Filho a gente não escolhe, acolhe

fadinha-no-dedo

Mário Romano Maggioni

Não digam “o importante é que venha com saúde”.

Há crianças que vêm sem saúde. Outras vêm com deficiência. Elas são o que há de mais importante na Terra. São tão importantes quanto aquelas que vêm cheias de saúde e sem deficiência. Tudo serve para a poesia. Tudo serve para a crônica. Todos os seres pequenos têm grande importância.

Não escolham demais os filhos! Deixem que eles aconteçam! Acolham o que vier! Eu garanto que no frigir das palavras tudo virará poema dentro do peito. Tudo germinará como flor no útero do dia a dia.

Há poucos dias, escrevi os encantamentos que a Maria Luiza deixou em sua breve passagem por aqui. Eu choro só de pensar na formosura que ela era. Breve, mas intensa. Breve, mas tão querida. Breve, mas tão eterna. Isso é importante.

O importante é acolher os filhos. Venham do jeito que vier.

Penso no Guilherme, filho dos meus primos Flávio e Maria Celeste. Ele nasceu cheio de deficiências. Pensaram que viveria alguns minutos. Alguns minutos se transformaram em milhões de minutos. Já anda pela casa dos 25 anos. Ele não caminha e não fala, mas os movimentos e os sons que ele produz são um poema que faz florescer orquídeas no tronco das árvores. Não há poema mais lindo. Filho a gente não escolhe, acolhe!

Eu ainda sonho com o dia em que não haverá perfil para quem quiser adotar. A pessoa se habilitará; e a criança ou o adolescente que estiver apto para adoção terá, nesta pessoa, o melhor pai e a melhor mãe que o mundo possa produzir.

Não há melhores pais que os nossos. O Loreno e a Maria são os meus melhores pais do mundo. Eu amo eles assim como eles são. Eles me amam assim como eu sou, com todas as minhas múltiplas deficiências, embora eu tenha uma veia poética que minha mãe adora. Meu pai nunca se deu ao trabalho de ler uma crônica minha. Ingrato! Mesmo assim eu o amo.

Em suma, pretendentes à adoção, não escolham muito os filhos! Adotem o que vier pela frente! Deixem o amor lhes surpreender! Isso é poesia.

Mário Romano Maggioni

https://www.facebook.com/marioromano.maggioni?fref=ts

Esta escola substituiu a suspensão por meditação e o resultado foi incrível

 

26/09/2016 –

OUÇA A REPORTAGEM
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Não existe detenção na escola Robert W. Coleman, em Baltimore, nos EUA. Em vez de dar broncas nos alunos ou mandá-los para casa, os professores enviam os alunos mais agitados para uma sala de meditação.

Trata-se de um programa escolar chamado Holistic Me, uma iniciatiava em parceria com a ong Holistic Life Foundation que reúne meditação de atenção plena com profissionais especialistas em comportamento. O resultado foi tão impressionante que, desde que implantou o projeto há dois anos, a escola de Baltimore não realizou uma únicasuspensão.

A ótima estatística da escola é semelhante àquela obtida em uma prisão do Alababa. Em uma entrevista ao jornal The New York Times, o presidente da prisão, Ron Cavanaugh, afirmou que desde que iniciaram um projeto de meditação, os dententos se tornaram aptos a controlar a raiva. A história pode ser vista no documentário The Dhama Brothers, disponível na Netflix.

No dossiê especial sobre meditação, a bióloga do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein Elisa Kozasa afirmou a GALILEU: “Quem medita com regularidade tende a evitar respostas impulsivas”. Veja as fotos do programa escolar.

 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Adolescentes e Maconha

Adolescentes que fumam maconha têm 3 vezes mais chances de desenvolver psicoses na fase adulta

Por Fãs da Psicanálise –

Atenção, pais!

Se a maconha ainda não era um assunto debatido em casa, é melhor começar a pensar em colocá-la na pauta, especialmente se seus filhos têm idades entre 15 e 18 anos.

De acordo com um médico inglês, usar a droga antes da maioridade aumenta os riscos de esquizofrenia na idade adulta. Além disso, explica o psiquiatra, jovens que fumam maconha têm três vezes mais chances de desenvolver psicoses no futuro.

Os dados preocupantes são de estudos que o professor de pesquisa psiquiátrica Robin Murray coordenou no Instituto de Psiquiatria Kings College, em Londres, na Inglaterra.

Em 2002, por exemplo, foi descoberto que quem usa maconha a partir dos 15 anos tem 4,5 vezes mais chances de se tornar psicótico dez anos depois.

— Ainda trabalhamos para resolver algumas incógnitas, como, por exemplo, saber se é mais seguro adultos usarem maconha do que adolescentes usarem. No entanto, já conseguimos mapear boa parte dos riscos que os jovens correm.

Murray conta que a grande chave dos problemas está na paranoia e na desconfiança geradas pelo consumo da droga. Em um dos experimentos com pacientes recebendo doses de THC intravenoso, ele conta, uma paciente entrou em contato com os médicos no dia seguinte à sua avaliação, dizendo que esperava muito que não tivesse destruído o teste.

Leia mais: Adolescência, drogas e família

— Ela contou que, no momento da experiência, estava se sentindo tão paranoica de que os doutores pudessem estar envenenando-a, que, quando perguntada se estava sentindo algo diferente, respondeu que não, não estava sentindo nada. No dia seguinte, se deu conta de que tudo não passou de um momento de paranoia incontrolável, e então nos procurou de volta.

Uma curiosidade apontada pelo psiquiatra é de que os riscos de psicose e esquizofrenia no futuro contemplam apenas o uso de maconha e skank. No caso de haxixe, as chances de desenvolver as doenças são praticamente iguais às das pessoas que não fazem uso das substâncias.

Murray comenta que, em Londres, um quarto dos casos de psicose na idade adulta é fruto do abuso de maconha na juventude.

Leia mais: Drogas: lucro, vício e indiferença

No entanto, para ele, uma das maiores dificuldades na prevenção e no tratamento é o fato de que é complicado convencer os usuários, especialmente se eles já apresentam algum traço de psicose.

— Nenhum psicótico que fuma maconha aceita bem que seu vício possa estar gerando sua doença.

(Autora: Marcella Franco)
(Fonte: noticias.r7.com)

Leia mais: http://www.fasdapsicanalise.com.br/adolescentes-que-fumam-maconha-tem-3-vezes-mais-chances-de-desenvolver-psicoses-na-fase-adulta/#ixzz4KZ7SXJSf

Cientistas dizem que hiperatividade é mal diagnosticada e muitas crianças são simplesmente imaturas.

crianças no banco de jardim - balanço.jpg

Um novo estudo está sugerindo que o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é diagnosticado erroneamente com frequência, com muitos casos sendo simplesmente de crianças imaturas que são as mais jovens em sua classe.

Quase 400.000 crianças entre 4 e 17 anos no Taiwan participaram da pesquisa. Os cientistas notaram que a percentagem de jovens diagnosticados com TDAH muda significativamente dependendo do seu mês de nascimento.

Enquanto apenas 2,8% dos meninos nascidos em setembro têm a condição, o número salta para 4,5% em agosto, subindo de forma constante ao longo do ano escolar no país. Para as meninas, o número sobe de 0,7% a 1,2%.

TDAH

O TDAH é um termo frequentemente usado para indicar um conjunto de problemas. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido descreve a doença como sendo “um grupo de sintomas comportamentais que incluem desatenção, hiperatividade e impulsividade”.

Os sintomas mais comuns são curto espaço de atenção, agitação ou inquietação constante e distração. Muitas pessoas com TDAH também podem apresentar dificuldades de aprendizagem e outros problemas de saúde, como distúrbios do sono. A condição é normalmente diagnosticada entre as idades de 3 e 7 anos.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, a prescrição de medicamentos como Ritalina duplicou na última década para crianças diagnosticadas com TDAH, mas pode causar reações adversas, tais como perda de peso, toxicidade hepática, pensamentos suicidas e supressão do crescimento puberal.

Crianças sendo crianças

Os pesquisadores acreditam que muitos casos de TDAH podem ser causados por professores comparando o comportamento de crianças mais maduras ao das mais jovens (quase um ano mais jovens) nas salas de aulas.

“Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é o distúrbio neurológico mais comumente diagnosticado. TDAH começa na infância e se manifesta como uma incapacidade de organizar e manter a atenção e modular nível de atividade e ações impulsivas”, disse o principal autor do estudo, Dr. Mu-Hong Chen, do Departamento de Psicologia do Taipei Veterans General Hospital, em Taiwan. “Ao olhar para o banco de dados como um todo, as crianças nascidas em agosto eram mais propensas a serem diagnosticadas com TDAH e/ou receber medicação do que as nascidas em setembro”.

Os pesquisadores sugerem que idade relativa, como um indicador da maturidade cognitiva, pode desempenhar um papel crucial no risco de ser diagnosticado com TDAH. “Nossos resultados sublinham a importância de se considerar a idade de uma criança dentro de um ano ao se diagnosticar e prescrever medicamentos para TDAH”, diz o Dr. Chen.

TDAH sequer existe?

Se os cientistas taiwaneses acreditam que crianças imaturas estão sendo diagnosticadas com TDAH, alguns neurocientistas vão ainda mais além e afirmam que a condição nem sequer existe. Eles argumentam que a maioria das pessoas irá exibir alguns (ou todos) os sintomas do déficit de atenção durante sua vida. (E não há como discordar disso, certo?).

É cedo para abolir o TDAH como uma doença conhecida, mas é importante tomar cuidado para não prescrever medicamentos potencialmente prejudicais a crianças que não precisam deles.

“O estudo destaca a importância de assegurar que a avaliação para o TDAH seja rigorosa e dependa de uma variedade de fontes de informação para decidir se o critério foi atendido”, disse o Dr. Kuben Naidoo, psiquiatra e presidente da Fundação TDAH (ADHD Foundation, no Reino Unido). [Telegraph]

Ler mais: http://www.psicologiasdobrasil.com.br/cientistas-dizem-que-hiperatividade-e-mal-diagnosticada-e-muitas-criancas-sao-simplesmente-imaturas/#ixzz4Jznx3t7H

Se você não quer que seus filhos sejam malcriados, tem que parar de fazer isto….

bebês gêmeos - dormindo - facebook - G

Criar filhos com certeza não é uma tarefa fácil.

A responsabilidade de cuidar da formação de uma pessoa é muito grande, e quem se dispõe a fazer isso com dedicação, merece reconhecimento.

Se você tem tido problemas com o mau comportamento dos seus filhos, este post pode ser bastante útil.

Crianças em todo o mundo tende a fazer birras, mas se isso não for controlado, pode resultar em grandes problemas no futuro.

Emma Jenner, a “Super Nanny” da versão americana de um conhecido programa de TV, revelou cinco atitudes que os pais costumam tomar, mas que prejudicam na educação dos filhos.

Ela também chama a atenção dos responsáveis que tentam agradar às crianças fazendo tudo por elas.

A consequência desse mal é que a sociedade acaba formando pessoas que têm medo de desafios e não sabem superar obstáculos sozinhas.

1. Ter medo de que o filho chore

Vamos supor que o café da manhã está na mesa, mas seu filho só quer beber o leite se for em outro copo.

Você tem duas opções: se levantar e procurar um copo que agrade a ele ou dizer que só tem aquele e que ele precisa se alimentar.

Muitos pais ficam com medo de ver o filho chorando e gritando, mas precisam entender que são eles quem mandam na casa e não as crianças.

Se a criança chorar, ignore até que ela faça o que você determinou.

Caso contrário, seu filho vai aprender que, todas as vezes que chorar, a vontade dele será feita.

2. Justificar os erros das crianças

Se diante de um mau comportamento você diz “as crianças são assim mesmo”, então elas vão acreditar nisso.

As crianças são mais capazes de nos surpreender do que nós podemos imaginar.

Não ache normal o que é errado – erro é erro e precisa ser consertado.

3. Não deixar que outras pessoas repreendam seu filho

Já pensou como é ruim o professor ou funcionário da escola reclamar com seu filho e você mostrar irritação por isso?

A criança vai sempre se sentir acobertada porque ninguém pode repreendê-la.

Não faça isso!

4.Colocar o filho em primeiro lugar antes de qualquer outra coisa

Sabemos que os filhos são o grande tesouro dos pais na terra, mas isso não nos dá o direito de parar tudo o que estamos fazendo para atendê-los.

Muitos pais não sabem colocar limites e basta um pedido das crianças para que eles saiam correndo para atender, ignorando as muitas limitações que podem ter naquele momento.

Deixe claro para as crianças que tudo tem sua hora e que elas devem saber esperar.

5. Buscar distrações com eletrônicos

Muitas crianças hoje em dia não sabem esperar a comida ficar pronta, a fila do brinquedo andar ou qualquer outra coisa porque ficam chorando.

Como paliativo, os pais entregam aparelhos eletrônicos para evitar que os filhos fiquem irritados.

Isso é muito ruim!

Ensine as crianças a ter paciência.

Mais do que isso, sempre que possível, insira-as nas atividades.

Ou seja, se o almoço vai demorar a ficar pronto, então a convide para ajudar a “pegar na massa” e interagir com você.

http://www.curapelanatureza.com.br/post/07/2016/se-voce-nao-quer-que-seus-filhos-sejam-malcriados-tem-que-parar-de-fazer-isto-de

Primeira Infância – Zero a Seis Anos com João Augusto Figueiró

bebê de touquinha rosa.jpg

PRIMEIRA INFÂNCIA (0 a 6 anos) com JOÃO AUGUSTO FIGUEIRÓ no TV FAZ MUITO BEM

Queremos um mundo melhor?
1) pense antes de ter filhos, e se for para ter, deseje-o e ame-o desde o princípio! Você não é obrigado a ter filhos! Mas só os tenha se realmente desejar. Caso contrário, faça anticoncepção e seja firme na sua decisão de não tê-los!
2) escolha a pessoa certa e o ambiente certo para tê-los!
3) coloque-os em primeiro lugar sempre! Abdique de seus prazeres e priorize as necessidades deles… Você será o seu porto seguro e seu referencial.
4) escolha muuuito bem quem ficará com ele(s) nos momentos de sua ausência. Isso vale para o familiar, para a babá e para a profe da escolinha. Vale muito a pena conversar com um psicólogo antes de colocar qualquer pessoa dentro da sua casa para dar exemplos aos seus filhos e indiretamente educá-los junto com você
5) esteja atento, proteja, eduque seu filho. O lema do exército é ótimo: “braço forte, mao amiga”
6) dê exemplo: seja ético, honesto e verdadeiro sempre (no supermercado, nas relações com amigos, familiares e até com desconhecidos). Seu filho estará sempre lhe observando!

 

Assista em:

Ser pai é um ato político

pai e filho bebê 2

Levar a paternidade a sério e dividir completamente as tarefas com a outra pessoa responsável pela criança é descortinar diante de si camadas de machismo

Só há duas coisas que mães podem fazer e pais não: parir e amamentar. Todo o resto pode ser dividido de forma absolutamente igual entre homens e mulheres ou entre casais do mesmo sexo.

Mas essa não é a realidade. O papel de cuidadora como algo “natural” da mulher parece estar imbricado na nossa forma de ver o mundo. Isso, em grande parte, é usado para justificar que mulheres ganhem menos que homens, não sejam promovidas e que não sejam respeitadas como profissionais. Como se o seu único papel natural fosse o de mãe.

Não há nada de natural na ideia de que mulheres devem dedicar mais tempo aos filhos e filhas, à casa, do que os homens.

Ser pai é uma das melhores coisas da vida. Mas tendo sido convidado para escrever neste dia dos pais, quero menos falar dos prazeres, e mais sobre o ato político que é ser pai. Levar a paternidade a sério e dividir completamente as tarefas com a outra pessoa responsável pela criança é descortinar diante de si camadas de machismo. As camadas que determinam a maneira como a sociedade impõe à mulher seu lugar de cuidadora primária dos filhos.

O gesto de dividir plenamente as responsabilidades é visto, quase sempre, como estranho. “Que sorte a sua, né, Carol, o Pedro te ajuda tanto a cuidar do Joaquim”. Quantas vezes a gente já ouviu essa frase? Nunca ninguém me disse o contrário: “Que sorte a sua, Pedro, a Carol te ajuda tanto a cuidar do Joaquim”.

Esses comentários, mesmo que sutis, expressam a visão de que o papel central da mulher na sociedade é o de mãe. E isso se reflete na forma como tratamos a licença maternidade.

Com certeza a presença de pais e mães junto aos filhos nos primeiros meses de vida é algo fundamental. E não há como negar que o enorme desequilíbrio nas licenças paternidade e maternidade geram uma profunda distorção na vida profissional de homens e mulheres.

No Brasil, são quatro meses (podendo ser estendidos a seis) de licença para mulheres e cinco dias (podendo ser estendidos a 20) para homens. As consequências dessa diferença são profundas e nefastas.

Sabendo que eu iria escrever este artigo, fiz um post no Facebook pedindo para que as pessoas relatassem histórias de como essa distorção na licença afetou sua vida profissional. Recebi muitas histórias. Relato aqui algumas, que certamente não dão conta da gravidade da situação, mas ajudam a ilustrar o problema.

Uma mulher que trabalhava em uma organização de direitos das mulheres (sim, o patriarcado é perverso) conta que foi contratada já com o aviso: “nada de engravidar nos próximos dois anos, hein?”. No fim, ela engravidou e isso foi tratado como um problema. Duas semanas antes do fim da licença, foi chamada pela chefe para um jantar e informada que, como ela ia ter que amamentar na volta da licença e teria mais dificuldade para viajar, seu cargo seria ocupado por um homem e ela assumiria uma função menor.

Uma mulher contou que recebeu ordens para não contratar mulheres, pois se têm filhos, saem para buscá-los na escola mais cedo ou ficam com eles quando doentes e, se não têm, sempre podem engravidar.

A ÚNICA MANEIRA DE LIDAR COM ESSE PROBLEMA É TER LICENÇAS EQUIVALENTES PARA HOMENS E MULHERES, ALTERNADAS ENTRE SI OU EM CONJUNTO

Essas perguntas não são feitas aos homens, que levam uma vantagem expressiva na competição com as mulheres, afinal as empresas contabilizam o tempo de ausência dessas mulheres, ou mesmo o risco de que elas se ausentem, numa fase essencial para a consolidação profissional.

Na volta da licença, as mulheres ouvem comentários como: “agora que você ficou seis meses de férias, pode pegar mais pesado”. “Que bom que você pôde descansar esse tempo todo”, como se cuidar das crianças não fosse um trabalho difícil. Só quem delegou essa tarefa à mãe ou a uma babá pode afirmar isso. A sociedade precisa que pais e mães cuidem das crianças. E esse custo deve ser repartido entre todos e todas.

A única maneira de lidar com esse problema é ter licenças equivalentes para homens e mulheres, alternadas entre si ou em conjunto. Muitos países já fazem isso. Compartilhar a licença será um passo fundamental para desnaturalizar o papel da mulher como cuidadora primária.

A situação de desigualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho e nos espaços de poder é gritante. Há uma excelentematéria feita pelo Nexo que mostra que mulheres com ensino superior ganham apenas 58,4% dos homens com a mesma escolaridade e a diferença na licença é um dos elementos importantes para isso (em países onde a licença é igual, essa diferença é bem menor).

Não se trata apenas do salário. Entre as 200 maiores empresas do Brasil apenas 3 (3!) são comandadas por mulheres. Na política não é diferente. 10% das deputadas são mulheres. Essa dificuldade de mulheres assumirem espaços de poder está diretamente relacionada com a naturalização de que o lugar da mulher é em casa cuidando dos filhos.

Na organização na qual eu trabalho adotou-se uma política de licença igual para mulheres e homens. Recentemente, em um dos departamentos da organização, havia duas mulheres grávidas e prestes a sair de licença. Alguém fez uma brincadeira infeliz: “Isso que dá contratar tantas mulheres”. E o diretor do departamento pôde responder: “Agora, isso não faz nenhuma diferença aqui. Homens e mulheres tiram a mesma licença”.

Minha filha vai nascer este mês. Eu vou tirar três meses de licença. No nascimento do meu primeiro filho, tive apenas cinco dias. Estou muito feliz com a possibilidade de me dedicar integralmente a esse cuidado no começo da vida da minha filha. Sei que vai ser um trabalho duro e gratificante. É muito curioso o olhar das pessoas – sobretudo homens – ao saberem que vou ficar três meses afastado. Parece algo estranhíssimo, uma espécie de privilégio, umas férias imerecidas. Quando se trata apenas da possibilidade de eu exercer meu direito e minha obrigação como pai.

Ser pai é uma experiência linda e transformadora. Mas é também um ato político. A sociedade precisa de pais. Não pais que estejam dispostos a ajudar as mães a cuidar dos filhos e filhas. Mas pais que ajudem a mostrar que o cuidado das crianças é tarefa compartilhada.

Pedro Vieira Abramovay é formado em direito pela USP, mestre em Direito Constitucional pela UnB, foi Secretário Nacional de Justiça (Governo Lula) e é atualmente Diretor para a América Latina e Caribe da Open Society Foundations.

Psicólogos de Harvard revelam: pais que criam “boas” crianças fazem estas cinco coisas:

Nesta era de tecnologia, descobrimos que a educação dos filhos é um pouco diferente dos tempos antes do iPod, iPhone, computadores, Internet, e todos as outras modernidades incríveis que nos consomem. As crianças brincavam nas ruas. Jogavam bola nos campos. Brincavam do lado de fora até que as luzes de rua se acendiam e elas sabiam que tinham que ir para dentro de casa. Nós estamos criando crianças muito diferentes agora do que a vinte ou trinta anos atrás. Mas, talvez seja hora de voltar ao básico.

Este é um mundo novo. As crianças nascidas nessa era automaticamente recebem aparelhos para entretê-las. Mas, aonde estamos errando? Psicólogos da Universidade de Harvard vêm estudando o que torna uma criança bem criada nestes tempos de mudanças. Eles concluíram que existem vários elementos que ainda são essenciais.

Aqui estão 5 segredos para criar uma “boa” criança, de acordo com psicólogos de Harvard:

psicólogos2

1.Passe tempo com seus filhos

Passar o tempo com seus filhos significa deixar tudo de lado por um tempo, ler um livro, chutar uma bola, caminhar com ele, ou apenas jogar um jogo à moda antiga. Em termos mais simples, isso significa que você interage com sua criança. Estas são as coisas das quais vão se lembrar. Elas vão se esquecer do que você comprou. Só querem passar mais tempo com seus pais.


2.Fale com eles em voz alta

De acordo com os pesquisadores de Harvard, “Mesmo que a maioria dos pais diga que o cuidado com seus filhos é uma prioridade de tpo, muitas vezes as crianças não estão ouvindo a mensagem.”

Passe tempo com eles para descobrir o que está acontecendo em sua vida. Verifique com professores, treinadores. Descubra se há uma mudança em seu comportamento. Permita que seu filho se sinta confortável para vir e falar com você. Seu filho precisa saber que é a prioridade em sua vida. As crianças necessitam de confirmação através de palavras. As palavras são importantes. Converse com elas e compartilhe suas histórias sobre a escola, trabalhos de casa, amigos, e assim por diante.


3.Mostre ao seu filho como resolver problemas sem estressar sobre o resultado

Um dos maiores presentes que você pode dar ao seu filho é a capacidade de analisar e resolver problemas. Deixe seu filho decidir por si mesmo o que ele quer. Você não pode resolver seus problemas o tempo todo. É saudável lhe permitir experimentar a vida através de suas próprias lentes. Conquistas são importantes e, ao permitir-lhe determinar o que quer, você está o presenteando com a consciência.

Você quer criar um adulto produtivo. Permita que ele venha até você e compartilhe seus problemas, e oriente-o a fazer as melhores escolhas possíveis. É difícil dar um passo atrás como e ver seu filho cometer um erro. Mas faz parte da aprendizagem e da evolução da nossa humanidade.

Rick Weissbourd, que conduziu o estudo, diz: “Estamos muito focados na felicidade de nossos filhos. Estamos fazendo-os se concentrarem apenas em casos de sucesso?” A pressão para a realização pode ter muitos resultados negativos”, diz Weissbourd, que é codiretor do projeto.

4.Mostre a sua gratidão a seu filho regularmente

Os pesquisadores dizem que “os estudos mostram que pessoas que praticam o hábito de expressar gratidão são mais propensas a serem úteis, generosas, compassivas, felizes, saudáveis e perdoarem com mais facilidade.” Os pais devem dar tarefas aos seus filhos e, em seguida, expressarem gratidão por suas realizações. É importante que as crianças vejam que a gratidão é um dom notável. Sempre que fizerem algo, honre-as e reconheça-as pelo seu desempenho.

psicólogos3

Como pais, é nosso devem ensinar nossos filhos a serem compreensivos e compassivos para com os outros. As crianças aprendem pelo exemplo. Leve-as a um abrigo. Permita-lhes testemunharem como têm sorte de terem uma casa. Ajudar seus filhos é não apenas dar-lhes uma chance de serem adultos surpreendentes, mas também remover o preconceito da intolerância e diferenças. Tudo começa em casa.


5.Ensine seus filhos a expandirem a sua visão

Isso remonta à mostrar-lhes gratidão. Deixe seu filho experimentar o mundo através de sua compaixão. Os pesquisadores dizem que “quase todas as crianças empatizam e se preocupam com seu pequeno círculo de familiares e amigos.”

Ensine seu filho a ser um bom ouvinte, a interagir sem o uso de tecnologia, ser compreensivo com outras pessoas fora de sua família, e não julgar qualquer pessoa com base em sua religião ou nacionalidade. Estamos em tempos cruciais da evolução humana, e esta nova geração tem a capacidade de ser mudar o nosso mundo. Expor seu filho a diferentes culturas ajuda a desenvolver uma pessoa amorosa, gentil e feliz.

Você é responsável por criar almas amorosas. Ajude-as a navegarem neste mundo através da compaixão, amor e bondade.

“Criar uma criança respeitosa, carinhosa e ética sempre foi um trabalho árduo. Mas é algo que todos nós podemos fazer. E nenhum trabalho é mais importante ou mais gratificante.”

Traduzido pela equipe de O SegredoFonte: Power of Positivity


 

Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

 

Esta é a Ana.

Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.

“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. – Wikipedia

Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.

Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando:

Ana está meio infeliz.

Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:

É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.

Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:

Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.

Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que eles as deles próprios. Algo assim:

Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.

Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.

Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.

Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.

Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:

GYPSYs são ferozmente ambiciosos

President1

O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.

Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.

Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito.

Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:

Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:

GYPSYs vivem uma ilusão

Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor:

Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.

Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:

es-pe-ci-al | adjetivo
melhor, maior, ou de algum modo
diferente do que é comum

De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada.

Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema.

Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:

Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.

Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente.

Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.

Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”.

E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se econtra aqui:

A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.

E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração:

GYPSYs estão sendo atormentados

Obviamente, alguns colegas de classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas.

A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível a todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expõem mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada.

Aqui vão meus conselhos para Ana:

1) Continue ferozmente ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.

2) Pare de pensar que você é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo.

3) Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros.

Fonte do texto em inglês: http://www.waitbutwhy.com/2013/09/why-generation-y-yuppies-are-unhappy.html

Para curtir a página deles no Facebook, clique AQUI.

Fonte em português: http://qga.com.br/comportamento/jovem/2013/09/porque-os-jovens-profissionais-da-geracao-y-estao-infelizes

 

A Educação moderna criou adultos que se comportam como bebês

jovens.jpg

A educação moderna criou adultos que se comportam como bebês

A educação moderna exagerou no culto à autoestima e produziu adultos que se comportam como crianças. Esse é o tema da reportagem da revista Época abaixo.

Os alunos do 3º ano de uma das melhores escolas de ensino médio dos Estados Unidos, a Wellesley High School, em Massachusetts, estavam reunidos numa tarde ensolarada para o momento mais especial de sua vida escolar: a formatura. Com seus chapéus e becas coloridos e pais orgulhosos na plateia, todos se preparavam para ouvir o discurso do professor de inglês David McCullough Jr. Esperavam, como sempre nessas ocasiões, uma ode a seus feitos acadêmicos, esportivos e sociais. O que ouviram do professor, porém, pode ser resumido em quatro palavras: vocês não são especiais. Elas foram repetidas nove vezes em 13 minutos. “Ao contrário do que seus troféus de futebol e seus boletins sugerem, vocês não são especiais”, disse McCullough logo no começo. “Adultos ocupados mimam vocês, os beijam, os confortam, os ensinam, os treinam, os ouvem, os aconselham, os encorajam, os consolam e os encorajam de novo. (…) Assistimos a todos os seus jogos, seus recitais, suas feiras de ciências. Sorrimos quando vocês entram na sala e nos deliciamos a cada tweet seus. Mas não tenham a ideia errada de que vocês são especiais. Porque vocês não são”.

.

O que aconteceu nos dias seguintes deixou McCullough atônito. Ao chegar para trabalhar na segunda-feira, notou que havia o dobro da quantidade de e-mails que costumava receber em sua caixa de entrada. Paravam na rua para cumprimentá-lo. Seu telefone não parava de tocar. Dezenas de repórteres de jornais, revistas, TV e rádio queriam entrevistá-lo. Todos queriam saber mais sobre o professor que teve a coragem de esclarecer que seus alunos não eram o centro do universo. Sem querer, ele tocara num tema que a sociedade estava louca para discutir – mas não tinha coragem. Menos de uma semana depois, McCullough fez a primeira aparição na TV. Teve de explicar que não menosprezava seus jovens alunos, mas julgava necessário alertá-los. “Em 26 anos ensinando adolescentes, pude ver como eles crescem cercados por adultos que os tratam como preciosidades”, disse ele à revista Época. “Mas, para se dar bem daqui para a frente, eles precisam saber que agora estão todos na mesma linha, que nenhum é mais importante que o outro”.

A reação ao discurso do professor McCullough pode parecer apenas mais um desses fenômenos de histeria americanos. Mas a verdade é que ele tocou numa questão que incomoda pais, educadores e empresas no mundo inteiro – a existência de adolescentes e jovens adultos que têm uma percepção totalmente irrealista de si mesmos e de seus talentos. Esses jovens cresceram ouvindo de seus pais e professores que tudo o que faziam era especial e desenvolveram uma autoestima tão exagerada que não conseguem lidar com as frustrações do mundo real. “Muitos pais modernos expressam amor por seus filhos tratando-os como se eles fossem da realeza”, afirma Keith Campbell, psicólogo da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, e coautor do livro Narcisism epidemic (Epidemia narcisista), de 2009, sem tradução para o português. “Eles precisam entender que seus filhos são especiais para eles, não para o resto do mundo”.

Em português, inglês ou chinês, esses filhos incensados desde o berço formam a turma do “eu me acho”. Porque se acham mesmo. Eles se acham os melhores alunos (se tiram uma nota ruim, é o professor que não os entende). Eles se acham os mais competentes no trabalho (se recebem críticas, é porque o chefe tem inveja do frescor de seu talento). Eles se acham merecedores de constantes elogios e rápido reconhecimento (se não são promovidos em pouco tempo, a empresa foi injusta em não reconhecer seu valor). Você conhece alguém assim em seu trabalho ou em sua turma de amigos? Boa parte deles, no Brasil e no resto do mundo, foi bem-educada, teve acesso aos melhores colégios, fala outras línguas e, claro, é ligada em tecnologia e competente em seu uso. São bons, é fato. Mas se acham mais do que ótimos.

A expectativa exagerada dos jovens foi detectada no livro Generation me (Geração eu), escrito em 2006 por Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos. No trabalho seguinte, em parceria com Campbell, ela vasculhou os arquivos de uma pesquisa anual feita desde os anos 1960 sobre o perfil dos calouros nas universidades. Descobriu que os alunos dos anos 2000 tinham traços narcisistas muito mais acentuados que os jovens das 3 décadas anteriores. Em 2006, dois terços deles pontuaram acima da média obtida entre 1979 e 1985. Um aumento de 30%. “O narcisismo pode levar ao excesso de confiança e a uma sensação fantasiosa sobre seus próprios direitos”, diz Campbell. Os maiores especialistas no assunto concordam que a educação que esses jovens receberam na infância é responsável por seu ego inflado e hipersensível. E eles sabem disso. Uma pesquisa da revista Time e da rede de TV CNN mostrou que dois terços dos pais americanos acreditam que mimaram demais sua prole.

Sally Koslow, uma jornalista aposentada, chegou a essa conclusão depois que seu filho, que passara 4 anos estudando fora de casa e outros dois procurando emprego, voltou a morar com ela. “Fizemos um superinvestimento em sua educação e acompanhamos cada passo para garantir que ele tivesse sua independência”, diz ela. “Ao ver meu filho de quase 30 anos andando de cueca pela sala, percebi que deveria tê-lo deixado se virar sozinho”. Que criação é essa que, mesmo com a garantia da melhor educação e sem falta de atenção dos pais, produz legiões de narcisistas com dificuldade de adaptação? Os estilos de criação modernos têm em comum duas características. A primeira é o esforço incansável dos pais para garantir o sucesso futuro de sua prole – e esse sucesso depende, mais do que nunca, de entrar numa boa universidade e seguir uma carreira sólida. Nos Estados Unidos, a tentativa de empacotar as crianças para esse modelo de vida começa desde cedo. Escolas infantis selecionam bebês de 2 anos por meio de testes. Isso acontece no Brasil também. No colégio paulista Vértice, um dos mais bem classificados no ranking do Enem, há fila para uma vaga no jardim da infância.

O segundo pilar da criação moderna está na forma que os pais encontraram para estimular seus filhos e mantê-los no caminho do sucesso: alimentando sua autoestima. É uma atitude baseada no “movimento da autoestima”, criado a partir das ideias do psicoterapeuta canadense Nathaniel Branden, hoje com 82 anos. Em 1969, ele lançou um livro pregando que a autoestima é uma necessidade humana. Não atendida, ela poderia levar a depressão, ansiedade e dificuldades de relacionamento. Para Branden, a chave para o sucesso tanto nas relações pessoais quanto profissionais é nutrir as pessoas com o máximo possível de autoestima desde crianças. Tal tarefa, diz ele, cabe sobretudo a pais e professores. Foi uma mudança radical na maneira de olhar para a questão. Até a década de 1970, os pais não se preocupavam em estimular a autoestima das crianças. Temiam mimá-las. O movimento de Branden chegou ao auge nos Estados Unidos em 1986, quando o então governador da Califórnia, George Deukmejian, assinou uma lei criando um grupo de estudos de autoestima. Os pesquisadores deveriam descobrir como as escolas e as famílias poderiam estimulá-la.

Os pais reuniram esses dois elementos – o desejo de ver o filho se dar bem na vida e a ideia de que é preciso estimular a autoestima – e fizeram uma tremenda confusão. Na ânsia de criar adultos competentes e livres de traumas, passaram a evitar ao máximo criticá-los. O elogio virou obrigação. Para fazer com que as crianças se sintam bem com elas mesmas, muitos pais elogiam seus filhos até quando não é necessário. O resultado é que eles começam a acreditar que são bons em tudo e criam uma imagem triunfante e distorcida de si mesmos. Como distinguir o elogio bom do ruim? O exemplo mais comum de elogio errado, dizem os psicólogos, é aquele que premia tarefas banais. Se a criança sabe amarrar o tênis, não é necessário parabenizá-la por isso todo dia. Se o adolescente sabe que é sua obrigação diária ajudar a tirar a mesa, diga apenas “obrigado”. Não é preciso exaltar sua habilidade em dobrar a toalha. Os elogios mais inadequados são feitos quando não há nada a elogiar. Se o time de futebol do filho perde de goleada – e o desempenho dele ajudou na derrota –, não adianta dizer: “Você jogou bem, o que atrapalhou foi o gramado ruim”. Isso não é elogio. É mentira.

Para piorar, um grupo de psicólogos afirma agora que a premissa fundamental do movimento da autoestima estava errada. “Há poucas e fracas evidências científicas que mostram que alta autoestima leva ao sucesso escolar ou profissional”, diz Roy Baumeister, professor de psicologia da Universidade Estadual da Flórida (EUA). Ele é responsável pela mais extensa e detalhada revisão dos estudos feitos sobre o tema desde a década de 1970. Descobriu que a autoestima alta é provocada pelo sucesso – não é causa dele. Primeiro vêm a nota boa e a promoção no trabalho, depois a sensação de se sentir bem – não o contrário. “Na verdade, a autoestima elevada pode ser muitas vezes contraproducente. Ela produz indivíduos que exageram seus feitos e realizações”. Outra de suas conclusões é que o elogio mal aplicado pode ser negativo. “Quando os elogios aos estudantes são gratuitos, tiram o estímulo para que os alunos trabalhem duro”, afirma.

Com uma visão distorcida de suas qualidades, com dificuldade para lidar com as críticas e aprender com seus erros, muito jovens narcisistas não conseguem se acertar em nenhuma carreira. Outros vão parar na terapia. Esses jovens acham que podem muito. Quando chegam à vida adulta, descobrem que simplesmente não dão conta da própria vida. Ou sentem uma insatisfação constante por achar que não há mais nada a conquistar. Eles são estatisticamente mais propensos a desenvolver pânico e depressão. Também são menos produtivos socialmente. Em terapia desde os 15 anos, Priscila Pazzetto tem hoje 25 e não hesita em dizer que foi e ainda é mimada. “Uma vez pedi para minha mãe me pôr de castigo, porque não sabia como era”, afirma. Os pais se referem a ela como “nossa taça de champanhe”, a caçula de três irmãos que veio brindar a felicidade da família num momento em que seu pai lutava contra um câncer. “Nasci no Ano-Novo. Quando assistia às chuvas de fogos na TV, meus pais diziam que aquilo tudo era para mim, para comemorar meu aniversário”, diz Priscila. Quando cresceu, nada disso a ajudou a terminar o que começava. Tentou inglês, teatro, tênis, karatê, futebol, jiu-jítsu e natação. Interrompeu até o hipismo, pelo qual era apaixonada. Estudou em 7 colégios particulares de São Paulo e, com frequência, seu pai precisou interferir para que ela passasse de ano. Passou em 3 vestibulares, mas não concluiu nenhum curso superior. “Simplesmente não me sinto motivada a ir até o fim”, afirma. Ainda morando com os pais, Priscila acaba de fazer um curso técnico de maquiagem e diz que arrumou emprego na butique de uma amiga. Tenta começar de novo.

Esses modelos de criação domésticos são chamados pelos psicólogos de “estilo parental”. Não é uma atitude isolada ou outra. É o clima emocional criado na família graças ao conjunto de ações dos pais para disciplinar e educar os filhos. Eles começaram a ser estudados em 1966 pela psicóloga Diana Baumrind, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Berkeley. De acordo com sua observação, ela dividiu os pais em 3 tipos: os autoritários, os permissivos e aqueles que têm autoridade, os competentes. O melhor modelo detectado por psicólogos, claro, são os pais competentes. Eles são exigentes – sabem exercer o papel de pai ao impor limites e regras que os filhos devem respeitar –, mas, ao mesmo tempo, são flexíveis para escutar as demandas das crianças e ceder, se julgarem necessário. A criança pode questionar por que não pode brincar antes de fazer o dever de casa, e eles podem topar que ela faça como queira, contanto que o dever seja feito em algum momento. Mas jamais admitirão que a criança não cumpra com sua obrigação. Ao dar limites, podem ajudar o filho a aprender a escolher e a administrar seu tempo. Os filhos de pais competentes costumam ser muito responsáveis, seguros e maduros. Têm altos índices de competência psicológica e baixos índices de disfunções sociais e comportamentais .

Os piores resultados vêm da criação de pais negligentes. Eles não são exigentes, não impõem limites e nem estão abertos a ouvir as demandas dos filhos. Segundo pesquisas brasileiras – com amostras pequenas, que não devem ser tomadas como definitivas –, esse é o estilo parental que predomina no país nos últimos anos. Quando se fala em estilo negligente de criação, isso não quer dizer que a criança está abandonada e não receba o suficiente para suprir suas necessidades materiais e de afeto. O problema é mais sutil. Com medo de parecer repressores, esses pais hesitam em impor limites. “É uma interpretação errônea dos modelos educacionais propostos a partir da década de 1970. Eles pregavam que a criança não deveria ser cerceada para que pudesse manifestar todo seu potencial”, diz Claudete Bonatto Reichert, professora do Departamento de Psicologia da Universidade Luterana do Brasil. “Provavelmente, a culpa que os pais sentem por trabalhar fora leva a isso”.

Se parece difícil implantar em sua casa o modelo dos pais com autoridade, ainda há outra esperança. Nem todos concordam que os pais sejam totalmente responsáveis pela formação da personalidade dos filhos. A psicóloga britânica Judith Harris, de 74 anos, ficou famosa por discordar do tamanho da influência dos pais na criação dos filhos. Para ela, se os filhos lembram em algo os pais, não é graças à educação, mas à genética. “Os pais assumem que ensinaram a seus filhos comportamentos desejáveis. Na verdade, foram seus genes”, afirma. O resto, diz Judith, ficará a cargo dos amigos, a quem as crianças se comparam. É por isso que ela acha inútil tentar dar aos filhos uma criação diferente da turma do “eu me acho”. “As crianças são vistas como infinitamente preciosas. Recebem elogios demais não só em casa, mas em qualquer lugar aonde vão. O modelo de criação reflete a cultura”.

.

http://charlezine.com.br/educacao-moderna-criou-adultos-se-comportam-como-bebes/

………………………………….