Filho a gente não escolhe, acolhe

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Mário Romano Maggioni

Não digam “o importante é que venha com saúde”.

Há crianças que vêm sem saúde. Outras vêm com deficiência. Elas são o que há de mais importante na Terra. São tão importantes quanto aquelas que vêm cheias de saúde e sem deficiência. Tudo serve para a poesia. Tudo serve para a crônica. Todos os seres pequenos têm grande importância.

Não escolham demais os filhos! Deixem que eles aconteçam! Acolham o que vier! Eu garanto que no frigir das palavras tudo virará poema dentro do peito. Tudo germinará como flor no útero do dia a dia.

Há poucos dias, escrevi os encantamentos que a Maria Luiza deixou em sua breve passagem por aqui. Eu choro só de pensar na formosura que ela era. Breve, mas intensa. Breve, mas tão querida. Breve, mas tão eterna. Isso é importante.

O importante é acolher os filhos. Venham do jeito que vier.

Penso no Guilherme, filho dos meus primos Flávio e Maria Celeste. Ele nasceu cheio de deficiências. Pensaram que viveria alguns minutos. Alguns minutos se transformaram em milhões de minutos. Já anda pela casa dos 25 anos. Ele não caminha e não fala, mas os movimentos e os sons que ele produz são um poema que faz florescer orquídeas no tronco das árvores. Não há poema mais lindo. Filho a gente não escolhe, acolhe!

Eu ainda sonho com o dia em que não haverá perfil para quem quiser adotar. A pessoa se habilitará; e a criança ou o adolescente que estiver apto para adoção terá, nesta pessoa, o melhor pai e a melhor mãe que o mundo possa produzir.

Não há melhores pais que os nossos. O Loreno e a Maria são os meus melhores pais do mundo. Eu amo eles assim como eles são. Eles me amam assim como eu sou, com todas as minhas múltiplas deficiências, embora eu tenha uma veia poética que minha mãe adora. Meu pai nunca se deu ao trabalho de ler uma crônica minha. Ingrato! Mesmo assim eu o amo.

Em suma, pretendentes à adoção, não escolham muito os filhos! Adotem o que vier pela frente! Deixem o amor lhes surpreender! Isso é poesia.

Mário Romano Maggioni

https://www.facebook.com/marioromano.maggioni?fref=ts

Esta escola substituiu a suspensão por meditação e o resultado foi incrível

 

26/09/2016 –

OUÇA A REPORTAGEM
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Não existe detenção na escola Robert W. Coleman, em Baltimore, nos EUA. Em vez de dar broncas nos alunos ou mandá-los para casa, os professores enviam os alunos mais agitados para uma sala de meditação.

Trata-se de um programa escolar chamado Holistic Me, uma iniciatiava em parceria com a ong Holistic Life Foundation que reúne meditação de atenção plena com profissionais especialistas em comportamento. O resultado foi tão impressionante que, desde que implantou o projeto há dois anos, a escola de Baltimore não realizou uma únicasuspensão.

A ótima estatística da escola é semelhante àquela obtida em uma prisão do Alababa. Em uma entrevista ao jornal The New York Times, o presidente da prisão, Ron Cavanaugh, afirmou que desde que iniciaram um projeto de meditação, os dententos se tornaram aptos a controlar a raiva. A história pode ser vista no documentário The Dhama Brothers, disponível na Netflix.

No dossiê especial sobre meditação, a bióloga do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein Elisa Kozasa afirmou a GALILEU: “Quem medita com regularidade tende a evitar respostas impulsivas”. Veja as fotos do programa escolar.

 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)
 (Foto: Divulgação)(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Adolescentes e Maconha

Adolescentes que fumam maconha têm 3 vezes mais chances de desenvolver psicoses na fase adulta

Por Fãs da Psicanálise –

Atenção, pais!

Se a maconha ainda não era um assunto debatido em casa, é melhor começar a pensar em colocá-la na pauta, especialmente se seus filhos têm idades entre 15 e 18 anos.

De acordo com um médico inglês, usar a droga antes da maioridade aumenta os riscos de esquizofrenia na idade adulta. Além disso, explica o psiquiatra, jovens que fumam maconha têm três vezes mais chances de desenvolver psicoses no futuro.

Os dados preocupantes são de estudos que o professor de pesquisa psiquiátrica Robin Murray coordenou no Instituto de Psiquiatria Kings College, em Londres, na Inglaterra.

Em 2002, por exemplo, foi descoberto que quem usa maconha a partir dos 15 anos tem 4,5 vezes mais chances de se tornar psicótico dez anos depois.

— Ainda trabalhamos para resolver algumas incógnitas, como, por exemplo, saber se é mais seguro adultos usarem maconha do que adolescentes usarem. No entanto, já conseguimos mapear boa parte dos riscos que os jovens correm.

Murray conta que a grande chave dos problemas está na paranoia e na desconfiança geradas pelo consumo da droga. Em um dos experimentos com pacientes recebendo doses de THC intravenoso, ele conta, uma paciente entrou em contato com os médicos no dia seguinte à sua avaliação, dizendo que esperava muito que não tivesse destruído o teste.

Leia mais: Adolescência, drogas e família

— Ela contou que, no momento da experiência, estava se sentindo tão paranoica de que os doutores pudessem estar envenenando-a, que, quando perguntada se estava sentindo algo diferente, respondeu que não, não estava sentindo nada. No dia seguinte, se deu conta de que tudo não passou de um momento de paranoia incontrolável, e então nos procurou de volta.

Uma curiosidade apontada pelo psiquiatra é de que os riscos de psicose e esquizofrenia no futuro contemplam apenas o uso de maconha e skank. No caso de haxixe, as chances de desenvolver as doenças são praticamente iguais às das pessoas que não fazem uso das substâncias.

Murray comenta que, em Londres, um quarto dos casos de psicose na idade adulta é fruto do abuso de maconha na juventude.

Leia mais: Drogas: lucro, vício e indiferença

No entanto, para ele, uma das maiores dificuldades na prevenção e no tratamento é o fato de que é complicado convencer os usuários, especialmente se eles já apresentam algum traço de psicose.

— Nenhum psicótico que fuma maconha aceita bem que seu vício possa estar gerando sua doença.

(Autora: Marcella Franco)
(Fonte: noticias.r7.com)

Leia mais: http://www.fasdapsicanalise.com.br/adolescentes-que-fumam-maconha-tem-3-vezes-mais-chances-de-desenvolver-psicoses-na-fase-adulta/#ixzz4KZ7SXJSf

Cientistas dizem que hiperatividade é mal diagnosticada e muitas crianças são simplesmente imaturas.

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Um novo estudo está sugerindo que o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é diagnosticado erroneamente com frequência, com muitos casos sendo simplesmente de crianças imaturas que são as mais jovens em sua classe.

Quase 400.000 crianças entre 4 e 17 anos no Taiwan participaram da pesquisa. Os cientistas notaram que a percentagem de jovens diagnosticados com TDAH muda significativamente dependendo do seu mês de nascimento.

Enquanto apenas 2,8% dos meninos nascidos em setembro têm a condição, o número salta para 4,5% em agosto, subindo de forma constante ao longo do ano escolar no país. Para as meninas, o número sobe de 0,7% a 1,2%.

TDAH

O TDAH é um termo frequentemente usado para indicar um conjunto de problemas. O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido descreve a doença como sendo “um grupo de sintomas comportamentais que incluem desatenção, hiperatividade e impulsividade”.

Os sintomas mais comuns são curto espaço de atenção, agitação ou inquietação constante e distração. Muitas pessoas com TDAH também podem apresentar dificuldades de aprendizagem e outros problemas de saúde, como distúrbios do sono. A condição é normalmente diagnosticada entre as idades de 3 e 7 anos.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, a prescrição de medicamentos como Ritalina duplicou na última década para crianças diagnosticadas com TDAH, mas pode causar reações adversas, tais como perda de peso, toxicidade hepática, pensamentos suicidas e supressão do crescimento puberal.

Crianças sendo crianças

Os pesquisadores acreditam que muitos casos de TDAH podem ser causados por professores comparando o comportamento de crianças mais maduras ao das mais jovens (quase um ano mais jovens) nas salas de aulas.

“Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é o distúrbio neurológico mais comumente diagnosticado. TDAH começa na infância e se manifesta como uma incapacidade de organizar e manter a atenção e modular nível de atividade e ações impulsivas”, disse o principal autor do estudo, Dr. Mu-Hong Chen, do Departamento de Psicologia do Taipei Veterans General Hospital, em Taiwan. “Ao olhar para o banco de dados como um todo, as crianças nascidas em agosto eram mais propensas a serem diagnosticadas com TDAH e/ou receber medicação do que as nascidas em setembro”.

Os pesquisadores sugerem que idade relativa, como um indicador da maturidade cognitiva, pode desempenhar um papel crucial no risco de ser diagnosticado com TDAH. “Nossos resultados sublinham a importância de se considerar a idade de uma criança dentro de um ano ao se diagnosticar e prescrever medicamentos para TDAH”, diz o Dr. Chen.

TDAH sequer existe?

Se os cientistas taiwaneses acreditam que crianças imaturas estão sendo diagnosticadas com TDAH, alguns neurocientistas vão ainda mais além e afirmam que a condição nem sequer existe. Eles argumentam que a maioria das pessoas irá exibir alguns (ou todos) os sintomas do déficit de atenção durante sua vida. (E não há como discordar disso, certo?).

É cedo para abolir o TDAH como uma doença conhecida, mas é importante tomar cuidado para não prescrever medicamentos potencialmente prejudicais a crianças que não precisam deles.

“O estudo destaca a importância de assegurar que a avaliação para o TDAH seja rigorosa e dependa de uma variedade de fontes de informação para decidir se o critério foi atendido”, disse o Dr. Kuben Naidoo, psiquiatra e presidente da Fundação TDAH (ADHD Foundation, no Reino Unido). [Telegraph]

Ler mais: http://www.psicologiasdobrasil.com.br/cientistas-dizem-que-hiperatividade-e-mal-diagnosticada-e-muitas-criancas-sao-simplesmente-imaturas/#ixzz4Jznx3t7H

Se você não quer que seus filhos sejam malcriados, tem que parar de fazer isto….

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Criar filhos com certeza não é uma tarefa fácil.

A responsabilidade de cuidar da formação de uma pessoa é muito grande, e quem se dispõe a fazer isso com dedicação, merece reconhecimento.

Se você tem tido problemas com o mau comportamento dos seus filhos, este post pode ser bastante útil.

Crianças em todo o mundo tende a fazer birras, mas se isso não for controlado, pode resultar em grandes problemas no futuro.

Emma Jenner, a “Super Nanny” da versão americana de um conhecido programa de TV, revelou cinco atitudes que os pais costumam tomar, mas que prejudicam na educação dos filhos.

Ela também chama a atenção dos responsáveis que tentam agradar às crianças fazendo tudo por elas.

A consequência desse mal é que a sociedade acaba formando pessoas que têm medo de desafios e não sabem superar obstáculos sozinhas.

1. Ter medo de que o filho chore

Vamos supor que o café da manhã está na mesa, mas seu filho só quer beber o leite se for em outro copo.

Você tem duas opções: se levantar e procurar um copo que agrade a ele ou dizer que só tem aquele e que ele precisa se alimentar.

Muitos pais ficam com medo de ver o filho chorando e gritando, mas precisam entender que são eles quem mandam na casa e não as crianças.

Se a criança chorar, ignore até que ela faça o que você determinou.

Caso contrário, seu filho vai aprender que, todas as vezes que chorar, a vontade dele será feita.

2. Justificar os erros das crianças

Se diante de um mau comportamento você diz “as crianças são assim mesmo”, então elas vão acreditar nisso.

As crianças são mais capazes de nos surpreender do que nós podemos imaginar.

Não ache normal o que é errado – erro é erro e precisa ser consertado.

3. Não deixar que outras pessoas repreendam seu filho

Já pensou como é ruim o professor ou funcionário da escola reclamar com seu filho e você mostrar irritação por isso?

A criança vai sempre se sentir acobertada porque ninguém pode repreendê-la.

Não faça isso!

4.Colocar o filho em primeiro lugar antes de qualquer outra coisa

Sabemos que os filhos são o grande tesouro dos pais na terra, mas isso não nos dá o direito de parar tudo o que estamos fazendo para atendê-los.

Muitos pais não sabem colocar limites e basta um pedido das crianças para que eles saiam correndo para atender, ignorando as muitas limitações que podem ter naquele momento.

Deixe claro para as crianças que tudo tem sua hora e que elas devem saber esperar.

5. Buscar distrações com eletrônicos

Muitas crianças hoje em dia não sabem esperar a comida ficar pronta, a fila do brinquedo andar ou qualquer outra coisa porque ficam chorando.

Como paliativo, os pais entregam aparelhos eletrônicos para evitar que os filhos fiquem irritados.

Isso é muito ruim!

Ensine as crianças a ter paciência.

Mais do que isso, sempre que possível, insira-as nas atividades.

Ou seja, se o almoço vai demorar a ficar pronto, então a convide para ajudar a “pegar na massa” e interagir com você.

http://www.curapelanatureza.com.br/post/07/2016/se-voce-nao-quer-que-seus-filhos-sejam-malcriados-tem-que-parar-de-fazer-isto-de

Primeira Infância – Zero a Seis Anos com João Augusto Figueiró

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PRIMEIRA INFÂNCIA (0 a 6 anos) com JOÃO AUGUSTO FIGUEIRÓ no TV FAZ MUITO BEM

Queremos um mundo melhor?
1) pense antes de ter filhos, e se for para ter, deseje-o e ame-o desde o princípio! Você não é obrigado a ter filhos! Mas só os tenha se realmente desejar. Caso contrário, faça anticoncepção e seja firme na sua decisão de não tê-los!
2) escolha a pessoa certa e o ambiente certo para tê-los!
3) coloque-os em primeiro lugar sempre! Abdique de seus prazeres e priorize as necessidades deles… Você será o seu porto seguro e seu referencial.
4) escolha muuuito bem quem ficará com ele(s) nos momentos de sua ausência. Isso vale para o familiar, para a babá e para a profe da escolinha. Vale muito a pena conversar com um psicólogo antes de colocar qualquer pessoa dentro da sua casa para dar exemplos aos seus filhos e indiretamente educá-los junto com você
5) esteja atento, proteja, eduque seu filho. O lema do exército é ótimo: “braço forte, mao amiga”
6) dê exemplo: seja ético, honesto e verdadeiro sempre (no supermercado, nas relações com amigos, familiares e até com desconhecidos). Seu filho estará sempre lhe observando!

 

Assista em:

Ser pai é um ato político

pai e filho bebê 2

Levar a paternidade a sério e dividir completamente as tarefas com a outra pessoa responsável pela criança é descortinar diante de si camadas de machismo

Só há duas coisas que mães podem fazer e pais não: parir e amamentar. Todo o resto pode ser dividido de forma absolutamente igual entre homens e mulheres ou entre casais do mesmo sexo.

Mas essa não é a realidade. O papel de cuidadora como algo “natural” da mulher parece estar imbricado na nossa forma de ver o mundo. Isso, em grande parte, é usado para justificar que mulheres ganhem menos que homens, não sejam promovidas e que não sejam respeitadas como profissionais. Como se o seu único papel natural fosse o de mãe.

Não há nada de natural na ideia de que mulheres devem dedicar mais tempo aos filhos e filhas, à casa, do que os homens.

Ser pai é uma das melhores coisas da vida. Mas tendo sido convidado para escrever neste dia dos pais, quero menos falar dos prazeres, e mais sobre o ato político que é ser pai. Levar a paternidade a sério e dividir completamente as tarefas com a outra pessoa responsável pela criança é descortinar diante de si camadas de machismo. As camadas que determinam a maneira como a sociedade impõe à mulher seu lugar de cuidadora primária dos filhos.

O gesto de dividir plenamente as responsabilidades é visto, quase sempre, como estranho. “Que sorte a sua, né, Carol, o Pedro te ajuda tanto a cuidar do Joaquim”. Quantas vezes a gente já ouviu essa frase? Nunca ninguém me disse o contrário: “Que sorte a sua, Pedro, a Carol te ajuda tanto a cuidar do Joaquim”.

Esses comentários, mesmo que sutis, expressam a visão de que o papel central da mulher na sociedade é o de mãe. E isso se reflete na forma como tratamos a licença maternidade.

Com certeza a presença de pais e mães junto aos filhos nos primeiros meses de vida é algo fundamental. E não há como negar que o enorme desequilíbrio nas licenças paternidade e maternidade geram uma profunda distorção na vida profissional de homens e mulheres.

No Brasil, são quatro meses (podendo ser estendidos a seis) de licença para mulheres e cinco dias (podendo ser estendidos a 20) para homens. As consequências dessa diferença são profundas e nefastas.

Sabendo que eu iria escrever este artigo, fiz um post no Facebook pedindo para que as pessoas relatassem histórias de como essa distorção na licença afetou sua vida profissional. Recebi muitas histórias. Relato aqui algumas, que certamente não dão conta da gravidade da situação, mas ajudam a ilustrar o problema.

Uma mulher que trabalhava em uma organização de direitos das mulheres (sim, o patriarcado é perverso) conta que foi contratada já com o aviso: “nada de engravidar nos próximos dois anos, hein?”. No fim, ela engravidou e isso foi tratado como um problema. Duas semanas antes do fim da licença, foi chamada pela chefe para um jantar e informada que, como ela ia ter que amamentar na volta da licença e teria mais dificuldade para viajar, seu cargo seria ocupado por um homem e ela assumiria uma função menor.

Uma mulher contou que recebeu ordens para não contratar mulheres, pois se têm filhos, saem para buscá-los na escola mais cedo ou ficam com eles quando doentes e, se não têm, sempre podem engravidar.

A ÚNICA MANEIRA DE LIDAR COM ESSE PROBLEMA É TER LICENÇAS EQUIVALENTES PARA HOMENS E MULHERES, ALTERNADAS ENTRE SI OU EM CONJUNTO

Essas perguntas não são feitas aos homens, que levam uma vantagem expressiva na competição com as mulheres, afinal as empresas contabilizam o tempo de ausência dessas mulheres, ou mesmo o risco de que elas se ausentem, numa fase essencial para a consolidação profissional.

Na volta da licença, as mulheres ouvem comentários como: “agora que você ficou seis meses de férias, pode pegar mais pesado”. “Que bom que você pôde descansar esse tempo todo”, como se cuidar das crianças não fosse um trabalho difícil. Só quem delegou essa tarefa à mãe ou a uma babá pode afirmar isso. A sociedade precisa que pais e mães cuidem das crianças. E esse custo deve ser repartido entre todos e todas.

A única maneira de lidar com esse problema é ter licenças equivalentes para homens e mulheres, alternadas entre si ou em conjunto. Muitos países já fazem isso. Compartilhar a licença será um passo fundamental para desnaturalizar o papel da mulher como cuidadora primária.

A situação de desigualdade entre mulheres e homens no mercado de trabalho e nos espaços de poder é gritante. Há uma excelentematéria feita pelo Nexo que mostra que mulheres com ensino superior ganham apenas 58,4% dos homens com a mesma escolaridade e a diferença na licença é um dos elementos importantes para isso (em países onde a licença é igual, essa diferença é bem menor).

Não se trata apenas do salário. Entre as 200 maiores empresas do Brasil apenas 3 (3!) são comandadas por mulheres. Na política não é diferente. 10% das deputadas são mulheres. Essa dificuldade de mulheres assumirem espaços de poder está diretamente relacionada com a naturalização de que o lugar da mulher é em casa cuidando dos filhos.

Na organização na qual eu trabalho adotou-se uma política de licença igual para mulheres e homens. Recentemente, em um dos departamentos da organização, havia duas mulheres grávidas e prestes a sair de licença. Alguém fez uma brincadeira infeliz: “Isso que dá contratar tantas mulheres”. E o diretor do departamento pôde responder: “Agora, isso não faz nenhuma diferença aqui. Homens e mulheres tiram a mesma licença”.

Minha filha vai nascer este mês. Eu vou tirar três meses de licença. No nascimento do meu primeiro filho, tive apenas cinco dias. Estou muito feliz com a possibilidade de me dedicar integralmente a esse cuidado no começo da vida da minha filha. Sei que vai ser um trabalho duro e gratificante. É muito curioso o olhar das pessoas – sobretudo homens – ao saberem que vou ficar três meses afastado. Parece algo estranhíssimo, uma espécie de privilégio, umas férias imerecidas. Quando se trata apenas da possibilidade de eu exercer meu direito e minha obrigação como pai.

Ser pai é uma experiência linda e transformadora. Mas é também um ato político. A sociedade precisa de pais. Não pais que estejam dispostos a ajudar as mães a cuidar dos filhos e filhas. Mas pais que ajudem a mostrar que o cuidado das crianças é tarefa compartilhada.

Pedro Vieira Abramovay é formado em direito pela USP, mestre em Direito Constitucional pela UnB, foi Secretário Nacional de Justiça (Governo Lula) e é atualmente Diretor para a América Latina e Caribe da Open Society Foundations.