”, “por que não falou nada?”, “estava tudo tão bem!”…

Podemos ser independentes nos mais variados aspectos, emocionalmente estáveis, bem resolvidas e evoluídas, mas isso definitivamente não significa que podemos ser tratadas com desdém.

Sempre, leiam bem, S E M P R E, independente de qualquer de qualquer coisa, nós, mulheres, precisamos – e merecemos! – ser tratadas com jeitinho, com afeição e com doçura.

Temos uma sensibilidade mais aflorada e necessitamos ter as nossas peculiaridades consideradas. Mas isso não significa que vamos ficar o tempo todos os relembrando das nossas particularidades. Não nos cabe – nem nos cai bem – ficar mendigando um tratamento compatível, digno, atencioso.

Portanto, se liguem! Nós lhes damos até algumas chances de acertar, emitimos alguns sinais, oferecemos umas dicas veladas, mas, se percebermos que a coisa não vai funcionar, só lamentamos: quando vocês se derem conta, já não haverá mais tempo. Somos eficientes, além de tudo, não se esqueçam disso!

E não venham com chamegos e afins apenas quando quiserem “algo mais”. “Eu te amo”, “minha linda” e tal só quando se está com segundas intenções não adianta de nada. Pelo contrário, percebemos que sabem o caminho, mas têm preguiça de se dedicar constantemente, só o buscando quando lhes convém. Não é por aí!

No que se refere às relações íntimas, salvo algumas vezes em que resolvermos curtir uma troca mais “concentrada”, precisamos de caprichadas “prévias”, de “durantes” prolongados e muito bem trabalhos e de “posteriores” igualmente consideráveis.

A coisa, para nós, não é tão extintiva – e nem tão automática – quanto pode ser para vocês, homens. A excitação, para nós, começa no emocional antes de ir para o físico. Por isso, é bom sermos cortejadas, estimuladas e seduzidas, e isso deve começar muito antes de irmos para a cama, bem como continuar depois. Na verdade, deve ser constante.

A intensidade, para nós, tem muito mais a ver com dedicação, profundidade emocional e extensão temporal do que com uma “pegada mais forte”.

Vocês nos envolverão verdadeiramente e enlaçarão o nosso coração se entenderem essa nossa dinâmica e se dedicarem, efetivamente, a atendê-la. Constantemente.

Ambos sairemos ganhando – e muito!-, não tenham dúvidas.

Imagem de capa:  shutterstock/ Mihajlo Ckovric

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Quando pessoas que amamos adotam falas e comportamento tóxicos, conosco e com os que estão à volta, o que podemos fazer para ajudar?

No vídeo de hoje, canal MOVA e o público selecionaram essa pergunta para compor a série Monja Coen Responde:

“Monja, quando pessoas que amamos adotam falas e comportamento tóxicos, conosco e com os que estão à volta, o que podemos fazer para ajudar? Creio que existe um dilema entre “deixar pra lá” ou reagir às situações. As vezes tentamos compreender sob quais condições as pessoas estão naquele momento, pois como você já ensinou: “Essa pessoa não pode estar bem. Quem está bem não reage assim!”. Mas acredito que não podemos ficar alheios às situações que nos incomodam, nos destratam, mesmo lembrando do que você disse: “não existe um eu para magoar”. Será que devemos e podemos ser essa pessoa passiva o tempo todo? Num mundo ideal, o diálogo seria a solução, em que ambas as partes concordam em ouvir e trocar ideias. Mas no mundo real, onde muitos ouvem para responder e não compreender, o que fazer?”

Veja a resposta da Monja Coen no vídeo abaixo:

Via Revista Pazes– reproduzido com autorização

5 semanas para esquecer um grande amor

  

Para esquecer um grande amor, é preciso partir. Se tiver chance de viajar, ótimo. Se não tiver, a solução é partir de você mesmo e voltar com outro ponto de vista. Trocar os móveis de lugar, comprar umas roupas novas, dormir do lado contrário da cama, entrar numa aula de desenho ou de violão. Acordar cedo e tomar água de coco sentada na areia de praia. É preciso sair da rotina.

Semana 1 – Hora de sofrer tudo o que você tem para sofrer

Uma vontade de ficar deitada na cama (de preferência, no escuro) percorre meu corpo todo. Só quero chorar, porque a vida parece inútil. Nada faz sentido mais. Drama, drama, drama. Nesta semana, eu vou me permitir sentir tristeza. Eu mereço passar por esse luto. Minhas amigas me chamam para sair, mas eu não quero. Não quero fazer nada. Só tem gente idiota na rua, não quero conhecer ninguém novo. Ninguém é como ele. Nunca mais vou amar. Eu odeio o amor.

Chega uma amiga, em casa, falando que eu não posso ficar assim. Ele não me merece. Ninguém me merece. Eu sou um trapo. Até que ela fala uma cosia que ninguém mais me falou. Essa é a hora de curtir minha bad. Ficar no fundo do poço mesmo. Nenhum sentimento se desperdiça, nem mesmo os piores. Sofre, mas você tem uma semana para lavar esse rosto e sair para ver o dia lindo que faz lá fora. Choro de novo.

Passo uma semana sem forças. Produção no trabalho cai para zero. Não posso ser demitida por causa de homem. Não posso. Preciso sair para tomar uma cerveja.

Saio. Minha amiga leva uma amiga do trabalho. Passo a noite inteira falando sobre como a gente se conheceu e como é inacreditável a gente ter acabado. Todo mundo falava que a gente combinava. Eu realmente achava que a gente ia se casar. Todo mundo acha isso. É legal querer ficar com alguém para sempre, mas a gente não precisa apostar todas as fichas nisso. A gente tem que apostar as fichas em vários partes da vida, para nunca ficar sem nada.

A amiga da minha amiga está de saco cheio de me ouvir falar, mas sem graça de parar de ouvir. Ela já passou por isso, ela disse. Deve estar achando tudo um drama sem fim. E é mesmo. Mas esse é o meu momento de sofrer. Me-deixa-em-paz!

Semana 2 – Hora de viajar, sair da rotina, mudar o pensamento

Despertador toca e parece que tudo foi um sonho, mas logo todos os pensamentos começam a voltar e tudo vai ficando real. Foi tudo real. Começo a chorar, mas não posso me atrasar de novo para o trabalho. Saí o fim de semana todo, mas um dia voltei pra casa bêbada e chorando, no outro fiquei bêbada de novo e peguei um cara que não tinha nada a ver.

Não. Esse fim de semana, eu vou viajar. Eu preciso sair daqui. Ligo para meus amigos e combinamos de ir a uma cidade perto. A segunda etapa para esquecer é viajar. Mesmo que seja ali na esquina. Mas é preciso passar uns dias fazendo algo que você não fazia antes.

Na viagem, parece tudo mais distante. Aquele peso todo já saiu um pouco, apesar de a tristeza ainda estar instalada por todos os meus poros. Eu não consigo mais morrer de rir de nada. Até que alguma coisa seja realmente muito engraçada e eu esqueça, por um instante, tudo isso. Mas o pensando fica me puxando para baixo.
Nessa hora, é preciso ter bons amigos que nos façam rir de nada.

Um amigo da viagem falou uma coisa que eu não vou esquecer. Ele disse que o amor só existe com a esperança. Enquanto existe um fio de esperança na gente, não tem como esquecer. Ainda existe uma esperança, no fundo, de que ele vai voltar e eu não quero deixar o sentimento ir embora. Eu queria que ele viesse até aqui dizer que tudo acabou para sempre, mas eu sou a única que pode fazer isso morrer em mim.

Semana 3 – Hora de fazer atividades novas e se arriscar

Decidi que não vou mais ficar com ninguém por agora. Porque óbvio que eu sinto falta de sexo, mas toda vez que eu tento me aventurar para “esquecer”, é só ele que vem à minha mente. Então, esquece. Não dá para ficar me enganando. Eu não quero mais ninguém. Quando chegar a hora, eu vou saber. Não vai ser forçado. Cansei de gente querendo me apresentar gente. Eu quero ficar em paz. Eu preciso esquecer e forçar a barra só atrapalha tudo, porque eu sempre chego em casa chapada, chorando e querendo comer a geladeira inteira. Depois eu quero dormir. Para sempre.

Eu decidi dar um ponto final e sei que, para isso, eu preciso parar de fazer drama. Mas é tão difícil se acostumar com essa vida vazia. E, já que está tão vazia, nessa etapa eu vou aproveitar para fazer tudo o que eu ainda não fiz. Vou entrar numa aula de Francês. Sempre quis aprender Francês. Vai ser bom para ocupar a minha mente. Ou eu podia entrar numa aula de teatro, violão. Eu vou inventar uma vida nova, já que essa está chata demais. No mesmo dia, faço minha matrícula no Francês e peço indicação de um professor de violão. Será que também dá tempo de fazer aula de pintura?

Ocupo minha cabeça procurando atividades novas para fazer, em vez de assistir a mais um episódio de Girls. Durmo com uma faísca de ansiedade se acendendo.

Acordo, no outro dia, colocando “You get what you give” e aceito essas palavras tipo um presente. I got the music in me. Arrumo a cama, coloco um tênis e saio para passear pela rua, ouvindo as músicas novas que eu baixei. Hoje eu vou sair linda e não quero nem saber. Vou usar batom vermelho de dia, sim.

Começo as atividades novas e me esqueço dele durante o tempo todo em que estou nelas. É engraçado, mas fazer coisas novas ajudam, porque eu nunca fiz nenhuma dessas atividades com ele. Aprender alguma coisa nova me dá vontade de viver cada vez mais, para aprender cada vez mais, e uma onda de felicidade bate, depois de dias sem sentir nada. Descobri que o sentido da vida é aprender coisas novas. Quero aprender alguma coisa nova todos os dias.

Semana 4 – Hora de encarar o tal grande amor, ou ex grande amor, no caso

Comecei o Francês, mas todo mundo da minha turma é meio esquisito. Eu não me importo, porque descobri que tenho mais facilidade com línguas do que eu imaginava, e meu professor já elogiou duas vezes meu desempenho. Forço-me a fazer uma coisa diferente todos os dias. Estou fazendo tudo que eu realmente quero e descobri um prazer imenso em ficar sozinha. Penso no passado, mas tenho pensado muito no futuro, nas coisas que eu quero fazer, naquilo em que eu quero investir. Comecei a pesquisar umas bolsas de mestrado fora e uma amiga já topou ir comigo para a França.

Saio à noite com as meninas para um show insuportável, mas elas me convencem de ir. Eu sabia que existia chance de eu encontrá-lo por lá. Eu já estava tão bem, não precisava disso. E, claro, ele estava lá.

Nessa etapa, é preciso encontrar-se com ele. É bem provável que você tenha uma recaída, mas você está bem com você, está cheia de planos, cheia de ideias novas. Você não vai passar vexame.

Vejo ele, de longe, e meu coração começa a acelerar. Finjo que eu não o vi conversando com uma menina e saio de perto. Minhas amigas perguntam se está tudo bem e meus olhos enchem-se de água. Quero sair daqui. Parece que todo o trabalho que eu fiz para me reerguer, nesta semana, foi em vão. Voltou tudo de novo, como se fosse o primeiro dia.

Bebo mais uma cerveja e sinto meu corpo amolecer. Quero ir falar com ele, quero falar que não quero que ele fique com ela. Mas eu não tenho mais nada a ver com isso. Ele é meu ex. Não é meu amigo, nem meu namorado. Ele é uma pessoa que tinha meu coração, em quem eu tinha confiança, a quem eu contava os meus segredos. Mas terminar é arrancar um amigo da sua vida à força e dói pra cacete. Eu preciso arrancá-lo de mim, como se arranca uma erva daninha. Mas morro de medo, porque, se eu o arrancar, talvez eu arranque um pouco de mim também. E é isso. Eu preciso arrancar essa memória de mim, porque quem eu era com você não existe mais. E agora eu sou uma pessoa que faz francês e toca violão. E eu acordo cedo para andar pela orla. E a vida também pode ser boa sem você, porque eu sou uma nova eu.

Nossos olhares se cruzam e eu tenho vontade de que um buraco se abra diante de mim. Sorrio. Você não esperava que eu sorrisse. Você não esperava que eu estivesse ali, pronta para outra. E eu vejo que você se surpreende comigo. A gente se aproxima, cumprimenta-se, dando dois beijinhos. Meu Deus, isso é muito estranho. Quero me enrolar no seu peito, sentir sua barba arranhando meu rosto. Seu cheiro de vida medíocre me faz querer parar de respirar. Mas eu só pergunto se está tudo bem.
“Tudo, e você? Como andam as coisas?”

Quero dizer que sou uma nova pessoa, que talvez você não me reconhecesse, mas você não percebe nada de muito diferente.

Respondo que está tudo bem.

Vi você numa foto num curso de francês. Está fazendo aula? Só tem gente estranha naquela turma.

Por que ele andou fuxicando meu Facebook, se não quer mais nada comigo? Quero concordar que só tem gente estranha, mas percebo o quão imbecil foi esse comentário. Sem querer, lembro que ele sempre fazia comentários imbecis sobre as coisas, mas eu não queria ver. Quando a gente termina, percebe que o outro nem é tudo aquilo. Talvez o que eu gostasse mais em você era o jeito que eu me sentia quando eu estava com você. Mas agora eu estou construindo uma nova vida em cima dessa que eu já tenho e não posso recusar. Oi, quero trocar de vida, essa não me serviu bem.

Os pensamentos rasgam minha cabeça por dentro e tenho certeza de que ele percebe meu coração quase saindo pela boca. Falo que estou fazendo francês e violão e que a vida anda muito bem, obrigada, mas penso “quem é aquela otária com quem você está conversando?” Agora preciso encontrar minhas amigas. Tchau.

Você não esperava que fosse cortar a conversa e me olha sem entender, mas finge que está tudo bem. Encontro minhas amigas e falo que quero ir embora. Todas desistem da noite por mim, menos uma que já está quase ficando com um carinha. Saio impecável do show. Sem dar vexame, sem beber todas, sem falar merda. Viro a esquina e caio no meio fio de tanto chorar.

As meninas me abraçam e compram uma coxinha com muito catupiry e uma Cola-Cola. Aquele é o melhor gosto que eu já senti. A gente volta para casa e fica conversando um tempão na cozinha, tentando entender aquela situação toda, até que uma delas me faz a pergunta mais óbvia: mas você que voltar com ele? Eu quase respondi de supetão que claro que sim, mas paro para pensar na minha vida agora, no que ele me falou e percebo que não. Eu não queria voltar para minha rotina. Apesar de ainda sentir muita falta da companhia dele e das coisas que a gente fazia, eu prefiro não estar com ele agora. Talvez ele não sei encaixe mais nos meus planos. E não respondo nada.

Semana 5 – Hora de se abrir pra alguém novo

Minha rotina continua a mesma da semana passada. Tenho aula de violão, Francês, e meu trabalho está parecendo mais legal do que era antes. Estou com uns novos planos. Resolvi que, sábado de manhã, eu vou fazer stand up na Lagoa. Nunca fiz essas coisas, mas as pessoas que o fazem parecem bem felizes ali, então resolvi tentar. Eu podia aprender a surfar, pintar o cabelo de loiro e virar aquelas pessoas que são ratas de praia. Eu gosto dessa visão de mim. Eu posso seguir o caminho que eu quiser e não tenho nada a perder. Não preciso me preocupar com dar satisfação e nem evitar brigas por causa de ciúmes. Namorar é ótimo, mas descobri que a vida também pode ser muito incrível sendo solteira.

***

Esse fim de semana, eu fui a uma festa na casa de um amigo de um amigo. Agora eu vou para tudo que me chamam.

Nessa festa, eu fiquei conversando um tempão com um cara que veio do Espirito Santo fazer mestrado aqui. A gente ficou fumando um cigarro na janela e eu nem percebi que se passaram 2 horas enquanto a gente trocava uma ideia sobre tudo. Falei do meu ex, ele falou que também saiu há pouco de um relacionamento e percebo que os dois estão satisfeitos de estarem ali, agora, presenciando as coisas boas da vida. Pela primeira vez, desde que eu terminei, sinto uma vontade inexplicável de beijar outro cara. Aqueles olhos castanhos profundos me engolem e eu só tenho vontade de agarrar ele ali mesmo, na frente de todo mundo. A gente não ficou nesse dia, porque ainda não sei se estou preparada para me decepcionar de novo, mas eu percebo um interesse da parte dele. A gente troca telefone, Facebook e tudo mais, e combina de se encontrar durante a semana. Estou ansiosa pra encontrar com outro cara e meu ex começa a se transformar em lembrança.

***

No outro dia, saio de casa pensando onde foi que eu errei no relacionamento, de uma forma bem racional mesmo, sem dramas. Queria saber onde eu errei, para não cometer esse erro de novo. Chego à conclusão de que eu errei não começando essa vida nova antes e até a rua aqui de casa parece mais bonita.

Atriz, roteirista, formada em comunicação social e autora do Blog De Repente dá Certo. Pira em artes e tecnologia e acredita que as histórias são as coisas mais valiosas que temos.

É covardia despertar o amor sem intenção de ficar

É covardia dizer palavras bonitas e depois agir feito criança que não sabe o que quer e o que diz. É covardia dizer que pretende ficar quando, na verdade, irá partir a qualquer momento.

Quantas histórias já ouvi de enganos e daquela dor terrível de recomeçar. Quantos corações partidos que deixam de acreditar no amor e, quando alguém aparece, já é descartado, com medo de doer novamente.

É covardia conquistar, ser gentil, só para inflar o ego e parecer o Don Juan. Ter prazer em saber que alguém “morre” de amores pela gente é dessas coisas bizarras da vida que eu nunca vou entender.

Não entendo o gosto de “pisar” o outro, dos joguinhos e de fazer promessas, quando as atitudes demonstram o contrário. Quando o príncipe vai logo virando sapo.

Covardia é quem chega de mansinho, vai logo ocupando um espaço em nosso coração, doma os nossos medos e, todas as vezes em que pensamos em dar um passo para trás, esse alguém segura a nossa mão e nos faz darmos um passo à frente. Então, esse alguém vai embora, sem ao menos dizer adeus, sem ao menos dizer o porquê do sumiço.

Covardia é despertar sentimentos, oferecer abraços, filmes no sábado à noite, no Netflix, quando, na verdade, irá inventar uma desculpa qualquer para nos deixar em casa sozinhos, pensando no que fizemos de errado.

Enquanto o outro curte a vida, você tenta entender onde falhou; enquanto o outro descobre outros risos, outros beijos, outros enganos, você se acha problema.

Bonito mesmo é quem fica, até quando não merecemos; quem entende as nossas pausas e os nossos medos; quem sabe dos nossos segredos e, mesmo assim, decide não partir.

Bonito é quem não promete, mas prova, todos os dias, o quanto gosta da nossa companhia. Quem não mente, não engana e não se alegra com a dor do outro.

Bonito é quem desperta o amor e fica, quem conquista e cultiva, quem não apenas planta como rega, cuida, protege, como quem deseja não perder aquilo que cativou.

https://www.contioutra.com/e-covardia-despertar-o-amor-sem-intencao-de-ficar/

“Para quando eu me for”

anjo chegando na cama

Morrer é uma surpresa. Sempre. Nunca se espera. Nem mesmo o paciente terminal acha que vai morrer hoje ou amanhã. Na semana que vem talvez, mas apenas se a semana que vem continuar sendo na semana que vem.

Nunca se está pronto. Nunca é a hora. Nunca vamos ter feito tudo o que queríamos ter feito. O fim da vida sempre vem de surpresa, fazendo as viúvas chorarem e entediando as crianças que ainda não entendem o que é um velório (Graças a Deus).

Com meu pai não foi diferente. Na verdade, foi mais inesperado. Meu pai se foi com 27 anos, a idade que leva muitos músicos famosos. Jovem. Moço demais. Meu pai não era músico nem famoso, o câncer parece não ter preferência. Ele se foi quando eu ainda era novo, descobri o que era um velório justamente com ele. Eu tinha 8 anos e meio, o suficiente pra sentir saudade pelo resto da vida. Se ele tivesse morrido antes, não haveriam lembranças. Nem dor. Mas também não haveria um pai na minha história. E eu tive um pai.

Tive um pai que era duro e divertido. Que me colocava de castigo com uma piadinha pra não me magoar. Que me dava um beijo na testa antes de dormir. Hábito esse que eu levei para os meus filhos. Que me obrigou a amar o mesmo time que ele e que explicava as coisas de um jeito melhor que a minha mãe. Sabe? Um pai desses que faz falta.

Ele nunca me disse que ia morrer, nem quando já estava deitado cheio de tubos. Meu pai fazia planos para o ano que vem mesmo sabendo que não veria o próximo mês. No ano que vem iríamos pescar, viajar, visitar lugares que nenhum de nós conhecia. O ano que vem seria incrível. Eu vivi esse sonho com ele.

Acho, tenho certeza na verdade, que ele pensava que isso daria sorte. Supersticioso. Pensar no futuro era o jeito dele se manter otimista. O desgraçado me fez rir até o final. Ele sabia. Ele não me contou. Ele não me viu chorar a sua perda.

E de repente o ano que vem acabou antes de começar.

Minha mãe me pegou na escola e fomos ao hospital. O médico deu a notícia com toda a sensibilidade que um médico deixa de ter com os anos. Minha mãe chorou. Ela também tinha um pingo de esperança. Como disse antes, todo mundo tem. Eu senti o golpe. Como assim? Não era só uma doença normal dessas que a gente toma injeção? Pai, como eu te odiei. Você mentiu pra mim. Não fiquei triste, pai, fiquei com raiva. Me senti traído. Gritei de raiva no hospital até perceber que meu pai não estava lá pra me colocar de castigo. Chorei.

Mas aí meu pai foi meu pai de novo. Trazendo uma caixa de sapato debaixo dos braços, uma enfermeira veio me consolar. Dentro, dezenas de envelopes lacrados com frases escritas onde deveriam ficar os nomes dos destinatários. Entre as lágrimas e os soluços não consegui entender direito o que estava acontecendo. E então a mesma enfermeira me entregou uma carta. A única fora da caixa.

“Seu pai me pediu pra entregar essa pessoalmente e te dizer pra abrir. Ele passou a semana inteira escrevendo tudo isso e disse que era pra você. Seja forte.” Disse a enfermeira com um abraço.

PARA QUANDO EU ME FOR dizia o envelope que ela me entregou. Abri.

Filho,

Se você está lendo eu morri. Desculpa, eu sabia.

Não queria te dizer que ia acontecer, não queria te ver chorar. Parece que consegui. Acho que um homem prestes a morrer tem o direito de ser um pouco egoísta.

Bom, como eu ainda tenho muito pra te ensinar, afinal você não sabe de nada, deixei essas cartas. Você só pode abrir quando o momento certo chegar, o momento que eu escrevi no envelope. Esse é o nosso combinado, ok?

Eu te amo. Cuida da sua mãe, você é o homem da casa agora.

Beijo, pai.

PS: Não deixei cartas para sua mãe, ela já ficou com o carro.

E com aqueles garranchos, afinal naquela época não era tão fácil imprimir como é hoje em dia, ele me fez parar de chorar. Aquela letra porca que uma criança de 8 anos mal entendia (eu, no caso) me acalmou. Me arrancou um riso do rosto. Esse era o jeito do meu pai de fazer as coisas. Que nem o castigo com uma piadinha para aliviar.

Aquela caixa se tornou a coisa mais importante do mundo. Proibi minha mãe de abrir, de ler. Mas elas eram minhas, só pra mim. Sabia decorado todos os momentos da vida em que eu poderia abrir uma carta e ler o que meu pai tinha deixado. Só que esses momentos demoraram muito pra chegar. E eu esqueci.

Sete anos e uma mudança depois eu não tinha ideia de onde a caixa tinha ido parar. Eu não lembrava dela. Algo que você não lembra não faz falta. Se você perdeu algo da sua memória, você não perdeu. Simplesmente não existe. Como dinheiro que depois você acha no bolso da bermuda.

E então aconteceu. Uma mistura de adolescência com o novo namorado da minha mãe desencadeou o que meu pai sabia que um dia aconteceria. Minha mãe teve vários namorados, sempre entendi. Ela nunca casou de novo. Não sei ao certo o motivo, mas gosto de acreditar que o amor da vida dela tinha sido meu pai. Mas esse namorado era ridículo. Eu sentia que ela se rebaixava pra ele. Que ele fazia pouco da mulher que ela era. Que uma mulher como ela merecia algo melhor do que um cara que ela tinha conhecido no forró.

Me lembro até hoje do tapa que veio acompanhado da palavra “forró”. Eu mereci, admito. Os anos me mostraram isso. Na hora, enquanto a pele da minha bochecha ardia, lembrei da minha caixa e das minhas cartas. De uma carta em específico que dizia PARA QUANDO VOCÊ TIVER A PIOR BRIGA DO MUNDO COM A SUA MÃE.

Corri para o quarto e revirei minhas coisas o suficiente para levar outro tapa na cara da minha mãe. Encontrei a caixa dentro de uma mala de viagem na parte de cima do armário. O limbo. Procurei entre os envelopes. Passei por PARA QUANDO VOCÊ DER O PRIMEIRO BEIJO e percebi que havia pulado essa, me odiei um pouco e decidi que a leria logo depois, e por PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE, uma que eu esperava abrir logo, logo. Achei o que procurava e abri.

Pede desculpa.

Eu não sei o motivo da briga e nem quem tem razão. Mas eu conheço a sua mãe. Então a melhor maneira de resolver isso é com um humilde pedido de desculpas. Do tipo rabinho entre as pernas.

Ela é sua mãe, cara. Te ama mais do que tudo nessa vida. Sabe, ela escolheu parto normal porque alguém disse que era melhor pra você. Você já viu um parto normal? Pois é, quer demonstração de amor maior que essa?

Pede desculpa. Ela vai te perdoar. Eu não seria tão bonzinho.

Beijo, pai.

Meu pai passava longe de um escritor, era bancário, mas as palavras dele mexeram comigo. Havia mais maturidade nelas do que nos meus quatorze anos de vida. O que não era muito difícil por sinal.

Corri para o quarto da minha mãe e abri a porta. Já estava chorando quando ela, chorando também, virou a cabeça pra me olhar nos olhos. Não lembro o que ela gritou pra mim, algo como “O que você quer?”, mas lembro que andei até ela e a abracei, ainda segurando a carta do meu pai. Amassando o papel já velho entre os meus dedos. Ela me abraçou de volta e ficamos em silêncio por não sei quantos minutos.

A carta do meu pai fez ela rir alguns momentos depois. Fizemos as pazes e conversamos um pouco sobre ele. Ela me contou umas manias estranhas que ele tinha, como comer salame com geleia de morango. De algum modo, senti que ele estava ali. Eu, minha mãe e um pedaço do meu pai, um pedacinho que ele deixou naquele papel. Que bom.

Não demorou muito e li PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE.

Parabéns, filho.

Não se preocupa, com o tempo a coisa fica melhor. Toda primeira vez é um lixo. A minha foi com a puta mais feia do mundo, por exemplo.

Meu maior medo é você ler o envelope e perguntar da sua mãe antes da hora o que é virgindade. Ou pior, ler o que eu acabei de escrever sem nem saber o que é punheta (você sabe, não sabe?). Mas isso também não será problema meu, não é mesmo?

Beijo, pai.

Meu pai acompanhou minha vida toda. De longe, sim, mas acompanhou. Em incontáveis momentos suas palavras me deram aquela força que ninguém mais conseguia dar. Ele sempre dava um jeito de me arrancar um sorriso em um momento de tristeza ou de clarear meus pensamentos num momento de raiva.

PARA QUANDO VOCÊ CASAR me emocionou, mas não tanto quanto PARA QUANDO EU FOR AVÔ.

Filho, agora você vai descobrir o que é amor de verdade. Vai descobrir que você gosta bastante da sua mulher, mas que amor mesmo é o que você vai sentir por essa coisinha aí que eu não sei se é ele ou ela. Sou um cadáver, não um vidente.

Aproveita. É a melhor coisa do mundo. O tempo vai passar rápido, então esteja presente todos os dias. Não perca nenhum momento, eles não voltam mais. Troque as fraldas, dê banho, sirva de exemplo. Acho que você tem condições de ser um pai tão incrível quanto eu.

A carta mais dolorida da minha vida foi também a mais curta do meu pai. Acredito que ele sofreu para escrever aquelas quatro palavras o mesmo que eu sofri por ter vivido aquele momento. Demorou, mas um dia eu tive que ler PARA QUANDO SUA MÃE SE FOR.

Ela é minha agora.

Uma piada. Um palhaço triste que esconde o choro por trás do sorriso de maquiagem. Foi a única carta que não me arrancou um sorriso, mas entendi a razão.

Eu sempre respeitei o combinado com meu pai. Nunca li nenhuma carta antes do momento certo. Tirando PARA QUANDO VOCÊ SE DESCOBRIR GAY, claro. Nunca acreditei que o momento de ler essa carta chegaria, então abri muitos anos atrás. Ela foi uma das mais engraçadas, por sinal.

O que eu posso dizer? Ainda bem que morri.

Deixando as brincadeiras de lado e falando sério (é raro, aproveita). Agora semimorto eu vejo que a gente se importa muito com coisas que não importam tanto. Você acha que isso muda alguma coisa, filho?

Não seja bobo, seja feliz.

Sempre esperei muito pelo próximo momento. Pela próxima carta. Pela próxima lição que meu pai tinha pra me dar. Incrível como um homem que viveu 27 anos teve tanto pra ensinar pra um senhor de 85 como eu.

Agora, deitado na cama do hospital, com tubos no nariz e na traqueia (maldito câncer), eu passo os dedos por cima do papel desbotado da última carta. PARA QUANDO SUA HORA CHEGAR o garrancho quase invisível diz.

Não quero abrir. Tenho medo. Não quero acreditar que a minha hora chegou. Esperança, lembra? Ninguém acredita que vai morrer hoje.

Respiro fundo e abro.

Oi, filho, espero que você seja um velho agora.

Sabe, essa foi a carta mais fácil de escrever. A primeira que eu escrevi. A carta que me livrou da dor de te perder. Acho que estar perto do fim clareia a cabeça pra falar sobre o assunto.

Nos meus últimos dias eu pensei na vida que eu levei. Na minha curta vida, sim, mas que me fez muito feliz. Eu fui seu pai e marido da sua mãe. O que mais eu poderia querer? Isso me deu paz. Faça o mesmo.

Um conselho: não precisa ter medo.

PS: Tô com saudade.

Por Rafael Zoehler, via Medium

http://www.contioutra.com/para-quando-eu-me-for-um-texto-para-quem-nao-tem-medo-de-se-emocionar/

Alcoolismo juvenil: por que nossos jovens precisam se embriagar?

 

Desculpe falar assim “na lata”, mas álcool é droga, sinto muito. Pior que isso, o álcool é uma droga lícita, aceita, louvada e, muitas vezes, seu uso é incentivado pelos próprios familiares. Para ficar ainda pior, custa extremamente barato. É possível comprar uma garrafa de cachaça em qualquer esquina do Brasil por menos de dez reais.

Beber álcool é um hábito visto com olhos muito pouco críticos, como se fosse algo inofensivo. Aliás, a grande maioria das pessoas acredita que diversão e vida social não são coisas possíveis sem um copinho de birita na mão. Bem… antes fosse apenas um copinho.

As bebidas alcoólicas constituem as drogas legalizadas mais consumidas em nosso país. Brasileiro parece ter absoluta certeza de que festa sem algumas doses, não é festa. Bebe-se antes, durante e depois das refeições, bebe-se para comemorar, bebe-se para relaxar, bebe-se para esquecer. Acontece que essa insanidade coletiva não fica apenas na conta dos adultos; nossos jovens estão adquirindo o hábito de beber cada vez mais precocemente.

Mas afinal, o que pode levar um jovem, em plena melhor fase da vida, com um corpo cheio de energia vital e com incontáveis possibilidades de escolha para passar o tempo e aproveitar a vida, a achar que é uma boa ideia entorpecer o cérebro e matar alguns muitos neurônios afogados em porres de vodka, cerveja e tequila?!

O jovem bebe porque tem acesso, porque tem exemplo e porque desenvolve a crença errônea de que ficar embriagado vai resolver seus problemas de autoestima, timidez e falta de desenvoltura social. Quando está sozinho e pode refletir, o jovem até sabe que o álcool é prejudicial e que aquele efeito entorpecente não há de ser benéfico. Mas, quando está cercado pela turma, a teoria morre afogada no primeiro “shot”.

Por lei, menores de idade não podem comprar bebida alcoólica no Brasil. No entanto, a coisa mais fácil do mundo é sair de um supermercado de ambiente feliz e familiar com garrafas e latinhas, cuja quantidade seria suficiente para deixar de pilequinho a vizinhança inteira. E, se a lei não é cumprida, quem vai se responsabilizar pelo consumo de álcool dos menores? A família, que anda cada vez mais omissa? A escola, que finge que não vê o problema? Os órgãos de saúde, que andam mais trôpegos que um bebum em fim de balada?

Basta dar uma chegadinha em qualquer festinha, barzinho ou balada frequentada por jovens com idade entre 13 e 17 anos para observar a quantidade de meninos e meninas embriagados, andando pelo meio dos carros, completamente desorientados, agarrados a litros de bebida, passados de mão em mão e tragados com desenvoltura, diretamente no gargalo.

Dados inéditos de uma pesquisa sobre o uso de drogas entre os alunos de escolas particulares da cidade de São Paulo revelam que um em cada três estudantes do ensino médio se embriagou pelo menos uma vez no mês anterior ao levantamento.

Uma pesquisa realizada pelo Cebrid (Centro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) da Unifesp, ouviu mais de cinco mil alunos do ensino fundamental e médio de trinta e sete escolas particulares da cidade de São Paulo; os dados são alarmantes. Entre os estudantes do ensino fundamental (8º e 9º anos), o total dos que se embriagaram ao menos uma vez no último mês é de 24%. Os jovens ouvidos têm entre 13 e 15 anos.

O pileque, ao contrário do que muita gente quer acreditar, não é uma brincadeira inocente. Sua prática, em verdade, é uma consequência imediata do conceito absurdo que beber é uma prática social. Crianças brasileiras crescem assistindo seus familiares entornando copos de bebida nos mais variados eventos.

É por isso que nossos meninos e meninas chegam à adolescência acreditando que ter um copo de álcool na mão é símbolo de status e de maturidade. Acontece que essa crença distorcida pode vir acompanhada de tragédias anunciadas: jovens morrem atropelados por estarem embriagados, jovens atropelam pessoas inocentes por estarem embriagados, crimes de estupro e abusos crescem assustadoramente em ambientes regados a bebida alcoólica.

O uso costumeiro de álcool desencadeia um processo inflamatório no cérebro, alterando as reações químicas e, consequentemente, as ações provenientes de sinapses neuronais. Jovens habituados a beber têm prejuízos de memória, concentração, atenção e podem desenvolver distúrbios de aprendizagem e transtornos de humor.

E é por isso que nós, os adultos, precisamos acordar e entender que é nossa responsabilidade prevenir e proteger nossas crianças dos perigos iminentes que o uso dessa droga lícita pode oferecer. E acontece que campanha nenhuma vai funcionar enquanto as mídias sociais continuarem inundadas de publicidade que associa o consumo de bebida à prazer, poder e liberdade. Nada será suficiente para alertar essa garotada, enquanto ficar alcoolizado for uma prática recorrente em festas familiares.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Aos treze”.

Trago seu amor próprio de volta em três parágrafos. Desamarração forte!

 

Incrível como a gente é capaz de se entregar espontaneamente a viagens em barcos furados. Isso talvez explique a quantidade de vezes que nos envolvemos em relacionamentos unilaterais, aqueles para os quais nos dedicamos de corpo e alma e a outra pessoa fica confortavelmente recostada em nossos esforços para manter o vínculo e o contato. Relações unilaterais só servem para fazer sofrer. Ahhhh… e servem também para nos manter cativos num lugar de menos valia e de completo divórcio entre nós e nosso amor próprio. Se você anda esquecido do quanto é bom amar-se e ter orgulho dessa carinha que te contempla ali do espelho esse texto é para você!

A recuperação do amor próprio pode ser conquistada por inúmeras vias. Aqui eu proponho um exercício simples em três etapas, sendo que a primeira delas éQUERER! Isso mesmo, você precisa querer a libertação. Caso contrário, vai ficar se auto sabotando o tempo todo e arranjando mil e uma desculpas para justificar o comportamento abusivo daqueles que só se beneficiam da sua tolerância infinita e da sua igualmente infinita capacidade de amar (os outros!). Portanto, QUEIRA! Queira a sua vida de volta! Queira descobrir-se interessante, digno e merecedor de afeto!

A segunda etapa desse plano de emergência para o seu resgate é DESCOBRIR-SE! Sim, meu queridíssimo leitor! Há coisas que estão aí dentro de você desde sempre. Coisas maravilhosas, apaixonantes e reveladoras, escondidas por uma infindável sequência de camadas de poeira. Poeira de medo. Poeira de vergonha. Poeira de encolhimento da sua vontade, em detrimento das vontades e necessidades de todo o resto do mundo ao seu redor. Sendo assim, DESCUBRA-SE! Arranje um jeito de varrer essa poeira para um lugar muito, muito distante e sem nenhum atrativo, para garantir que você não queira voltar para lá nunca mais.

A terceira, mas definitivamente, não menos importante etapa desse projeto de amor verdadeiro é talvez o mais difícil. A parte do processo que vai trazer você de volta desse cantinho escuro e frio é PERDOAR-SE! Exatamente! Por essa você não esperava, hein?! Pois espere, e acredite e tenha certeza. PERDOAR-SE é a chave secreta e definitiva para libertar a sua alma das mãos de quem quer que seja e devolvê-la para as suas mãos. PERDOE-SE! Perdoe sua falta de jeito para se colocar e impor limites. Perdoe as perdas sofridas e infringidas. Perdoe a fraqueza, a força extrema, a tristeza e o riso amarelo. Perdoe-se pela necessidade inadiável de ter de ir buscar-se lá no fundo de um lugar qualquer, para onde você foi por livre e espontânea vontade. E tendo conseguido perdoar-se, abrace-se. Envolva-se por sua compaixão e nunca mais esqueça de lembrar que sem conseguir amar-se, qualquer tipo de felicidade não é nada além do que um delírio.

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