Como aplicar as Leis do Amor da Constelação Familiar em nossa vida e na educação de nossos filhos

Inês + anaTexto escrito pelas professoras e Consteladoras do Instituto Ipê Roxo Maria Inês Araujo Garcia Silva e Ana Garlet, que fundaram o EDUCANDO, um Programa com o propósito de fortalecer pais e mães na missão de guiar seus filhos.


Toda pessoa em algum momento de sua vida, se pergunta qual a sua missão no mundo, qual o propósito de sua vida, porque somos tão desafiados, para quê?

Outras também se perguntam o porque de tantas coisas que acontecem em suas vidas.

Nesta jornada que trilhamos diariamente ao acompanhar famílias, observamos o óbvio, mas tão pouco percebido e cumprido…  Como diria Clarissa Pinkola Estés, autora do livro “Mulheres que correm com os Lobos”, a missão do ser humano é “Criar, Amar e Curar”.

E esta missão nós podemos fazê-la com alegria!

O homem e a mulher foram feitos para serem felizes e servirem um ao outro em generosidade e gratidão. Todos nós somos capazes de encontrar aquilo que nos faz bem e talvez seja aí que esteja a nossa felicidade.

Vocês podem estar se perguntando, como fazer isto se a vida nos traz tantos desafios? Sofrimentos? Dor? Perdas…

Podemos afirmar que é possível sim vivermos bem, realizados e com êxito se nos permitirmos perceber que estamos ligados uns aos outros pelo fio condutor da existência.

A vida é fluxo

Tudo o que acontece, seja bom ou ruim, faz parte deste fluxo.  Portanto, o primeiro passo para cumprirmos nosso processo evolutivo é aceitarmos o que vem para nós como aspectos importantes, que nos possibilitarão avançarmos maiores, melhores e mais presentes.

Isso, claro, desde que olhemos querendo ver e aprender qual a lição.

Bert Hellinger, filósofo e psicoterapeuta alemão, nos presenteou com as Constelações Sistêmicas Familiares. Nesta postura diante a vida, nomeou 3 leis da vida ou leis do Amor que, segundo ele, desde sempre regem o mundo.

Se considerarmos estas leis com atenção, conseguiremos nos aproximar muito da quietude, respeito e reverência que nós como seres espirituais somos. E a partir desta postura, nos ligamos ao que é essencial para atingirmos nossa missão: “Criar, Amar, Curar” em alegria e gratidão.

De forma simples vamos lhes apresentar as 3 leis do Amor e ilustrar com exemplos, como podem ser utilizadas em nossa vida:

 


Lei do Pertencimento

Esta lei de Bert Hellinger nos ensina que todos têm o direito de pertencer.

Em cada família, os que vieram antes, pai, mãe, irmãos, avós, bisavós, aqueles que não sobreviveram e todos aqueles que de alguma forma foram prejudicados para que nossa família continuasse, pertencem para sempre. Tanto os que já partiram ou que estão distantes de nós por qualquer motivo, fazem parte, influenciam e são influenciados pela  força da lei do pertencimento.

Bert nos ensina que os sistemas, sejam quais forem, não permitem exclusão e se o fazemos pelo nosso julgamento, reivindicação ou rejeição, alguém deste sistema representará o excluído.

Aqui começa nosso primeiro desafio: para garantirmos o direito ao pertencimento, precisamos adotar a postura do não julgamento.

Quando julgo alguém ou algo, me coloco acima desta pessoa ou situação, me esquecendo que sou tão falível, tão vulnerável, tão hostil quanto ela. Sim, pense se você pai, você mãe, não seria capaz de matar por seu filho? “Que atire a primeira pedra quem dentre vós, nunca pecou”, é um princípio tão antigo e sempre tão atual e aqui também vale para todos nós.

 

Portanto, para pôr em prática a Lei do Pertencimento:

  • Pratique o não julgamento. Decida de forma consciente não julgar, não criticar, avaliar as situações apenas descrevendo-as como são e não como certas ou erradas, boas ou más.

  • Renuncie ao hábito de avaliar rotulando, analisando. Esta postura limita sua capacidade de ver o que realmente acontece com o outro e sobretudo com você mesmo.

  • Silencie. Quando se perceber julgando ou criticando, lembre-se de sua decisão de não julgar e silencie. O silêncio diário como prática amplia sua capacidade de perceber para além do que se mostra.

  • Se esvazie de seus julgamentos, saberes e valores para receber o outro em suas características. Esta postura te possibilitará aceitá-lo como é e lhe dar o lugar de pertencimento que lhe é de direito.

  • Pratique e ensine seus filhos a nomearem seus colegas de escola ou de brincadeiras sem excluí-los, caso não sejam tão competentes nas brincadeiras ou tão eficientes nas atividades laborais, ou mesmo se forem mais hábeis.

 

  • Aceite as diferenças como possibilidades para ampliar seu propósito. Por exemplo: Se o tio ou o pai é alcoólatra, olhe para ele e seu destino com respeito, ame-o como é; esta postura desenvolverá em você compaixão, paciência, dedicação. Estes atributos conduzirão você para um estado de unidade que lhe dará força.

  • Seus limites também fazem parte, aceite-os, só assim descobrirá que você também é humano e com eles aprenderá que você também necessita do outro. Verá que suas habilidades se fortalecerão se olhar para você com respeito.

  • Exercite renunciar o preconceito de qualquer ordem. Todos têm direito a cumprir seu destino, por mais nefasto que possa parecer ser.

 


Lei do Equilíbrio

A lei do equilíbrio nos ensina que devemos retribuir o que recebemos, pois tudo no mundo responde à lei da troca, à compensação entre o dar e o receber.

A vida flui de forma dinâmica e as trocas em equilíbrio garantem este fluxo.

Esta lei é a que garante a continuidade da espécie, pois como a meus pais não posso retribuir a vida, este bem precioso que de graça me ofertaram, retribuo passando a vida adiante.

O mundo é abundante e está em uma troca dinâmica. Aqui, há algo que deve ser observado de forma bem prática.

 

Portanto, para pôr em prática a Lei do Equilíbrio:

  • “Dê ao mundo o que dele deseja.”

  • Observe se você também está disposto a dar seu tempo, atenção, carinho para os seus relacionamentos ou se está concentrado em reivindicar aquilo que você também não quer oferecer de si ao outro.

  • Observe se você é capaz de aceitar com amor aquilo que as pessoas lhe oferecem – seja uma ajuda às vezes necessária, seja atenção e carinho ou você se coloca sempre como aquela pessoa que está acima de todos e que não necessita de nada.

  • Ensine seus filhos a agradecer, assim receberão gratidão;

 

  • Viva isso e ensine a seus filhos:

– Serem delicados com as pessoas, desta forma receberão atenção respeitosa;

– Estimule-os a servir a todos com generosidade, assim o mundo lhes será gentil;

– Ensine-os a retribuir na medida exata do que receberam e podem retribuir, pois a intenção verdadeira gera compensação;

– Ensine-os a identificar as dádivas que a vida oferta gratuitamente à todos: o Sol, as flores, o ar puro, a água, a capacidade de olhar, de escutar, de falar, de andar, de sentir e sobretudo ensine-os a agradecer;

– Ensine-os a saber receber dos outros, seja um cumprimento, um elogio, um presente material, um aconselhamento;

– Ensine-os a presentear onde quer que estejam, com um sorriso, uma palavra gentil, um gesto, uma intenção verdadeira de querer bem a alguém, todos os dias.

 


Lei da Ordem

Esta lei nos ensina que cada pessoa tem seu lugar e deve ocupá-lo. Quem nasceu ou chegou primeiro, tem precedência sobre aquele que vem depois em seu sistema familiar.

Desta lei é que vem a compreensão de que os pais vieram antes dos filhos, portanto compete a eles cuidarem, nutrirem e guiarem seus filhos. Ensine-os a respeitar vocês, os avós, professores, etc.

Os filhos devem reconhecer e aceitar seus pais exatamente como são e deles receber com gratidão o que podem dar.

 

Praticando a Lei da Ordem:

  • Vivam e ensinem seus filhos a respeitar a hierarquia ou seja, mostre com seu exemplo que os que chegaram antes tem prioridade. Por exemplo, ensine-os a:

– Deixar que os mais velhos entrem no elevador em primeiro lugar;

– Levantarem-se para ceder seu lugar no metrô, ônibus, etc.;

– Se oferecerem para ajudar com sua bagagem;

– Cumprimentá-los gentilmente;

– Parar para lhes dar passagem.

  • Os pais jamais devem incluir seus filhos em suas discussões de casal ou problemas profissionais. Seria demais para eles. Não permitam que se envolvam nos assuntos dos mais velhos.

  • Quando for pedir opinião dos filhos, inicie perguntando ao mais velho, isto reforçará seu lugar de chegada na família. Da mesma forma, na hora de dormir, o que vai primeiro é o menor, dando assim aos mais velhos a prerrogativa de ficar um pouco mais e exercitar o seu lugar. (Você poderá impressionar-se com o que estes poucos minutos de diferença pode fazer para melhorar a relação entre os irmãos.)

  • Ensine o irmão mais novo que ele deverá respeitar o mais velho. Deixe claro que, o fato de ser menor e talvez durante um tempo precisar mais dos pais, não dará ao mais novo a prerrogativa de vir antes dos irmãos mais velhos. Deixe clara a ordem entre os irmãos. (Grandes sofrimentos entre irmãos são decorrentes das dificuldades que os pais têm de estabelecer os limites para o irmão mais novo em relação ao mais velho, deixando claro para ambos qual é o lugar que cada um ocupa na família).

  • Escute tanto aos filhos mais velhos quanto aos mais novos com o mesmo respeito. Assim os mais novos irão valorizar também o seu lugar de chegada na família.

  • Inclua de alguma forma os filhos que não nasceram (abortos) ou morreram, por exemplo com uma pequena celebração em seu aniversário.

 

Temos certeza que, exercitando com atenção e reverência essas leis, encontraremos o amor que nos faz bem e estaremos favorecendo que nossos filhos cresçam em equilíbrio e sabedoria rumo ao sucesso que a vida lhes oferece.

Não é nada fácil, nós sabemos, mas com um coração disposto a amar, aprender e crescer, dará certo. Confie!

Para finalizar, quando falamos de filhos, temos que ter algo sempre muito claro: para nossos filhos, nós, pai e mãe, estaremos sempre juntos no coração deles, independente de vivermos juntos ou não, perto ou longe, com uma boa relação ou com dificuldades de relacionamento.

Quanto mais formos capazes de reconhecer e respeitar aquele ou aquela que, junto conosco gerou esta vida, mais segurança e confiança estaremos gerando para nossos filhos e mais leveza eles encontrarão em seu caminho!


https://iperoxo.com/2017/11/23/constelacao-familiar-em-nossa-vida/

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A indisponibilidade dos pais – por Stephan Hausner

Nossos pais são pessoas bem comuns. Eles, em sua história, também lidam com a influência do sistema e da história de seus antepassados. Por isso, por vezes podem estar indisponíveis em níveis mais profundos em determinadas áreas da vida.

Como pessoas bem comuns. Como todos nós.

Stephan Hausner conta em seu livro “As constelações e o caminho da cura” um caso onde um sintoma do cliente, a hipertensão, o levou a percebeu a conexão que havia com o afastamento do pai do cliente.

Esse afastamento aconteceu quando o cliente era muito novo e o impeliu a acusar o pai, sem tomá-lo inteiramente.

Esse movimento, de brigar com a nossa raiz, traz consequências para nossa vida. De certa forma, isso é claro: brigamos com algo que faz parte de nós, emocionalmente e geneticamente.

Ao direcionarmos nossas acusações aos nosso pais, uma parte de nós, inconsciente, ouve isso como uma auto-acusação. Agimos como uma doença auto-imune, sobrecarregando o sistema. Em consequência, nos tornamos menos aptos para a vida e enfrentamos mais dificuldades.

Como filhos, o melhor lugar é o da gratidão pela oportunidade da vida que veio através dos nossos pais. Ao se permitirem serem pais, eles permitem a nossa existência.

E assim temos a chance de experimentar este mundo, ainda que com suas dores e contradições, é um lugar onde também podemos experimentar os prazeres, as conquistas e o crescimento.

Bert Hellinger, em sua obra “As Ordens do Amor”, traz um ensinamento muito importante que também cabe aqui, quando olhamos para a forma como nós, filhos, lidamos com as dificuldades que chegam em nossa vida:

“Algumas pessoas conseguem recuperar em pouco tempo um monte de coisas, quando realmente agem. Já confissões de culpa e lamentações são apenas substitutos para a ação. Elas frustam a ação e enfraquecem”.

Leia abaixo a trancrição do estudo de caso trazido por Stephan Hausner em seu livro.


Doença e Insegurança da criança quanto à sua vinculação, devido a uma indisponibilidade emocional limitada dos pais.

Por Stephan Hausner

Por causa de envolvimentos com membros de sua família de origem, com parceiros anteriores ou devidos a vivências traumáticas pessoais, os pais muitas vezes não estão livres para dedicar-se aos filhos. Estes percebem que algo não está em ordem em sua relação com os pais.

Então ficam inseguros, têm a sensação de que não podem confiar e via de regra, buscam inicialmente em si mesmo a causa da perturbação do seu relacionamento.

O que as crianças não ousam receber manifesta-se geralmente nas constelações quando os representantes dos pais não sentem proximidade em relação aos representantes dos filhos, não os toleram ou até se afastam deles.

A raiva: “Querido papai, eu não estava livre” (Paciente hipertenso)

Um homem de cerca de 35 anos sofre hipertensão há 3 anos. Questionado se nessa época aconteceu algo especial em sua vida responde:

“A empresa onde eu trabalhava foi à falência, e eu tive de procurar um novo emprego. Como tenho uma boa formação, eu não precisaria preocupar-me, mas essa situação me lançou numa depressão profunda. Tive a sensação de que me tiraram o fundamento de minha vida”.

Em muitas constelações verificou-se que a maneira como nos defrontamos com assuntos profissionais costuma estar associada ao relacionamento com o nosso pai. (Como depois se evidenciou, a frase: “Tive a sensação de que me tiraram o fundamento de minha vida” era uma indicação de que o fundamento da vida foi tirada de uma pessoa da família a quem o paciente é ligado e com quem está envolvido.)

Portanto, pergunto inicialmente ao paciente como ele se relaciona com seu pai ou se algo aconteceu nesta relação.

O paciente torce a cara e diz, de mau humor:  “Quando eu tinha 17 anos, meu pai abandonou minha mãe”!

Eu continuo: “Por isso você tem raiva dele?

Paciente: “Sim, porque tive de assumir o seu lugar!”

Para não entrar mais fundo na raiva do paciente, decido fazer um comentário mais objetivo: “Em casos de pacientes hipertensos, as constelações revelam que, muitas vezes, a dinâmica condicionante é um amor que foi ou precisa ser reprimido!”.

Essa afirmação toca o paciente que comovido responde:

“Eu sempre amei muito meu pai, mas sempre tive a sensação de que não devia amá-lo, pois ele fez muito mal a minha mãe”.

Meu pai, minha mãe e eu

Nesse ponto peço ao paciente que coloca em cena representantes para o seu pai, sua mãe e para si mesmo.  O paciente posiciona o seu próprio representante ao lado de sua mãe. O representante do pai é colocado à parte, afastado de ambos.

Quando peço aos representantes que sigam seus impulsos, o representante do pai, resignado, dá as costas para sua mulher e seu filho. A impressão é que com a sua esposa ele não tem chances.

A representante da mãe percebe que tudo é excessivo para ela, e que especialmente o filho está perto demais. Ela dá um bom passo para trás e sente-se visivelmente aliviada com esse distanciamento.

No entanto, o representante do paciente imediatamente a segue. Quando o filho fica de novo ao seu lado, ela começa a respirar com dificuldade e torna a distanciar-se, dando vários passos para trás.

Quando o representante do filho faz menção de segui-la outra vez, a representante da mãe o encara com olhar severo, manifestando-lhe claramente que não deseja isso.

A restante anamnese familiar revela que a mãe do paciente perdeu o pai aos 5 anos. Com essa perda profundamente ancorada, sente dificuldade de ligar-se permitir proximidade. Talvez o filho também precise representar para ela o pai, por isso ela evita contato.

Quem está indisponível?

Seja como for, volto-me ao paciente e pergunto: “Quem, na sua imagem, foi sempre responsável pelas dificuldades no relacionamento dos seus pais? Ele responde imediatamente:  “Meu pai”.  Dou-lhe algum tempo para refletir e pergunto: “E o que se mostra na constelação?”

Paciente: “minha mãe!”

Proponho ao paciente: “Olhe para o seu pai lhe diga: ‘Querido papai, sinto muito, eu não estava livre’.” Ele chora ao repetir a frase.

O representante do pai vira-se imediatamente para o paciente, caminha em sua direção, aproxima-se dele e abraça-o. O paciente chora nos braços do pai, colocando uma das mãos no coração e repetindo várias vezes: “Me dói tanto!”

O representante do pai o abraça e tranquiliza com as palavras: “Está bem, tudo vai ficar bem!” O olhar para o filho nos braços de seu pai alivia a representante da mãe. Com benevolência ela olha para ambos.

Na rodada final do curso o paciente comenta: “Por mais que meu coração tenha doído nos braços do meu pai, algo se soltou com isso. Sinto desde então uma leveza que eu desconhecia.

Quando uma mãe tem dificuldade para relacionar-se com o próprio pai e não está harmonia com ele, com destino dele ou com seu próprio destino, seus filhos muitas vezes renunciam ao próprio pai.

Percebendo a dor de sua mãe, não querem causar-lhe de dor por meio de um bom relacionamento ou de uma proximidade com o pai.

A falta da presença dos pais

Na Perspectiva do trabalho das constelações, as pessoas tendem a ficar depressivas quando não podem ou não devem acolher no coração um dos pais ou ambos. Isso provoca o sentimento básico de abandono e o vazio interior, muito encontrado entre os depressivos.

A origem disso reside muitas vezes numa perturbação do vínculo já na primeira infância (Ruppert, 2003), embora o comportamento depressivo, motivado ou não por um fato externo reconhecível, geralmente só se manifeste numa fase tardia da vida.


Leia também:


 

https://iperoxo.com/2017/11/09/a-indisponibilidade-dos-pais/
 

Pai e mãe não se separam: por Joan Garriga – Constelação Familiar e Sistêmica de Bert Hellinger.

Para os filhos, seus pais continuam sempre juntos como pais. Separam-se como casal, às vezes vivendo sob o mesmo teto, mas não se separam como pais.

Por isso, quando há filhos, é especialmente importante finalizar as relações anteriores com atenção e cuidado. Um dos grandes anseios dos filhos é ter os dois pais juntos no coração, não importa o que fizeram ou o que aconteceu, sem precisar tomar partido por um dos dois ou se alinhar com um contra o outro (como infelizmente ocorre frequentemente, com penosas consequências).

 

Onde começam os problemas?

Há frases ou mensagens dos pais, explícitas ou implícitas, que prejudicam terrivelmente seus filhos: “Filho(a), não ame seu pai/mãe, despreze-o(a) como eu e, acima de tudo, não seja como ele(a)”, ou “Filho (a), não queira entender como eu pude amar seu pai/mãe, você é melhor que ele(a).”

Mesmo que não se verbalizem, esses e outros pensamentos parecidos às vezes, são verdades internas para os pais e nutrem a atmosfera familiar de dinâmicas fatais para a tríade relacional mais importante de nossa vida: a tríade pai-mãe-filho.

Recordemos que os filhos não dão tanta atenção ao que os pais dizem, e sim ao que os pais sentem e fazem.

A verdade de nossos sentimentos pode ser negada ou camuflada, mas não pode ser eliminada, portanto, age e se manifesta em nosso corpo. É importante que trabalhemos com nossa verdade e, caso ela gere sofrimento em nós ou em nossos filhos, que tratemos de transformá-la.

 

E onde começa a solução?

Para o bem do futuro dos filhos, é fundamental que eles estejam bem inseridos no amor de seus pais e que estes consigam se amar, pelo menos como pais de seus filhos.

Não é algo tão raro se pensarmos que, na maioria dos casos, um dia se escolheram e se amaram como casal, e os filhos chegaram como fruto e consequência dessa escolha e desse amor.

Além do mais, quando é possível, é maravilhoso amar o outro progenitor. Eu sempre me surpreendo ao ver como alguns pais e mães se dirigem aos seus filhos passando por cima do outro parceiro.

Essa atitude, que pode parecer razoável, às vezes (a infelicidade costuma chegar vestida de roupagem argumental impecável, mas isenta de amor que nos faz bem), não ajuda os filhos.

Eles não precisam ser os mais importantes; ao contrário, precisam sentir que os pais estão juntos como casal permitindo-se uma recíproca primazia diante dos filhos.

 

Primeiro o casal, depois os filhos.

Quando um filho é mais importante que qualquer pessoa para um dos pais, isso não é um presente para ele, e sim uma carga pesada; não é adubo, mas seca disfarçada de encantamento. Os filhos não precisam se sentir especiais nem têm de ser tudo para os pais. Isso é demais.

É frequente que um pai projete em seu filho aquilo que lhe falta em seu companheiro ou nos próprios pais, ou aquilo que faltou em sua família de origem, ou aquele sonho que não pôde realizar. E que o filho, por amor, aceite o desafio.

A preço, claro, de sua liberdade e da força para seguir o próprio caminho.

E tudo sai melhor quando têm o apoio de seus pais e antepassados, e quando estão em paz com eles. No entanto, sofrem quando um dos pais despreza o outro ou ambos se desprezam mutuamente, ou quando têm de se envolver excessivamente com um dos dois ou com os dois.

Se os pais se desprezam, para o filho é difícil não desprezar a si mesmo e não parecer a pior versão que o pai ou a mãe traçou do outro progenitor, pois, no fundo, um filho não pode prescindir de amar os pais e não deixa de fazer acrobacias emocionais para ser leal a ambos, inclusive imitando seu mau comportamento, ou seu alcoolismo, ou seus fracassos e desatinos.

“Filho, continuo amando seu pai em você; em você continuo vendo-o e respeitando-o”; “Filha, você é fruto de meu amor e de minha história com sua mãe, e vivo isso como um presente e uma bênção”; “Filho, respeito o que você vive com seu pai/mãe, mais que isso é demais”. Essas e outras frases parecidas alimentam o bem- estar e o regozijo dos filhos.

O que ajuda, portanto?

Que os filhos recebam um dos maiores presentes possíveis em seu coração: ser amados como são, e muito especialmente que por meio deles seja amado o outro progenitor, porque assim os filhos se sentem completamente amados, já que, de uma forma sutil e ao mesmo tempo muito real, um filho não deixa de sentir que também é parte de seus pais.

Joan Garriga em
O amor que nos faz bem – Editora Planeta


A apenas um passo para a mudança!

Nosso relacionamento com o pai ou a mãe de nossos filhos são decisivos para o desenvolvimento e o sucesso dos filhos em sua vida. Por conta de um amor profundo e leal, os filhos são muito sensíveis aos conflitos que acontecem entre os seus pais. Esse olhar de amor profundo pode atrapalhar e levá-los para longe de um caminho saudável de desenvolvimento.

A Constelação Familiar de Bert Hellinger nos traz a vivência, para além do racional, desses desajustes que por vezes acontece numa relação de casal. A origem dessas dificuldades, pode estar escondido em nossa história familiar. Sim, nós fomos crianças um dias, e para sempre permanecemos como filhos amorosos, independente de qualquer história que nossa mente nos conta. E muitas vezes nos relacionamento buscando a solução para uma dificuldade que nos foi exposta muito cedo.

Por isso convidamos você a ser corajoso e dar o primeiro passo. Olhar para essa questão que tem se manifestado em sua vida ou seus relacionamentos. Desenvolvemos um curso exclusivo, o “Caminhando com as Constelações”, que leva os participantes a olharem para sua história e sua vida.

O curso chega a sua segunda turma em Dezembro. São três módulos – ou trechos de caminhada – onde olhamos nossa história através da Constelação Familiar de Bert Hellinger e da Psicogenealogia de Anne Ancelin. É um curso que te leva ao caminho de vivências transformadoras e ricas para o desenvolvimento da sua vida.


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https://iperoxo.com/2017/10/24/pai-e-mae-nao-se-separam-por-joan-garriga-constelacao-familiar-e-sistemica-de-bert-hellinger/

A relação de casal pelo olhar da Constelação Familiar

A relação de casal é o ponto inicial da família que construímos quando adultos. Levamos da nossa família de origem os muitos referenciais sobre o lugar e o papel de cada um em nossa nova estrutura familiar.

Através do relacionamento amoroso e da consumação do amor, o homem e a mulher deixam sua família de origem para criar um novo vínculo.

Esse vínculo se orienta a um terceiro. Quando o casal tem um filho, através deste o homem e a mulher se tornam completos no seu masculino e feminino. E é no filho que esse vínculo passa a existir para sempre. De maneira plena e visível para todos.

Este filho, respeitando à lei da ordem, vem depois do relacionamento do casal. Por isso, um grande bem que um casal pode fazer para a criação de seus filhos é amar-se e respeitar-se como homem e mulher.

Primeiramente, foi esse amor que fez possível que o filho ou a filha viesse. E por esse motivo, deve sempre ser honrado.

Bert Hellinger diz: “E assim como raízes nutrem a árvore, assim também seu amor como casal sustenta e nutre seu amor de pais pelos filhos.”

 

O vínculo

O homem e a mulher – e também casais do mesmo sexo – experimentam o vínculo de forma muito profunda quando se relacionam. Este movimento é que permite que ambos deixem sua família para criar a sua própria.

O relacionamento íntimo entre o casal cria um laço da alma, que é de certa forma indissolúvel. Mesmo que encontramos na nossa sociedade mecanismos como o divórcio, Bert Hellinger fala que em nosso coração esse vínculo permanece a agir mesmo após o fim de um relacionamento. Ainda segundo Hellinger o primeiro relacionamento sempre nos vincula de forma especial e, quando há um segundo ou ainda outros, estes últimos já não terão a mesma força que o primeiro.


“Uma nova relação não tem o mesmo efeito da primeira. Isso se revela pelo fato de que o marido ou a mulher de uma pessoa que se casa pela segunda vez não ousa tomá-la e mantê-la como a primeira união. A razão é que o casal experimenta a segunda união com culpa em relação à primeira.”

Bert Hellinger


Nos workshops aqui no Ipê, é possível perceber de forma bem clara estes vínculos. Muitas vezes quando um cliente vem e traz um tema relacionado à dificuldades de relacionamento, muitas vezes há um parceiro anterior não visto no caminho.

Quando se se traz para a consciência a existência de um parceiro ou parceira anterior, é possível para o cliente perceber o vínculo que o está ligando a esta história, e com amor e respeito, deixá-lo seguir.

O vínculo porém continua a existir, por exemplo: aquela pessoa continuará a ser o primeiro ou primeira parceira de relacionamento, isso não mudará. Porém, o vínculo que é reconhecido não mais se interpõe no caminho de novos relacionamentos. Ele se torna parte do que foi, sem precisar permanecer presente.

Bert Hellinger nos traz a imagem de que a cada novo relacionamento, entramos com “menos”. Já deixamos “coisas” com os parceiros que vieram antes, e por isso temos menos à disposição, somos capazes de dar um pouco menos a cada novo relacionamento.

É importante salientar, porém, que esse é um movimento da alma, não se relaciona com bens ou coisas concretas e sim com a disponibilidade interna (de alma e coração) para se relacionar. Por isso, é mais fácil terminar um segundo relacionamento em comparação com o primeiro…e, sucessivamente, a cada novo relacionamento há menos vinculação e mais fácil se torna a separação.

Aqui, não entra qualquer juízo de valor, de certo ou errado. Apenas se mostra uma lei que atua sobre todos e que, independente de nossa vontade, age sobre nós.

Dar-se conta destas leis que foram observadas por Hellinger, nos ajuda a perceber muitas das nossas atitudes quando estamos nos relacionando. Principalmente para quem está no segundo ou terceiro relacionamento, compreender como elas atuam pode nos ajudar a compreender e dissolver conflitos com um parceiro, por exemplo.

 

A visão sistêmica reconhece diferentes funções para o homem e para a mulher dentro de um relacionamento, porém ambos com o mesmo grau hierárquico, ambos estão no mesmo nível quando falamos de lugar (ordem).

O homem não é mais importante do que a mulher, assim como a mulher não é mais importante do que o homem. Eles são equivalentes. Sem qualquer uma das partes, o relacionamento inexiste.

Da mesma forma, ambos se necessitam mutuamente. Reconhecer isto nos abre o caminho para a compreensão de um desequilíbrio que acontece entre o casal.

 

Se os dois precisam, os dois tomam e dão, em uma troca equilibrada. Porém, se por algum motivo, há um lado que é “benevolente”, que sempre cede, que não costuma pedir nada em troca, o relacionamento entra em uma área perigosa para sua sobrevivência.

Atua em nossos relacionamentos a lei do equilíbrio, e quando somos impedidos de exercer uma troca equilibrada, nos sentimos pressionados a buscar a compensação.

E se nosso parceiro ou parceira “benevolente”, não abre espaço para o equilíbrio, é comum que quem recebeu muito saia do relacionamento. Hellinger define como pesado o destino daquele que não pode se relacionar compensando o que recebe de alguma forma.

Saímos de nossa família de origem e seguimos para nossa iniciativa de criar uma família. Mas isso não corta nosso pertencimento do nosso sistema original. Então, os emaranhamentos não resolvidos daquele sistema podem atuar no novo relacionamento.

Desse lugar podem surgir alguns conflitos para o casal. Bert Hellinger fala que “somos estrangeiros na família do cônjuge. Não falamos a “língua” e não compartilhamos da mesma cultura.”

Por isso, ele mesmo sugere, temos que ter muito cuidado ao nos colocar em nossos relacionamentos. Precisamos entender que aquele ou aquela que está agora comigo teve uma vida com sua própria cultura e emaranhamento, e que de certa forma ele ou ela também é resultado disso.

Quando, por algum motivo, intervimos no processo da família do nosso parceiro ou parceira, estamos a alguns passos de fracassar pois nos colocamos em um campo que não conhecemos e não temos bússola, não temos registros, não temos informações – é a família do outro e ali não temos nada a fazer. Absolutamente nada.

Bert Hellinger fala sobre o movimento do divórcio no livro “A simetria oculta do amor”. Leia abaixo:

Quando finalmente se dá a separação, ambos os parceiros se vêem diante das possibilidades e riscos de um novo começo. Se um deles rejeitar a oportunidade de um novo começo e ignorar a possibilidade de criar algo de bom, preferindo apegar-se à dor, torna-se difícil para o outro parceiro libertar-se.

Por outro lado, se ambos aproveitarem as oportunidades surgidas e fizerem alguma coisa com elas, ambos se libertarão e ficarão aliviados do fardo. Entre todas as possibilidades de perdão nas situações de divórcio e separação, esta é a melhor, porque traz harmonia mesmo quando a separação ocorre.

Se a separação é dolorosa, há sempre a tendência a procurar alguém para incriminar. Os envolvidos tentam aliviar o peso do destino arranjando um bode expiatório. Em regra, o casamento não se desfaz porque um parceiro é culpado e o outro inocente, mas porque um deles está assoberbado por problemas da sua família de origem, ou ambos caminham em direcções opostas.

Se se incrimina um parceiro, cria-se a ilusão de que algo diferente poderia ter sido feito ou de que um comportamento novo salvaria o casamento. Nesse caso, a gravidade e a profundidade da situação são ignoradas, os parceiros começam a recriminar-se e a acusar-se mutuamente.

A solução para combater a ilusão e a crítica destrutiva é resignar-se à forte dor provocada pelo fim do relacionamento. Essa dor não dura muito, mas é lancinante. Se os parceiros se dispuserem a sofrer, poderão tratar do que merece ser tratado e dispor as coisas que precisam ser dispostas com lucidez, ponderação e respeito mútuo. Numa separação, a raiva e a censura estão a substituir o sofrimento e a tristeza.

Quando duas pessoas não conseguem separar-se civilizadamente, isso acontece, às vezes, porque não souberam tomar plenamente um do outro aquilo que lhes foi oferecido. Devem, pois, dizer-se “Recebi o que de bom me deste e vou guardá-lo como um tesouro. Tudo o que te dei, dei-o com gosto, portanto, guarda-o também.

Assumo a minha parcela de responsabilidade pelo que saiu errado entre nós e deixo-te a tua. Agora partirei tranquilo”. Se conseguirem dizer isto com sinceridade, podem separar-se em paz.

Muitas vezes os parceiros agem como se a sua participação no relacionamento fosse como a associação a um clube, associação livremente escolhida e que pode terminar livremente. Mas a consciência secreta e infatigável que zela pelo amor ensina outra coisa. Se fossemos livres para cancelar as nossas parcerias, a separação não magoaria tanto.

Numa parceria séria de iguais, estamos ligados um ao outro e não podemos separar-nos sem sofrimento e culpa.

A relação de casal pelo olhar da Constelação Familiar

O dinheiro pelo olhar da Constelação Familiar de Bert Hellinger: energia à serviço da vida

Dê um tempo neste momento a você mesmo.

Perceba agora quais são as suas crenças em relação ao dinheiro e ao fruto do seu trabalho.

Muitos de nós percebemos o dinheiro como algo sujo, imoral. Somos expostos todos os dias nos jornais, nas notícias, no nossos círculo familiar, histórias de como o “dinheiro” corrompeu alguém.

Damos ao dinheiro um personalidade. O chamamos de corruptor.

Olhamos para o dinheiro e o julgamos como fonte de nossos problema – ainda mais visível na nossa situação atual enquanto país.

É uma situação difícil. Ficamos todos presos na confusão.

Ao mesmo tempo, percebemos e é inegável o papel do dinheiro na manutenção da vida. Ele proporciona crescimento, possibilidades, segurança e liberdade. Ele nos sustenta.

Então, como podemos olhar para o dinheiro e ver sua real energia?

O que é o dinheiro?

O dinheiro em si é um pedaço de papel. Todo o poder, valor e energia que emana dele é uma convenção da nossa sociedade para tornar as trocas entre os indivíduos mais igualitárias.

Antigamente, o escambo era a prática usual. Mas quantos pães valiam uma galinha? Ou a maçã valia mais ou menos que uma laranja? Dessa dúvida surgiu a necessidade de padronizar um meio sem oscilação de valor para realizar as trocas. Desse movimento, o dinheiro foi criado.

Ainda que fisicamente sua representação seja bem simples (papel e metais), o dinheiro é uma manifestação de uma energia que está à serviço da vida, e não somente isso, mas é essencial a ela.

Bert Hellinger fala que o “dinheiro é algo espiritual! O dinheiro é vida. Sem dinheiro , ninguém pode sobreviver em nossa sociedade. O dinheiro nos permite continuar vivos.” (Livro “Histórias de sucesso na empresa e no trabalho” – Editora Atman)

Numa troca, estipulamos um valor e a outra pessoa concorda ou não com o que estipulamos. Podemos negociar ou encerrar uma negociação com base nos argumentos apresentados entre os lados.

Aqui, somos apresentados à lei que exerce maior influência sobre o fluxo de dinheiro: o equilíbrio. O dinheiro, para permanecer com quem o recebe, exige que a troca seja justa, para ambos. Quando há um desequilíbrio, acontece uma disfunção na gestão do valor.

Os rendimentos param, os negócios travam e às vezes não sabemos o porque. Mas uma boa dica é olhar para o equilíbrio entre o dar e o tomar em todos os âmbitos do negócio.

Quem recebe o dinheiro também deve merecer, oferecer na sua troca algo compatível com o que está cobrando pelo serviço. Compatível aqui quer dizer, nem exigir a mais do seu valor e nem a menos. Cobrar o que é justo.

Uma pessoa que cobra menos do que o justo pelo seu trabalho, em algum tempo se tornará um prestador de serviço que parará de servir seu cliente. Como vemos na situação em desequilíbrio, um dos dois lados se sente pressionado e sai da relação comercial.

 

O Olhar de Bert Hellinger

O psicoterapeuta alemão aborda bastante a influência do sistema na nossa forma de lidar com o dinheiro e o sucesso, e como por vezes nossos comportamentos seguem um emaranhamento familiar neste mesmo assunto.

Em seu livro “Leis Sistêmicas da Assessoria Empresarial” ele propõe a seguinte metafora:

“O dinheiro possui uma dimensão espiritual. Ele reage como se tivesse uma alma e um faro fino para a justiça e a injustiça.

Quer ficar com aqueles que o ganharam honestamente, com o suor do seu trabalho. Quer voltar para aqueles que trabalharam duro para obtê-los ou para aqueles que o receberam de outros com a condição de administrá-lo e multiplicá-lo honestamente, a serviço da vida.

O dinheiro que outros ganharam para nós quer ficar conosco quando os recompensamos corretamente. Acima de tudo, uma vez que pertence à vida, o dinheiro quer ser gasto e transmitido a serviço da vida. O dinheiro se alegra quando é gasto. Ele retorna ainda mais rico para nós.”

Hellinger reconhece que esta é só uma metafora, e que na verdade o dinheiro e seus movimentos são apenas uma manifestação do que está em nosso centro, que ele chama de alma.

O dinheiro deseja servir nosso interesse pela vida. Por isso, se coloca à disposição naquilo que contribui para o avanço dela.

Em outro livro, chamado “Êxito na vida, exito na profissão”, Bert Hellinger discorre sobre as causas da nossa relação com dinheiro ser tão conflitante. Ele fala de uma razão religiosa para isso:

Na bíblia se transmite um dito de Jesus: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar nos reinos dos céus”(…) Na consciência do Ocidente, esta emoção contra a riqueza e o efeito desastroso para a salvação de nossas almas continua atuando , tanto na vida pessoal, quanto na vida pública.

Além disso, alguns movimentos de filósofos antes e depois do cristianismo também abordavam a questão da riqueza X pobreza como algo ligado ao mal x bem. Mesmo que alguns destes grupos tenham sido perseguidos pelo cristianismo, muito de suas posturas e idéias influenciaram a doutrina cristã nos séculos seguintes.

Nossa postura em relação ao dinheiro

A relação com o dinheiro é algo desafiador a todos nós. Geralmente nos queixamos da sua falta e dizemos: “- Não farei algo pois não tenho dinheiro.”

Sim, é verdade. A falta de dinheiro é um limitador. Mas talvez haja uma dinâmica agindo de forma oculta neste argumento. Porque é tão desafiador termos dinheiro para servir aos nossos planos?

Em uma constelação onde o dinheiro foi colocado no campo durante nosso trabalho no Instituto, foi possível perceber que o dinheiro tem uma força direcionada à vida, ao crescimento. Seu trabalho é de sustentar nosso caminhar na vida, e ele nos serve com alegria e motivação.

Por isso, ter dinheiro é uma responsabilidade. A partir do momento que você o possui, cabe a você movimentar sua vida, tomar a responsabilidade do seu caminhar na sua mão. É preciso assumir as suas decisões.

Por mais que seja desconfortável, muitas vezes a falta de dinheiro pode estar prestando um serviço àquele que não o tem. Quando não se tem dinheiro é mais fácil terceirizar a responsabilidade por não fazer algo. A frase sai quase automática: – Queria muito fazer, mas não tenho dinheiro…

O caminho opcional é desafiador: Eu tenho dinheiro, mas tenho medo de tomar tal decisão. O que devo fazer?

Para todas estas perguntas, somente um adulto pode ter a resposta, pois para se caminhar na vida é necessário aceitar alguns riscos.

Se não somos capazes de decidir, ficamos como a criança que espera que alguém a cuide ou tome as decisões por ela (talvez, sim, dentro de nós exista ainda uma criança que em algum momento se sentiu abandonada e que ainda aguarda por seus pais). A “criança” aguarda que os pais – ou alguém que assuma o papel deles – venham à sua salvação.

E assim permanece inocente, culpando a tudo e a todos por sua infelicidade. Nesse lugar, é impossível crescer.

Nestes casos, é preciso perceber que aquilo que não recebemos quando crianaça, podemos agora como adultos, conquistar e criar para nós mesmos: seja um relação de afeto, seja o resgate de nosso vínculo com nossos pais para além de nossas reivindicações, seja a conquista de algo material de que precisamos.

Também há o movimento de aceitarmos a riqueza quando outros no nosso sistema não tiveram a mesma sorte. Neste caso, aquele que se sobressai sente peso e culpa pela sua situação. Como superar isso? Hellinger fala que:

Somente com a má consciência, com a coragem de ter uma má consciência. Conseguimos isso quando obtemos, em outro lugar, a força e a segurança para nos tornamos ricos e continuarmos sendo ricos. Isto é, se entrarmos em sintonia com um movimento do espírito que permanece igualmente voltado a tudo tal como é, um movimento além da diferenciação entre o bom e o mau, porque tudo tem igualmente sua origem em seu pensamento e por isso só pode ser tal como é.

Podemos perceber o quanto o dinheiro nos serve e está à nossa disposição. Ele nos pede coragem para poder andar ao nosso lado.  Ao mesmo tempo, se ainda não estamos prontos para assumir nossa vida, ele aguarda até sermos responsáveis para lidar com as decisões e a maturidade que ele nos exige.

Dinheiro que permanece

Para concluir, colocamos aqui um trecho do livro “Histórias de sucesso na empresa e no trabalho” de Bert Hellinger que fala de sua visão sistêmica para o dinheiro:

“Quero dizer algo sobre o dinheiro. O dinheiro tem alma. O dinheiro é algo espiritual. O dinheiro é resultado do amor. O dinheiro é adquirido através de um desempenho. É o equilíbrio de um bom desempenho. Se alguém ganhar dinheiro por seu desempenho, o dinheiro o ama. O dinheiro também permanece com ele, pois foi adquirido através do seu desempenho.

O dinheiro também quer render algo – depois. Por isso o dinheiro espera ser gasto. Ser gasto em algo bom, que leve a vida adiante. Então se ganha mais dele – cada vez mais. Através de seu desempenho, o dinheiro entra no circuito de serviço, trabalho e ganho, tudo ao mesmo tempo.”

O dinheiro pelo olhar da Constelação Familiar de Bert Hellinger: energia à serviço da vida

12 passos até nossos pais – Constelação Familiar e Sistêmica de Bert Hellinger

Temos uma proposta para você.

Sabemos, por nossa experiência nas constelações, que todo filho ama seus pais.

Mesmo quando com muito esforço ele tenta provar o contrário, quando vamos para o campo e observamos o movimento da alma, esse amor fica desnudado, visível aos olhos de todos.

Sofremos muito na busca da reciprocidade desse amor. Por vezes, acontece um movimento interrompido na direção de nosso pai ou nossa mãe, quando ainda somos muito crianças e despreparados para compreender o que acontece a nossa volta, e por esse motivo, algo se coloca entre nós e os nossos pais.

Um movimento interrompido é quando, em um determinado momento, sentimos a necessidade da proteção e afeto dos nossos pais, mas por algum motivo não foi possível. Pode ter sido durante a internação em um hospital, um momento na escola, ou alguma situação em que os pais não estavam imediatamente disponíveis.

A criança não possui ainda capacidade de compreender e faz a leitura de que está sendo abandonada, emoção que a marca de forma muito profunda. Esse movimento, quando acontece, fica gravado no inconsciente e corpo. Ela passa então, a sentir com todas as forças que não deve ou não pode contar com o colo que está ali à disposição.

Isso é mais comum do que pensamos e acontece com muitos de nós.

Sentimos medo de passar por todo o trauma, de reviver e confirmar que aquele afeto não está ali, para nós. Nosso corpo está sendo guiado pela criança que se sente indefesa e deseja a segurança que só sente com seus pais.

O mais difícil é que, quando passamos por uma situação como esta, tendemos a bloquear incoscientemente os movimentos dos pais até nós e o nosso movimento a eles. É como uma proteção pessoal.

Ao mesmo tempo, ao fazermos isso, perpetuamos a idéia que não recebemos o afeto que esperamos, sem perceber que também contribuimos para a dificuldade de não chegarmos aos nossos pais ou talvez sem perceber outros momentos em que fomos amados e cuidados por nossos pais, do jeito que foi possível, do jeito que eles com seus próprios emaranhamentos e dificuldades, conseguiram fazer.

Por isso, a proposta do início do nosso artigo.

Leia as caixas a seguir com calma, mantendo-se mentalizando a imagem que acompanha cada uma por pelo menos um minuto. Traga cada frase para sua realidade, imagine os rostos das fotos como o de seu pai, de sua mãe e o seu.

Observe o que isso aflora em você.

Vá com calma, aos poucos, e deixe que o que há de interrompido em você reencontre seu fluxo.

Vá com calma.

Você tem tempo.

Eles estão disponíveis para você.

Faça seu movimento.

Encontre seus pais em seu coração.


Os 12 passos até nossos pais














Acolha-os.

Acolha-os.

Acolha-os.


Segunda Dra Ursula Franke, os princípios fundamentais para se honrar nossos pais, são:

1. Na medida em que você concorda com passado, cresce também a capacidade de dominar o presente.
2. Seu pai e sua mãe sempre agiram no momento oportuno tão bem quanto puderam.
3. Eles passaram todos os recursos que tinham para o seu crescimento.
4. Você possui uma força vital especial vindo somente deles.

Assim, com seu papai e mamãe no coração, siga seu caminho.


Bert Hellinger, o criador das Constelações Familiares, nos instrui um pouco mais:

“Se olharmos para nossa família, para os ancestrais vindos de nosso pai e mãe, vemos que por trás de cada um está o seu destino de forma imponente.

Voltamo-nos para cada uma dessas pessoas e olhamos para além dela, diretamente para o seu destino. Curvamo-nos diante desses destinos e retiramo-nos de maneira que cada um permaneça com o seu.

Depois viramo-nos de costas para as pessoas e vemos o nosso destino diante de nós. Curvamo-nos diante dele, entramos em sintonia com o mesmo e concordamos com ele da maneira como ele é.

Quando o aceitamos,experimentamo-nos vinculados e livres ao mesmo tempo.
Nada é maior do que eles.
NADA!”

Saiba, da maneira que foi possível, nós fomos muito amados por nossos pais.

Eles, assim como nós, talvez estiveram emaranhados, porém, estejamos certos, que fizeram o possível, dentro do espaço e da compreensão que tinham.


Aceita o desafio?
Olhe com amor e respeito à seus pais, permita-se sentir a gratidão pela força da vida que chegou a você através deles e, então, siga firme pela vida, andando sobre seus próprios pés, com a certeza de que há raízes que o sustentam sempre.

12 passos até nossos pais – Constelação Familiar e Sistêmica de Bert Hellinger

Adoção – um olhar sobre o êxito ou o fracasso desta missão

O olhar das constelações para a adoção pode ser percebida como dura, e até mesmo controversa. Falar sobre o tema é um desafio pelas suas muitas possibilidades de má interpretação. Por isso, neste nosso artigo de hoje, pedimos para a experiente consteladora e psicóloga do Instituto Ipê Roxo Maria Inês nos falar um pouco desse olhar.

Leia de coração e mente aberta. Com a postura praticada pela Constelação: o olhar para o que é a realidade, sem subterfúgios, nos leva adiante no nosso conhecimento e na nossa experiência de vida.

Ao mesmo tempo, nos colocamos com profundo respeito a todos que se lançam na experiência de adotar e cuidar de uma criança. Reconhecemos os muitos desafios contidos neste campo.

A Constelação e a Adoção

Por Maria Inês Araujo Garcia Silva

Conscientemente, as pessoas buscam acolher crianças através da adoção como um ato de generosidade. Porém, Bert Helinger pontua que pode haver uma outra motivação, inconsciente.

A motivação das pessoas que procuram adoção pode ser uma vontade de compensar algo:  seja porque não se pôde ter filhos, seja porque não se consegue suportar ver o abandono que estas crianças sofreram causando tanta dor.

Motivos reais que sim, acolhem milhares de crianças.

Mas o pensamento para qual Hellinger nos chama atenção aqui é: Quando adoto uma criança, por exemplo, porque não posso ter filhos, quem necessita de quem? 

Muitas vezes vemos a adoção como uma atitude altruísta e benevolente diante o abandono de crianças condenadas a crescerem longe de suas famílias. Vê-se na adoção uma solução generosa para estas crianças.

Mas será que é somente isso?

O que de verdade faz com que uma adoção dê certo?

Segundo Hellinger, filósofo e psicoterapeuta alemão, precursor das constelações familiares, para que uma adoção dê certo, é necessário se respeitar as 3 leis do amor.

Isto significa que os pais biológicos sempre serão os verdadeiros pais das crianças e a herança familiar desta criança será representada através deste vínculo permanente e indissolúvel que garante à criança adotada seu direito ao pertencimento à esta família de origem.

Se você decide adotar uma criança, é importante que você olhe para os pais biológicos desta criança primeiro com respeito ao destino deles, depois com gratidão, pois a dificuldade deles no exercício do papel de pais e mães como cuidadores foi o que possibilitou que esta vida que hoje você cuida e ama, viesse e você pudesse viver esta experiência.

Questiona-se muitas vezes, quem precisa de quem em um processo de adoção.

A criança precisa dos pais adotivos ou os pais adotivos da criança que não puderam ter filhos biologicamente? Não há dúvida que crianças precisam do carinho e do cuidado que recebem em seus lares adotivos. E que bom que existe essa possibilidade. Mas apontamos aqui motivações que podem estar agindo sobre o movimento de quem adota, e que não percebe essas outras forças que podem estar dificultando a adaptação da criança ao seu novo lar.

Quando observamos a esta dinâmica, percebemos que para que nós adultos possamos criar adequadamente uma criança, devemos saber que nós cuidamos, e que as crianças devem ser cuidadas.

As crianças necessitam, não os adultos.

Aí já se instala uma transgressão da ordem e do equilíbrio pois como pais, somos grandes e ofertamos aos filhos tudo que eles necessitam, para depois liberá-los em amor. Mas se estabeleço o vínculo inicial por uma carência, aí a criança torna-se a grande, aquela que suprirá sua necessidade e isto já interfere em seu processo evolutivo de seguir seu próprio destino.

Sente-se grande quando é pequena, dá ao invés de receber e isto afeta seu equilíbrio.

A adoção para dar certo precisa que os pais que criam, como adultos, que se reconheça:

  • Os pais biológicos sempre serão os verdadeiros pais;
  • O respeito aos pais biológicos da criança e de seu destino;
  • Reconheça que você cuida da criança deles para eles;
  • Ensine a criança a respeitar sua história;
  • Agradeça aos pais biológicos desta criança a oportunidade de cuidar desta vida até o momento que ela necessitar.

Mesmo que você tenha adotado a criança por circunstâncias diferentes, que não seja porque não pode ter filhos, se respeitar estas leis básicas, existirá êxito.

Ao adotarmos uma criança, devemos lhe oferecer o melhor. E com certeza não há nada melhor que conferir valor à sua história.


“A adoção é um ato de grande amor” – Por Ana Garlet

Hellinger nos fala que, quando alguém adota uma criança como uma ação de cuidar dela porque seus pais que a geraram por algum motivo não puderem fazê-lo, a adoção tem todas as chances de ser um encontro de amor e desenvolvimento.

Ele diz que ela dará certo se aqueles que adotam a criança conseguem nutrir em seu coração a gratidão e o respeito pelos pais biológicos, pois eles, de alguma forma, fazem parte da criança, fazem parte da história da vida daquela criança. Quando o vi falar sobre este tema em um seminário, ele se dirigia aos pais adotivos dizendo que sempre pudessem reverenciar os pais da criança, que não puderam ficar com ela (para ele, quando isso acontece é sempre motivado por questões sistêmicas de muitas gerações).

Assim, quando os pais adotivos nutrem respeito e consideração pelos pais biológicos, seja qual for o destino deles, a criança também pode ficar em paz com seu próprio destino, pois se sente segura com os pais que agora cuidam dela. A adoção é sim um ato de amor.

Acompanhei alguns casos de adoção com dificuldades e, na maioria deles, no pano de fundo que a criança inconscientemente trazia, era que os pais biológicos não eram respeitados e algumas vezes isso era dito para a criança. Mas, é claro, esta é a apenas uma pequena amostra que tenho, da experiência que eu vivi… Cada história, cada ser, cada acontecimento é único.

O que vivenciei em constelações que deixou a criança que foi adotada ficar bem, foi ela conseguir concordar com o destino de seus pais biológicos (que não foi possível a eles fazerem diferente) e tomar, receber, dizer SIM aos pais que agora a cuidam e amam. Elas tem força quando o fazem desta forma.”


Leslie: Uma criança a ser adotada

Para ajudar a ilustrar como é olhar da Constelação Familiar de Bert Hellinger para a adoção, vamos transcrever aqui um caso descrito no livro de Bert Hellinger “A Simetria Oculta do amor”, da Editora Cultrix. (Este livro pode ser comprado no site da editora clicando aqui)

Aqui é possível perceber como Bert Hellinger conduz o atendimento de um caso de adoção e as muitas características que permeiam os sistemas nestes acontecimento.

Para os que ainda não participaram de um atendimento em Constelação, é possível perceber também como funciona um workshop e o trabalhos dos envolvidos. Leia abaixo e compreenda mais um pouco deste valioso trabalho.

Descrição do caso: Leslie participou de um grande seminário para crianças adotadas, pais adotivos e pais que entregaram filhos para adoção. Seu caso explicita algumas complicações inesperadas que a adoção apresenta e mostra como obter boas soluções para situações difíceis.

Hellinger: Como poderemos ajudá-la?

Leslie: Tenho dificuldades de relacionamento e estou sempre doente. Creio que isso se prende ao meu constante desejo de me sentir em casa em algum lugar. Fui levada da maternidade pelos meus pais adotivos quando tinha apenas 14 dias. Acho que estou tentando restabelecer o contato original.

Hellinger: De que doenças sofre?

Leslie: Quando criança, eu estava constantemente com amigdalite. Hoje, tenho várias doenças psicossomáticas, a que chamo de “autoesquecimento”.

Hellinger: Que quer que eu faça?

Leslie: Li o seu livro e pensei: “É isso justamente o que eu quero fazer.” Por isso estou aqui, ansiosa por esclarecer tudo ou, ao menos, obter uma nova perspectiva.

Hellinger: É casada?

Leslie: Separada.

Hellinger: Filhos?

Leslie: Um filho de 13 anos.

Hellinger: Com quem ele mora?

Leslie: Com um e outro. Depende.

Hellinger: O que você sabe dos seus pais biológicos?

Leslie: Absolutamente nada, além dos nomes. Talvez pudesse ter descoberto o endereço deles, mas eu não quis fazer isso.

Hellinger: Que lhe contaram sobre a adoção? Quem sugeriu essa medida?

Leslie: Até onde meus pais adotivos estão informados, quem a sugeriu foi minha mãe, por causa da pobreza.

Hellinger: E quanto a seu pai?

Leslie: Não sei. Foi só isso que me contaram.

Hellinger: Vamos então montar o seguinte sistema: seu pai, sua mãe, você e seus pais adotivos. Sabe como se faz?

Leslie: Mais ou menos. Estou um tanto confusa.

Hellinger: Você escolhe pessoas — quem quiser — para representar o seu pai, a sua mãe, você mesma e seus pais adotivos. A propósito, seus pais adotivos têm filhos?

Leslie: Não, não puderam ter. (Ela escolhe os representantes.)

Hellinger (para Leslie): Muito bem, agora encaminhe os representantes para seus lugares, relacionando-os uns com os outros. Concentre-se e faça isso com a consciência de estar plenamente lúcida. A constelação surgirá por si mesma à medida que você for instalando os representantes.

(Aos representantes)Vocês também se concentrem, prestando atenção às mudanças de sentimentos e sensações enquanto ela os estiver movimentando.

Hellinger (aos representantes) : Vou então perguntar-lhes o que está acontecendo e vocês irão me transmitir, o mais exatamente que puderem, qual a sua experiência. Que está acontecendo com a mãe?

Mãe: Sinto o pai afastando-se da constelação e estou sendo pressionada a segui-lo. A princípio, julguei que a filha iria aproximar-se, mas ela parou.

Hellinger: E o pai?

Pai: Sinto-me profundamente triste. Com um aperto no estômago. Sinto-me perdido aqui, muito triste.

Hellinger (para o representante de Leslie): Que acontece com a filha?

Representante de Leslie: Depois que os pais adotivos entraram, sinto-me bem melhor. Mas continuo um pouco confusa.

Hellinger: Que acontece com a mãe adotiva?

Mãe Adotiva: Meu coração batia forte, antes de ser colocada aqui. Agora es tou segura e posso ver a menina. Sinto também a diferença entre nós. A presença do pai adotivo me perturba, embora eu não possa vê-lo.

Hellinger: Refere-se ao seu marido?

Mãe Adotiva: Sim.

Hellinger: Que acontece com o pai adotivo?

Pai Adotivo: Sinto-me um pouco sozinho aqui, e também meio triste. Não tenho muito contato com a minha família. Estou num canto, o que me dá certa segurança, mas solitário. (Hellinger desloca a mãe adotiva para junto do marido.)

Hellinger: E agora?

Mãe Adotiva: Melhorou.

Pai Adotivo: A sensação desagradável de isolamento e solidão desapareceu. Sim, melhorou. Sinto-me confortado e amparado.

Hellinger (ao representante de Leslie): Que mudou para você?

Representante de Leslie: Ficou mais difícil. Havia um grande vazio à minha direita e à minha esquerda. Eu estava melhor depois que os pais adotivos entraram, mas agora o vazio voltou. (Hellinger faz com que ela encare um por um.)

Hellinger: E agora, como está?

Representante de Leslie: Melhor. Eu não sentia nada pelos meus pais, mas agora pelo menos posso vê-los.

Hellinger (para a mãe): O que mudou para a mãe?

Mãe: Quanto mais permaneço aqui, mais percebo que quero voltar-me para a menina e contemplá-la. Agora ela está mais à vista, porém mais longe. Quero ir para perto dela e virar-me.

Hellinger: Pois então vire-se para se sentir melhor.

(Para o pai): E quanto ao pai?

Pai: Sinto um peso enorme, como se alguém me houvesse abandonado.

Hellinger: Vire-se e fique perto da mãe.

Hellinger (para o representante de Leslie): E agora, como se sente?

Representante de Leslie (em tom comovido): Quero ir para junto dela.

Hellinger: Então vá. (O representante de Leslie aproxima-se da mãe, abraça-a e soluça incontrolavelmente.)

Hellinger (espera que se soltem): Agora vou colocar Leslie no seu devido lugar.

(Para Leslie): Vá para perto de sua mãe. (Leslie obedece prontamente e estreita-a nos braços.)

(Para o pai, enquanto mãe e filha estão abraçadas): Que está acontecendo com você?

Pai: Ainda me sinto sozinho e perdido. Acho melhor ir embora. Não estou integrado aqui.

Hellinger: Então volte-se e dê um passo à frente.

Hellinger (para o pai): E agora?

Pai: Sinto-me mais leve aqui.

Hellinger (para Leslie, enquanto ela se afasta lentamente da mãe): Olhe sua mãe nos olhos e chame-a de “mamãe”.

Leslie (sufocando as lágrimas): Mamãe.

Hellinger: “Mamãe, por favor!”

Leslie: Mamãe, por favor!

Mãe: Não compreendo nada. Tudo está acontecendo muito rápido, mas devo acolhê-la. Sinto-me oprimida.

Hellinger: Diga-lhe: “Sinto muito.”

Mãe: Sinto muito.

Hellinger (para Leslie): Diga-lhe: “Por favor, olhe-me como sua filha.”

Leslie: Por favor, olhe-me como sua filha.

Hellinger: “Por favor, mamãe.”

Leslie: Por favor, mamãe. (Mãe e filha se abraçam novamente. Leslie não consegue refrear os soluços.)

Hellinger: “Por favor, mamãe, por favor.”

Leslie: Por favor.

Hellinger (para Leslie, já mais calma): Respire profundamente. É como se você acolhesse sua mãe no coração. Profunda e calmamente.

(Para a mãe adotiva): E quanto à mãe adotiva?

Mãe Adotiva: A princípio, tive vontade de abraçar fortemente minha filha adotiva. Sentia-me impelida para ela, mas não conseguia mover-me porque ela estava em outro lugar. Ao mesmo tempo, senti o toque leve de meu marido, o que me tranquilizou muito. Depois percebi que minha filha adotiva encontrara realmente sua mãe natural e ficara feliz. Eu também fiquei feliz por isso.

Hellinger: E o pai adotivo?

Pai Adotivo: É gratificante notar que alguma coisa se encaixou. Isso me toca profundamente. Também sinto algo que não está claro pelo pai de Leslie. É como se eu carregasse um peso, uma responsabilidade que não me cabe.

Hellinger: E a mãe, como se sente agora?

Mãe: Muito bem.

Hellinger (para Leslie, que se desprendeu da mãe): Olhe para ela e diga-lhe: “Recebo-a como minha mãe.”

Leslie: Recebo-a como minha mãe. (Mãe e filha se abraçam de novo, com naturalidade e simplicidade.)

Hellinger (para a mãe): Agora você pode tomar-lhe a mão e entregá-la aos pais adotivos. Incline-se diante deles da maneira que achar correta e diga-lhes: “Obrigada.”

Mãe (fazendo profunda reverência): Obrigada.

Hellinger: “Obrigada por cuidarem de minha filha.”

Mãe: Obrigada por cuidarem de minha filha.

Hellinger: “E por lhe darem o que ela necessitava.”

Mãe: E por lhe darem o que ela necessitava.

Hellinger: “Aprecio-os muito por fazerem isso.”

Mãe: Aprecio-os muito por fazerem isso.

Hellinger (para Leslie): Como se sente?

Leslie: Maravilhosa. Eles realmente me deram muita coisa.

Hellinger: Olhe para eles e diga-lhes “Obrigada” também.

Leslie (fazendo espontaneamente uma profunda reverência diante dos pais adotivos) :Obrigada.

Hellinger (para a mãe adotiva): E quanto a você?

Mãe Adotiva: Sinto-me bem. Mas ainda desejo tomar minha filha adotiva nos braços e apertá-la contra mim.

Hellinger: Não vejo nenhum obstáculo a isso. (Leslie e a mãe adotiva se abraçam ternamente. Em seguida, Leslie abraça também o pai adotivo.)

Hellinger (para o pai, enquanto Leslie abraça o pai adotivo): Como está?

Pai: Não muito bem. Ainda sinto um peso tremendo nos ombros e aquele aperto no estômago. Não tenho ligação nenhuma com os outros.

Hellinger: Vire-se e encare-os. (Hellinger coloca Leslie perto da mãe adotiva e a mãe natural a certa distância, à esquerda.)

Hellinger (para Leslie): Olhe para o seu pai e tente dizer-lhe: “Recebo-o como meu pai.”

Leslie: Isso não parece correto.

Hellinger: É o primeiro passo. Tente. Olhe-o e diga-lhe “Recebo-o como meu pai.” (A mãe adotiva dá-lhe uma palmadinha nas costas para encorajá-la.)

Leslie (estancando as lágrimas enquanto o pai inclina a cabeça) : Recebo-o como meu pai.

Hellinger: “Por favor, abençoe-me como sua filha.”

Leslie: Por favor, abençoe-me.

Hellinger: Como se sente o pai? Pai: Gostaria de sair correndo daqui. Não posso ficar por mais tempo.

Hellinger (para Leslie): Tente repetir mais uma vez: “Recebo-o como meu pai.”

Leslie: Recebo-o como meu pai.

Hellinger: “E aprecio o que me deu.”

Leslie: E aprecio o que me deu.

Hellinger: “E amorosamente deixo-o seguir o seu caminho.”

Leslie: E amorosamente deixo-o seguir o seu caminho. (Leslie começa a chorar; o pai inclina a cabeça e chora também.)

Hellinger: Vá até ele. (Leslie aproxima-se do pai e ambos se abraçam. O pai soluça.)

Hellinger (ao pai): Respire profundamente, que a dor desaparecerá. Inspire e expire profundamente.

(Para Leslie): Como se sente com seu pai?

Leslie: Sinto-me como se devesse ser a mais forte aqui.

Hellinger: Sim, é isso mesmo. Volte para seu lugar, ao lado da mãe adotiva. (Ela se coloca ao lado da mãe adotiva e ambas se dão as mãos.)

Hellinger (para o pai): Pegue a mão da mãe de Leslie e dirijam-se para os pais adotivos. Fiquem diante deles.

(Para os pais biológicos): Façam-lhes uma reverência e agradeçam-lhes. (Eles se curvam com respeito e olham para os pais adotivos.)

Mãe: Obrigada.

Pai: Obrigado.

Hellinger: Como se sentem os pais adotivos?

Pai Adotivo: Para mim, melhorou. Posso aceitar a gratidão deles.

Mãe Adotiva: Sim, melhorou. Estou feliz por ter minha filha adotiva bem perto de mim.

Hellinger: E você, como está?

Leslie: Quero meus irmãos e irmãs.

Hellinger: Isso será o próximo passo. Poderá procurá-los, bem como a todos os outros membros de sua família: seus avós, por exemplo. Acha que sua mãe adotiva irá apoiá-la se fizer isso?

Leslie: Não completamente, mas tentará.

Hellinger (para a mãe adotiva) : Diga-lhe “Permito que faça isso.”

Mãe Adotiva: Permito que faça isso.

Hellinger: “E vou ajudá-la”

Mãe Adotiva: E vou ajudá-la.

Hellinger (para o grupo): Um filho não pode fazer uma coisa dessas sem permissão. Um filho precisa da permissão e do apoio dos pais adotivos. (Leslie e os representantes se sentam.)

Adoção – um olhar sobre o êxito ou o fracasso desta missão