Kuan Yin – Ela que ouve os choros do mundo –

Kuan Yin.jpgChristina Feldman

 

O caminho budista não é apenas sobre acumulação de sabedoria. Ele igualmente requer o desenvolvimento de compaixão — uma empatia inteligente pelo sofrimento de todos os seres e a vontade de coração de liberá-los. Na iconografia budista, essa compaixão é personificada na bodisatva Kuan Yin, que se manifesta em qualquer lugar em que os seres precisem de ajuda.

Gerar essa compaixão não é somente bom para os outros, diz Christina Feldman, é bom para nós também. Ao dar prioridade aos outros, acabamos por afrouxar as amarras da nossa auto-fixação, e, ao fazer isso, avançamos um centímetro mais perto de nossa própria liberação.

Compaixão não é algo estranho para nós: sabemos como é se sentir profundamente tocado pela dor e sofrimentos dos outros. Todas as pessoas tem sua própria medida de pesar e luta nesta vida. Os corpos envelhecem, a saúde se torna frágil, as mentes podem ser acometidas por confusão e obsessão, corações podem ser partidos. Nós vemos muitas pessoas tendo que suportar o insuportável – fome, tragédias e dificuldades além do imaginável. Nossos entes queridos sofrem com doenças, dores, mágoas, e gostaríamos de lhes aliviar o fardo.

A história humana é uma história de amor, redenção e generosidade. Também é uma história de violência, divisão, negligência e crueldade. Em face de tudo isso, nós podemos nos suavizar, estender a mão e fazer tudo que pudermos para amenizar o sofrimento.  Ou podemos escolher viver em negação e com medo – fazendo todo o possível para proteger nosso coração de ser tocado, com medo de nos afogarmos nesse oceano de lamentos.

De novo e de novo somos chamados a aprender uma das lições mais claras da vida: de que fugir do sofrimento – endurecer nossos corações, dar as costas à dor – é negar a vida e viver com medo. Então, por mais difícil que seja abrir nossos corações ao sofrimento, fazer isso é o caminho mais direto para transformação e liberação.

Compaixão e sabedoria estão no âmago do caminho do Buda. Nas primeiras histórias budistas encontramos jovens, homens e mulheres, fazendo as mesmas perguntas que fazemos hoje em dia: como podemos responder ao sofrimento que está embrenhado no próprio tecido da vida? Como podemos encontrar um coração realmente livre de medo, raiva e alienação? Existe uma forma de encontrar uma sabedoria e compaixão tão profunda que possa, genuinamente, fazer uma diferença neste mundo confuso e destrutivo?

Podemos ficar tentados a ver a compaixão como um sentimento, uma resposta emocional que sentimos ocasionalmente, quando nos sentimos tocados pelo encontro com uma dor aguda. Nesses momentos de abertura, as nossas camadas de defesa desmoronam; intuitivamente sentimos um imediatismo de resposta e temos um lampejo do poder da não-separação. Milarepa, um grande mestre tibetano, expressou isso quando disse, “assim como eu instintivamente estendo a mão para tocar e curar um machucado na minha perna como parte de meu próprio corpo, da mesma forma eu estendo a mão para tocar e curar a dor em outro, como parte deste mesmo corpo.” Na maioria das vezes, esses momentos de profunda compaixão desvanecem e, de novo, estamos nos protegendo, defendendo e nos distanciando da dor. Mesmo assim eles são vislumbres poderosos que nos encorajam a questionar, se a compaixão pode ser algo mais do que um acidente em que tropeçamos.

Não importa o quanto tentemos, não podemos nos forçar a sentir compaixão. Mas podemos inclinar nosso coração em direção à compaixão. Em uma das histórias, das primeiras literaturas budistas, o asceta Sumedha reflete sobre a imensa jornada interna necessária para encontrar sabedoria e compaixão inabalável. Ele descreve a compaixão como um tecido feito de muitos fios: generosidade, virtude, renúncia, sabedoria, energia, paciência, honestidade, determinação, bondade amorosa e equanimidade. Quando incorporamos todos esses em nossas vidas, desenvolvemos o tipo de compaixão que tem o poder de curar o sofrimento.

Alguns anos atrás, um velho monge chegou na Índia depois de escapar da prisão no Tibete. Ao encontrar com o Dalai Lama, ele contou dos anos em que passou encarcerado, as dificuldades e espancamentos que sofreu, a fome e solidão com que conviveu e as torturas pelas quais ele passou.

Num certo momento o Dalai Lama lhe perguntou: “Houve algum momento em que você realmente sentiu que sua vida estava em perigo?”

O velho monge respondeu: “Na verdade, a única vez em que me senti em risco foi quando eu senti perigo de perder a compaixão por meus carcereiros.”

Ao ouvir histórias como essa, geralmente nos sentimos encantados e céticos. Podemos ficar tentados a idealizar ambos, os que são compassivos e a própria qualidade da compaixão. Passamos a ver essas pessoas como santos, com poderes inacessíveis para nós. Contudo, histórias de grandes sofrimentos normalmente são histórias de pessoas comuns que encontraram a grandeza do coração. Para descobrir um coração desperto em nós mesmos é crucial não idealizar ou romantizar a compaixão. Nossa compaixão simplesmente cresce da nossa vontade de ir ao encontro da dor, em vez de fugir dela.

Talvez nós nunca nos encontremos numa situação de tamanho perigo, que nossas vidas estariam ameaçadas; mesmo assim, angústia e dor são, sem dúvida, partes da nossa vida. Nenhum de nós pode construir muros, ao redor do coração, que sejam invulneráveis às rachaduras da vida. Diante da tristeza que encontramos nesta vida, temos uma escolha: Nossos corações podem se fechar, nossas mentes recuar, nossos corpos contraírem e podemos experimentar o coração que vive em um estado de dolorosa recusa. Podemos, também, mergulhar profundamente dentro de nós mesmos para nutrir a coragem, estabilidade, paciência e sabedoria que nos permitem curar o sofrimento.

Se fizermos isso, vamos descobrir que a compaixão não é um estado particular. É um modo de se engajar com este mundo frágil e imprevisível. Seu domínio não é apenas o mundo daqueles que você ama e cuida, mas, igualmente, o mundo daqueles que nos ameaçam, nos perturbam e nos fazem mal. É o mundo de incontáveis seres que nunca conhecemos e que estão vivendo uma vida insuportável. A viagem mais importante na vida de um ser humano é descobrir o quanto nossos corações podem abarcar. Nossa capacidade de causar sofrimento e de curar o sofrimento vivem lado a lado dentro de nós. Se escolhemos desenvolver a capacidade de curar, que é o desafio de toda vida humana, vamos descobrir que nossos corações conseguem abranger muito, e podemos aprender a curar – ao invés de aumentar – as diferenças que nos separam dos outros.

No século primeiro, no norte da Índia, provavelmente o que hoje é parte do Afeganistão, o Sutra do Lótus foi composto. Um dos textos mais poderosos da tradição budista, ele é uma celebração do coração liberado, se expressando numa poderosa e ilimitada compaixão, atravessando todos os cantos do universo, aliviando o sofrimento onde quer que o encontre.

Quando o Sutra do Lótus foi traduzido pro chinês, Kuan Yin, “aquela que ouve os choros do mundo” emergiu como uma personificação da compaixão e ocupa um lugar central nos ensinamentos e práticas budistas desde então. Ao longo dos séculos, Kuan Yin tem sido retratada de várias formas. Às vezes apresentada como uma presença feminina, face serena, braços esticados e olhos abertos. Outras vezes ela segura um ramo de Salgueiro, simbolizando sua resiliência – sendo capaz de se curvar sob as piores tempestades sem se quebrar. Noutras vezes ela é representada com mil braços e mãos, cada um com um olho aberto em seu centro, retratando sua constante consciência do sofrimento e sua ampla capacidade de resposta. De vez em quando, ela toma a forma de uma guerreira armada com uma infinidade de armas, personificando o aspecto irado da compaixão, comprometida em desenraizar as causas do sofrimento. Uma protetora e uma guardiã, ela é totalmente envolvida com a vida.

Cultivar a vontade profunda de ouvir a tristeza aonde quer que a encontremos é dar o primeiro passo na jornada da compaixão. Nossa capacidade de ouvir segue lado a lado dessa vontade. Em nossas vidas podemos fazer esforços heróicos para nos proteger da angústia, que pode nos circundar e que vive dentro de nós, mas, na verdade, uma vida de negação e defesa é uma vida de ansiedade e dolorosa separação.

A verdadeira compaixão não é forjada distante do sofrimento, mas em seu fogo. Nós nem sempre temos uma solução para o sofrimento. Nós nem sempre conseguimos aliviar a dor. Contudo, nós podemos fazer o compromisso de permanecer conectados e ouvir profundamente. A compaixão nem sempre demanda atos heróicos ou grandes palavras. Nos tempos de angústia mais pesada, o que é realmente necessário é a presença destemida de uma pessoa que pode ser receptiva de todo o coração.

Pode parecer que estar atento e abrir nosso coração ao sofrimento nos faz sofrer mais. É verdade que ter consciência (awareness) traz consigo um aumento na sensibilidade do nosso mundo interno e externo. Ter consciência abre nossos corações e mentes à um mundo de dor e angústias, que antes apenas aparecia na superfície da consciência, como uma pedra pulando na superfície da água. Mas a consciência também nos ensina a ler nas entrelinhas e a ver além do mundo das aparências. Começamos a sentir a solidão, as necessidades e o medo nos outros, que antes eram invisíveis. Além das palavras de raiva, culpa e agitação, nós escutamos o coração fragilizado da outra pessoa. A consciência se aprofunda porque nós ouvimos com mais nitidez os choros do mundo. Cada um desses lamentos tem escrito em si um pedido a ser recebido.

A consciência nasce da intimidade. Nós só conseguimos ter medo ou odiar o que não entendemos ou aquilo que observamos de longe. Só conseguimos encontrar compaixão e liberdade na intimidade. Podemos temer a intimidade com a dor, uma vez que a sensação de desamparo nos assusta; temos medo de não ter a estabilidade interna para abraçar o sofrimento sem ficarmos sobrecarregados. Mesmo assim, a cada vez que encontramos a vontade de ir ao encontro do sofrimento, descobrimos que não somos impotentes. Ter consciência nos salva do desamparo, nos ensinando a sermos úteis por meio de nossa bondade, paciência, resiliência e coragem. A consciência é a precursora do entendimento e o entendimento é o pré-requisito para aplacar o sofrimento.

Shantideva, um mestre profundamente compassivo que dava ensinamentos na Índia, no século oito, disse: “O quê quer que você esteja fazendo, esteja consciente do seu estado mental. Faça o bem; esse é o caminho da compaixão”. Como seria a nossa vida se levássemos esse compromisso à todos nossos encontros? E se nós nos perguntássemos à quê estamos nos dedicando quando encontramos um mendigo na rua, uma criança em prantos, uma pessoa com quem temos dificuldades, ou alguém que nos decepciona? Nós não conseguimos sempre mudar o coração ou a vida de outra pessoa, mas nós sempre podemos cuidar do estado de nossas próprias mentes. Será que conseguiríamos soltar nossa resistência, julgamentos e medo? Será que conseguiríamos ouvir com todo o coração para entender o mundo de outra pessoa? Conseguiríamos encontrar a coragem para permanecer presentes, quando gostaríamos de fugir? Da mesma forma, conseguiríamos encontrar a compaixão para perdoar nossa própria vontade de desconectar? A compaixão é uma jornada. Cada passo, cada momento de cultivo, é um gesto de profunda sabedoria.

Vivendo na Ásia por muitos anos, eu ja encontrei uma quantidade sem fim de gente esmolando nas ruas. A cada vez que encontrava uma criança desamparada e magra eu me via julgando a sociedade que não conseguia nem cuidar de suas crianças carentes. Algumas vezes eu me sentia irritada, talvez deixando algumas moedas na mão da criança enquanto me assegurava que mantinha alguma distância dela. Eu discutia comigo mesma se estava apenas perpetuando a cultura de esmolar ao responder aos pedidos da criança. Levou um bom tempo para eu entender que, por mais que as moedas possam ter sido apreciadas, elas eram um detalhe secundário ao fato de que eu raramente me conectava com a criança.

Como a própria etimologia da palavra indica, “compaixão” é a habilidade de “sentir junto”, e isso envolve um salto de empatia e uma disposição de ir além dos limites de sua própria experiência e julgamentos. O que significaria me colocar no coração daquela criança carente? Como seria não saber se vou comer hoje, dependendo totalmente das esmolas de estranhos? Indo além da nossa zona de conforto, nossos corações podem estremecer; daí então temos a possibilidade de fazer o bem.

Milarepa uma vez disse: “Acostumado a contemplar longamente a compaixão, eu esqueci toda diferença entre eu e os outros.” Compaixão genuína não tem limites ou hierarquias. A menor tristeza é tão digna de compaixão quanto a maior angústia. A dor no coração que sentimos ao sermos traídos pede por compaixão tanto quanto uma pessoa no meio de uma tragédia. Aqueles que amamos e aqueles que desdenhamos pedem por compaixão; aqueles que não se pode culpar e aqueles que causam sofrimento estão todos contidos na tapeçaria da compaixão. Um velho mestre zen uma vez declarou: “Oh, que minhas vestes de monge fossem grandes o suficiente para envolver todo o sofrimento deste mundo flutuante.” Compaixão é a resposta do coração liberado à dor, onde quer que a encontre.

Quando vemos aqueles que amamos sofrendo, nossa compaixão é instintiva. Nosso coração pode se partir. E, ao se partir, pode se abrir. Nós somos mais gravemente testados quando encaramos a dor de alguém que amamos e sabemos que não podemos consertá-la. Nós tentamos blindar da dor aqueles que amamos, mas a vida continua a nos ensinar que nosso poder tem limites. A sabedoria nos diz que insistir em acreditar que a impermanência e a fragilidade não deveriam tocar aqueles que amamos, é cair no inimigo próximo da compaixão, que é apego aos resultados e a insistência de que a vida deveria ser diferente do que ela é.

Compaixão significa oferecer um refúgio àqueles que não tem refúgio. O refúgio nasce da nossa disposição de suportar o que às vezes parece insuportável – ver uma pessoa querida sofrendo. Soltar nossa insistência de que aqueles que amamos não deveria sofrer não é abandonar o amor, mas uma libertação da ilusão – a ilusão de que o amor pode proteger qualquer um dos ritmos naturais da vida. Quando estamos cara-a-cara com a dor de uma pessoa querida, somos chamados a entender o que significa ser firme e paciente em meio ao nosso próprio medo. Em nossos relacionamentos mais íntimos, amor e medo crescem simultaneamente. Um coração compassivo sabe que isso é verdade e não exige que o medo desapareça. Ele sabe que é só no meio do medo que podemos descobrir o destemor da compaixão.

Algumas pessoas, que carregam um longo histórico de baixa auto-estima ou de negação, podem achar muito difícil estender a compaixão à si mesmas. Cientes da vastidão de sofrimentos no mundo, podem achar que é auto-indulgência cuidar dos incômodos em seus próprios corpos, seus corações partidos ou suas mentes confusas. Mas isso também é sofrimento e a verdadeira compaixão não faz diferença entre si e os outros. Se não sabemos como abraçar nossas próprias fraquezas e imperfeições, como podemos imaginar que teríamos espaço, no nosso coração, para todos os outros?

Buda disse uma vez que você pode procurar pelo mundo inteiro e não encontrar ninguém mais digno de amor e compaixão do que você mesmo. Mas, ao contrário, muitas pessoas acabam direcionando para si, níveis de dureza, exigência e julgamento que nunca sonhariam em direcionar à outras pessoas, por saber do mal que iriam causar. Elas estão dispostas a fazer consigo o que nunca fariam com outros.

Na busca por uma compaixão idealizada, muitas pessoas podem se negligenciar. A compaixão “ouve os choros do mundo” e nós somos parte desse mundo. O caminho da compaixão não nos pede para abandonamos a nós mesmos no altar de um estado idealizado de perfeição. Um caminho de cura não faz distinções: dentro da tristeza das nossas próprias frustrações, decepções, medos e amarguras, aprendemos as lições de paciência, aceitação, generosidade e, finalmente, compaixão.

A compaixão mais profunda é nutrida no meio do sofrimento mais profundo. Diante da luta daqueles que amamos ou dos inocentes do mundo, a compaixão surge instintivamente. Diante de pessoas que causam dor em outros, precisamos mergulhar fundo em nós mesmos para encontrar a firmeza e compreensão que nos permitem permanecer abertos. Se conectar com aqueles que causam sofrimento é uma prática difícil, mesmo assim, a compaixão se torna rasa se der as costas àqueles que – perdidos em ignorância, raiva e medo – machucam os outros. A montanha de sofrimento do mundo nunca diminuirá acrescentando-se mais amargura, ressentimento, raiva e culpa.

Thich Nhat Hanh, o amado professor vietnamita disse: “Raiva e ódio são os materiais do qual o inferno é feito”. Não é que o coração compassivo nunca vá sentir raiva. Diante de injustiças terríveis, opressão e violência no nosso mundo, nossos corações vão tremer não só por compaixão, mas também por raiva. Uma pessoa sem raiva pode ser uma pessoa que nunca foi profundamente tocada por atos prejudiciais, que marcam a vida de muitas pessoas. A raiva pode ser o começo do abandono ou o começo do compromisso de ajudar os outros.

Nós podemos nos tornar alertas ao sermos expostos ao sofrimento e essa consciência pode se tornar parte do tecido do nosso ódio ou parte do tecido de ações sábias e compassivas. Se nos alinharmos com o ódio, nós, igualmente, nos alinhamos com aqueles que causam prejuízos. Nós também podemos nos alinhar com um compromisso de extinguir as causas do sofrimento. É fácil esquecer a representação de Kuan Yin como uma soldada armada, profundamente dedicada a proteger todos os seres, destemida e decidida a acabar com o sofrimento.

Raramente palavras de cura e reconciliação nascem de um coração agitado. Uma das grandes artes no cultivo da compaixão é perguntar se podemos incluir a raiva, sem culpa. A culpa agita nossos corações, os mantém contraídos e finalmente leva ao desespero. Renunciar à culpa é manter a sabedoria discriminativa, que sabe exatamente o que é e o que causa o sofrimento. Abdicar da culpa é abdicar da separação que torna a compaixão impossível.

A compaixão não é algo mágico que instantaneamente acaba com todo o sofrimento. O caminho da compaixão é altruísta, mas não idealista. Seguir este caminho não requer que abandonemos nossas vidas, encontremos uma solução para todos os problemas do mundo ou imediatamente resgatar todos os seres. Somos chamados a explorar como podemos transformar nossos próprios corações e mentes a cada instante. Podemos entender a transparência da divisão e da separação? Podemos liberar nossos corações da má vontade, medo e crueldade? Podemos encontrar a firmeza, paciência, generosidade e compromisso de não abandonar nada ou ninguém deste mundo? Podemos aprender a escutar profundamente e encontrar o coração que treme diante do sofrimento?

O caminho da compaixão é cultivado um passo e um momento de cada vez. Cada um desses passos diminui a montanha de tristeza do mundo.

 

Texto de Christina Feldman publicado originalmente em Lions Roar

Tradução: Marcos Bauch e Fábio Rodrigues.

http://www.budavirtual.com.br/ela-que-ouve-os-choros-do-mundo/

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7 frases budistas que vão mudar a sua vida

frases budistas

Muitos de nós costumamos nos referir ao budismo mais como uma filosofia de vida do que como uma religião. O budismo é uma das religiões mais antigas que existem, e ainda é praticada por cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo.  Veja neste artigo frases budistas que vão mudar sua vida.

Qual é o segredo desta filosofia?

A simplicidade de como são transmitidas mensagens cheias de sabedoria, que permitem realmente melhorar nossa qualidade de vida, é o que faz com que essa filosofia ou religião perdure ao longo do tempo e continue ganhando seguidores.

Para entendê-la e abraçar seu verdadeiro significado, não precisamos nos tornar seguidores da religião. Somente precisamos abrir nosso coração e nossa mente, mantendo sempre a esperança.

Hoje apresentamos a vocês as melhores frases budistas que vão mudar a sua vida:

– A dor é inevitável, o sofrimento é opcional. Levando em consideração que as pessoas só podem nos machucar se souberem ao que damos importância, evitar o sofrimento inútil pode consistir, simplesmente, em dar um passo para trás, em se desligar emocionalmente e ver as coisas sob outra perspectiva.

Isso requer prática e tempo, mas vale a pena carregar consigo este grande aprendizado. Como guia, outra frase budista nos dá uma pista de como começar: “Tudo o que somos é resultado do que pensamos; está baseado em nossos pensamentos e está feito deles”.

– Alegre-se porque todo lugar é aqui e todo momento é agora. Costumamos pensar apenas no passado ou estar excessivamente preocupados com o futuro. Isso nos impede de viver o momento e faz com que nossas vidas passem sem que tenhamos consciência disso. O budismo nos mostra o aqui e o agora. Portanto, devemos aprender a estar plenamente presentes e desfrutar cada momento como se fosse o ú

– Cuide de seu exterior tanto quanto cuida de seu interior, pois tudo é um só. Para encontrar um verdadeiro estado de bem estar, é imprescindível que a mente e o corpo estejam em equilíbrio. Não nos concentrar muito no aspecto físico e, reciprocamente, no aspecto interior, nos ajudará a nos sentir mais plenos e conscientes do aqui e do agora, facilitando, assim, uma plenitude emocional mais valiosa.

– Vale mais a pena usar chinelos do que cobrir o mundo com tapetes. Para encontrar nossa paz interior, precisamos ser conscientes dos nossos potenciais pessoais e aprender a dosá-los, assim como nossos recursos. Desta forma, viveremos um verdadeiro crescimento e evolução.

– Não machuque os outros com o que te causa dor. Essa frase é uma das máximas do budismo, e nos permite eliminar quase todas as leis e mandamentos morais atuais em nossa sociedade. Tendo um significado parecido com o da frase “não faça com os demais o que não gostaria que fizessem com você”, esta quinta reflexão vai muito além, já que consiste em um profundo conhecimento de nós mesmos e numa grande empatia para e com os demais.

– Não é mais rico aquele que mais tem, senão aquele que menos necessita. Nosso desejo de ter sempre mais, tanto no plano material, como no emocional, é a principal fonte de todas as nossas preocupações e desesperanças. A máxima do budismo se baseia em aprender a viver com pouco e aceitar tudo aquilo que a vida nos dá no momento. Isso nos proporcionará uma vida mais equilibrada, reduzindo o estresse e muitas tensões internas.

O fato de desejar mais coisas a todo o tempo indica somente falta de segurança, e mostra que nos sentimos sós e que precisamos preencher estes vazios. Sentirmo-nos a vontade com nós mesmos nos permite deixar para trás a necessidade de não ter que demonstrar nada.

– Para entender tudo, é preciso esquecer tudo. Estamos, desde pequenos, imersos numa contínua aprendizagem. Na infância, nosso mapa mental ainda não está desenhado, o que nos faz sermos abertos a “tudo” e à capacidade de entender qualquer coisa, pois não sabemos julgar.

Mas a medida em que crescemos, nossa mente se enche de restrições e normas sociais que nos dizem como devemos ser, como devem ser as coisas, e como devemos nos comportar, inclusive o que devemos pensar. Nos tornamos inconscientes de nós mesmos, então nos perdemos.

Para mudar e ver as coisas sob uma perspectiva mais saudável para nós, precisamos aprender a nos desligar das crenças, dos hábitos e das ideias que não provêm do nosso coração. Para isso, esta frase budista servirá para começar o processo: “No céu não há distinção entre leste e oeste, são as pessoas quem criam essas distinções em sua mente e então acreditam ser a verdade”.

Por: Juliana Martinez

Caminhando com Consciência

 

CAMINHANDO COM CONSCIÊNCIA

“Uma maneira de praticar meditação andando é respirar e dar um passo, e concentrar toda a sua atenção na sola do seu pé.

Se você não chegou totalmente, 100 por cento no aqui e no agora, não dê o próximo passo.

Tenho certeza que você pode dar um passo como esse porque há buddhanature (natureza búdica) em você.

Buddhanature é a capacidade de estar ciente do que está acontecendo.

É o que lhe permite reconhecer o que você está fazendo no momento atual e dizer a si mesmo, estou vivo, estou dando um passo.

Qualquer pessoa pode fazer isso.

Há um Buda em cada um de nós, e devemos permitir que o Buda caminhe.”
– Thich Nhat Hanh

Os Seis tipos de Solidão – Pema Chödrön

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Normalmente vemos a solidão como um inimigo. A melancolia não é algo que escolhemos convidar. Ela é inquieta, fértil e ardente pelo desejo de escapar e encontrar alguma coisa ou alguém que nos faça companhia. Quando conseguimos repousar no caminho do meio, começamos a ter um relacionamento não ameaçador com a solidão, uma solidão relaxante e refrescante que transforma radicalmente nossos amedrontados padrões habituais.

Não há ponto de referência no caminho do meio. A mente, sem ponto de referência, não se define, não se fixa, não se agarra. Como é possível não ter um ponto de referência? Isso seria mudar uma resposta arraigada e habitual diante do mundo: querer que as coisas funcionem bem, de um jeito ou de outro. Se não podemos virar nem para esquerda nem para a direita, achamos que vamos morrer! Quando não escolhemos uma direção, temos a sensação de estar em uma clínica de desintoxicação. Sentimos a angústia da abstinência, com toda a irritação que temos tentado evitar por meio de nosso padrão habitual. Esse sentimento pode ser bastante penoso.

No entanto, anos e anos de virar para um lado ou para o outro, de escolher sim ou não, de dizer certo ou errado nunca mudaram, de fato, coisa alguma. Lutar por segurança nunca trouxe nada além de alegria momentânea. Assemelha-se a mudar de posição das pernas durante a meditação. Nossas pernas cruzadas começam a doer e nós as movemos. Então, pensamos: “Puxa! Que alívio!”. Ficamos girando, procurando prazer, procurando conforto, e a satisfação que conseguimos tem vida curta.

Ouvimos muito falar sobre a dor do samsara e também sobre libertação. Mas não se fala muito sobre quanto é doloroso sair do aprisionamento para a liberdade. Esse processo exige enorme coragem, já que, basicamente, estamos mudando totalmente nossa percepção da realidade – algo como mudar nosso DNA. Estamos desfazendo um padrão que não é apenas nosso, mas de toda a humanidade: projetamos sobre o mundo um trilhão de possibilidades para alcançar a solução. Queremos ter dentes mais brancos, um gramado sem ervas daninhas, uma vida sem antagonismo, um mundo sem confusão. Queremos viver felizes para sempre. Esse padrão nos mantém insatisfeitos e nos causa muito sofrimento.

 

Nosso direito inato: O Caminho do Meio

Como seres humanos, não apenas buscamos uma solução – achamos que a merecemos. Entretanto, não apenas não merecemos uma solução – sofremos por causa dela. Na verdade, temos direito a algo melhor, àquilo que é nosso direito inato, ao caminho do meio – um estado mental aberto onde é possível relaxar no paradoxo e na ambiguidade. Na medida em que estamos evitando a incerteza vamos, naturalmente, sentir os sintomas da privação – de deixar de pensar que existe um problema e alguém, em algum lugar, precisa resolvê-lo.

O caminho do meio é muito aberto, mas não é fácil caminhar por ele, pois vai contra a textura de um antigo padrão neurótico que todos nós compartilhamos. Quando nos sentimos sozinhos, quando estamos desesperados, sentimos necessidade de virar para a esquerda ou para a direita. Não desejamos sentar e experimentar o que estamos sentindo. Não queremos passar pela desintoxicação. Mas é exatamente isso que o caminho do meio nos encoraja a fazer. Ele nos estimula a despertar a coragem que existe em cada um de nós, sem exceção, o que existe em mim e em você.

A meditação nos fornece um método para treinarmos no caminho do meio – para estarmos exatamente ali, naquele lugar. Na verdade, somos encorajados a nem mesmo agarrar qualquer coisa que surja em nossa mente. Reconhecemos simplesmente como “pensando” aquilo que chamamos de bem ou mal, sem todo o drama habitual que acompanha o certo e o errado. Somos instruídos a permitir que os pensamentos venham e se dissolvam, como se estivéssemos tocando em uma bolha com uma pena. Essa disciplina direta nos leva a parar de lutar e a descobrir uma disposição nova e imparcial.

Quando experimentamos determinados sentimentos podemos perceber como eles são especialmente férteis e cheios de expectativa de solução: solidão, tédio, ansiedade. Não é fácil permanecer no caminho do meio quando os estamos sentindo e isso só será possível se pudermos relaxar nesses sentimentos. Queremos vitória ou derrota, elogios ou culpa. Quando alguém nos abandona, por exemplo, não queremos permanecer com esse penoso mal-estar. Em vez disso, evocamos mentalmente nossa bem conhecida identidade de vítima infeliz. Talvez tentemos evitar a rudeza da situação dissimulando e, cheios de razão, dizendo a essa pessoa o quanto ela é confusa. Automaticamente, desejamos encobrir a dor, de uma forma ou de outra, por meio da identificação com o vitorioso ou com a vítima.

Normalmente vemos a solidão como um inimigo. A melancolia não é algo que escolhemos convidar. Ela é inquieta, fértil e ardente pelo desejo de escapar e encontrar alguma coisa ou alguém que nos faça companhia. Quando conseguimos repousar no caminho do meio, começamos a ter um relacionamento não ameaçador com a solidão, uma solidão refrescante que transforma radicalmente nossos amedrontados padrões habituais.

Existem seis atitudes para descrever esse tipo de solidão refrescante: desejar menos, contentar-se, evitar a atividade desnecessária, ter total disciplina, não vagar pelo mundo do desejo e não buscar segurança no mundo dos pensamentos discursivos.

 

Desejar menos

Desejar menos é a disposição para estar solitário sem buscar uma solução, quando tudo em nós anseia por algo que nos anime e mude nosso estado de espírito. Praticar esse tipo de solidão é uma forma de espalhar sementes para que a inquietação fundamental diminua. Na meditação, por exemplo, cada vez que rotulamos “pensando”, em vez de ficar interminavelmente às voltas como nossos próprios pensamentos, estamos apenas treinando estar exatamente ali, sem dissociação. Não conseguimos fazer isso agora, na medida em que estávamos dispostos a fazê-lo ontem, anteontem, na semana passada ou no ano passado. Mas, após praticarmos o desejar menos com perspicácia e coerência, alguma coisa muda. Temos menos desejo, no sentido de sermos menos solidamente seduzidos por nossa História Importantíssima. Assim, o caminho do guerreiro consiste em, diante da intensa solidão, conseguir sentar com essa inquietação durante 1,6 segundo, enquanto que, no dia anterior, era impossível estar com ela durante um único segundo. Esse é o caminho da coragem. Quanto menos nos dispersamos e enlouquecemos, mais saboreamos a satisfação da solidão refrescante. Como dizia frequentemente Katagiri Roshi, mestre Zen: “É possível ser solitário e não se sentir devastado por isso”.

 

Contentamento

Contentar-se é o segundo tipo de solidão. Quando não temos nada, não temos nada a perder. Nada temos a perder, a não ser nosso forte condicionamento para achar que temos muito a perder. Essa sensação tem suas raízes no medo – medo da solidão, da mudança, de tudo que não pode ser solucionado, da não existência. A esperança de evitar esses sentimentos e o medo de não consegui-lo tornam-se nossos pontos de referência.

Se desenharmos uma linha vertical no centro de uma página, saberemos quem somos se estivermos do lado direito ou do lado esquerdo. Mas ficamos sem saber quem somos quando não nos posicionamos em nenhum dos lados. Então, simplesmente não sabemos o que fazer. Simplesmente não sabemos. Não temos um ponto de referência, uma mão para segurar. Nesse momento, podemos nos apavorar ou nos aquietar. Contentamento é sinônimo de solidão, de solidão tranquila, de acomodar-se na solidão refrescante. Desistir de acreditar que somos capazes de fugir de nossa solidão. E que isso não vai nos trazer algum tipo de felicidade, alegria, bem estar, coragem ou força duradouras. Normalmente, precisamos desistir dessa crença um bilhão de vezes, mais uma vez fazendo amizade com nossos sobressaltos e medos, repetindo a mesma coisa milhões de vezes, conscientemente. Então, sem que saibamos como, alguma coisa começa a mudar. Podemos ser simplesmente solitários, sem alternativas, satisfeitos por estarmos exatamente ali, na qualidade e textura do que está acontecendo.

 

Evitar atividades desnecessárias

Evitar a atividade desnecessária é o terceiro tipo de solidão. Quando estamos solitários de um modo “intenso”,  procuramos algo que nos salve, procuramos uma saída. Temos esse desagradável sentimento que chamamos de solidão e nossa mente simplesmente se descontrola, tentando encontrar alguma companhia que nos livre do desespero. Essa é a chamada atividade desnecessária – uma maneira de nos mantermos ocupados para não termos de sentir nenhuma dor. Esse processo pode assumir a forma de fantasiar obsessivamente o amor verdadeiro, de espalhar uma ótima fofoca aos quatro ventos, ou ainda de fugir sozinho para o deserto. A questão é que, com todas essas atividades, estamos buscando companhia de nosso modo costumeiro e habitual, usando as mesmas velhas e repetitivas fórmulas para afastar o demônio da solidão. Não poderíamos apenas nos aquietar e mostrar algum respeito e compaixão diante de nós mesmos? Que tal praticar deixar de sobressaltar-se e agarrar-se a algo no momento em que começamos a entrar em pânico? Relaxar na solidão é uma atividade que vale a pena. Como diz o poeta japonês Ryokan: “Se quiser encontrar o sentido, pare de correr atrás de tantas coisas”.

 

Completa disciplina

Outro componente da solidão refrescante é a disciplina total, que se relaciona com estarmos dispostos a voltar a cada momento, a simplesmente voltar com suavidade para o momento presente. Essa é a solidão como disciplina total. Estamos dispostos a sentar quietos, apenas estando ali, sozinhos. Não precisamos cultivar especificamente esse tipo de solidão; podemos apenas sentar quietos o bastante para perceber como as coisas realmente são. Somos fundamentalmente sós, e não há nada, em lugar algum, em que possamos nos agarrar. Além do mais, isso não é um problema. Na verdade, isso nos permite finalmente descobrir uma maneira de ser totalmente desconstruída. Nossas premissas habituais – todos os nossos conceitos sobre como as coisas são – impedem-nos de ter uma visão nova e aberta. Dizemos: “Sim, eu sei”. Mas não sabemos. Em última análise, não sabemos nada. Não existe certeza sobre coisa alguma. Essa verdade fundamental causa dor e queremos fugir dela. Entretanto voltar para algo tão familiar quanto a solidão e relaxar nela representa um bom exercício para perceber a profundidade das situações mal resolvidas de nossa vida. Estamos nos enganando quando fugimos da ambiguidade da solidão.

 

Não vagar pelo mundo do desejo

Não vagar pelo mundo do desejo é outra maneira de descrever a solidão refrescante. Vagar pelo mundo do desejo envolve procurar alternativas, buscar algo que nos conforte – comida, bebidas, pessoas. A palavra desejo inclui aquela qualidade de vício que já mencionamos, nossa tendência a nos apegarmos a algo porque queremos encontrar uma maneira de deixar tudo bem. Isso decorre de nunca termos crescido. Ainda queremos ir pra casa, abrir a geladeira e encontrá-la cheia de nossas guloseimas favoritas. Quando a situação fica difícil, queremos gritar: “Mamãe!”. À medida que continuamos no caminho, porém, deixamos nossa casa e nos tornamos desabrigados. Não vagar pelo mundo do desejo tem a ver com relacionar-se diretamente com as situações, do modo como são. A solidão não é um problema. Não é algo que precisa ser resolvido, e o mesmo é verdadeiro para qualquer outra experiência que possamos ter.

 

Não buscar segurança nos pensamentos discursivos

Não buscar segurança nos pensamentos discursivos é outro aspecto da solidão refrescante. Puxaram nosso tapete, a festa acabou, desta vez não temos saída! Não buscamos nem mesmo a companhia de nossa constante conversa interior sobre como as coisas são ou não são, sobre se são ou não são, sobre como deveriam ou não deveriam ser, como poderiam ou não poderiam ser. Na solidão refrescante, não esperamos que nossa tagarelice interior nos traga segurança. Essa é a razão pela qual somos instruídos a rotulá-la “pensando”. Ela não possui realidade objetiva. Somos encorajados a apenas tocar essa tagarelice e a permitir que se vá, sem fazer muito barulho por nada.

A solidão refrescante nos permite olhar honestamente e sem agressão para nossa própria mente. Gradualmente, podemos deixar de lado nossos ideais sobre quem achamos que deveríamos ser, quem achamos que queríamos ser, ou o que achamos que os outros acham que seríamos ou deveríamos ser. Desistimos e apenas olhamos diretamente, com humor e compaixão, para aquilo que somos. Então, a solidão não representa mais ameaça e a melancolia deixa de ser punição.

A solidão refrescante não nos fornece soluções e não nos dá um apoio. Ela nos desafia a entrar em um mundo onde não existe ponto de referência, sem polarizá-lo e sem cristalizá-lo. Esse processo é chamado caminho do meio ou a trilha sagrada do guerreiro.

Você saberia aproveitar essa oportunidade de ouro, quando acordar pela manhã e, de repente, começar o sofrimento da alienação e solidão? Em vez de se atormentar ou sentir que algo terrivelmente errado está acontecendo, exatamente ali, no momento da tristeza e da saudade, poderia relaxar e tocar o espaço ilimitado do coração humano? Experimente da próxima vez em que tiver essa oportunidade.

Trecho do livro “Quando tudo se desfaz” de Pëma Chödrön/ p. 59 a 65, transcrito por Paulo Zorzetto.

 

pema
Pema Chödrön

Pema Chödrön é uma monja, que pratica na tradição do budismo tibetano. Foi uma discípula de Chögyam Trungpa Rinpoche, cujos ensinamentos ela continua a disseminar entre estudantes ocidentais do mundo inteiro. Nascida na cidade de Nova York, em 1936, Pema tem 2 filhos adultos e 2 netos. Formada pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, foi professora primária por muitos anos, no Novo México e na Califórnia. Pema já havia passado dos 30 anos quando se ligou pela primeira vez aos ensinamentos budistas. Em 1971, ela viajou para os Alpes franceses, onde encontrou o Lama Chime Rinpoche, com quem estudou por muitos anos. Tornou-se uma noviça em 1974, enquanto estudava com Lama Chime, na Inglaterra.

O primeiro encontro de Pema com seu guru-raiz, Chögyam Trungpa Rinpoche, foi em fevereiro de 1972. Lama Chime encorajou-a a trabalhar com Trungpa Rinpoche e foi com ele que Pema, finalmente, se ligou mais profundamente. Pema estudou com Trungpa Rinpoche de 1974 até a morte de dele, em 1987, recebendo dele sua ordenação plena em 1981. Pema continuou a estudar com grandes mestres das linhagens Kagyü e Nyingma do budismo tibetano.

Atualmente, Pema é professora residente na abadia Gampo, um centro monástico situado em uma área de duzentos acres, à beira-mar, sobre as falésias do cabo Breton, na Nova Escócia, no Canadá. Pema é uma Acharya (professor senior) de Shambhala International e, quando não está em retiro fechado, na abadia Gampo, viaja pela Europa, Austrália e América do Norte, ensinando a grandes audiências.

Pema Chödrön é a autora de  “Comece onde você está“, Editora Sextante, “Os lugares que nos assustam” e “Quando tudo se desfaz”, Editora Gryphus.

Mais Pema Chödrön:

Peço Perdão….

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“Peço perdão a todos aqueles com quem cruzei nos caminhos da minha vida, e que, por causa da minha ignorância, não pude amar.”
Sri Prem Baba

A História De Dechen: A Animação Que Nos Ensina A Compreender O Que É “Amar É Deixar Ir”

 

Esta animação nos conta a história de Dechen, um monge budista tibetano em processo de treinamento que tem uma grande paixão pela jardinagem. No vídeo podemos ver como ele planta uma flor, a observa e cuida da mesma com muito carinho e total dedicação. No entanto, a planta vai perdendo força apesar de todos os cuidados desprendidos.

E a linda flor, sufocada pela ausência do sol, começa a murchar, provocando grande incompreensão e tristeza ao protagonista. Mas no momento em que o pequeno monge descobre que a flor somente teria uma vida feliz em seu lugar de origem, ele a leva e planta-na no solo que ela tanto ama.

Ali a flor se torna incomensuravelmente bela. E o menino monge descobre que, ainda que amamos muito algo ou alguém, não podemos deixá-lo cativo. Pois cada ser é ímpar e possui o seu modo íntimo de felicidade. Ele descobre que amar é aceitar a felicidade do outro ainda que esta felicidade não seja ao seu lado. E que por mais que nos dediquemos ao nosso objeto de desejo, ele precisa de seu próprio espaço para respirar, para crescer, para resplandecer.

“Deixar livre é único modo de amar verdadeiramente”. Clara Dawn

https://player.vimeo.com/video/42842952

http://www.portalraizes.com/a-historia-de-dechen-amar-e-deixar-ir/

Lokah Samastah Sukhino Bhavanthu- “Que todos os seres sejam felizes e estejam em paz.”

borboleta tricotando suas asas.jpg

LOKAH SAMASTAH SUKHINO BHAVANTHU
significado do mantra:

“Que todos os seres do mundo sejam felizes e estejam em paz.”
( Quem gostar pode se  unir ao grupo da AMMA que toda quinta feira, das
22 às 22:15 canta esse mantra para todos que precisam de
ajuda.)
….
Que todos os seres em todos os mundos sejam felizes.
O aspecto mais importante deste mantra é que o sábio não reza somente para seu clã ou sua nação, ele reza para o mundo inteiro, ou para ser mais preciso, para todos os mundos.

Como Amma diz-nos e nos mostra, esta é a maneira correta de rezar. Em vez de pedir alguma coisa para nós, Amma aconselha-nos rezar para toda a criação.

Rezar para o bem-estar de todos os seres sencientes – cada ser humano, cada animal, cada planta – a mente se torna mais ampla. Através desta oração, podemos gradualmente superar nossos conceitos limitados e egocêntricos de auto identificar com toda a criação, reconhecendo que a sua verdadeira natureza não é outra senão aquela mesma que a nossa.

E, como nós também somos parte do mundo, vamos também beneficiar as bênçãos desta oração.
A próxima vez que recitar Lokah Samastah Sukhino Bhavantu, tentar sentir profunda compaixão por todos os seres vivos e resolver a viver neste espírito de altruísmo.

 

Via Iagui Antonio Bernardes Bastos.