O amor por nossos pais não conhece limites

pai e filho bebê - FBSomos concebidos, gerados e cuidados por nossos pais, e desde sempre, nos vinculamos a eles com total amor e fidelidade. Por vezes, no nosso crescimento, nos desprendemos destes sentimentos na superfície, com rompantes de raiva e acusações, mas por dentro somos influenciados e submetidos por esse amor ao campo familiar. Esta dualidade, que vem da incompreensão do nosso verdadeiro afeto e de nossas dificuldades, é a causa de muitos dos problemas sistêmicos que enfrentamos em nossa vida.

Viemos a este mundo pelas portas da infância, e como crianças, aprendemos a amar. Amamos nossos pais, nossos irmãos, reconhecemos todos aqueles que pertencem ao nosso sistema. Primos, tios, avós. Sabemos claramente onde é o nosso lugar, e choramos, angustiados, quando percebemos que não estamos com aqueles que nos protegem, nos amam e nos cuidam.

Na experiência da criança, tudo é intenso. Crianças amam sem limites, na sua mais pura capacidade. Se sentem completas quando recebem o afeto que procuram. Na mesma medida, sofrem intensamente quando imaginam que por algum motivo, não estão recebendo o afeto e a atenção que mereceriam.

Aos pais, cabe a conversa que auxilia a criança a amadurecer, a “ver” e sentir seus sentimentos dentro da realidade.

Eles ajudam a decodificar simbolismos dos relacionamentos que as crianças ainda não estão prontas a traduzir sozinhas, e aos poucos, caminhar para a vida jovem e posteriormente para a vida adulta.

Muitos de nós fazemos esse caminho de forma incerta, amadurecendo em alguns pontos mas ainda “carregando” algumas crianças para sua vida adulta.

Essas crianças, que estão dentro de nós e que não amadurecem, por qualquer razão que seja, continuam amando à beira do precipício. São essas crianças internas, que querem ajuda para amadurecer, que nos trazem dificuldades na vida adulta.

O Amor por nosso sistema familiar

Então, se carregamos algumas crianças internas, muitas vezes assumimos posturas infantis, sem conexão com a realidade. É possível que nossa criança se veja como o herói salvador, como conciliador dos pais, como a cura para o luto dos avós pela perda de um filho, ou até mesmo ligado a histórias mais difíceis do passado do sistema familiar.

Nossa criança, tão pequena, carrega o nosso corpo de adulto para dentro das histórias difíceis da nossa família, desesperadamente buscando soluções para que o equilíbrio volte a reinar.

Nesse caminho, de ajudar os outros, “por amor”, nos esquecemos de nós e da nossa responsabilidade com a nossa vida e com o que nos pertence. Nossa criança quer primeiro garantir a felicidade do pais à sua própria sobrevivência. Nossa criança não reconhece os limites entre os indivíduos. “Se meus pais estão infelizes, eu estou infeliz, afinal, eu sou meus pais“.

E na medida que compra batalhas que não pode vencer, esquece das lutas que obrigatoriamente precisa lutar. Nossa criança se entrosa nos problemas dos pais, dos irmãos, dos tios, de antepassados, mas não se envolve com seu próprios problemas. E quando se dá conta, culpa a todos por sua distração.

Mas há uma boa notícia: essa criança quer crescer e se desenvolver.

O amor se transforma

Andamos com nossa criança pra cima e pra baixo. Ela está lá, esperando a nossa mão estendida convidando para o amadurecimento. Olhamos pra ela com carinho, percebendo o quanto do amor que ela guarda dentro de si, especialmente em relação aos pais. Reconhecemos o amor que por vezes a faz adoecer, por não saber como direcionar de forma mais produtiva o que está dentro de si.

Então convidamos a criança a olhar os pais de seu lugar correto. Levamos ela ao chão, com os joelhos dobrados e olhando pra cima. Vemos os pais grandes, robustos, imponentes. E a criança aprende que aquele lugar é muito bom, muito confortável, e que seu amor está seguro ali. Ela olha por instantes, os traz para dentro do seu coração e percebe que dali eles não vão para lugar nenhum, estarão sempre presentes, juntos. Não há mais medo de perdê-los, seria impossível.

E assim a criança, já um pouco mais madura, percebe que há outros lugares para se olhar. Há vida acontecendo a sua volta. Seu horizonte se amplia.

Não está acostumada com a liberdade do olhar, as vezes checa novamente o coração pra ver se está todo mundo ali, e então segue viagem. Crescendo, aprendendo, amando, do seu lugar. Não é mais necessário ser herói, consegue ver claramente o que é seu e o que é do outro. E por respeito, não invade mais o lugar de ninguém.

Como uma pessoa adulta, honra seu pais, garantido que a vida que chegou até a si não seja em vão. Se antes amava como uma criança, hoje só retorna esse papel quando volta à casa dos pais e pede um colo, que eles alegremente concedem. Mas ainda assim, o amor evoluiu, e agora ele observa o todo. Amadurecido, esse adulto agora vê que tomar partido é desnecessário. Não há inocentes ou culpados.

O que existe é a vida que corre, com suas mais variadas solicitações. Julgamos elas boas ou más, mas uma breve análise faz perceber que o julgamento de valor não faz parte dos planos da vida. Não é algo intrínseco de nossas ações. Ela muda conforme o tempo, os valores sociais, as situações.

Novamente, aceitamos o que é nosso. Aos pais cabem ser pais. Aos filhos cabem ser filhos. Nos recolhemos a nós mesmo e nos responsabilizamos por nossa vida. Saímos do colo dos nossos pais (esse poderoso fortificador) e os guardamos novamente no coração. A porta da casa está aberta e nos convida a uma viagem mundo afora, e nós, como bons adultos, aceitamos o passeio.

Caso Concreto – A Constelação de uma filha em busca da salvação do Pai.

C.L.S, médica cirurgiã cardíaca, talentosa, reconhecida pelo excelente trabalho até seus 44 anos. Mão firme, hábil em todas suas inúmeras cirurgias. Nunca apresentou nem o clássico tremor essencial nas mãos, tão comum em algumas pessoas.

Desde adolescente sentia-se atraída pela medicina. Entusiasmada, com simpatia do pai e de sua família. Final do 2014, C.L.S. com angústia profunda e um tremor incontrolável nas mãos procura ajuda. Não compreendia de onde vinha tanto tremor. C.L.S traziam em si o tremor da morte.

Perguntada sobre quem havia morrido em sua família, C.L.S. emociona-se muito e em lágrimas, conta sobre a morte de seu Pai.

Aos 14 anos seu Pai sofre de complicações cardíacas, vindo a falecer em seus braços.

Na época, a dor transpassou-lhe a alma, deixando-a por anos uma sensação de culpa. Sua vida pessoal ficou totalmente comprometida por uma dedicação extrema à medicina. Sempre aspirou mais da medicina, mas, seus sonhos foram postergados por seu esmero às famílias atendidas. Seu trabalho era uma espécie de compensação à culpa que tomou sua alma por não ter podido salvar a vida de seu Pai. Uma frase a acompanhou por anos: – Faço com tantas famílias o que não fui capaz de fazer pelo meu pai.

Um remorso misturado com uma culpa deixou C.L.S. anestesiada. Fechada em sua dor, e para não mais senti-la, deixou de lado esse assunto. Orientou sua vida a missão de salvar as pessoas com doenças cardíacas.

Com emoção comenta o significado de salvar um pai de família.

Nunca mais olhou para a morte do seu próprio pai.

O tremor que tomou conta de suas mãos levou C.L.S. a olhar para a morte de seu pai depois de tantos anos. Perguntada a idade da morte do Pai, para sua surpresa, ele tinha exatamente 44 anos. Que constatação de cura!!!

Convidada a olhar e respeitar o destino do pai, olha também para sua própria morte. Percebeu então, o tanto que sua morte se encontrava distante dela. Pode perceber também durante sua constelação, toda sua rejeição a esse destino difícil, à morte de um pai, ainda tão jovem.

Olhando para ele e sua morte, C.L.S. pode reverenciar e simultaneamente olhar para sua vida e sonhos secretamente guardados em seu coração desde o tempo da graduação.

Reverenciou o destino do Pai, reconciliou-se internamente com sua dor, permitindo-se agora sim, seguir seu próprio caminho em honra ao seu Pai.

A partir de uma única constelação, sua vida passou por uma grande transformação. Na semana seguinte já não havia mais tremor e decidiu cuidar de sua felicidade. Pediu licença de um ano de seu trabalho, onde atuava diariamente doze horas. Dedicou-se ao inglês profissional, preparo imprescindível para pós nos USA, seguiu seu caminho, o de seus sonhos e projetos.

Lembrou-se da frase: ‘Conhecimento é chave para o poder’! C.L.S. conclui seu depoimento afirmando que se sente mais autónoma nos USA, bem integrada ao povo que lhe recebeu, bem ajustada a culinária e a cultura. Encontrou pessoas que almejam as mesmas coisas que ela, muita afinidade e sintonia. Aquela médica totalmente fechada, casada com a medicina, atualmente encontra-se aberta e sensibilizada as todas estas revelações.

Afirma que aos 44 anos, o tremor em suas mãos, fez com que ela pudesse conhecer sua gente, seu jeito, a forma de se alimentar, enfim o povo que traz em si a mesma alma que tem. Encontrou o que por tantos anos estava procurando.

 

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O papel dos pais no sucesso dos filhos

( … )
 Pode-se imaginar que o caminho passa por investimentos em educação, aprimoramento intelectual e cursos que desenvolvam as capacidades que, no futuro, irão levar a criança para uma situação de sucesso.

Claro, tudo isso também faz parte.

Mas será que é só disso que nossos filhos realmente precisam?

Será que boas escolas e idiomas são o suficiente?

Nós vamos lhe mostrar que realmente não são estas as necessidades essenciais.

Bert Hellinger, o psicoterapeuta alemão criador das Constelações Sistêmicas trás um dado interessante e por vezes provocador: o mais importante e determinante para o sucesso dos nossos filhos está contido em uma simples palavra: vínculo.

O vínculo 

Este vínculo age sobre a criança e o adolescente de forma poderosa.

Este amor que sustenta este vínculo, por vezes coloca a criança a assumir, inconscientemente, as dificuldades, sofrimentos e dores dos pais.

“As crianças de qualquer idade são como esponjas. Absorvem tudo o que o ambiente oferece e mostram, através do corpo, aquilo que está oculto.” (Dra. Jaqueline Cássia de Oliveira)

Ao perceber os pais infelizes (ou mesmo outros membros de seu sistema familiar) a criança se sente motivada a fazer algo para “resolver” o problema, sem perceber que é incapaz de fazer algo com um problema que não é seu. Dessa forma, se enreda em situações que trazem dificuldades para sua vida e seu desenvolvimento.

O problema neste movimento é que a criança não possui ferramentas nem condições emocionais para lidar com um problema que não é seu. Dessa forma, é como se decidisse encontrar o caminho para casa dentro de uma mata fechada. As chances de se perder ou encontrar perigos que causem dor são muito grandes. É um grande risco para seu desenvolvimento.

Estes riscos, quando acontecem, impactam a longa linha de desenvolvimento de uma criança, e por muito tempo. Por isso, é importante que os pais permaneçam no seu lugar: uma autoridade que guia, cuida, protege e acompanha os filhos em seus movimentos.

“Por amor cego ao meu sistema familiar me mantenho repetindo a mesma história. Por este amor infantil, sigo sem ver a vida que tenho adiante… Por ele fracasso e adoeço, porque embora caminhe com meus pés, sempre ando para trás!”

Luiz Rodrigues

Do mesmo modo, quando um pai e uma mãe se curam, eles introduzem no sistema o processo de cura de todos aqueles impactados por seu problema.

Através da cura de um pai ou uma mãe, todo o sistema familiar proveniente deles se transforma.

O vínculo com a Mãe

Nosso nascimento e o contato com nossa mãe são nossas primeiras experiências de sucesso na vida. Através do nascimento, da amamentação e do inicio do seu desenvolvimento, a criança experimenta muitos sucessos guiada pela mão da mãe.

A mãe, como uma primeira e importante companheira de desenvolvimento da criança, precisa estar ciente das suas dificuldades e a forma como comunica estas aos filhos, de forma a não colocá-los na situação onde eles se sintam com responsabilidade de fazer algo.

educando nossos filhos constelacao familiar garlet maria ines araujo (41)

 O vinculo com o Pai

O pai representa a coragem de sair diariamente para o mundo, de conquistar e prover. Através do pai podemos tomar a força de lutar pela nossa vida e nossa sobrevivência. Esta força, de ver e perceber oportunidades, de cuidar e fazer crescer recursos, flui dos pais para os filhos de forma livre quando o vínculo está estabelecido e sadio.

Um filho com dificuldades com o pai sentirá também dificuldades em lidar com os desafios quando se lança no mundo e, principalmente, terá dificuldades em atingir o sucesso no caminho que quiser trilhar.

Assim como acontece no vínculo com a mãe, a relação entre pai e filhos e filhas possui uma poderosa força de simbiose, principalmente nos primeiros anos.

Dessa forma, as dificuldades que atingem o pai e não são decodificadas para a criança de forma correta, podem fazê-la sentir a necessidade de “resolver” os problemas do pai, aplacando dessa forma seu sofrimento (dela e do pai).

O vínculo entre os Pais

A criança, nos seus primeiros anos e por boa parte da sua infância, pouco separa o que é seu e o que é de seus pais. Para ela, os três são o mesmo indivíduo, tal é a simbiose de sua vida com a de seus pais. Simbiose essa que é vital para sua sobrevivência.

Dessa forma, o relacionamento do casal influencia também a criança. Quando os pais se respeitam, mesmo quando não concordam com algo, a criança permanece em seu lugar e segura do amor dos pais por ela.

Se o pai ou a mãe não conseguem respeitar-se, a criança sente aquele desrespeito “direcionado” para si. E nesse lugar, através da lealdade que sente para com seus pais, começam a surgir as dificuldades de desenvolvimento.

Um pai desrespeitado ou uma mãe desrespeitada precisam ser protegidos, pensa a criança. Proteção esta que ela não é capaz de oferecer, mas que seu corpo e seu instinto a impele a tentar. Então, aos poucos, ela sai do lugar de criança, e entra num espaço onde seu desenvolvimento corre risco.

Os pais, ao se sentirem fortes e centrados no seu papel, reconhecem que sempre haverá um ponto de amor e respeito no seu relacionamento, mesmo que este tenha problemas, ou esteja próximo do fim.

O filho é a prova máxima do amor que os pais sentem ou que sentiram um dia. Ao integrarem esse sentimento, percebem a importância do respeito ao outro, pois isto indica também respeito ao filho, pois toda criança tem dentro de si e do seu coração, os seus pais.

Dessa forma, o filho encontra o espaço para se desenvolver de forma saudável e os pais se tornam a força para ele caminhar para o sucesso.

……..

texto integral em:

O papel dos pais no sucesso dos filhos

7 orientações para melhorar a comunicação com seus filhos

 Os desafios da comunicação e suas influências no relacionamento com os filhos

Texto de Maria Inês Araujo e Ana Cristina Garlet.

Sabemos que as dificuldades na comunicação é um dos principais fatores de fracasso nos relacionamentos, sobretudo entre os casais.

E porque isso acontece?

Vejamos um exemplo bem comum:

A forma como me comunico, é a forma que aprendi e exercitei em minha família de origem durante toda minha vida. Então, naturalmente, eu sinto que essa forma como me comunico é a correta para mim.

Quando me caso com alguém que vem de outra família e com outros valores, esta pessoa vai se comunicar de forma diferente (pois a diferença é um dos atributos que atrai os casais) e, muitas vezes entendo isto como incorreto, aí já se inicia a “não-escuta” e o “afastamento” que fere, viola e muitas vezes impossibilita a relação.

Se um ou ambos os cônjuges não se encontra disponível a ver, escutar e sentir o outro em sua singularidade, desafiando-se a aceitá-lo tal qual é, o casal passa a construir barreiras ao invés de pontes para se comunicar.

EM 35 ANOS, OS 7 APRENDIZADOS MAIS IMPORTANTES

Nossa especialista Maria Inês Araújo Garcia Silva, que há mais de 35 anos trabalha com pais e filhos e já vivenciou muitos relacionamentos sendo reconstruídos através das mudanças na comunicação, elencou 7 aprendizados que podem ajudar a todos os pais e filhos a melhoraram a sua comunicação.

 

1. OS PADRÕES QUE APRENDEMOS

Temos padrões de escuta que aprendemos em nossa família, que elegemos como certos e se incorporam em nossa personalidade. Assim podemos assumir o padrão de escuta do:

  • O que “sabe tudo”
  • O salvador
  • O “resolve tudo”
  • O pacificador
  • O impaciente (já sei o que você vai falar!)

Será que assim estamos escutando realmente o outro? Com que intenção? Me sinto acolhido quando ele adota esta forma particular de escuta, como por exemplo achando que já sabe o que vou dizer?

O acolho quando interrompo achando já ter a solução?

Muitas vezes a solução não é o mais importante, mas saber que sou acolhido em minha dor, perceber que o outro dispõe amorosa e pacientemente de seu tempo para simplesmente me escutar, isto é essencial. Aqui vale diferenciar entre escutar e ouvir.

 

2. OUVIR E ESCUTAR SÃO A MESMA COISA?

“Somos todos tão diferentes principalmente porque
temos diferentes combinações de inteligências.
Se reconhecermos isso, acho que, pelo menos,
teremos melhores chances de lidar adequadamente
com os diversos problemas que enfrentamos no mundo.”

Howard Gardner

Ouvir é um ato físico – escutar é “perceber o outro”

  • Ouço o barulho das crianças, os ruídos ao lado, a música do caminhão de gás, etc.
  • Escutar é disponibilizar-se, entregar-se completamente; escutar é um puro ato de amor; é dar espaço para o outro falar sem interferência, esvaziando-se dos seus pensamentos, dos problemas e situações externas, pelo menos por este tempo, para receber completamente o outro.

Quando verdadeiramente escuto, eu não me coloco em primeiro lugar, eu dou o lugar ao outro, eu consigo escutar com amor, com o coração.

Escutar com o coração significa sair de si mesmo, abrindo-se para o outro, sem julgamento, análises ou impressões, aceitando e acolhendo-o para perceber as emoções, os sentimentos que estão fluindo naquele momento, estimulando-o a abrir o seu coração. É perguntar realmente querendo saber.

A boa comunicação entre o casal se dará na medida em que primeiro me disponho a:

  • Aceitar que viemos de sistemas familiares totalmente diferentes e o que faz sentido para mim, não o faz para ele e vice-versa.
  • Reconhecer que esta diferença é boa.
  • Esvaziar-me totalmente, para acolher o outro.
  • Renunciar ao “saber” que é válido em minha família para escutá-lo com o coração, com o assombro do novo.
  • Renunciar a qualquer intenção.
  • Ver o outro.
  • Expor-me ao outro.

Validando a fala de meu cônjuge, construo o respeito necessário para criar um espaço de confiança onde a comunicação possa fluir e ser ponte para a compreensão e crescimento.

 

3. COMO NOSSO JEITO DE COMUNICAR AFETA OS FILHOS?

Diretamente!

As crianças funcionam como antenas de nosso estado de espírito.

Como fazem parte dos dois sistemas familiares (do pai e da mãe) elas compreendem a linguagem dos dois e ficam confusos quando percebem que os pais não entendem-se entre si.

E o que elas fazem?

De forma inconsciente e movidas por um grande amor, elas se vêem muitas vezes tendo que interferir,  tornando-se mediadoras nas situações de conflito dos pais, o que, sem dúvida, sempre será um lugar perigoso para as crianças.

A linguagem clara, que comunica e gera resultados positivos, sempre será a linguagem do amor saudável. A linguagem do querer bem, da generosidade na escuta, da paciência e gratidão que se mostra nas diferenças.

Quando escutamos com o coração, queremos escutar para “aprender o outro”. Queremos falar para servir ao outro e não a nós mesmos.

Como falamos anteriormente, a criança aprende no nós, em nosso exemplo, muito mais no “como fazemos” do que naquilo que dizemos. Para que nossa comunicação com elas seja eficiente, devemos saber o que queremos dizer, devemos saber a importância em falarmos o que de verdade sentimos, assumindo conscientemente a responsabilidade que temos como pais: guiar, cuidar e amar nossos filhos. Sobretudo devemos escutá-los com o coração.

 

4. COMO POSSO ESCUTAR COM O CORAÇÃO?

Dicas para uma boa escuta:

  • Aceitar que não sei o outro, mas quero sabê-lo.
  • Estar disposta(o) a afastar-me de meu desejo de falar, resolver e entender para escutar..
  • Acolher o outro querendo saber.
  • Aceitar a percepção do outro como é.
  • Aceitar que o outro encontre suas próprias soluções.
  • Acolher a dúvida, o medo, a visão do outro com respeito.
  • Conceder tempo suficiente para que a comunicação se faça.
  • Falar na linguagem que o outro consiga entender.
  • Ser generoso para receber e dar informações, histórias, sentimentos.
  • Ser generoso com os sentimentos que surgem em mim quando escuto o outro,assim aprenderei um pouco mais sobre mim mesmo.
  • Observar as palavras que uso em minha comunicação, para que reflitam exatamente o que quero dizer.
  • Perceber se quero elevar o outro ou ferí-lo. Suas palavras te mostrarão o que está desejando. Atenção!

 “Não existe voz humana que não tenha música”

Fernando Pessoa

 

5. ATITUDES E ACONTECIMENTOS QUE FECHAM O CORAÇÃO

  • QUANDO GRITAMOS

Quando grito, o outro fecha a escuta. Grito,talvez porque:

– não me sinto compreendido e aceito;

– estou distante de seu coração ou ele está distante do meu coração;

– porque tenho medo de ferir meu pertencimento à minha família de origem e minha lealdade ignora quem está diante de mim, não me permite aceitar que simplesmente é diferente, não necessariamente errado.

  • OS RUÍDOS EXTERNOS

Sons, barulhos, conversas paralelas, uso de aparelhos eletrônicos durante a comunicação e movimentação excessiva: tudo isso são ruídos externos que  podem sim dificultar ou impossibilitar uma boa comunicação.

Mas até diante situações aparentemente incontornáveis, se me disponho verdadeiramente a me comunicar, crio estratégias para me fazer entender. Integrar mentalmente estes ruídos, “como se” fizessem parte, ajuda neste processo. Muitas vezes não é necessariamente o barulho externo que atrapalha, mas nossos ruídos internos.

  • OS RUÍDOS INTERNOS

Nossas preocupações, nossas intenções, nossa disponibilidade genuína para ouvir querendo escutar e falar querendo servir.”Minha atenção está onde está meu coração”.

  • QUANDO FICAMOS SÓ NO NOSSO PADRÃO DE ESCUTA

Quando ao dialogar o que faço? Tenho o outro em vista ou estabeleço um monólogo interno, como se já tivesse todas as respostas? Meu padrão de escuta me toma e passo a buscar soluções quando não me é solicitado? Investigo detalhes que não me são concedidos para que controle a situação,ou mesmo atropelo o outro antecipando suas palavras como se já soubesse o que iria me falar?

Estes padrões que desenvolvemos  ao longo da vida, principalmente em nossa família, podem de fato obstaculizar a verdadeira comunicação.

  • QUANDO JULGAMOS

Ao adotar a postura de julgar o outro em suas ações, valores, percepções, invalidamos sua história pessoal. Ao considerar a própria visão e percepção da situação através da nossa ótica, como a única possível , limita, exclui e fecha a comunicação, pois comunicação pressupõe a interação com o outro, com a diferença, para que o novo se faça.

Quando julgo, talvez por não poder encarar meus próprios limites,me coloco acima do outro e desta forma não o vejo em sua dor, fragilidade e até mesmo força, pois sinto medo. Isso me afasta e impede a escuta, e da lição que preciso aprender.

  • QUANDO ESPERO ALGO DO OUTRO

Ao me expor a alguém com expectativas, de fato não o alcanço, pois estou me relacionando com minhas próprias imagens internas, com meu conceito idealizado e com isso perco de vista a riqueza que reside na subjetividade e singularidade do outro.

Da mesma forma, quando para me comunicar crio expectativas sobre mim mesmo, como se tivesse que preencher a expectativa do outro, ter todas as respostas, fracasso. Perco a oportunidade de crescer e me desenvolver com o meu “não saber”, pois só a ignorância me leva ao conhecimento.

 

6. A COMUNICAÇÃO DOS FILHOS

E os filhos? Como se comunicam?

As crianças perguntam querendo saber… olham querendo ver…falam querendo mostrar…sua ignorância, seu desejo, sua percepção, sua compreensão.

Estão totalmente abertos a aprender, com sua saudável curiosidade, com suas dúvidas, com suas associações puras denunciando muitas vezes o que nós pais teimamos em não querer ver.

 

7. COMO OS FILHOS DESENVOLVEM A VISÃO DO MUNDO?

Através da forma que nós pais lhes ensinamos!

Por exemplo, se diante uma pergunta tão simples,”mamãe, você está chorando?”, quando de fato está chorando e você responde, “Não, foi um cisco em meu olho”, você estará contribuindo para que esta criança não confie no que vê, percebe e sente.Provavelmente este padrão de “esconder” a informação é comum na dinâmica relacional e de comunicação de sua família e isto afetará a forma que esta criança perceberá o mundo.

 

“Dizer não é ensinar e Ouvir não é aprender.”

Bob Barkley

Não estou aqui dizendo que você deveria contar a razão de seu choro se não for para o conhecimento da criança. quero dizer que a verdade, promove saúde. Simplesmente poderia responder, “ sim mamãe está chorando…porque está triste pois a vovó morreu, mas estou assim porque gostava muito dela, mas aos poucos, essa tristeza passa e aí mamãe conseguirá lembrar-se dela com toda a alegria, pois a vovó era muito legal”. Ou, se não for para os ouvidos da criança, como questões referentes ao trabalho e sobretudo ao relacionamento do casal, diga simplesmente,” sim, mamãe está triste, mas não é nada com você e logo logo mamãe estará bem, pois sabe como resolver.”

Somos porto seguro para nossos filhos, portanto responsáveis por eles e a comunicação clara e amorosa, exercitada com discernimento e querer bem,  ampliará a saúde emocional, cognitiva e relacional de nossos filhos.

Coração de criança leva ao pé da letra o que você diz…Escolha com cuidado as palavras com as quais lhes apresentará o mundo.

Se digo diante do “ erro”:

  • Você não sabe nada! A criança duvidará de sua capacidade.
  • Você me irrita com tantas perguntas! Ela silenciará suas dúvidas, inibirá seu desejo em querer saber.
  • Você me dá muito trabalho, me cansa com sua agitação! Ela se sentirá sempre inadequada e insuficiente  diante do mundo.
  • Se diante do  “erro” digo…que bom, mais uma chance para aprendermos,ela aprenderá a não desistir!

Portanto, temos que estar conscientes que quando falamos, quando calamos, afetamos diretamente a forma da criança se ver e ao mundo.Que palavras escolho para direcioná-las, para presenteá-las? Com que palavras eu pai, eu mãe, reconheço o mundo? Nós escrevemos o enredo de nossas vidas, quando reconhecendo tudo que vivemos, de bom ou ruim, escolhemos o que deve permanecer e o que devemos renunciar.

Mãos à obra! Estamos sempre no início de um novo ciclo, de uma nova história para contar. Façamos isto com verdade e amor!

Que nossa comunicação seja música com muitos e variados tons que se harmonizam produzindo equilíbrio, alegria e gratidão.

 

Os 4 PILARES para a boa comunicação entre pais e filhos

Pilares fundamentados nas 3 leis básicas da vida, EQUILÍBRIO, ORDEM e PERTENCIMENTO (segundo Bert Hellinger)

1) Olhar e Ver

Eu vejo você e me exponho a você.

Esta postura contempla a Lei do Equilíbrio, que nos ensina que na medida em que recebo,  retribuo. Este equilíbrio gera respeito e amplia a possibilidade de uma boa comunicação.

Quando me disponho a de fato olhar o outro e o ver em sua alegria, dor, medo ou realização, força ou fragilidade, e na mesma medida me exponho, crio condições de continuidade e crescimento (da percepção sobre o outro como é e ) no relacionamento. Desta forma também permito que o outro se sinta percebido e pertencido à minha atenção, assim como eu à ele.

 

2) Ouvir e escutar

Eu escuto a você e me afasto do meu saber por um momento.

Pergunto de fato querendo saber.

Para que esta postura seja possível, devo respeitar a Lei da Ordem, que nos ensina que quem veio antes, tem prioridade sobre quem vem depois, portanto quando alguém fala comigo sobre algo que é dela, que ela está vivendo ou sentindo, eu escuto pois venho depois, ou seja, não sei sobre o que ela sente ou pensa, portanto silencio e a acolho em sua fala.

Somente depois, do meu lugar, daquele que nada sabe e chegou depois, falo, não querendo resolver, mas querendo saber, entender e na aceitação desta condição, a comunicação flui em respeito e assim permite a compreensão e talvez a resolução.

 

3) Fazer e Sentir

Eu sinto você e percebo como reajo a você.

Nossas ações tocam uns aos outros.

Quando faço algo ou você faz algo a mim, preciso permanecer atento para perceber como o que sinto me faz reagir. Se fico leve ou pesado, tenso ou aliviado, forte ou fraco.

Nesta postura consigo diferenciar melhor o que é meu e o que não é, ou seja, se estou ou não em meu lugar. Pois somente no meu lugar (ordem) cresço equilibradamente.

 

4) Estar presente

Esta postura reforça o sentimento de pertencimento.

Me mantenho atento tendo como prioridade você em seu momento, em sua fala, em suas expressões. Adio minha pressa, minhas tarefas, para me dedicar, mesmo que por poucos minutos, interiormente à você.

7 orientações para melhorar a comunicação com seus filhos