A relação de casal pelo olhar da Constelação Familiar

A relação de casal é o ponto inicial da família que construímos quando adultos. Levamos da nossa família de origem os muitos referenciais sobre o lugar e o papel de cada um em nossa nova estrutura familiar.

Através do relacionamento amoroso e da consumação do amor, o homem e a mulher deixam sua família de origem para criar um novo vínculo.

Esse vínculo se orienta a um terceiro. Quando o casal tem um filho, através deste o homem e a mulher se tornam completos no seu masculino e feminino. E é no filho que esse vínculo passa a existir para sempre. De maneira plena e visível para todos.

Este filho, respeitando à lei da ordem, vem depois do relacionamento do casal. Por isso, um grande bem que um casal pode fazer para a criação de seus filhos é amar-se e respeitar-se como homem e mulher.

Primeiramente, foi esse amor que fez possível que o filho ou a filha viesse. E por esse motivo, deve sempre ser honrado.

Bert Hellinger diz: “E assim como raízes nutrem a árvore, assim também seu amor como casal sustenta e nutre seu amor de pais pelos filhos.”

 

O vínculo

O homem e a mulher – e também casais do mesmo sexo – experimentam o vínculo de forma muito profunda quando se relacionam. Este movimento é que permite que ambos deixem sua família para criar a sua própria.

O relacionamento íntimo entre o casal cria um laço da alma, que é de certa forma indissolúvel. Mesmo que encontramos na nossa sociedade mecanismos como o divórcio, Bert Hellinger fala que em nosso coração esse vínculo permanece a agir mesmo após o fim de um relacionamento. Ainda segundo Hellinger o primeiro relacionamento sempre nos vincula de forma especial e, quando há um segundo ou ainda outros, estes últimos já não terão a mesma força que o primeiro.


“Uma nova relação não tem o mesmo efeito da primeira. Isso se revela pelo fato de que o marido ou a mulher de uma pessoa que se casa pela segunda vez não ousa tomá-la e mantê-la como a primeira união. A razão é que o casal experimenta a segunda união com culpa em relação à primeira.”

Bert Hellinger


Nos workshops aqui no Ipê, é possível perceber de forma bem clara estes vínculos. Muitas vezes quando um cliente vem e traz um tema relacionado à dificuldades de relacionamento, muitas vezes há um parceiro anterior não visto no caminho.

Quando se se traz para a consciência a existência de um parceiro ou parceira anterior, é possível para o cliente perceber o vínculo que o está ligando a esta história, e com amor e respeito, deixá-lo seguir.

O vínculo porém continua a existir, por exemplo: aquela pessoa continuará a ser o primeiro ou primeira parceira de relacionamento, isso não mudará. Porém, o vínculo que é reconhecido não mais se interpõe no caminho de novos relacionamentos. Ele se torna parte do que foi, sem precisar permanecer presente.

Bert Hellinger nos traz a imagem de que a cada novo relacionamento, entramos com “menos”. Já deixamos “coisas” com os parceiros que vieram antes, e por isso temos menos à disposição, somos capazes de dar um pouco menos a cada novo relacionamento.

É importante salientar, porém, que esse é um movimento da alma, não se relaciona com bens ou coisas concretas e sim com a disponibilidade interna (de alma e coração) para se relacionar. Por isso, é mais fácil terminar um segundo relacionamento em comparação com o primeiro…e, sucessivamente, a cada novo relacionamento há menos vinculação e mais fácil se torna a separação.

Aqui, não entra qualquer juízo de valor, de certo ou errado. Apenas se mostra uma lei que atua sobre todos e que, independente de nossa vontade, age sobre nós.

Dar-se conta destas leis que foram observadas por Hellinger, nos ajuda a perceber muitas das nossas atitudes quando estamos nos relacionando. Principalmente para quem está no segundo ou terceiro relacionamento, compreender como elas atuam pode nos ajudar a compreender e dissolver conflitos com um parceiro, por exemplo.

 

A visão sistêmica reconhece diferentes funções para o homem e para a mulher dentro de um relacionamento, porém ambos com o mesmo grau hierárquico, ambos estão no mesmo nível quando falamos de lugar (ordem).

O homem não é mais importante do que a mulher, assim como a mulher não é mais importante do que o homem. Eles são equivalentes. Sem qualquer uma das partes, o relacionamento inexiste.

Da mesma forma, ambos se necessitam mutuamente. Reconhecer isto nos abre o caminho para a compreensão de um desequilíbrio que acontece entre o casal.

 

Se os dois precisam, os dois tomam e dão, em uma troca equilibrada. Porém, se por algum motivo, há um lado que é “benevolente”, que sempre cede, que não costuma pedir nada em troca, o relacionamento entra em uma área perigosa para sua sobrevivência.

Atua em nossos relacionamentos a lei do equilíbrio, e quando somos impedidos de exercer uma troca equilibrada, nos sentimos pressionados a buscar a compensação.

E se nosso parceiro ou parceira “benevolente”, não abre espaço para o equilíbrio, é comum que quem recebeu muito saia do relacionamento. Hellinger define como pesado o destino daquele que não pode se relacionar compensando o que recebe de alguma forma.

Saímos de nossa família de origem e seguimos para nossa iniciativa de criar uma família. Mas isso não corta nosso pertencimento do nosso sistema original. Então, os emaranhamentos não resolvidos daquele sistema podem atuar no novo relacionamento.

Desse lugar podem surgir alguns conflitos para o casal. Bert Hellinger fala que “somos estrangeiros na família do cônjuge. Não falamos a “língua” e não compartilhamos da mesma cultura.”

Por isso, ele mesmo sugere, temos que ter muito cuidado ao nos colocar em nossos relacionamentos. Precisamos entender que aquele ou aquela que está agora comigo teve uma vida com sua própria cultura e emaranhamento, e que de certa forma ele ou ela também é resultado disso.

Quando, por algum motivo, intervimos no processo da família do nosso parceiro ou parceira, estamos a alguns passos de fracassar pois nos colocamos em um campo que não conhecemos e não temos bússola, não temos registros, não temos informações – é a família do outro e ali não temos nada a fazer. Absolutamente nada.

Bert Hellinger fala sobre o movimento do divórcio no livro “A simetria oculta do amor”. Leia abaixo:

Quando finalmente se dá a separação, ambos os parceiros se vêem diante das possibilidades e riscos de um novo começo. Se um deles rejeitar a oportunidade de um novo começo e ignorar a possibilidade de criar algo de bom, preferindo apegar-se à dor, torna-se difícil para o outro parceiro libertar-se.

Por outro lado, se ambos aproveitarem as oportunidades surgidas e fizerem alguma coisa com elas, ambos se libertarão e ficarão aliviados do fardo. Entre todas as possibilidades de perdão nas situações de divórcio e separação, esta é a melhor, porque traz harmonia mesmo quando a separação ocorre.

Se a separação é dolorosa, há sempre a tendência a procurar alguém para incriminar. Os envolvidos tentam aliviar o peso do destino arranjando um bode expiatório. Em regra, o casamento não se desfaz porque um parceiro é culpado e o outro inocente, mas porque um deles está assoberbado por problemas da sua família de origem, ou ambos caminham em direcções opostas.

Se se incrimina um parceiro, cria-se a ilusão de que algo diferente poderia ter sido feito ou de que um comportamento novo salvaria o casamento. Nesse caso, a gravidade e a profundidade da situação são ignoradas, os parceiros começam a recriminar-se e a acusar-se mutuamente.

A solução para combater a ilusão e a crítica destrutiva é resignar-se à forte dor provocada pelo fim do relacionamento. Essa dor não dura muito, mas é lancinante. Se os parceiros se dispuserem a sofrer, poderão tratar do que merece ser tratado e dispor as coisas que precisam ser dispostas com lucidez, ponderação e respeito mútuo. Numa separação, a raiva e a censura estão a substituir o sofrimento e a tristeza.

Quando duas pessoas não conseguem separar-se civilizadamente, isso acontece, às vezes, porque não souberam tomar plenamente um do outro aquilo que lhes foi oferecido. Devem, pois, dizer-se “Recebi o que de bom me deste e vou guardá-lo como um tesouro. Tudo o que te dei, dei-o com gosto, portanto, guarda-o também.

Assumo a minha parcela de responsabilidade pelo que saiu errado entre nós e deixo-te a tua. Agora partirei tranquilo”. Se conseguirem dizer isto com sinceridade, podem separar-se em paz.

Muitas vezes os parceiros agem como se a sua participação no relacionamento fosse como a associação a um clube, associação livremente escolhida e que pode terminar livremente. Mas a consciência secreta e infatigável que zela pelo amor ensina outra coisa. Se fossemos livres para cancelar as nossas parcerias, a separação não magoaria tanto.

Numa parceria séria de iguais, estamos ligados um ao outro e não podemos separar-nos sem sofrimento e culpa.

A relação de casal pelo olhar da Constelação Familiar

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O dinheiro pelo olhar da Constelação Familiar de Bert Hellinger: energia à serviço da vida

Dê um tempo neste momento a você mesmo.

Perceba agora quais são as suas crenças em relação ao dinheiro e ao fruto do seu trabalho.

Muitos de nós percebemos o dinheiro como algo sujo, imoral. Somos expostos todos os dias nos jornais, nas notícias, no nossos círculo familiar, histórias de como o “dinheiro” corrompeu alguém.

Damos ao dinheiro um personalidade. O chamamos de corruptor.

Olhamos para o dinheiro e o julgamos como fonte de nossos problema – ainda mais visível na nossa situação atual enquanto país.

É uma situação difícil. Ficamos todos presos na confusão.

Ao mesmo tempo, percebemos e é inegável o papel do dinheiro na manutenção da vida. Ele proporciona crescimento, possibilidades, segurança e liberdade. Ele nos sustenta.

Então, como podemos olhar para o dinheiro e ver sua real energia?

O que é o dinheiro?

O dinheiro em si é um pedaço de papel. Todo o poder, valor e energia que emana dele é uma convenção da nossa sociedade para tornar as trocas entre os indivíduos mais igualitárias.

Antigamente, o escambo era a prática usual. Mas quantos pães valiam uma galinha? Ou a maçã valia mais ou menos que uma laranja? Dessa dúvida surgiu a necessidade de padronizar um meio sem oscilação de valor para realizar as trocas. Desse movimento, o dinheiro foi criado.

Ainda que fisicamente sua representação seja bem simples (papel e metais), o dinheiro é uma manifestação de uma energia que está à serviço da vida, e não somente isso, mas é essencial a ela.

Bert Hellinger fala que o “dinheiro é algo espiritual! O dinheiro é vida. Sem dinheiro , ninguém pode sobreviver em nossa sociedade. O dinheiro nos permite continuar vivos.” (Livro “Histórias de sucesso na empresa e no trabalho” – Editora Atman)

Numa troca, estipulamos um valor e a outra pessoa concorda ou não com o que estipulamos. Podemos negociar ou encerrar uma negociação com base nos argumentos apresentados entre os lados.

Aqui, somos apresentados à lei que exerce maior influência sobre o fluxo de dinheiro: o equilíbrio. O dinheiro, para permanecer com quem o recebe, exige que a troca seja justa, para ambos. Quando há um desequilíbrio, acontece uma disfunção na gestão do valor.

Os rendimentos param, os negócios travam e às vezes não sabemos o porque. Mas uma boa dica é olhar para o equilíbrio entre o dar e o tomar em todos os âmbitos do negócio.

Quem recebe o dinheiro também deve merecer, oferecer na sua troca algo compatível com o que está cobrando pelo serviço. Compatível aqui quer dizer, nem exigir a mais do seu valor e nem a menos. Cobrar o que é justo.

Uma pessoa que cobra menos do que o justo pelo seu trabalho, em algum tempo se tornará um prestador de serviço que parará de servir seu cliente. Como vemos na situação em desequilíbrio, um dos dois lados se sente pressionado e sai da relação comercial.

 

O Olhar de Bert Hellinger

O psicoterapeuta alemão aborda bastante a influência do sistema na nossa forma de lidar com o dinheiro e o sucesso, e como por vezes nossos comportamentos seguem um emaranhamento familiar neste mesmo assunto.

Em seu livro “Leis Sistêmicas da Assessoria Empresarial” ele propõe a seguinte metafora:

“O dinheiro possui uma dimensão espiritual. Ele reage como se tivesse uma alma e um faro fino para a justiça e a injustiça.

Quer ficar com aqueles que o ganharam honestamente, com o suor do seu trabalho. Quer voltar para aqueles que trabalharam duro para obtê-los ou para aqueles que o receberam de outros com a condição de administrá-lo e multiplicá-lo honestamente, a serviço da vida.

O dinheiro que outros ganharam para nós quer ficar conosco quando os recompensamos corretamente. Acima de tudo, uma vez que pertence à vida, o dinheiro quer ser gasto e transmitido a serviço da vida. O dinheiro se alegra quando é gasto. Ele retorna ainda mais rico para nós.”

Hellinger reconhece que esta é só uma metafora, e que na verdade o dinheiro e seus movimentos são apenas uma manifestação do que está em nosso centro, que ele chama de alma.

O dinheiro deseja servir nosso interesse pela vida. Por isso, se coloca à disposição naquilo que contribui para o avanço dela.

Em outro livro, chamado “Êxito na vida, exito na profissão”, Bert Hellinger discorre sobre as causas da nossa relação com dinheiro ser tão conflitante. Ele fala de uma razão religiosa para isso:

Na bíblia se transmite um dito de Jesus: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar nos reinos dos céus”(…) Na consciência do Ocidente, esta emoção contra a riqueza e o efeito desastroso para a salvação de nossas almas continua atuando , tanto na vida pessoal, quanto na vida pública.

Além disso, alguns movimentos de filósofos antes e depois do cristianismo também abordavam a questão da riqueza X pobreza como algo ligado ao mal x bem. Mesmo que alguns destes grupos tenham sido perseguidos pelo cristianismo, muito de suas posturas e idéias influenciaram a doutrina cristã nos séculos seguintes.

Nossa postura em relação ao dinheiro

A relação com o dinheiro é algo desafiador a todos nós. Geralmente nos queixamos da sua falta e dizemos: “- Não farei algo pois não tenho dinheiro.”

Sim, é verdade. A falta de dinheiro é um limitador. Mas talvez haja uma dinâmica agindo de forma oculta neste argumento. Porque é tão desafiador termos dinheiro para servir aos nossos planos?

Em uma constelação onde o dinheiro foi colocado no campo durante nosso trabalho no Instituto, foi possível perceber que o dinheiro tem uma força direcionada à vida, ao crescimento. Seu trabalho é de sustentar nosso caminhar na vida, e ele nos serve com alegria e motivação.

Por isso, ter dinheiro é uma responsabilidade. A partir do momento que você o possui, cabe a você movimentar sua vida, tomar a responsabilidade do seu caminhar na sua mão. É preciso assumir as suas decisões.

Por mais que seja desconfortável, muitas vezes a falta de dinheiro pode estar prestando um serviço àquele que não o tem. Quando não se tem dinheiro é mais fácil terceirizar a responsabilidade por não fazer algo. A frase sai quase automática: – Queria muito fazer, mas não tenho dinheiro…

O caminho opcional é desafiador: Eu tenho dinheiro, mas tenho medo de tomar tal decisão. O que devo fazer?

Para todas estas perguntas, somente um adulto pode ter a resposta, pois para se caminhar na vida é necessário aceitar alguns riscos.

Se não somos capazes de decidir, ficamos como a criança que espera que alguém a cuide ou tome as decisões por ela (talvez, sim, dentro de nós exista ainda uma criança que em algum momento se sentiu abandonada e que ainda aguarda por seus pais). A “criança” aguarda que os pais – ou alguém que assuma o papel deles – venham à sua salvação.

E assim permanece inocente, culpando a tudo e a todos por sua infelicidade. Nesse lugar, é impossível crescer.

Nestes casos, é preciso perceber que aquilo que não recebemos quando crianaça, podemos agora como adultos, conquistar e criar para nós mesmos: seja um relação de afeto, seja o resgate de nosso vínculo com nossos pais para além de nossas reivindicações, seja a conquista de algo material de que precisamos.

Também há o movimento de aceitarmos a riqueza quando outros no nosso sistema não tiveram a mesma sorte. Neste caso, aquele que se sobressai sente peso e culpa pela sua situação. Como superar isso? Hellinger fala que:

Somente com a má consciência, com a coragem de ter uma má consciência. Conseguimos isso quando obtemos, em outro lugar, a força e a segurança para nos tornamos ricos e continuarmos sendo ricos. Isto é, se entrarmos em sintonia com um movimento do espírito que permanece igualmente voltado a tudo tal como é, um movimento além da diferenciação entre o bom e o mau, porque tudo tem igualmente sua origem em seu pensamento e por isso só pode ser tal como é.

Podemos perceber o quanto o dinheiro nos serve e está à nossa disposição. Ele nos pede coragem para poder andar ao nosso lado.  Ao mesmo tempo, se ainda não estamos prontos para assumir nossa vida, ele aguarda até sermos responsáveis para lidar com as decisões e a maturidade que ele nos exige.

Dinheiro que permanece

Para concluir, colocamos aqui um trecho do livro “Histórias de sucesso na empresa e no trabalho” de Bert Hellinger que fala de sua visão sistêmica para o dinheiro:

“Quero dizer algo sobre o dinheiro. O dinheiro tem alma. O dinheiro é algo espiritual. O dinheiro é resultado do amor. O dinheiro é adquirido através de um desempenho. É o equilíbrio de um bom desempenho. Se alguém ganhar dinheiro por seu desempenho, o dinheiro o ama. O dinheiro também permanece com ele, pois foi adquirido através do seu desempenho.

O dinheiro também quer render algo – depois. Por isso o dinheiro espera ser gasto. Ser gasto em algo bom, que leve a vida adiante. Então se ganha mais dele – cada vez mais. Através de seu desempenho, o dinheiro entra no circuito de serviço, trabalho e ganho, tudo ao mesmo tempo.”

O dinheiro pelo olhar da Constelação Familiar de Bert Hellinger: energia à serviço da vida

12 passos até nossos pais – Constelação Familiar e Sistêmica de Bert Hellinger

Temos uma proposta para você.

Sabemos, por nossa experiência nas constelações, que todo filho ama seus pais.

Mesmo quando com muito esforço ele tenta provar o contrário, quando vamos para o campo e observamos o movimento da alma, esse amor fica desnudado, visível aos olhos de todos.

Sofremos muito na busca da reciprocidade desse amor. Por vezes, acontece um movimento interrompido na direção de nosso pai ou nossa mãe, quando ainda somos muito crianças e despreparados para compreender o que acontece a nossa volta, e por esse motivo, algo se coloca entre nós e os nossos pais.

Um movimento interrompido é quando, em um determinado momento, sentimos a necessidade da proteção e afeto dos nossos pais, mas por algum motivo não foi possível. Pode ter sido durante a internação em um hospital, um momento na escola, ou alguma situação em que os pais não estavam imediatamente disponíveis.

A criança não possui ainda capacidade de compreender e faz a leitura de que está sendo abandonada, emoção que a marca de forma muito profunda. Esse movimento, quando acontece, fica gravado no inconsciente e corpo. Ela passa então, a sentir com todas as forças que não deve ou não pode contar com o colo que está ali à disposição.

Isso é mais comum do que pensamos e acontece com muitos de nós.

Sentimos medo de passar por todo o trauma, de reviver e confirmar que aquele afeto não está ali, para nós. Nosso corpo está sendo guiado pela criança que se sente indefesa e deseja a segurança que só sente com seus pais.

O mais difícil é que, quando passamos por uma situação como esta, tendemos a bloquear incoscientemente os movimentos dos pais até nós e o nosso movimento a eles. É como uma proteção pessoal.

Ao mesmo tempo, ao fazermos isso, perpetuamos a idéia que não recebemos o afeto que esperamos, sem perceber que também contribuimos para a dificuldade de não chegarmos aos nossos pais ou talvez sem perceber outros momentos em que fomos amados e cuidados por nossos pais, do jeito que foi possível, do jeito que eles com seus próprios emaranhamentos e dificuldades, conseguiram fazer.

Por isso, a proposta do início do nosso artigo.

Leia as caixas a seguir com calma, mantendo-se mentalizando a imagem que acompanha cada uma por pelo menos um minuto. Traga cada frase para sua realidade, imagine os rostos das fotos como o de seu pai, de sua mãe e o seu.

Observe o que isso aflora em você.

Vá com calma, aos poucos, e deixe que o que há de interrompido em você reencontre seu fluxo.

Vá com calma.

Você tem tempo.

Eles estão disponíveis para você.

Faça seu movimento.

Encontre seus pais em seu coração.


Os 12 passos até nossos pais














Acolha-os.

Acolha-os.

Acolha-os.


Segunda Dra Ursula Franke, os princípios fundamentais para se honrar nossos pais, são:

1. Na medida em que você concorda com passado, cresce também a capacidade de dominar o presente.
2. Seu pai e sua mãe sempre agiram no momento oportuno tão bem quanto puderam.
3. Eles passaram todos os recursos que tinham para o seu crescimento.
4. Você possui uma força vital especial vindo somente deles.

Assim, com seu papai e mamãe no coração, siga seu caminho.


Bert Hellinger, o criador das Constelações Familiares, nos instrui um pouco mais:

“Se olharmos para nossa família, para os ancestrais vindos de nosso pai e mãe, vemos que por trás de cada um está o seu destino de forma imponente.

Voltamo-nos para cada uma dessas pessoas e olhamos para além dela, diretamente para o seu destino. Curvamo-nos diante desses destinos e retiramo-nos de maneira que cada um permaneça com o seu.

Depois viramo-nos de costas para as pessoas e vemos o nosso destino diante de nós. Curvamo-nos diante dele, entramos em sintonia com o mesmo e concordamos com ele da maneira como ele é.

Quando o aceitamos,experimentamo-nos vinculados e livres ao mesmo tempo.
Nada é maior do que eles.
NADA!”

Saiba, da maneira que foi possível, nós fomos muito amados por nossos pais.

Eles, assim como nós, talvez estiveram emaranhados, porém, estejamos certos, que fizeram o possível, dentro do espaço e da compreensão que tinham.


Aceita o desafio?
Olhe com amor e respeito à seus pais, permita-se sentir a gratidão pela força da vida que chegou a você através deles e, então, siga firme pela vida, andando sobre seus próprios pés, com a certeza de que há raízes que o sustentam sempre.

12 passos até nossos pais – Constelação Familiar e Sistêmica de Bert Hellinger

Adoção – um olhar sobre o êxito ou o fracasso desta missão

O olhar das constelações para a adoção pode ser percebida como dura, e até mesmo controversa. Falar sobre o tema é um desafio pelas suas muitas possibilidades de má interpretação. Por isso, neste nosso artigo de hoje, pedimos para a experiente consteladora e psicóloga do Instituto Ipê Roxo Maria Inês nos falar um pouco desse olhar.

Leia de coração e mente aberta. Com a postura praticada pela Constelação: o olhar para o que é a realidade, sem subterfúgios, nos leva adiante no nosso conhecimento e na nossa experiência de vida.

Ao mesmo tempo, nos colocamos com profundo respeito a todos que se lançam na experiência de adotar e cuidar de uma criança. Reconhecemos os muitos desafios contidos neste campo.

A Constelação e a Adoção

Por Maria Inês Araujo Garcia Silva

Conscientemente, as pessoas buscam acolher crianças através da adoção como um ato de generosidade. Porém, Bert Helinger pontua que pode haver uma outra motivação, inconsciente.

A motivação das pessoas que procuram adoção pode ser uma vontade de compensar algo:  seja porque não se pôde ter filhos, seja porque não se consegue suportar ver o abandono que estas crianças sofreram causando tanta dor.

Motivos reais que sim, acolhem milhares de crianças.

Mas o pensamento para qual Hellinger nos chama atenção aqui é: Quando adoto uma criança, por exemplo, porque não posso ter filhos, quem necessita de quem? 

Muitas vezes vemos a adoção como uma atitude altruísta e benevolente diante o abandono de crianças condenadas a crescerem longe de suas famílias. Vê-se na adoção uma solução generosa para estas crianças.

Mas será que é somente isso?

O que de verdade faz com que uma adoção dê certo?

Segundo Hellinger, filósofo e psicoterapeuta alemão, precursor das constelações familiares, para que uma adoção dê certo, é necessário se respeitar as 3 leis do amor.

Isto significa que os pais biológicos sempre serão os verdadeiros pais das crianças e a herança familiar desta criança será representada através deste vínculo permanente e indissolúvel que garante à criança adotada seu direito ao pertencimento à esta família de origem.

Se você decide adotar uma criança, é importante que você olhe para os pais biológicos desta criança primeiro com respeito ao destino deles, depois com gratidão, pois a dificuldade deles no exercício do papel de pais e mães como cuidadores foi o que possibilitou que esta vida que hoje você cuida e ama, viesse e você pudesse viver esta experiência.

Questiona-se muitas vezes, quem precisa de quem em um processo de adoção.

A criança precisa dos pais adotivos ou os pais adotivos da criança que não puderam ter filhos biologicamente? Não há dúvida que crianças precisam do carinho e do cuidado que recebem em seus lares adotivos. E que bom que existe essa possibilidade. Mas apontamos aqui motivações que podem estar agindo sobre o movimento de quem adota, e que não percebe essas outras forças que podem estar dificultando a adaptação da criança ao seu novo lar.

Quando observamos a esta dinâmica, percebemos que para que nós adultos possamos criar adequadamente uma criança, devemos saber que nós cuidamos, e que as crianças devem ser cuidadas.

As crianças necessitam, não os adultos.

Aí já se instala uma transgressão da ordem e do equilíbrio pois como pais, somos grandes e ofertamos aos filhos tudo que eles necessitam, para depois liberá-los em amor. Mas se estabeleço o vínculo inicial por uma carência, aí a criança torna-se a grande, aquela que suprirá sua necessidade e isto já interfere em seu processo evolutivo de seguir seu próprio destino.

Sente-se grande quando é pequena, dá ao invés de receber e isto afeta seu equilíbrio.

A adoção para dar certo precisa que os pais que criam, como adultos, que se reconheça:

  • Os pais biológicos sempre serão os verdadeiros pais;
  • O respeito aos pais biológicos da criança e de seu destino;
  • Reconheça que você cuida da criança deles para eles;
  • Ensine a criança a respeitar sua história;
  • Agradeça aos pais biológicos desta criança a oportunidade de cuidar desta vida até o momento que ela necessitar.

Mesmo que você tenha adotado a criança por circunstâncias diferentes, que não seja porque não pode ter filhos, se respeitar estas leis básicas, existirá êxito.

Ao adotarmos uma criança, devemos lhe oferecer o melhor. E com certeza não há nada melhor que conferir valor à sua história.


“A adoção é um ato de grande amor” – Por Ana Garlet

Hellinger nos fala que, quando alguém adota uma criança como uma ação de cuidar dela porque seus pais que a geraram por algum motivo não puderem fazê-lo, a adoção tem todas as chances de ser um encontro de amor e desenvolvimento.

Ele diz que ela dará certo se aqueles que adotam a criança conseguem nutrir em seu coração a gratidão e o respeito pelos pais biológicos, pois eles, de alguma forma, fazem parte da criança, fazem parte da história da vida daquela criança. Quando o vi falar sobre este tema em um seminário, ele se dirigia aos pais adotivos dizendo que sempre pudessem reverenciar os pais da criança, que não puderam ficar com ela (para ele, quando isso acontece é sempre motivado por questões sistêmicas de muitas gerações).

Assim, quando os pais adotivos nutrem respeito e consideração pelos pais biológicos, seja qual for o destino deles, a criança também pode ficar em paz com seu próprio destino, pois se sente segura com os pais que agora cuidam dela. A adoção é sim um ato de amor.

Acompanhei alguns casos de adoção com dificuldades e, na maioria deles, no pano de fundo que a criança inconscientemente trazia, era que os pais biológicos não eram respeitados e algumas vezes isso era dito para a criança. Mas, é claro, esta é a apenas uma pequena amostra que tenho, da experiência que eu vivi… Cada história, cada ser, cada acontecimento é único.

O que vivenciei em constelações que deixou a criança que foi adotada ficar bem, foi ela conseguir concordar com o destino de seus pais biológicos (que não foi possível a eles fazerem diferente) e tomar, receber, dizer SIM aos pais que agora a cuidam e amam. Elas tem força quando o fazem desta forma.”


Leslie: Uma criança a ser adotada

Para ajudar a ilustrar como é olhar da Constelação Familiar de Bert Hellinger para a adoção, vamos transcrever aqui um caso descrito no livro de Bert Hellinger “A Simetria Oculta do amor”, da Editora Cultrix. (Este livro pode ser comprado no site da editora clicando aqui)

Aqui é possível perceber como Bert Hellinger conduz o atendimento de um caso de adoção e as muitas características que permeiam os sistemas nestes acontecimento.

Para os que ainda não participaram de um atendimento em Constelação, é possível perceber também como funciona um workshop e o trabalhos dos envolvidos. Leia abaixo e compreenda mais um pouco deste valioso trabalho.

Descrição do caso: Leslie participou de um grande seminário para crianças adotadas, pais adotivos e pais que entregaram filhos para adoção. Seu caso explicita algumas complicações inesperadas que a adoção apresenta e mostra como obter boas soluções para situações difíceis.

Hellinger: Como poderemos ajudá-la?

Leslie: Tenho dificuldades de relacionamento e estou sempre doente. Creio que isso se prende ao meu constante desejo de me sentir em casa em algum lugar. Fui levada da maternidade pelos meus pais adotivos quando tinha apenas 14 dias. Acho que estou tentando restabelecer o contato original.

Hellinger: De que doenças sofre?

Leslie: Quando criança, eu estava constantemente com amigdalite. Hoje, tenho várias doenças psicossomáticas, a que chamo de “autoesquecimento”.

Hellinger: Que quer que eu faça?

Leslie: Li o seu livro e pensei: “É isso justamente o que eu quero fazer.” Por isso estou aqui, ansiosa por esclarecer tudo ou, ao menos, obter uma nova perspectiva.

Hellinger: É casada?

Leslie: Separada.

Hellinger: Filhos?

Leslie: Um filho de 13 anos.

Hellinger: Com quem ele mora?

Leslie: Com um e outro. Depende.

Hellinger: O que você sabe dos seus pais biológicos?

Leslie: Absolutamente nada, além dos nomes. Talvez pudesse ter descoberto o endereço deles, mas eu não quis fazer isso.

Hellinger: Que lhe contaram sobre a adoção? Quem sugeriu essa medida?

Leslie: Até onde meus pais adotivos estão informados, quem a sugeriu foi minha mãe, por causa da pobreza.

Hellinger: E quanto a seu pai?

Leslie: Não sei. Foi só isso que me contaram.

Hellinger: Vamos então montar o seguinte sistema: seu pai, sua mãe, você e seus pais adotivos. Sabe como se faz?

Leslie: Mais ou menos. Estou um tanto confusa.

Hellinger: Você escolhe pessoas — quem quiser — para representar o seu pai, a sua mãe, você mesma e seus pais adotivos. A propósito, seus pais adotivos têm filhos?

Leslie: Não, não puderam ter. (Ela escolhe os representantes.)

Hellinger (para Leslie): Muito bem, agora encaminhe os representantes para seus lugares, relacionando-os uns com os outros. Concentre-se e faça isso com a consciência de estar plenamente lúcida. A constelação surgirá por si mesma à medida que você for instalando os representantes.

(Aos representantes)Vocês também se concentrem, prestando atenção às mudanças de sentimentos e sensações enquanto ela os estiver movimentando.

Hellinger (aos representantes) : Vou então perguntar-lhes o que está acontecendo e vocês irão me transmitir, o mais exatamente que puderem, qual a sua experiência. Que está acontecendo com a mãe?

Mãe: Sinto o pai afastando-se da constelação e estou sendo pressionada a segui-lo. A princípio, julguei que a filha iria aproximar-se, mas ela parou.

Hellinger: E o pai?

Pai: Sinto-me profundamente triste. Com um aperto no estômago. Sinto-me perdido aqui, muito triste.

Hellinger (para o representante de Leslie): Que acontece com a filha?

Representante de Leslie: Depois que os pais adotivos entraram, sinto-me bem melhor. Mas continuo um pouco confusa.

Hellinger: Que acontece com a mãe adotiva?

Mãe Adotiva: Meu coração batia forte, antes de ser colocada aqui. Agora es tou segura e posso ver a menina. Sinto também a diferença entre nós. A presença do pai adotivo me perturba, embora eu não possa vê-lo.

Hellinger: Refere-se ao seu marido?

Mãe Adotiva: Sim.

Hellinger: Que acontece com o pai adotivo?

Pai Adotivo: Sinto-me um pouco sozinho aqui, e também meio triste. Não tenho muito contato com a minha família. Estou num canto, o que me dá certa segurança, mas solitário. (Hellinger desloca a mãe adotiva para junto do marido.)

Hellinger: E agora?

Mãe Adotiva: Melhorou.

Pai Adotivo: A sensação desagradável de isolamento e solidão desapareceu. Sim, melhorou. Sinto-me confortado e amparado.

Hellinger (ao representante de Leslie): Que mudou para você?

Representante de Leslie: Ficou mais difícil. Havia um grande vazio à minha direita e à minha esquerda. Eu estava melhor depois que os pais adotivos entraram, mas agora o vazio voltou. (Hellinger faz com que ela encare um por um.)

Hellinger: E agora, como está?

Representante de Leslie: Melhor. Eu não sentia nada pelos meus pais, mas agora pelo menos posso vê-los.

Hellinger (para a mãe): O que mudou para a mãe?

Mãe: Quanto mais permaneço aqui, mais percebo que quero voltar-me para a menina e contemplá-la. Agora ela está mais à vista, porém mais longe. Quero ir para perto dela e virar-me.

Hellinger: Pois então vire-se para se sentir melhor.

(Para o pai): E quanto ao pai?

Pai: Sinto um peso enorme, como se alguém me houvesse abandonado.

Hellinger: Vire-se e fique perto da mãe.

Hellinger (para o representante de Leslie): E agora, como se sente?

Representante de Leslie (em tom comovido): Quero ir para junto dela.

Hellinger: Então vá. (O representante de Leslie aproxima-se da mãe, abraça-a e soluça incontrolavelmente.)

Hellinger (espera que se soltem): Agora vou colocar Leslie no seu devido lugar.

(Para Leslie): Vá para perto de sua mãe. (Leslie obedece prontamente e estreita-a nos braços.)

(Para o pai, enquanto mãe e filha estão abraçadas): Que está acontecendo com você?

Pai: Ainda me sinto sozinho e perdido. Acho melhor ir embora. Não estou integrado aqui.

Hellinger: Então volte-se e dê um passo à frente.

Hellinger (para o pai): E agora?

Pai: Sinto-me mais leve aqui.

Hellinger (para Leslie, enquanto ela se afasta lentamente da mãe): Olhe sua mãe nos olhos e chame-a de “mamãe”.

Leslie (sufocando as lágrimas): Mamãe.

Hellinger: “Mamãe, por favor!”

Leslie: Mamãe, por favor!

Mãe: Não compreendo nada. Tudo está acontecendo muito rápido, mas devo acolhê-la. Sinto-me oprimida.

Hellinger: Diga-lhe: “Sinto muito.”

Mãe: Sinto muito.

Hellinger (para Leslie): Diga-lhe: “Por favor, olhe-me como sua filha.”

Leslie: Por favor, olhe-me como sua filha.

Hellinger: “Por favor, mamãe.”

Leslie: Por favor, mamãe. (Mãe e filha se abraçam novamente. Leslie não consegue refrear os soluços.)

Hellinger: “Por favor, mamãe, por favor.”

Leslie: Por favor.

Hellinger (para Leslie, já mais calma): Respire profundamente. É como se você acolhesse sua mãe no coração. Profunda e calmamente.

(Para a mãe adotiva): E quanto à mãe adotiva?

Mãe Adotiva: A princípio, tive vontade de abraçar fortemente minha filha adotiva. Sentia-me impelida para ela, mas não conseguia mover-me porque ela estava em outro lugar. Ao mesmo tempo, senti o toque leve de meu marido, o que me tranquilizou muito. Depois percebi que minha filha adotiva encontrara realmente sua mãe natural e ficara feliz. Eu também fiquei feliz por isso.

Hellinger: E o pai adotivo?

Pai Adotivo: É gratificante notar que alguma coisa se encaixou. Isso me toca profundamente. Também sinto algo que não está claro pelo pai de Leslie. É como se eu carregasse um peso, uma responsabilidade que não me cabe.

Hellinger: E a mãe, como se sente agora?

Mãe: Muito bem.

Hellinger (para Leslie, que se desprendeu da mãe): Olhe para ela e diga-lhe: “Recebo-a como minha mãe.”

Leslie: Recebo-a como minha mãe. (Mãe e filha se abraçam de novo, com naturalidade e simplicidade.)

Hellinger (para a mãe): Agora você pode tomar-lhe a mão e entregá-la aos pais adotivos. Incline-se diante deles da maneira que achar correta e diga-lhes: “Obrigada.”

Mãe (fazendo profunda reverência): Obrigada.

Hellinger: “Obrigada por cuidarem de minha filha.”

Mãe: Obrigada por cuidarem de minha filha.

Hellinger: “E por lhe darem o que ela necessitava.”

Mãe: E por lhe darem o que ela necessitava.

Hellinger: “Aprecio-os muito por fazerem isso.”

Mãe: Aprecio-os muito por fazerem isso.

Hellinger (para Leslie): Como se sente?

Leslie: Maravilhosa. Eles realmente me deram muita coisa.

Hellinger: Olhe para eles e diga-lhes “Obrigada” também.

Leslie (fazendo espontaneamente uma profunda reverência diante dos pais adotivos) :Obrigada.

Hellinger (para a mãe adotiva): E quanto a você?

Mãe Adotiva: Sinto-me bem. Mas ainda desejo tomar minha filha adotiva nos braços e apertá-la contra mim.

Hellinger: Não vejo nenhum obstáculo a isso. (Leslie e a mãe adotiva se abraçam ternamente. Em seguida, Leslie abraça também o pai adotivo.)

Hellinger (para o pai, enquanto Leslie abraça o pai adotivo): Como está?

Pai: Não muito bem. Ainda sinto um peso tremendo nos ombros e aquele aperto no estômago. Não tenho ligação nenhuma com os outros.

Hellinger: Vire-se e encare-os. (Hellinger coloca Leslie perto da mãe adotiva e a mãe natural a certa distância, à esquerda.)

Hellinger (para Leslie): Olhe para o seu pai e tente dizer-lhe: “Recebo-o como meu pai.”

Leslie: Isso não parece correto.

Hellinger: É o primeiro passo. Tente. Olhe-o e diga-lhe “Recebo-o como meu pai.” (A mãe adotiva dá-lhe uma palmadinha nas costas para encorajá-la.)

Leslie (estancando as lágrimas enquanto o pai inclina a cabeça) : Recebo-o como meu pai.

Hellinger: “Por favor, abençoe-me como sua filha.”

Leslie: Por favor, abençoe-me.

Hellinger: Como se sente o pai? Pai: Gostaria de sair correndo daqui. Não posso ficar por mais tempo.

Hellinger (para Leslie): Tente repetir mais uma vez: “Recebo-o como meu pai.”

Leslie: Recebo-o como meu pai.

Hellinger: “E aprecio o que me deu.”

Leslie: E aprecio o que me deu.

Hellinger: “E amorosamente deixo-o seguir o seu caminho.”

Leslie: E amorosamente deixo-o seguir o seu caminho. (Leslie começa a chorar; o pai inclina a cabeça e chora também.)

Hellinger: Vá até ele. (Leslie aproxima-se do pai e ambos se abraçam. O pai soluça.)

Hellinger (ao pai): Respire profundamente, que a dor desaparecerá. Inspire e expire profundamente.

(Para Leslie): Como se sente com seu pai?

Leslie: Sinto-me como se devesse ser a mais forte aqui.

Hellinger: Sim, é isso mesmo. Volte para seu lugar, ao lado da mãe adotiva. (Ela se coloca ao lado da mãe adotiva e ambas se dão as mãos.)

Hellinger (para o pai): Pegue a mão da mãe de Leslie e dirijam-se para os pais adotivos. Fiquem diante deles.

(Para os pais biológicos): Façam-lhes uma reverência e agradeçam-lhes. (Eles se curvam com respeito e olham para os pais adotivos.)

Mãe: Obrigada.

Pai: Obrigado.

Hellinger: Como se sentem os pais adotivos?

Pai Adotivo: Para mim, melhorou. Posso aceitar a gratidão deles.

Mãe Adotiva: Sim, melhorou. Estou feliz por ter minha filha adotiva bem perto de mim.

Hellinger: E você, como está?

Leslie: Quero meus irmãos e irmãs.

Hellinger: Isso será o próximo passo. Poderá procurá-los, bem como a todos os outros membros de sua família: seus avós, por exemplo. Acha que sua mãe adotiva irá apoiá-la se fizer isso?

Leslie: Não completamente, mas tentará.

Hellinger (para a mãe adotiva) : Diga-lhe “Permito que faça isso.”

Mãe Adotiva: Permito que faça isso.

Hellinger: “E vou ajudá-la”

Mãe Adotiva: E vou ajudá-la.

Hellinger (para o grupo): Um filho não pode fazer uma coisa dessas sem permissão. Um filho precisa da permissão e do apoio dos pais adotivos. (Leslie e os representantes se sentam.)

Adoção – um olhar sobre o êxito ou o fracasso desta missão

Pai: o caminho para o mundo – Constelação Familiar de Bert Hellinger

Olhe para seu pai e perceba: há um convite na sua mão estendida. Pais nos levam para o mundo, apresentam oportunidades, complementam nossa coragem quando necessário. Nos fazem seguir em frente.

Pais são nosso símbolo máximo de autoridade, e talvez por isso, muito incompreendidos e julgados, para que possam nos prover de segurança e disciplina.

Nos permitem crescer, mesmo que para isso arrisquem o papel de heróis, que nós filhos, tão infantis no nosso amor, desejamos.

Pais são heróis, mas não pelos motivos que acreditamos. Em tudo que fazem há uma disposição para cuidar, prover e ajudar a crescer. São heróis por suportarem o limite que precisamos, mas não queremos enfrentar. Se aceitarmos, teremos o melhor ambiente para crescer. Se não, a vida o fará com menos carinho.

Um pai e uma mãe

Há, com certeza, algo especial em como um pai e uma mãe se complementam. Seus papéis podem variar, mas não existe um pai sem haver uma mãe e vice-versa. A concepção precisa destes dois papéis.

Enquanto a mãe alimenta, o pai cuida da segurança. Num primeiro momento, o trabalho mais pesado é da mãe. É de quem o filho mais precisa nos primeiros anos.

Mas o tempo passa, e garantida a sobrevivência dos primeiros anos, será o pai que guiará o filho para o mundo, para a descoberta, para o vôo.

Pais são nossos referenciais para o masculino. Para um filho homem, é onde ele encontra a força para ser o que seu papel permite. Através da vivência com o pai, um garoto cresce e vive o que há de mais poderoso no mundo masculino, e aos poucos vai encontrando sua identidade e suas possibilidades.

O mesmo ocorre com a filha mulher, com a diferença que após os primeiros anos com a mãe, a filha deve ir para o pai, aprender a caminhar no mundo e então, voltar para a mãe, onde ela deve tomar todo o feminino que precisa para seguir adiante.

Nos dois casos, o pai é essencial para o bom desenvolvimento dos filhos e para que o movimento deles para o mundo seja realizado com sucesso.

O Pai, por Bert Hellinger

(trecho adaptado do material da Hellinger LebenSchule)

Dentro do sistema familiar, o homem e a mulher têm prioridades iguais. Eles criam a família juntos, eles são equivalentes.

Em relação aos filhos, o homem e a mulher são igualmente grandes. Porém é dentro da mãe que começa a vida. Dentro dela somos concebidos, dentro dela nós crescemos. Ela é tudo pra nós, com ela experienciamos a unidade, até que nascemos.

O que então ainda resta ao pai?

Bert Hellinger diz:

“Somente na mão do pai a criança ganha um caminho para o mundo. As mães não podem fazê-lo. O amor dele não é cuidadoso nesta forma como é o amor da mãe. O Pai representa o espírito. Por isso o olhar do pai vai para a amplitude. Enquanto a mãe se move dentro de uma área limitada, o pai nos leva para além desses limites para uma amplitude diferente.”

Para ajudar a compreensão, descrevemos aqui uma imagem sugerida pela consteladora do Ipê Roxo, Maria Inês Araujo Garcia da Silva em um dos nossos cursos de formação. Ela disse:

“Para percebermos a diferença da forma como o pai e a mãe lidam com o filho basta imaginar um passeio com as crianças num parque, por exemplo. A mãe, preocupada e cuidadosa, a todo o tempo fala para o filho: ‘não suba na árvore’, ‘cuidado para não cair’, ‘não corra’… E sim, desta forma realiza com grande eficiência seu trabalho de cuidar dos filhos. O pai, ao contrário, ao chegar em um ambiente assim, verifica os possíveis riscos e se coloca de uma forma a preservar o filho longe deste lugar perigoso. Atento, o deixa livre para explorar.”

Essa liberdade é necessária para que o filho possa perceber o mundo, e mais tarde caminhar para a vida de forma completa.

Por isso o progresso vem principalmente do pai. Quando a mãe quer manter os filhos longe do pai, ela os mantém longe do progresso. O movimento vai através da mãe para o pai e através do pai para o mundo. Assim o filho fica completo.

E os pais que nos foram difíceis?

“Eu não consigo aceitá-lo.”

Não aceitar ao pai é não aceitar a sua realidade, o que já compõe você. Nós como filhos, temos dificuldades de encarar os pais como os seres humanos que são. Imaginamos e esperamos deles coisas que atravessam o limite do justo e possível.

O pai, dentro do sistema familiar, tem o papel da ordem, da rigidez e da autoridade. No mundo, temos uma dificuldade de compreensão com esse papeis. Quando este assunto entra em nossa casa, na figura de um homem do qual esperamos somente o amor idealizado na nossa mente, o conflito se instala.

Um bom caminho de volta aos braços do pai é ver o que verdadeiramente o move. O Amor escondido em atos de humanidade. É dar a ele o tamanho devido, não imaginário.

Hellinger nos instrui a deixar com os pais o que pertence ao destino deles, com tudo o que faz parte e tudo que faz falta. É necessário reconhecê-los como pessoas normais e comuns e que vieram de seus próprios emaranhamentos.

Aqui talvez valha olhar para si próprio e as dificuldades que não conseguimos resolver. Se estamos neste caminho de vida, em algum momento podemos nos tornar pai e mãe, e carregaremos para esta experiência o que nos compõe hoje, com todas as dores e amores. Nossos pais estiveram nesta mesma posição, por vezes influenciados por algo que não conseguiram escapar.

De uma coisa temos certeza: O filho que se alinha ao pai, idependente do destino que lhe coube, é mais apto e leve para seguir adiante. Com o tempo as peças se ajustam e o nosso caminhar prospera com ele no coração.

 

Carta de Bert Hellinger para seu pai

Como filhos, por vezes julgamos nosso pai como insuficiente, desejando coisas diferentes do que recebemos. Esse é um caminho duro para todo o sistema, onde todos sofrem e de certa forma, todos nós passamos por ele.

Por isso, colocamos abaixo a carta de Bert Hellilnger ao seu pai, onde ele fala que, como filho, já se colocou nesta posição de juiz do pai. Ao mesmo tempo, percebe o vazio que fica ao não ter seu pai no coração, e reconhece, como adulto, tudo o que não percebeu dos muitos presentes do seu pai durante a vida.

Identifique-se e leia com seu pai em mente, e sinta a alegria de reconhecer a gratidão que já está dentro de você, por vezes escondido por trás de algo interrompido. Filhos amam seus pais. E seus pais, como podemos ver todos os dias, estão completamente disponíveis para seus filhos, dentro do limite possível de cada um.

Querido papai,

Por muito tempo eu não soube o que me faltava mais intimamente.

Por muito tempo, querido papai, você foi expulso de meu coração.

Por muito tempo você foi um companheiro de caminho para quem eu não olhava, porque fixava meu olhar em algo maior, como me imaginava.

De repente, você voltou a mim, como de muito longe, porque minha mulher Sophie o invocou.

Ela viu você, e você me falou por meio dela.

Quando penso o quanto me coloquei muitas vezes acima de você, quanto medo também eu tinha de você, porque muitas vezes você me batia e me causava dores, e quão longe eu o expulsei de meu coração e tive de expulsá-lo, porque minha mãe se colocava entre nós; somente agora percebo como fiquei vazio e solitário, e como que separado da vida plena.

Porém, agora você voltou, como que de muito longe, para minha vida, de modo amoroso e com distanciamento, sem interferir em minha vida.

Agora começo a entender que foi por você que, dia a dia, nossa sobrevivência era assegurada sem que percebêssemos em nosso íntimo quanto amor você derramava sobre nós, sempre igual, sempre visando o nosso bem-estar e, não obstante, como que excluído de nossos corações.

Algumas vezes lhe dissemos como você foi um pai fantástico para nós?

Você foi cercado de solidão e, não obstante, permaneceu solícito e amoroso a serviço de nossa vida e de nosso futuro.

Nós tomávamos isso como algo natural, sem jamais honrar o que isso exigia de você.

Agora me vêm lágrimas, querido papai.

Eu me inclino diante de sua grandeza e tomo você em meu coração.

Tanto tempo você esteve como que excluído do meu coração.

Tão vazio ele estava sem você.

Também agora você permanece amigavelmente a uma certa distância de mim, sem esperar de mim algo que tire algo de sua grandeza e dignidade.

Você permanece o grande como meu pai, e tomo você e tudo que recebi de você, como seu filho querido.

Querido papai,

Seu Toni (assim eu era chamado em casa).”

Pai: o caminho para o mundo – Constelação Familiar de Bert Hellinger

17 fundamentos que lhe ajudarão a compreender a Constelação Familiar Sistêmica de Bert Hellinger

A Constelação Sistêmica tem entrado cada vez mais na vida das pessoas. Em todo o mundo, o método percebido por Bert Hellinger tem auxiliado na busca de uma vida mais leve e mais significativa de pessoas que buscam ajuda nesta filosofia.

Mesmo com este crescimento, ainda é novidade para muitas pessoas do que se trata a Constelação Familiar Sistêmica e o que faz parte deste movimento.

Pensando nisso, o Instituto Ipê Roxo reuniu os principais termos e explicações objetivas para ajudar na compreensão deste conhecimento por mais pessoas, para que dessa forma seja possível que esta nova postura chegue a todas as pessoas, pois é um trabalho que leva a vida adiante, que ajuda a melhorar e curar relacionamentos, que fortalece a pessoa em seu lugar dentro da família e de trabalho, que auxilia nas conciliações judiciais e também tem se mostrado como um grande apoio para o trabalho de médicos e profissionais da saúde quando o assunto é olhar e encontrar caminhos para curar e lidar melhor com as doenças.

A Constelação Familiar é um trabalho que tem ajudado milhares de pessoas em todo o mundo a transformarem suas vidas.


1.Constelação Sistêmica: É o nome dado ao método criado por Bert Hellinger para verificar dinâmicas que ocorrem dentro de um sistema. Por sistema compreende-se tudo aquilo formado por mais de uma pessoa e que se influenciam mutuamente. A Constelação Sistêmica é o nome geral que inclui Constelação Familiar, Direito Sistêmico, Saúde Sistêmica, Pedagogia Sistêmica, Constelação Organizacional, etc.


2.Direito Sistêmico: É o nome dado para a utilização da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger no Judiciário. Muito utilizado na fase conciliatória, onde é possível reverter a ação em um acordo, encerrando o processo.

 


3.Saúde Sistêmica: É o nome dado para a utilização da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger na área da saúde, com a utilização desta ferramenta para observar as conexões ocultas e inconscientes de um problema de saúde ou de um sintoma em uma pessoa.

 


4.Pedagogia Sistêmica: É o nome dado para a utilização da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger na área da educação. Consiste principalmente na postura do educador alinhado com os preceitos de Hellinger de respeito aos pais e respeito à história familiar do aluno. Resgata a força do aluno através do seu sistema familiar.

 


5.Constelação Organizacional:  É o nome dado para a utilização da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger na área da Administração de Empresas. Pode ser utilizado para verificar dificuldades com o andamento da empresa, atrito entre equipes e até mesmo no planejamento de novas estratégias.

 


6.Constelação Familiar: É a aplicação da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger em casos familiares e pessoais,  onde é possível olhar as 3 leis da vida e como elas impactam o nosso viver. É numa constelação familiar que se observa as dinâmicas difíceis que agem em nossa vida, e desta forma, assumir nosso lugar correto e de força para caminhar adiante.


7.Bert Hellinger: É o psicoterapeuta alemão que descobriu a Constelação Familiar a mais de 40 anos. Através de suas experiências e estudos ligados à psicologia e sistemas familiares, ele observou que é possível ver as dinâmicas que atuam em um determinado sistema através da utilização de representantes e atribuição de papel para cada participante. Através dos movimentos e sensações corporais que estas pessoas acessam ao participar de um atendimento, é possível observar o que age em uma determinada questão.


8.Representantes: Numa constelação em grupo, o cliente conta com a ajuda dos representantes na constelação do seu tema. Representantes são todos aqueles que estão disponíveis para entrar na colocação familiar do cliente que está constelando, somente durante o atendimento. Numa constelação individual (somente o terapeuta e o cliente) são utilizados figuras e bonecos como representantes.


9.Campo: Chamamos de campo o lugar onde se realiza o atendimento em constelação. As vezes delimitado por um tapete, o arranjo das cadeiras ou o espaço físico onde o encontro ocorre. Muitas vezes é chamado também de campo de informação, pois o que é trabalhado na Constelação provêm desse lugar.

 


10.Workshop de Constelação: É o atendimento da Constelação Sistêmica na prática. Um grupo de clientes se forma, com temas e representantes, facilitados por um Constelador.

 

 


11.Sistema Familiar: São todos aqueles que fazem parte da sua família. Você, seus irmãos, seus pais, seus avós, seus bisavós e assim por diante. Toda essa rede de pessoas antes e depois de você compõe o seu sistema familiar.

 

 


12.As 3 leis da vida: Foram descobertas por Bert Hellinger 3 leis universais que agem sobre todos os sistemas: a lei da ordem, do equilíbrio e do pertencimento. Elas agem mesmo quando desconhecemos sua existência e seu conteúdo.


13.Emaranhamentos: São fatos difíceis e por vezes não resolvidos de nossa história familiar. Quando algo acontece e não é completamente processado dentro de um sistema, há a possibilidade de que outra pessoa dessa família reviva a situação de forma a trazer para um movimento de solução. Essa identificação geralmente ocorre de forma inconsciente, o que ocasiona dificuldades para a pessoa que revive o problema e para todo o sistema.


14.Tomar: A constelação traz a importância de tomar o que flui da nossa rede familiar, como os pais, por exemplo. Tomar aqui significa aceitar tudo o que compõe a história familiar, com as dificuldades e os recursos que estão contidos nela. O tomar é ativo, parte de uma decisão tomada por nós.

 


15.Amar à beira do precipício: Por amor ao nosso sistema, muitas vezes repetimos dificuldades e histórias de nossa família. Isso acontece em um tentativa inconsciente de reviver e resolver o problema de outros integrantes de nosso sistema. Esse amor infantil, que não percebe a diferença entre “eu” e o “outro”, muitas vezes nos coloca em perigo pela simples identificação do amor.

 


16.Aceitação: A aceitação consiste em ver a realidade e lidar com ela. Aquele que aceita abre mão do jogo do “e se” e vive em linha com o que acontece e é concreto. Não haveriam outras possibilidades diferentes daquelas que realmente aconteceram.

 

 


17.Honrar: A honra a outras pessoas do sistema está em reconhecer o papel de cada um para que a vida fosse passada adiante. Respeitosamente nos curvamos, mostrando nosso tamanho menor e agradecimento ante aquele que nos precedeu.

 

 

 

17 fundamentos que lhe ajudarão a compreender a Constelação Familiar Sistêmica de Bert Hellinger

O amor por nossos pais não conhece limites

pai e filho bebê - FBSomos concebidos, gerados e cuidados por nossos pais, e desde sempre, nos vinculamos a eles com total amor e fidelidade. Por vezes, no nosso crescimento, nos desprendemos destes sentimentos na superfície, com rompantes de raiva e acusações, mas por dentro somos influenciados e submetidos por esse amor ao campo familiar. Esta dualidade, que vem da incompreensão do nosso verdadeiro afeto e de nossas dificuldades, é a causa de muitos dos problemas sistêmicos que enfrentamos em nossa vida.

Viemos a este mundo pelas portas da infância, e como crianças, aprendemos a amar. Amamos nossos pais, nossos irmãos, reconhecemos todos aqueles que pertencem ao nosso sistema. Primos, tios, avós. Sabemos claramente onde é o nosso lugar, e choramos, angustiados, quando percebemos que não estamos com aqueles que nos protegem, nos amam e nos cuidam.

Na experiência da criança, tudo é intenso. Crianças amam sem limites, na sua mais pura capacidade. Se sentem completas quando recebem o afeto que procuram. Na mesma medida, sofrem intensamente quando imaginam que por algum motivo, não estão recebendo o afeto e a atenção que mereceriam.

Aos pais, cabe a conversa que auxilia a criança a amadurecer, a “ver” e sentir seus sentimentos dentro da realidade.

Eles ajudam a decodificar simbolismos dos relacionamentos que as crianças ainda não estão prontas a traduzir sozinhas, e aos poucos, caminhar para a vida jovem e posteriormente para a vida adulta.

Muitos de nós fazemos esse caminho de forma incerta, amadurecendo em alguns pontos mas ainda “carregando” algumas crianças para sua vida adulta.

Essas crianças, que estão dentro de nós e que não amadurecem, por qualquer razão que seja, continuam amando à beira do precipício. São essas crianças internas, que querem ajuda para amadurecer, que nos trazem dificuldades na vida adulta.

O Amor por nosso sistema familiar

Então, se carregamos algumas crianças internas, muitas vezes assumimos posturas infantis, sem conexão com a realidade. É possível que nossa criança se veja como o herói salvador, como conciliador dos pais, como a cura para o luto dos avós pela perda de um filho, ou até mesmo ligado a histórias mais difíceis do passado do sistema familiar.

Nossa criança, tão pequena, carrega o nosso corpo de adulto para dentro das histórias difíceis da nossa família, desesperadamente buscando soluções para que o equilíbrio volte a reinar.

Nesse caminho, de ajudar os outros, “por amor”, nos esquecemos de nós e da nossa responsabilidade com a nossa vida e com o que nos pertence. Nossa criança quer primeiro garantir a felicidade do pais à sua própria sobrevivência. Nossa criança não reconhece os limites entre os indivíduos. “Se meus pais estão infelizes, eu estou infeliz, afinal, eu sou meus pais“.

E na medida que compra batalhas que não pode vencer, esquece das lutas que obrigatoriamente precisa lutar. Nossa criança se entrosa nos problemas dos pais, dos irmãos, dos tios, de antepassados, mas não se envolve com seu próprios problemas. E quando se dá conta, culpa a todos por sua distração.

Mas há uma boa notícia: essa criança quer crescer e se desenvolver.

O amor se transforma

Andamos com nossa criança pra cima e pra baixo. Ela está lá, esperando a nossa mão estendida convidando para o amadurecimento. Olhamos pra ela com carinho, percebendo o quanto do amor que ela guarda dentro de si, especialmente em relação aos pais. Reconhecemos o amor que por vezes a faz adoecer, por não saber como direcionar de forma mais produtiva o que está dentro de si.

Então convidamos a criança a olhar os pais de seu lugar correto. Levamos ela ao chão, com os joelhos dobrados e olhando pra cima. Vemos os pais grandes, robustos, imponentes. E a criança aprende que aquele lugar é muito bom, muito confortável, e que seu amor está seguro ali. Ela olha por instantes, os traz para dentro do seu coração e percebe que dali eles não vão para lugar nenhum, estarão sempre presentes, juntos. Não há mais medo de perdê-los, seria impossível.

E assim a criança, já um pouco mais madura, percebe que há outros lugares para se olhar. Há vida acontecendo a sua volta. Seu horizonte se amplia.

Não está acostumada com a liberdade do olhar, as vezes checa novamente o coração pra ver se está todo mundo ali, e então segue viagem. Crescendo, aprendendo, amando, do seu lugar. Não é mais necessário ser herói, consegue ver claramente o que é seu e o que é do outro. E por respeito, não invade mais o lugar de ninguém.

Como uma pessoa adulta, honra seu pais, garantido que a vida que chegou até a si não seja em vão. Se antes amava como uma criança, hoje só retorna esse papel quando volta à casa dos pais e pede um colo, que eles alegremente concedem. Mas ainda assim, o amor evoluiu, e agora ele observa o todo. Amadurecido, esse adulto agora vê que tomar partido é desnecessário. Não há inocentes ou culpados.

O que existe é a vida que corre, com suas mais variadas solicitações. Julgamos elas boas ou más, mas uma breve análise faz perceber que o julgamento de valor não faz parte dos planos da vida. Não é algo intrínseco de nossas ações. Ela muda conforme o tempo, os valores sociais, as situações.

Novamente, aceitamos o que é nosso. Aos pais cabem ser pais. Aos filhos cabem ser filhos. Nos recolhemos a nós mesmo e nos responsabilizamos por nossa vida. Saímos do colo dos nossos pais (esse poderoso fortificador) e os guardamos novamente no coração. A porta da casa está aberta e nos convida a uma viagem mundo afora, e nós, como bons adultos, aceitamos o passeio.

Caso Concreto – A Constelação de uma filha em busca da salvação do Pai.

C.L.S, médica cirurgiã cardíaca, talentosa, reconhecida pelo excelente trabalho até seus 44 anos. Mão firme, hábil em todas suas inúmeras cirurgias. Nunca apresentou nem o clássico tremor essencial nas mãos, tão comum em algumas pessoas.

Desde adolescente sentia-se atraída pela medicina. Entusiasmada, com simpatia do pai e de sua família. Final do 2014, C.L.S. com angústia profunda e um tremor incontrolável nas mãos procura ajuda. Não compreendia de onde vinha tanto tremor. C.L.S traziam em si o tremor da morte.

Perguntada sobre quem havia morrido em sua família, C.L.S. emociona-se muito e em lágrimas, conta sobre a morte de seu Pai.

Aos 14 anos seu Pai sofre de complicações cardíacas, vindo a falecer em seus braços.

Na época, a dor transpassou-lhe a alma, deixando-a por anos uma sensação de culpa. Sua vida pessoal ficou totalmente comprometida por uma dedicação extrema à medicina. Sempre aspirou mais da medicina, mas, seus sonhos foram postergados por seu esmero às famílias atendidas. Seu trabalho era uma espécie de compensação à culpa que tomou sua alma por não ter podido salvar a vida de seu Pai. Uma frase a acompanhou por anos: – Faço com tantas famílias o que não fui capaz de fazer pelo meu pai.

Um remorso misturado com uma culpa deixou C.L.S. anestesiada. Fechada em sua dor, e para não mais senti-la, deixou de lado esse assunto. Orientou sua vida a missão de salvar as pessoas com doenças cardíacas.

Com emoção comenta o significado de salvar um pai de família.

Nunca mais olhou para a morte do seu próprio pai.

O tremor que tomou conta de suas mãos levou C.L.S. a olhar para a morte de seu pai depois de tantos anos. Perguntada a idade da morte do Pai, para sua surpresa, ele tinha exatamente 44 anos. Que constatação de cura!!!

Convidada a olhar e respeitar o destino do pai, olha também para sua própria morte. Percebeu então, o tanto que sua morte se encontrava distante dela. Pode perceber também durante sua constelação, toda sua rejeição a esse destino difícil, à morte de um pai, ainda tão jovem.

Olhando para ele e sua morte, C.L.S. pode reverenciar e simultaneamente olhar para sua vida e sonhos secretamente guardados em seu coração desde o tempo da graduação.

Reverenciou o destino do Pai, reconciliou-se internamente com sua dor, permitindo-se agora sim, seguir seu próprio caminho em honra ao seu Pai.

A partir de uma única constelação, sua vida passou por uma grande transformação. Na semana seguinte já não havia mais tremor e decidiu cuidar de sua felicidade. Pediu licença de um ano de seu trabalho, onde atuava diariamente doze horas. Dedicou-se ao inglês profissional, preparo imprescindível para pós nos USA, seguiu seu caminho, o de seus sonhos e projetos.

Lembrou-se da frase: ‘Conhecimento é chave para o poder’! C.L.S. conclui seu depoimento afirmando que se sente mais autónoma nos USA, bem integrada ao povo que lhe recebeu, bem ajustada a culinária e a cultura. Encontrou pessoas que almejam as mesmas coisas que ela, muita afinidade e sintonia. Aquela médica totalmente fechada, casada com a medicina, atualmente encontra-se aberta e sensibilizada as todas estas revelações.

Afirma que aos 44 anos, o tremor em suas mãos, fez com que ela pudesse conhecer sua gente, seu jeito, a forma de se alimentar, enfim o povo que traz em si a mesma alma que tem. Encontrou o que por tantos anos estava procurando.

 

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