Adoção – um olhar sobre o êxito ou o fracasso desta missão

O olhar das constelações para a adoção pode ser percebida como dura, e até mesmo controversa. Falar sobre o tema é um desafio pelas suas muitas possibilidades de má interpretação. Por isso, neste nosso artigo de hoje, pedimos para a experiente consteladora e psicóloga do Instituto Ipê Roxo Maria Inês nos falar um pouco desse olhar.

Leia de coração e mente aberta. Com a postura praticada pela Constelação: o olhar para o que é a realidade, sem subterfúgios, nos leva adiante no nosso conhecimento e na nossa experiência de vida.

Ao mesmo tempo, nos colocamos com profundo respeito a todos que se lançam na experiência de adotar e cuidar de uma criança. Reconhecemos os muitos desafios contidos neste campo.

A Constelação e a Adoção

Por Maria Inês Araujo Garcia Silva

Conscientemente, as pessoas buscam acolher crianças através da adoção como um ato de generosidade. Porém, Bert Helinger pontua que pode haver uma outra motivação, inconsciente.

A motivação das pessoas que procuram adoção pode ser uma vontade de compensar algo:  seja porque não se pôde ter filhos, seja porque não se consegue suportar ver o abandono que estas crianças sofreram causando tanta dor.

Motivos reais que sim, acolhem milhares de crianças.

Mas o pensamento para qual Hellinger nos chama atenção aqui é: Quando adoto uma criança, por exemplo, porque não posso ter filhos, quem necessita de quem? 

Muitas vezes vemos a adoção como uma atitude altruísta e benevolente diante o abandono de crianças condenadas a crescerem longe de suas famílias. Vê-se na adoção uma solução generosa para estas crianças.

Mas será que é somente isso?

O que de verdade faz com que uma adoção dê certo?

Segundo Hellinger, filósofo e psicoterapeuta alemão, precursor das constelações familiares, para que uma adoção dê certo, é necessário se respeitar as 3 leis do amor.

Isto significa que os pais biológicos sempre serão os verdadeiros pais das crianças e a herança familiar desta criança será representada através deste vínculo permanente e indissolúvel que garante à criança adotada seu direito ao pertencimento à esta família de origem.

Se você decide adotar uma criança, é importante que você olhe para os pais biológicos desta criança primeiro com respeito ao destino deles, depois com gratidão, pois a dificuldade deles no exercício do papel de pais e mães como cuidadores foi o que possibilitou que esta vida que hoje você cuida e ama, viesse e você pudesse viver esta experiência.

Questiona-se muitas vezes, quem precisa de quem em um processo de adoção.

A criança precisa dos pais adotivos ou os pais adotivos da criança que não puderam ter filhos biologicamente? Não há dúvida que crianças precisam do carinho e do cuidado que recebem em seus lares adotivos. E que bom que existe essa possibilidade. Mas apontamos aqui motivações que podem estar agindo sobre o movimento de quem adota, e que não percebe essas outras forças que podem estar dificultando a adaptação da criança ao seu novo lar.

Quando observamos a esta dinâmica, percebemos que para que nós adultos possamos criar adequadamente uma criança, devemos saber que nós cuidamos, e que as crianças devem ser cuidadas.

As crianças necessitam, não os adultos.

Aí já se instala uma transgressão da ordem e do equilíbrio pois como pais, somos grandes e ofertamos aos filhos tudo que eles necessitam, para depois liberá-los em amor. Mas se estabeleço o vínculo inicial por uma carência, aí a criança torna-se a grande, aquela que suprirá sua necessidade e isto já interfere em seu processo evolutivo de seguir seu próprio destino.

Sente-se grande quando é pequena, dá ao invés de receber e isto afeta seu equilíbrio.

A adoção para dar certo precisa que os pais que criam, como adultos, que se reconheça:

  • Os pais biológicos sempre serão os verdadeiros pais;
  • O respeito aos pais biológicos da criança e de seu destino;
  • Reconheça que você cuida da criança deles para eles;
  • Ensine a criança a respeitar sua história;
  • Agradeça aos pais biológicos desta criança a oportunidade de cuidar desta vida até o momento que ela necessitar.

Mesmo que você tenha adotado a criança por circunstâncias diferentes, que não seja porque não pode ter filhos, se respeitar estas leis básicas, existirá êxito.

Ao adotarmos uma criança, devemos lhe oferecer o melhor. E com certeza não há nada melhor que conferir valor à sua história.


“A adoção é um ato de grande amor” – Por Ana Garlet

Hellinger nos fala que, quando alguém adota uma criança como uma ação de cuidar dela porque seus pais que a geraram por algum motivo não puderem fazê-lo, a adoção tem todas as chances de ser um encontro de amor e desenvolvimento.

Ele diz que ela dará certo se aqueles que adotam a criança conseguem nutrir em seu coração a gratidão e o respeito pelos pais biológicos, pois eles, de alguma forma, fazem parte da criança, fazem parte da história da vida daquela criança. Quando o vi falar sobre este tema em um seminário, ele se dirigia aos pais adotivos dizendo que sempre pudessem reverenciar os pais da criança, que não puderam ficar com ela (para ele, quando isso acontece é sempre motivado por questões sistêmicas de muitas gerações).

Assim, quando os pais adotivos nutrem respeito e consideração pelos pais biológicos, seja qual for o destino deles, a criança também pode ficar em paz com seu próprio destino, pois se sente segura com os pais que agora cuidam dela. A adoção é sim um ato de amor.

Acompanhei alguns casos de adoção com dificuldades e, na maioria deles, no pano de fundo que a criança inconscientemente trazia, era que os pais biológicos não eram respeitados e algumas vezes isso era dito para a criança. Mas, é claro, esta é a apenas uma pequena amostra que tenho, da experiência que eu vivi… Cada história, cada ser, cada acontecimento é único.

O que vivenciei em constelações que deixou a criança que foi adotada ficar bem, foi ela conseguir concordar com o destino de seus pais biológicos (que não foi possível a eles fazerem diferente) e tomar, receber, dizer SIM aos pais que agora a cuidam e amam. Elas tem força quando o fazem desta forma.”


Leslie: Uma criança a ser adotada

Para ajudar a ilustrar como é olhar da Constelação Familiar de Bert Hellinger para a adoção, vamos transcrever aqui um caso descrito no livro de Bert Hellinger “A Simetria Oculta do amor”, da Editora Cultrix. (Este livro pode ser comprado no site da editora clicando aqui)

Aqui é possível perceber como Bert Hellinger conduz o atendimento de um caso de adoção e as muitas características que permeiam os sistemas nestes acontecimento.

Para os que ainda não participaram de um atendimento em Constelação, é possível perceber também como funciona um workshop e o trabalhos dos envolvidos. Leia abaixo e compreenda mais um pouco deste valioso trabalho.

Descrição do caso: Leslie participou de um grande seminário para crianças adotadas, pais adotivos e pais que entregaram filhos para adoção. Seu caso explicita algumas complicações inesperadas que a adoção apresenta e mostra como obter boas soluções para situações difíceis.

Hellinger: Como poderemos ajudá-la?

Leslie: Tenho dificuldades de relacionamento e estou sempre doente. Creio que isso se prende ao meu constante desejo de me sentir em casa em algum lugar. Fui levada da maternidade pelos meus pais adotivos quando tinha apenas 14 dias. Acho que estou tentando restabelecer o contato original.

Hellinger: De que doenças sofre?

Leslie: Quando criança, eu estava constantemente com amigdalite. Hoje, tenho várias doenças psicossomáticas, a que chamo de “autoesquecimento”.

Hellinger: Que quer que eu faça?

Leslie: Li o seu livro e pensei: “É isso justamente o que eu quero fazer.” Por isso estou aqui, ansiosa por esclarecer tudo ou, ao menos, obter uma nova perspectiva.

Hellinger: É casada?

Leslie: Separada.

Hellinger: Filhos?

Leslie: Um filho de 13 anos.

Hellinger: Com quem ele mora?

Leslie: Com um e outro. Depende.

Hellinger: O que você sabe dos seus pais biológicos?

Leslie: Absolutamente nada, além dos nomes. Talvez pudesse ter descoberto o endereço deles, mas eu não quis fazer isso.

Hellinger: Que lhe contaram sobre a adoção? Quem sugeriu essa medida?

Leslie: Até onde meus pais adotivos estão informados, quem a sugeriu foi minha mãe, por causa da pobreza.

Hellinger: E quanto a seu pai?

Leslie: Não sei. Foi só isso que me contaram.

Hellinger: Vamos então montar o seguinte sistema: seu pai, sua mãe, você e seus pais adotivos. Sabe como se faz?

Leslie: Mais ou menos. Estou um tanto confusa.

Hellinger: Você escolhe pessoas — quem quiser — para representar o seu pai, a sua mãe, você mesma e seus pais adotivos. A propósito, seus pais adotivos têm filhos?

Leslie: Não, não puderam ter. (Ela escolhe os representantes.)

Hellinger (para Leslie): Muito bem, agora encaminhe os representantes para seus lugares, relacionando-os uns com os outros. Concentre-se e faça isso com a consciência de estar plenamente lúcida. A constelação surgirá por si mesma à medida que você for instalando os representantes.

(Aos representantes)Vocês também se concentrem, prestando atenção às mudanças de sentimentos e sensações enquanto ela os estiver movimentando.

Hellinger (aos representantes) : Vou então perguntar-lhes o que está acontecendo e vocês irão me transmitir, o mais exatamente que puderem, qual a sua experiência. Que está acontecendo com a mãe?

Mãe: Sinto o pai afastando-se da constelação e estou sendo pressionada a segui-lo. A princípio, julguei que a filha iria aproximar-se, mas ela parou.

Hellinger: E o pai?

Pai: Sinto-me profundamente triste. Com um aperto no estômago. Sinto-me perdido aqui, muito triste.

Hellinger (para o representante de Leslie): Que acontece com a filha?

Representante de Leslie: Depois que os pais adotivos entraram, sinto-me bem melhor. Mas continuo um pouco confusa.

Hellinger: Que acontece com a mãe adotiva?

Mãe Adotiva: Meu coração batia forte, antes de ser colocada aqui. Agora es tou segura e posso ver a menina. Sinto também a diferença entre nós. A presença do pai adotivo me perturba, embora eu não possa vê-lo.

Hellinger: Refere-se ao seu marido?

Mãe Adotiva: Sim.

Hellinger: Que acontece com o pai adotivo?

Pai Adotivo: Sinto-me um pouco sozinho aqui, e também meio triste. Não tenho muito contato com a minha família. Estou num canto, o que me dá certa segurança, mas solitário. (Hellinger desloca a mãe adotiva para junto do marido.)

Hellinger: E agora?

Mãe Adotiva: Melhorou.

Pai Adotivo: A sensação desagradável de isolamento e solidão desapareceu. Sim, melhorou. Sinto-me confortado e amparado.

Hellinger (ao representante de Leslie): Que mudou para você?

Representante de Leslie: Ficou mais difícil. Havia um grande vazio à minha direita e à minha esquerda. Eu estava melhor depois que os pais adotivos entraram, mas agora o vazio voltou. (Hellinger faz com que ela encare um por um.)

Hellinger: E agora, como está?

Representante de Leslie: Melhor. Eu não sentia nada pelos meus pais, mas agora pelo menos posso vê-los.

Hellinger (para a mãe): O que mudou para a mãe?

Mãe: Quanto mais permaneço aqui, mais percebo que quero voltar-me para a menina e contemplá-la. Agora ela está mais à vista, porém mais longe. Quero ir para perto dela e virar-me.

Hellinger: Pois então vire-se para se sentir melhor.

(Para o pai): E quanto ao pai?

Pai: Sinto um peso enorme, como se alguém me houvesse abandonado.

Hellinger: Vire-se e fique perto da mãe.

Hellinger (para o representante de Leslie): E agora, como se sente?

Representante de Leslie (em tom comovido): Quero ir para junto dela.

Hellinger: Então vá. (O representante de Leslie aproxima-se da mãe, abraça-a e soluça incontrolavelmente.)

Hellinger (espera que se soltem): Agora vou colocar Leslie no seu devido lugar.

(Para Leslie): Vá para perto de sua mãe. (Leslie obedece prontamente e estreita-a nos braços.)

(Para o pai, enquanto mãe e filha estão abraçadas): Que está acontecendo com você?

Pai: Ainda me sinto sozinho e perdido. Acho melhor ir embora. Não estou integrado aqui.

Hellinger: Então volte-se e dê um passo à frente.

Hellinger (para o pai): E agora?

Pai: Sinto-me mais leve aqui.

Hellinger (para Leslie, enquanto ela se afasta lentamente da mãe): Olhe sua mãe nos olhos e chame-a de “mamãe”.

Leslie (sufocando as lágrimas): Mamãe.

Hellinger: “Mamãe, por favor!”

Leslie: Mamãe, por favor!

Mãe: Não compreendo nada. Tudo está acontecendo muito rápido, mas devo acolhê-la. Sinto-me oprimida.

Hellinger: Diga-lhe: “Sinto muito.”

Mãe: Sinto muito.

Hellinger (para Leslie): Diga-lhe: “Por favor, olhe-me como sua filha.”

Leslie: Por favor, olhe-me como sua filha.

Hellinger: “Por favor, mamãe.”

Leslie: Por favor, mamãe. (Mãe e filha se abraçam novamente. Leslie não consegue refrear os soluços.)

Hellinger: “Por favor, mamãe, por favor.”

Leslie: Por favor.

Hellinger (para Leslie, já mais calma): Respire profundamente. É como se você acolhesse sua mãe no coração. Profunda e calmamente.

(Para a mãe adotiva): E quanto à mãe adotiva?

Mãe Adotiva: A princípio, tive vontade de abraçar fortemente minha filha adotiva. Sentia-me impelida para ela, mas não conseguia mover-me porque ela estava em outro lugar. Ao mesmo tempo, senti o toque leve de meu marido, o que me tranquilizou muito. Depois percebi que minha filha adotiva encontrara realmente sua mãe natural e ficara feliz. Eu também fiquei feliz por isso.

Hellinger: E o pai adotivo?

Pai Adotivo: É gratificante notar que alguma coisa se encaixou. Isso me toca profundamente. Também sinto algo que não está claro pelo pai de Leslie. É como se eu carregasse um peso, uma responsabilidade que não me cabe.

Hellinger: E a mãe, como se sente agora?

Mãe: Muito bem.

Hellinger (para Leslie, que se desprendeu da mãe): Olhe para ela e diga-lhe: “Recebo-a como minha mãe.”

Leslie: Recebo-a como minha mãe. (Mãe e filha se abraçam de novo, com naturalidade e simplicidade.)

Hellinger (para a mãe): Agora você pode tomar-lhe a mão e entregá-la aos pais adotivos. Incline-se diante deles da maneira que achar correta e diga-lhes: “Obrigada.”

Mãe (fazendo profunda reverência): Obrigada.

Hellinger: “Obrigada por cuidarem de minha filha.”

Mãe: Obrigada por cuidarem de minha filha.

Hellinger: “E por lhe darem o que ela necessitava.”

Mãe: E por lhe darem o que ela necessitava.

Hellinger: “Aprecio-os muito por fazerem isso.”

Mãe: Aprecio-os muito por fazerem isso.

Hellinger (para Leslie): Como se sente?

Leslie: Maravilhosa. Eles realmente me deram muita coisa.

Hellinger: Olhe para eles e diga-lhes “Obrigada” também.

Leslie (fazendo espontaneamente uma profunda reverência diante dos pais adotivos) :Obrigada.

Hellinger (para a mãe adotiva): E quanto a você?

Mãe Adotiva: Sinto-me bem. Mas ainda desejo tomar minha filha adotiva nos braços e apertá-la contra mim.

Hellinger: Não vejo nenhum obstáculo a isso. (Leslie e a mãe adotiva se abraçam ternamente. Em seguida, Leslie abraça também o pai adotivo.)

Hellinger (para o pai, enquanto Leslie abraça o pai adotivo): Como está?

Pai: Não muito bem. Ainda sinto um peso tremendo nos ombros e aquele aperto no estômago. Não tenho ligação nenhuma com os outros.

Hellinger: Vire-se e encare-os. (Hellinger coloca Leslie perto da mãe adotiva e a mãe natural a certa distância, à esquerda.)

Hellinger (para Leslie): Olhe para o seu pai e tente dizer-lhe: “Recebo-o como meu pai.”

Leslie: Isso não parece correto.

Hellinger: É o primeiro passo. Tente. Olhe-o e diga-lhe “Recebo-o como meu pai.” (A mãe adotiva dá-lhe uma palmadinha nas costas para encorajá-la.)

Leslie (estancando as lágrimas enquanto o pai inclina a cabeça) : Recebo-o como meu pai.

Hellinger: “Por favor, abençoe-me como sua filha.”

Leslie: Por favor, abençoe-me.

Hellinger: Como se sente o pai? Pai: Gostaria de sair correndo daqui. Não posso ficar por mais tempo.

Hellinger (para Leslie): Tente repetir mais uma vez: “Recebo-o como meu pai.”

Leslie: Recebo-o como meu pai.

Hellinger: “E aprecio o que me deu.”

Leslie: E aprecio o que me deu.

Hellinger: “E amorosamente deixo-o seguir o seu caminho.”

Leslie: E amorosamente deixo-o seguir o seu caminho. (Leslie começa a chorar; o pai inclina a cabeça e chora também.)

Hellinger: Vá até ele. (Leslie aproxima-se do pai e ambos se abraçam. O pai soluça.)

Hellinger (ao pai): Respire profundamente, que a dor desaparecerá. Inspire e expire profundamente.

(Para Leslie): Como se sente com seu pai?

Leslie: Sinto-me como se devesse ser a mais forte aqui.

Hellinger: Sim, é isso mesmo. Volte para seu lugar, ao lado da mãe adotiva. (Ela se coloca ao lado da mãe adotiva e ambas se dão as mãos.)

Hellinger (para o pai): Pegue a mão da mãe de Leslie e dirijam-se para os pais adotivos. Fiquem diante deles.

(Para os pais biológicos): Façam-lhes uma reverência e agradeçam-lhes. (Eles se curvam com respeito e olham para os pais adotivos.)

Mãe: Obrigada.

Pai: Obrigado.

Hellinger: Como se sentem os pais adotivos?

Pai Adotivo: Para mim, melhorou. Posso aceitar a gratidão deles.

Mãe Adotiva: Sim, melhorou. Estou feliz por ter minha filha adotiva bem perto de mim.

Hellinger: E você, como está?

Leslie: Quero meus irmãos e irmãs.

Hellinger: Isso será o próximo passo. Poderá procurá-los, bem como a todos os outros membros de sua família: seus avós, por exemplo. Acha que sua mãe adotiva irá apoiá-la se fizer isso?

Leslie: Não completamente, mas tentará.

Hellinger (para a mãe adotiva) : Diga-lhe “Permito que faça isso.”

Mãe Adotiva: Permito que faça isso.

Hellinger: “E vou ajudá-la”

Mãe Adotiva: E vou ajudá-la.

Hellinger (para o grupo): Um filho não pode fazer uma coisa dessas sem permissão. Um filho precisa da permissão e do apoio dos pais adotivos. (Leslie e os representantes se sentam.)

Adoção – um olhar sobre o êxito ou o fracasso desta missão

Pai: o caminho para o mundo – Constelação Familiar de Bert Hellinger

Olhe para seu pai e perceba: há um convite na sua mão estendida. Pais nos levam para o mundo, apresentam oportunidades, complementam nossa coragem quando necessário. Nos fazem seguir em frente.

Pais são nosso símbolo máximo de autoridade, e talvez por isso, muito incompreendidos e julgados, para que possam nos prover de segurança e disciplina.

Nos permitem crescer, mesmo que para isso arrisquem o papel de heróis, que nós filhos, tão infantis no nosso amor, desejamos.

Pais são heróis, mas não pelos motivos que acreditamos. Em tudo que fazem há uma disposição para cuidar, prover e ajudar a crescer. São heróis por suportarem o limite que precisamos, mas não queremos enfrentar. Se aceitarmos, teremos o melhor ambiente para crescer. Se não, a vida o fará com menos carinho.

Um pai e uma mãe

Há, com certeza, algo especial em como um pai e uma mãe se complementam. Seus papéis podem variar, mas não existe um pai sem haver uma mãe e vice-versa. A concepção precisa destes dois papéis.

Enquanto a mãe alimenta, o pai cuida da segurança. Num primeiro momento, o trabalho mais pesado é da mãe. É de quem o filho mais precisa nos primeiros anos.

Mas o tempo passa, e garantida a sobrevivência dos primeiros anos, será o pai que guiará o filho para o mundo, para a descoberta, para o vôo.

Pais são nossos referenciais para o masculino. Para um filho homem, é onde ele encontra a força para ser o que seu papel permite. Através da vivência com o pai, um garoto cresce e vive o que há de mais poderoso no mundo masculino, e aos poucos vai encontrando sua identidade e suas possibilidades.

O mesmo ocorre com a filha mulher, com a diferença que após os primeiros anos com a mãe, a filha deve ir para o pai, aprender a caminhar no mundo e então, voltar para a mãe, onde ela deve tomar todo o feminino que precisa para seguir adiante.

Nos dois casos, o pai é essencial para o bom desenvolvimento dos filhos e para que o movimento deles para o mundo seja realizado com sucesso.

O Pai, por Bert Hellinger

(trecho adaptado do material da Hellinger LebenSchule)

Dentro do sistema familiar, o homem e a mulher têm prioridades iguais. Eles criam a família juntos, eles são equivalentes.

Em relação aos filhos, o homem e a mulher são igualmente grandes. Porém é dentro da mãe que começa a vida. Dentro dela somos concebidos, dentro dela nós crescemos. Ela é tudo pra nós, com ela experienciamos a unidade, até que nascemos.

O que então ainda resta ao pai?

Bert Hellinger diz:

“Somente na mão do pai a criança ganha um caminho para o mundo. As mães não podem fazê-lo. O amor dele não é cuidadoso nesta forma como é o amor da mãe. O Pai representa o espírito. Por isso o olhar do pai vai para a amplitude. Enquanto a mãe se move dentro de uma área limitada, o pai nos leva para além desses limites para uma amplitude diferente.”

Para ajudar a compreensão, descrevemos aqui uma imagem sugerida pela consteladora do Ipê Roxo, Maria Inês Araujo Garcia da Silva em um dos nossos cursos de formação. Ela disse:

“Para percebermos a diferença da forma como o pai e a mãe lidam com o filho basta imaginar um passeio com as crianças num parque, por exemplo. A mãe, preocupada e cuidadosa, a todo o tempo fala para o filho: ‘não suba na árvore’, ‘cuidado para não cair’, ‘não corra’… E sim, desta forma realiza com grande eficiência seu trabalho de cuidar dos filhos. O pai, ao contrário, ao chegar em um ambiente assim, verifica os possíveis riscos e se coloca de uma forma a preservar o filho longe deste lugar perigoso. Atento, o deixa livre para explorar.”

Essa liberdade é necessária para que o filho possa perceber o mundo, e mais tarde caminhar para a vida de forma completa.

Por isso o progresso vem principalmente do pai. Quando a mãe quer manter os filhos longe do pai, ela os mantém longe do progresso. O movimento vai através da mãe para o pai e através do pai para o mundo. Assim o filho fica completo.

E os pais que nos foram difíceis?

“Eu não consigo aceitá-lo.”

Não aceitar ao pai é não aceitar a sua realidade, o que já compõe você. Nós como filhos, temos dificuldades de encarar os pais como os seres humanos que são. Imaginamos e esperamos deles coisas que atravessam o limite do justo e possível.

O pai, dentro do sistema familiar, tem o papel da ordem, da rigidez e da autoridade. No mundo, temos uma dificuldade de compreensão com esse papeis. Quando este assunto entra em nossa casa, na figura de um homem do qual esperamos somente o amor idealizado na nossa mente, o conflito se instala.

Um bom caminho de volta aos braços do pai é ver o que verdadeiramente o move. O Amor escondido em atos de humanidade. É dar a ele o tamanho devido, não imaginário.

Hellinger nos instrui a deixar com os pais o que pertence ao destino deles, com tudo o que faz parte e tudo que faz falta. É necessário reconhecê-los como pessoas normais e comuns e que vieram de seus próprios emaranhamentos.

Aqui talvez valha olhar para si próprio e as dificuldades que não conseguimos resolver. Se estamos neste caminho de vida, em algum momento podemos nos tornar pai e mãe, e carregaremos para esta experiência o que nos compõe hoje, com todas as dores e amores. Nossos pais estiveram nesta mesma posição, por vezes influenciados por algo que não conseguiram escapar.

De uma coisa temos certeza: O filho que se alinha ao pai, idependente do destino que lhe coube, é mais apto e leve para seguir adiante. Com o tempo as peças se ajustam e o nosso caminhar prospera com ele no coração.

 

Carta de Bert Hellinger para seu pai

Como filhos, por vezes julgamos nosso pai como insuficiente, desejando coisas diferentes do que recebemos. Esse é um caminho duro para todo o sistema, onde todos sofrem e de certa forma, todos nós passamos por ele.

Por isso, colocamos abaixo a carta de Bert Hellilnger ao seu pai, onde ele fala que, como filho, já se colocou nesta posição de juiz do pai. Ao mesmo tempo, percebe o vazio que fica ao não ter seu pai no coração, e reconhece, como adulto, tudo o que não percebeu dos muitos presentes do seu pai durante a vida.

Identifique-se e leia com seu pai em mente, e sinta a alegria de reconhecer a gratidão que já está dentro de você, por vezes escondido por trás de algo interrompido. Filhos amam seus pais. E seus pais, como podemos ver todos os dias, estão completamente disponíveis para seus filhos, dentro do limite possível de cada um.

Querido papai,

Por muito tempo eu não soube o que me faltava mais intimamente.

Por muito tempo, querido papai, você foi expulso de meu coração.

Por muito tempo você foi um companheiro de caminho para quem eu não olhava, porque fixava meu olhar em algo maior, como me imaginava.

De repente, você voltou a mim, como de muito longe, porque minha mulher Sophie o invocou.

Ela viu você, e você me falou por meio dela.

Quando penso o quanto me coloquei muitas vezes acima de você, quanto medo também eu tinha de você, porque muitas vezes você me batia e me causava dores, e quão longe eu o expulsei de meu coração e tive de expulsá-lo, porque minha mãe se colocava entre nós; somente agora percebo como fiquei vazio e solitário, e como que separado da vida plena.

Porém, agora você voltou, como que de muito longe, para minha vida, de modo amoroso e com distanciamento, sem interferir em minha vida.

Agora começo a entender que foi por você que, dia a dia, nossa sobrevivência era assegurada sem que percebêssemos em nosso íntimo quanto amor você derramava sobre nós, sempre igual, sempre visando o nosso bem-estar e, não obstante, como que excluído de nossos corações.

Algumas vezes lhe dissemos como você foi um pai fantástico para nós?

Você foi cercado de solidão e, não obstante, permaneceu solícito e amoroso a serviço de nossa vida e de nosso futuro.

Nós tomávamos isso como algo natural, sem jamais honrar o que isso exigia de você.

Agora me vêm lágrimas, querido papai.

Eu me inclino diante de sua grandeza e tomo você em meu coração.

Tanto tempo você esteve como que excluído do meu coração.

Tão vazio ele estava sem você.

Também agora você permanece amigavelmente a uma certa distância de mim, sem esperar de mim algo que tire algo de sua grandeza e dignidade.

Você permanece o grande como meu pai, e tomo você e tudo que recebi de você, como seu filho querido.

Querido papai,

Seu Toni (assim eu era chamado em casa).”

Pai: o caminho para o mundo – Constelação Familiar de Bert Hellinger

17 fundamentos que lhe ajudarão a compreender a Constelação Familiar Sistêmica de Bert Hellinger

A Constelação Sistêmica tem entrado cada vez mais na vida das pessoas. Em todo o mundo, o método percebido por Bert Hellinger tem auxiliado na busca de uma vida mais leve e mais significativa de pessoas que buscam ajuda nesta filosofia.

Mesmo com este crescimento, ainda é novidade para muitas pessoas do que se trata a Constelação Familiar Sistêmica e o que faz parte deste movimento.

Pensando nisso, o Instituto Ipê Roxo reuniu os principais termos e explicações objetivas para ajudar na compreensão deste conhecimento por mais pessoas, para que dessa forma seja possível que esta nova postura chegue a todas as pessoas, pois é um trabalho que leva a vida adiante, que ajuda a melhorar e curar relacionamentos, que fortalece a pessoa em seu lugar dentro da família e de trabalho, que auxilia nas conciliações judiciais e também tem se mostrado como um grande apoio para o trabalho de médicos e profissionais da saúde quando o assunto é olhar e encontrar caminhos para curar e lidar melhor com as doenças.

A Constelação Familiar é um trabalho que tem ajudado milhares de pessoas em todo o mundo a transformarem suas vidas.


1.Constelação Sistêmica: É o nome dado ao método criado por Bert Hellinger para verificar dinâmicas que ocorrem dentro de um sistema. Por sistema compreende-se tudo aquilo formado por mais de uma pessoa e que se influenciam mutuamente. A Constelação Sistêmica é o nome geral que inclui Constelação Familiar, Direito Sistêmico, Saúde Sistêmica, Pedagogia Sistêmica, Constelação Organizacional, etc.


2.Direito Sistêmico: É o nome dado para a utilização da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger no Judiciário. Muito utilizado na fase conciliatória, onde é possível reverter a ação em um acordo, encerrando o processo.

 


3.Saúde Sistêmica: É o nome dado para a utilização da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger na área da saúde, com a utilização desta ferramenta para observar as conexões ocultas e inconscientes de um problema de saúde ou de um sintoma em uma pessoa.

 


4.Pedagogia Sistêmica: É o nome dado para a utilização da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger na área da educação. Consiste principalmente na postura do educador alinhado com os preceitos de Hellinger de respeito aos pais e respeito à história familiar do aluno. Resgata a força do aluno através do seu sistema familiar.

 


5.Constelação Organizacional:  É o nome dado para a utilização da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger na área da Administração de Empresas. Pode ser utilizado para verificar dificuldades com o andamento da empresa, atrito entre equipes e até mesmo no planejamento de novas estratégias.

 


6.Constelação Familiar: É a aplicação da Constelação Sistêmica de Bert Hellinger em casos familiares e pessoais,  onde é possível olhar as 3 leis da vida e como elas impactam o nosso viver. É numa constelação familiar que se observa as dinâmicas difíceis que agem em nossa vida, e desta forma, assumir nosso lugar correto e de força para caminhar adiante.


7.Bert Hellinger: É o psicoterapeuta alemão que descobriu a Constelação Familiar a mais de 40 anos. Através de suas experiências e estudos ligados à psicologia e sistemas familiares, ele observou que é possível ver as dinâmicas que atuam em um determinado sistema através da utilização de representantes e atribuição de papel para cada participante. Através dos movimentos e sensações corporais que estas pessoas acessam ao participar de um atendimento, é possível observar o que age em uma determinada questão.


8.Representantes: Numa constelação em grupo, o cliente conta com a ajuda dos representantes na constelação do seu tema. Representantes são todos aqueles que estão disponíveis para entrar na colocação familiar do cliente que está constelando, somente durante o atendimento. Numa constelação individual (somente o terapeuta e o cliente) são utilizados figuras e bonecos como representantes.


9.Campo: Chamamos de campo o lugar onde se realiza o atendimento em constelação. As vezes delimitado por um tapete, o arranjo das cadeiras ou o espaço físico onde o encontro ocorre. Muitas vezes é chamado também de campo de informação, pois o que é trabalhado na Constelação provêm desse lugar.

 


10.Workshop de Constelação: É o atendimento da Constelação Sistêmica na prática. Um grupo de clientes se forma, com temas e representantes, facilitados por um Constelador.

 

 


11.Sistema Familiar: São todos aqueles que fazem parte da sua família. Você, seus irmãos, seus pais, seus avós, seus bisavós e assim por diante. Toda essa rede de pessoas antes e depois de você compõe o seu sistema familiar.

 

 


12.As 3 leis da vida: Foram descobertas por Bert Hellinger 3 leis universais que agem sobre todos os sistemas: a lei da ordem, do equilíbrio e do pertencimento. Elas agem mesmo quando desconhecemos sua existência e seu conteúdo.


13.Emaranhamentos: São fatos difíceis e por vezes não resolvidos de nossa história familiar. Quando algo acontece e não é completamente processado dentro de um sistema, há a possibilidade de que outra pessoa dessa família reviva a situação de forma a trazer para um movimento de solução. Essa identificação geralmente ocorre de forma inconsciente, o que ocasiona dificuldades para a pessoa que revive o problema e para todo o sistema.


14.Tomar: A constelação traz a importância de tomar o que flui da nossa rede familiar, como os pais, por exemplo. Tomar aqui significa aceitar tudo o que compõe a história familiar, com as dificuldades e os recursos que estão contidos nela. O tomar é ativo, parte de uma decisão tomada por nós.

 


15.Amar à beira do precipício: Por amor ao nosso sistema, muitas vezes repetimos dificuldades e histórias de nossa família. Isso acontece em um tentativa inconsciente de reviver e resolver o problema de outros integrantes de nosso sistema. Esse amor infantil, que não percebe a diferença entre “eu” e o “outro”, muitas vezes nos coloca em perigo pela simples identificação do amor.

 


16.Aceitação: A aceitação consiste em ver a realidade e lidar com ela. Aquele que aceita abre mão do jogo do “e se” e vive em linha com o que acontece e é concreto. Não haveriam outras possibilidades diferentes daquelas que realmente aconteceram.

 

 


17.Honrar: A honra a outras pessoas do sistema está em reconhecer o papel de cada um para que a vida fosse passada adiante. Respeitosamente nos curvamos, mostrando nosso tamanho menor e agradecimento ante aquele que nos precedeu.

 

 

 

17 fundamentos que lhe ajudarão a compreender a Constelação Familiar Sistêmica de Bert Hellinger

O amor por nossos pais não conhece limites

pai e filho bebê - FBSomos concebidos, gerados e cuidados por nossos pais, e desde sempre, nos vinculamos a eles com total amor e fidelidade. Por vezes, no nosso crescimento, nos desprendemos destes sentimentos na superfície, com rompantes de raiva e acusações, mas por dentro somos influenciados e submetidos por esse amor ao campo familiar. Esta dualidade, que vem da incompreensão do nosso verdadeiro afeto e de nossas dificuldades, é a causa de muitos dos problemas sistêmicos que enfrentamos em nossa vida.

Viemos a este mundo pelas portas da infância, e como crianças, aprendemos a amar. Amamos nossos pais, nossos irmãos, reconhecemos todos aqueles que pertencem ao nosso sistema. Primos, tios, avós. Sabemos claramente onde é o nosso lugar, e choramos, angustiados, quando percebemos que não estamos com aqueles que nos protegem, nos amam e nos cuidam.

Na experiência da criança, tudo é intenso. Crianças amam sem limites, na sua mais pura capacidade. Se sentem completas quando recebem o afeto que procuram. Na mesma medida, sofrem intensamente quando imaginam que por algum motivo, não estão recebendo o afeto e a atenção que mereceriam.

Aos pais, cabe a conversa que auxilia a criança a amadurecer, a “ver” e sentir seus sentimentos dentro da realidade.

Eles ajudam a decodificar simbolismos dos relacionamentos que as crianças ainda não estão prontas a traduzir sozinhas, e aos poucos, caminhar para a vida jovem e posteriormente para a vida adulta.

Muitos de nós fazemos esse caminho de forma incerta, amadurecendo em alguns pontos mas ainda “carregando” algumas crianças para sua vida adulta.

Essas crianças, que estão dentro de nós e que não amadurecem, por qualquer razão que seja, continuam amando à beira do precipício. São essas crianças internas, que querem ajuda para amadurecer, que nos trazem dificuldades na vida adulta.

O Amor por nosso sistema familiar

Então, se carregamos algumas crianças internas, muitas vezes assumimos posturas infantis, sem conexão com a realidade. É possível que nossa criança se veja como o herói salvador, como conciliador dos pais, como a cura para o luto dos avós pela perda de um filho, ou até mesmo ligado a histórias mais difíceis do passado do sistema familiar.

Nossa criança, tão pequena, carrega o nosso corpo de adulto para dentro das histórias difíceis da nossa família, desesperadamente buscando soluções para que o equilíbrio volte a reinar.

Nesse caminho, de ajudar os outros, “por amor”, nos esquecemos de nós e da nossa responsabilidade com a nossa vida e com o que nos pertence. Nossa criança quer primeiro garantir a felicidade do pais à sua própria sobrevivência. Nossa criança não reconhece os limites entre os indivíduos. “Se meus pais estão infelizes, eu estou infeliz, afinal, eu sou meus pais“.

E na medida que compra batalhas que não pode vencer, esquece das lutas que obrigatoriamente precisa lutar. Nossa criança se entrosa nos problemas dos pais, dos irmãos, dos tios, de antepassados, mas não se envolve com seu próprios problemas. E quando se dá conta, culpa a todos por sua distração.

Mas há uma boa notícia: essa criança quer crescer e se desenvolver.

O amor se transforma

Andamos com nossa criança pra cima e pra baixo. Ela está lá, esperando a nossa mão estendida convidando para o amadurecimento. Olhamos pra ela com carinho, percebendo o quanto do amor que ela guarda dentro de si, especialmente em relação aos pais. Reconhecemos o amor que por vezes a faz adoecer, por não saber como direcionar de forma mais produtiva o que está dentro de si.

Então convidamos a criança a olhar os pais de seu lugar correto. Levamos ela ao chão, com os joelhos dobrados e olhando pra cima. Vemos os pais grandes, robustos, imponentes. E a criança aprende que aquele lugar é muito bom, muito confortável, e que seu amor está seguro ali. Ela olha por instantes, os traz para dentro do seu coração e percebe que dali eles não vão para lugar nenhum, estarão sempre presentes, juntos. Não há mais medo de perdê-los, seria impossível.

E assim a criança, já um pouco mais madura, percebe que há outros lugares para se olhar. Há vida acontecendo a sua volta. Seu horizonte se amplia.

Não está acostumada com a liberdade do olhar, as vezes checa novamente o coração pra ver se está todo mundo ali, e então segue viagem. Crescendo, aprendendo, amando, do seu lugar. Não é mais necessário ser herói, consegue ver claramente o que é seu e o que é do outro. E por respeito, não invade mais o lugar de ninguém.

Como uma pessoa adulta, honra seu pais, garantido que a vida que chegou até a si não seja em vão. Se antes amava como uma criança, hoje só retorna esse papel quando volta à casa dos pais e pede um colo, que eles alegremente concedem. Mas ainda assim, o amor evoluiu, e agora ele observa o todo. Amadurecido, esse adulto agora vê que tomar partido é desnecessário. Não há inocentes ou culpados.

O que existe é a vida que corre, com suas mais variadas solicitações. Julgamos elas boas ou más, mas uma breve análise faz perceber que o julgamento de valor não faz parte dos planos da vida. Não é algo intrínseco de nossas ações. Ela muda conforme o tempo, os valores sociais, as situações.

Novamente, aceitamos o que é nosso. Aos pais cabem ser pais. Aos filhos cabem ser filhos. Nos recolhemos a nós mesmo e nos responsabilizamos por nossa vida. Saímos do colo dos nossos pais (esse poderoso fortificador) e os guardamos novamente no coração. A porta da casa está aberta e nos convida a uma viagem mundo afora, e nós, como bons adultos, aceitamos o passeio.

Caso Concreto – A Constelação de uma filha em busca da salvação do Pai.

C.L.S, médica cirurgiã cardíaca, talentosa, reconhecida pelo excelente trabalho até seus 44 anos. Mão firme, hábil em todas suas inúmeras cirurgias. Nunca apresentou nem o clássico tremor essencial nas mãos, tão comum em algumas pessoas.

Desde adolescente sentia-se atraída pela medicina. Entusiasmada, com simpatia do pai e de sua família. Final do 2014, C.L.S. com angústia profunda e um tremor incontrolável nas mãos procura ajuda. Não compreendia de onde vinha tanto tremor. C.L.S traziam em si o tremor da morte.

Perguntada sobre quem havia morrido em sua família, C.L.S. emociona-se muito e em lágrimas, conta sobre a morte de seu Pai.

Aos 14 anos seu Pai sofre de complicações cardíacas, vindo a falecer em seus braços.

Na época, a dor transpassou-lhe a alma, deixando-a por anos uma sensação de culpa. Sua vida pessoal ficou totalmente comprometida por uma dedicação extrema à medicina. Sempre aspirou mais da medicina, mas, seus sonhos foram postergados por seu esmero às famílias atendidas. Seu trabalho era uma espécie de compensação à culpa que tomou sua alma por não ter podido salvar a vida de seu Pai. Uma frase a acompanhou por anos: – Faço com tantas famílias o que não fui capaz de fazer pelo meu pai.

Um remorso misturado com uma culpa deixou C.L.S. anestesiada. Fechada em sua dor, e para não mais senti-la, deixou de lado esse assunto. Orientou sua vida a missão de salvar as pessoas com doenças cardíacas.

Com emoção comenta o significado de salvar um pai de família.

Nunca mais olhou para a morte do seu próprio pai.

O tremor que tomou conta de suas mãos levou C.L.S. a olhar para a morte de seu pai depois de tantos anos. Perguntada a idade da morte do Pai, para sua surpresa, ele tinha exatamente 44 anos. Que constatação de cura!!!

Convidada a olhar e respeitar o destino do pai, olha também para sua própria morte. Percebeu então, o tanto que sua morte se encontrava distante dela. Pode perceber também durante sua constelação, toda sua rejeição a esse destino difícil, à morte de um pai, ainda tão jovem.

Olhando para ele e sua morte, C.L.S. pode reverenciar e simultaneamente olhar para sua vida e sonhos secretamente guardados em seu coração desde o tempo da graduação.

Reverenciou o destino do Pai, reconciliou-se internamente com sua dor, permitindo-se agora sim, seguir seu próprio caminho em honra ao seu Pai.

A partir de uma única constelação, sua vida passou por uma grande transformação. Na semana seguinte já não havia mais tremor e decidiu cuidar de sua felicidade. Pediu licença de um ano de seu trabalho, onde atuava diariamente doze horas. Dedicou-se ao inglês profissional, preparo imprescindível para pós nos USA, seguiu seu caminho, o de seus sonhos e projetos.

Lembrou-se da frase: ‘Conhecimento é chave para o poder’! C.L.S. conclui seu depoimento afirmando que se sente mais autónoma nos USA, bem integrada ao povo que lhe recebeu, bem ajustada a culinária e a cultura. Encontrou pessoas que almejam as mesmas coisas que ela, muita afinidade e sintonia. Aquela médica totalmente fechada, casada com a medicina, atualmente encontra-se aberta e sensibilizada as todas estas revelações.

Afirma que aos 44 anos, o tremor em suas mãos, fez com que ela pudesse conhecer sua gente, seu jeito, a forma de se alimentar, enfim o povo que traz em si a mesma alma que tem. Encontrou o que por tantos anos estava procurando.

 

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O papel dos pais no sucesso dos filhos

( … )
 Pode-se imaginar que o caminho passa por investimentos em educação, aprimoramento intelectual e cursos que desenvolvam as capacidades que, no futuro, irão levar a criança para uma situação de sucesso.

Claro, tudo isso também faz parte.

Mas será que é só disso que nossos filhos realmente precisam?

Será que boas escolas e idiomas são o suficiente?

Nós vamos lhe mostrar que realmente não são estas as necessidades essenciais.

Bert Hellinger, o psicoterapeuta alemão criador das Constelações Sistêmicas trás um dado interessante e por vezes provocador: o mais importante e determinante para o sucesso dos nossos filhos está contido em uma simples palavra: vínculo.

O vínculo 

Este vínculo age sobre a criança e o adolescente de forma poderosa.

Este amor que sustenta este vínculo, por vezes coloca a criança a assumir, inconscientemente, as dificuldades, sofrimentos e dores dos pais.

“As crianças de qualquer idade são como esponjas. Absorvem tudo o que o ambiente oferece e mostram, através do corpo, aquilo que está oculto.” (Dra. Jaqueline Cássia de Oliveira)

Ao perceber os pais infelizes (ou mesmo outros membros de seu sistema familiar) a criança se sente motivada a fazer algo para “resolver” o problema, sem perceber que é incapaz de fazer algo com um problema que não é seu. Dessa forma, se enreda em situações que trazem dificuldades para sua vida e seu desenvolvimento.

O problema neste movimento é que a criança não possui ferramentas nem condições emocionais para lidar com um problema que não é seu. Dessa forma, é como se decidisse encontrar o caminho para casa dentro de uma mata fechada. As chances de se perder ou encontrar perigos que causem dor são muito grandes. É um grande risco para seu desenvolvimento.

Estes riscos, quando acontecem, impactam a longa linha de desenvolvimento de uma criança, e por muito tempo. Por isso, é importante que os pais permaneçam no seu lugar: uma autoridade que guia, cuida, protege e acompanha os filhos em seus movimentos.

“Por amor cego ao meu sistema familiar me mantenho repetindo a mesma história. Por este amor infantil, sigo sem ver a vida que tenho adiante… Por ele fracasso e adoeço, porque embora caminhe com meus pés, sempre ando para trás!”

Luiz Rodrigues

Do mesmo modo, quando um pai e uma mãe se curam, eles introduzem no sistema o processo de cura de todos aqueles impactados por seu problema.

Através da cura de um pai ou uma mãe, todo o sistema familiar proveniente deles se transforma.

O vínculo com a Mãe

Nosso nascimento e o contato com nossa mãe são nossas primeiras experiências de sucesso na vida. Através do nascimento, da amamentação e do inicio do seu desenvolvimento, a criança experimenta muitos sucessos guiada pela mão da mãe.

A mãe, como uma primeira e importante companheira de desenvolvimento da criança, precisa estar ciente das suas dificuldades e a forma como comunica estas aos filhos, de forma a não colocá-los na situação onde eles se sintam com responsabilidade de fazer algo.

educando nossos filhos constelacao familiar garlet maria ines araujo (41)

 O vinculo com o Pai

O pai representa a coragem de sair diariamente para o mundo, de conquistar e prover. Através do pai podemos tomar a força de lutar pela nossa vida e nossa sobrevivência. Esta força, de ver e perceber oportunidades, de cuidar e fazer crescer recursos, flui dos pais para os filhos de forma livre quando o vínculo está estabelecido e sadio.

Um filho com dificuldades com o pai sentirá também dificuldades em lidar com os desafios quando se lança no mundo e, principalmente, terá dificuldades em atingir o sucesso no caminho que quiser trilhar.

Assim como acontece no vínculo com a mãe, a relação entre pai e filhos e filhas possui uma poderosa força de simbiose, principalmente nos primeiros anos.

Dessa forma, as dificuldades que atingem o pai e não são decodificadas para a criança de forma correta, podem fazê-la sentir a necessidade de “resolver” os problemas do pai, aplacando dessa forma seu sofrimento (dela e do pai).

O vínculo entre os Pais

A criança, nos seus primeiros anos e por boa parte da sua infância, pouco separa o que é seu e o que é de seus pais. Para ela, os três são o mesmo indivíduo, tal é a simbiose de sua vida com a de seus pais. Simbiose essa que é vital para sua sobrevivência.

Dessa forma, o relacionamento do casal influencia também a criança. Quando os pais se respeitam, mesmo quando não concordam com algo, a criança permanece em seu lugar e segura do amor dos pais por ela.

Se o pai ou a mãe não conseguem respeitar-se, a criança sente aquele desrespeito “direcionado” para si. E nesse lugar, através da lealdade que sente para com seus pais, começam a surgir as dificuldades de desenvolvimento.

Um pai desrespeitado ou uma mãe desrespeitada precisam ser protegidos, pensa a criança. Proteção esta que ela não é capaz de oferecer, mas que seu corpo e seu instinto a impele a tentar. Então, aos poucos, ela sai do lugar de criança, e entra num espaço onde seu desenvolvimento corre risco.

Os pais, ao se sentirem fortes e centrados no seu papel, reconhecem que sempre haverá um ponto de amor e respeito no seu relacionamento, mesmo que este tenha problemas, ou esteja próximo do fim.

O filho é a prova máxima do amor que os pais sentem ou que sentiram um dia. Ao integrarem esse sentimento, percebem a importância do respeito ao outro, pois isto indica também respeito ao filho, pois toda criança tem dentro de si e do seu coração, os seus pais.

Dessa forma, o filho encontra o espaço para se desenvolver de forma saudável e os pais se tornam a força para ele caminhar para o sucesso.

……..

texto integral em:

O papel dos pais no sucesso dos filhos

7 orientações para melhorar a comunicação com seus filhos

 Os desafios da comunicação e suas influências no relacionamento com os filhos

Texto de Maria Inês Araujo e Ana Cristina Garlet.

Sabemos que as dificuldades na comunicação é um dos principais fatores de fracasso nos relacionamentos, sobretudo entre os casais.

E porque isso acontece?

Vejamos um exemplo bem comum:

A forma como me comunico, é a forma que aprendi e exercitei em minha família de origem durante toda minha vida. Então, naturalmente, eu sinto que essa forma como me comunico é a correta para mim.

Quando me caso com alguém que vem de outra família e com outros valores, esta pessoa vai se comunicar de forma diferente (pois a diferença é um dos atributos que atrai os casais) e, muitas vezes entendo isto como incorreto, aí já se inicia a “não-escuta” e o “afastamento” que fere, viola e muitas vezes impossibilita a relação.

Se um ou ambos os cônjuges não se encontra disponível a ver, escutar e sentir o outro em sua singularidade, desafiando-se a aceitá-lo tal qual é, o casal passa a construir barreiras ao invés de pontes para se comunicar.

EM 35 ANOS, OS 7 APRENDIZADOS MAIS IMPORTANTES

Nossa especialista Maria Inês Araújo Garcia Silva, que há mais de 35 anos trabalha com pais e filhos e já vivenciou muitos relacionamentos sendo reconstruídos através das mudanças na comunicação, elencou 7 aprendizados que podem ajudar a todos os pais e filhos a melhoraram a sua comunicação.

 

1. OS PADRÕES QUE APRENDEMOS

Temos padrões de escuta que aprendemos em nossa família, que elegemos como certos e se incorporam em nossa personalidade. Assim podemos assumir o padrão de escuta do:

  • O que “sabe tudo”
  • O salvador
  • O “resolve tudo”
  • O pacificador
  • O impaciente (já sei o que você vai falar!)

Será que assim estamos escutando realmente o outro? Com que intenção? Me sinto acolhido quando ele adota esta forma particular de escuta, como por exemplo achando que já sabe o que vou dizer?

O acolho quando interrompo achando já ter a solução?

Muitas vezes a solução não é o mais importante, mas saber que sou acolhido em minha dor, perceber que o outro dispõe amorosa e pacientemente de seu tempo para simplesmente me escutar, isto é essencial. Aqui vale diferenciar entre escutar e ouvir.

 

2. OUVIR E ESCUTAR SÃO A MESMA COISA?

“Somos todos tão diferentes principalmente porque
temos diferentes combinações de inteligências.
Se reconhecermos isso, acho que, pelo menos,
teremos melhores chances de lidar adequadamente
com os diversos problemas que enfrentamos no mundo.”

Howard Gardner

Ouvir é um ato físico – escutar é “perceber o outro”

  • Ouço o barulho das crianças, os ruídos ao lado, a música do caminhão de gás, etc.
  • Escutar é disponibilizar-se, entregar-se completamente; escutar é um puro ato de amor; é dar espaço para o outro falar sem interferência, esvaziando-se dos seus pensamentos, dos problemas e situações externas, pelo menos por este tempo, para receber completamente o outro.

Quando verdadeiramente escuto, eu não me coloco em primeiro lugar, eu dou o lugar ao outro, eu consigo escutar com amor, com o coração.

Escutar com o coração significa sair de si mesmo, abrindo-se para o outro, sem julgamento, análises ou impressões, aceitando e acolhendo-o para perceber as emoções, os sentimentos que estão fluindo naquele momento, estimulando-o a abrir o seu coração. É perguntar realmente querendo saber.

A boa comunicação entre o casal se dará na medida em que primeiro me disponho a:

  • Aceitar que viemos de sistemas familiares totalmente diferentes e o que faz sentido para mim, não o faz para ele e vice-versa.
  • Reconhecer que esta diferença é boa.
  • Esvaziar-me totalmente, para acolher o outro.
  • Renunciar ao “saber” que é válido em minha família para escutá-lo com o coração, com o assombro do novo.
  • Renunciar a qualquer intenção.
  • Ver o outro.
  • Expor-me ao outro.

Validando a fala de meu cônjuge, construo o respeito necessário para criar um espaço de confiança onde a comunicação possa fluir e ser ponte para a compreensão e crescimento.

 

3. COMO NOSSO JEITO DE COMUNICAR AFETA OS FILHOS?

Diretamente!

As crianças funcionam como antenas de nosso estado de espírito.

Como fazem parte dos dois sistemas familiares (do pai e da mãe) elas compreendem a linguagem dos dois e ficam confusos quando percebem que os pais não entendem-se entre si.

E o que elas fazem?

De forma inconsciente e movidas por um grande amor, elas se vêem muitas vezes tendo que interferir,  tornando-se mediadoras nas situações de conflito dos pais, o que, sem dúvida, sempre será um lugar perigoso para as crianças.

A linguagem clara, que comunica e gera resultados positivos, sempre será a linguagem do amor saudável. A linguagem do querer bem, da generosidade na escuta, da paciência e gratidão que se mostra nas diferenças.

Quando escutamos com o coração, queremos escutar para “aprender o outro”. Queremos falar para servir ao outro e não a nós mesmos.

Como falamos anteriormente, a criança aprende no nós, em nosso exemplo, muito mais no “como fazemos” do que naquilo que dizemos. Para que nossa comunicação com elas seja eficiente, devemos saber o que queremos dizer, devemos saber a importância em falarmos o que de verdade sentimos, assumindo conscientemente a responsabilidade que temos como pais: guiar, cuidar e amar nossos filhos. Sobretudo devemos escutá-los com o coração.

 

4. COMO POSSO ESCUTAR COM O CORAÇÃO?

Dicas para uma boa escuta:

  • Aceitar que não sei o outro, mas quero sabê-lo.
  • Estar disposta(o) a afastar-me de meu desejo de falar, resolver e entender para escutar..
  • Acolher o outro querendo saber.
  • Aceitar a percepção do outro como é.
  • Aceitar que o outro encontre suas próprias soluções.
  • Acolher a dúvida, o medo, a visão do outro com respeito.
  • Conceder tempo suficiente para que a comunicação se faça.
  • Falar na linguagem que o outro consiga entender.
  • Ser generoso para receber e dar informações, histórias, sentimentos.
  • Ser generoso com os sentimentos que surgem em mim quando escuto o outro,assim aprenderei um pouco mais sobre mim mesmo.
  • Observar as palavras que uso em minha comunicação, para que reflitam exatamente o que quero dizer.
  • Perceber se quero elevar o outro ou ferí-lo. Suas palavras te mostrarão o que está desejando. Atenção!

 “Não existe voz humana que não tenha música”

Fernando Pessoa

 

5. ATITUDES E ACONTECIMENTOS QUE FECHAM O CORAÇÃO

  • QUANDO GRITAMOS

Quando grito, o outro fecha a escuta. Grito,talvez porque:

– não me sinto compreendido e aceito;

– estou distante de seu coração ou ele está distante do meu coração;

– porque tenho medo de ferir meu pertencimento à minha família de origem e minha lealdade ignora quem está diante de mim, não me permite aceitar que simplesmente é diferente, não necessariamente errado.

  • OS RUÍDOS EXTERNOS

Sons, barulhos, conversas paralelas, uso de aparelhos eletrônicos durante a comunicação e movimentação excessiva: tudo isso são ruídos externos que  podem sim dificultar ou impossibilitar uma boa comunicação.

Mas até diante situações aparentemente incontornáveis, se me disponho verdadeiramente a me comunicar, crio estratégias para me fazer entender. Integrar mentalmente estes ruídos, “como se” fizessem parte, ajuda neste processo. Muitas vezes não é necessariamente o barulho externo que atrapalha, mas nossos ruídos internos.

  • OS RUÍDOS INTERNOS

Nossas preocupações, nossas intenções, nossa disponibilidade genuína para ouvir querendo escutar e falar querendo servir.”Minha atenção está onde está meu coração”.

  • QUANDO FICAMOS SÓ NO NOSSO PADRÃO DE ESCUTA

Quando ao dialogar o que faço? Tenho o outro em vista ou estabeleço um monólogo interno, como se já tivesse todas as respostas? Meu padrão de escuta me toma e passo a buscar soluções quando não me é solicitado? Investigo detalhes que não me são concedidos para que controle a situação,ou mesmo atropelo o outro antecipando suas palavras como se já soubesse o que iria me falar?

Estes padrões que desenvolvemos  ao longo da vida, principalmente em nossa família, podem de fato obstaculizar a verdadeira comunicação.

  • QUANDO JULGAMOS

Ao adotar a postura de julgar o outro em suas ações, valores, percepções, invalidamos sua história pessoal. Ao considerar a própria visão e percepção da situação através da nossa ótica, como a única possível , limita, exclui e fecha a comunicação, pois comunicação pressupõe a interação com o outro, com a diferença, para que o novo se faça.

Quando julgo, talvez por não poder encarar meus próprios limites,me coloco acima do outro e desta forma não o vejo em sua dor, fragilidade e até mesmo força, pois sinto medo. Isso me afasta e impede a escuta, e da lição que preciso aprender.

  • QUANDO ESPERO ALGO DO OUTRO

Ao me expor a alguém com expectativas, de fato não o alcanço, pois estou me relacionando com minhas próprias imagens internas, com meu conceito idealizado e com isso perco de vista a riqueza que reside na subjetividade e singularidade do outro.

Da mesma forma, quando para me comunicar crio expectativas sobre mim mesmo, como se tivesse que preencher a expectativa do outro, ter todas as respostas, fracasso. Perco a oportunidade de crescer e me desenvolver com o meu “não saber”, pois só a ignorância me leva ao conhecimento.

 

6. A COMUNICAÇÃO DOS FILHOS

E os filhos? Como se comunicam?

As crianças perguntam querendo saber… olham querendo ver…falam querendo mostrar…sua ignorância, seu desejo, sua percepção, sua compreensão.

Estão totalmente abertos a aprender, com sua saudável curiosidade, com suas dúvidas, com suas associações puras denunciando muitas vezes o que nós pais teimamos em não querer ver.

 

7. COMO OS FILHOS DESENVOLVEM A VISÃO DO MUNDO?

Através da forma que nós pais lhes ensinamos!

Por exemplo, se diante uma pergunta tão simples,”mamãe, você está chorando?”, quando de fato está chorando e você responde, “Não, foi um cisco em meu olho”, você estará contribuindo para que esta criança não confie no que vê, percebe e sente.Provavelmente este padrão de “esconder” a informação é comum na dinâmica relacional e de comunicação de sua família e isto afetará a forma que esta criança perceberá o mundo.

 

“Dizer não é ensinar e Ouvir não é aprender.”

Bob Barkley

Não estou aqui dizendo que você deveria contar a razão de seu choro se não for para o conhecimento da criança. quero dizer que a verdade, promove saúde. Simplesmente poderia responder, “ sim mamãe está chorando…porque está triste pois a vovó morreu, mas estou assim porque gostava muito dela, mas aos poucos, essa tristeza passa e aí mamãe conseguirá lembrar-se dela com toda a alegria, pois a vovó era muito legal”. Ou, se não for para os ouvidos da criança, como questões referentes ao trabalho e sobretudo ao relacionamento do casal, diga simplesmente,” sim, mamãe está triste, mas não é nada com você e logo logo mamãe estará bem, pois sabe como resolver.”

Somos porto seguro para nossos filhos, portanto responsáveis por eles e a comunicação clara e amorosa, exercitada com discernimento e querer bem,  ampliará a saúde emocional, cognitiva e relacional de nossos filhos.

Coração de criança leva ao pé da letra o que você diz…Escolha com cuidado as palavras com as quais lhes apresentará o mundo.

Se digo diante do “ erro”:

  • Você não sabe nada! A criança duvidará de sua capacidade.
  • Você me irrita com tantas perguntas! Ela silenciará suas dúvidas, inibirá seu desejo em querer saber.
  • Você me dá muito trabalho, me cansa com sua agitação! Ela se sentirá sempre inadequada e insuficiente  diante do mundo.
  • Se diante do  “erro” digo…que bom, mais uma chance para aprendermos,ela aprenderá a não desistir!

Portanto, temos que estar conscientes que quando falamos, quando calamos, afetamos diretamente a forma da criança se ver e ao mundo.Que palavras escolho para direcioná-las, para presenteá-las? Com que palavras eu pai, eu mãe, reconheço o mundo? Nós escrevemos o enredo de nossas vidas, quando reconhecendo tudo que vivemos, de bom ou ruim, escolhemos o que deve permanecer e o que devemos renunciar.

Mãos à obra! Estamos sempre no início de um novo ciclo, de uma nova história para contar. Façamos isto com verdade e amor!

Que nossa comunicação seja música com muitos e variados tons que se harmonizam produzindo equilíbrio, alegria e gratidão.

 

Os 4 PILARES para a boa comunicação entre pais e filhos

Pilares fundamentados nas 3 leis básicas da vida, EQUILÍBRIO, ORDEM e PERTENCIMENTO (segundo Bert Hellinger)

1) Olhar e Ver

Eu vejo você e me exponho a você.

Esta postura contempla a Lei do Equilíbrio, que nos ensina que na medida em que recebo,  retribuo. Este equilíbrio gera respeito e amplia a possibilidade de uma boa comunicação.

Quando me disponho a de fato olhar o outro e o ver em sua alegria, dor, medo ou realização, força ou fragilidade, e na mesma medida me exponho, crio condições de continuidade e crescimento (da percepção sobre o outro como é e ) no relacionamento. Desta forma também permito que o outro se sinta percebido e pertencido à minha atenção, assim como eu à ele.

 

2) Ouvir e escutar

Eu escuto a você e me afasto do meu saber por um momento.

Pergunto de fato querendo saber.

Para que esta postura seja possível, devo respeitar a Lei da Ordem, que nos ensina que quem veio antes, tem prioridade sobre quem vem depois, portanto quando alguém fala comigo sobre algo que é dela, que ela está vivendo ou sentindo, eu escuto pois venho depois, ou seja, não sei sobre o que ela sente ou pensa, portanto silencio e a acolho em sua fala.

Somente depois, do meu lugar, daquele que nada sabe e chegou depois, falo, não querendo resolver, mas querendo saber, entender e na aceitação desta condição, a comunicação flui em respeito e assim permite a compreensão e talvez a resolução.

 

3) Fazer e Sentir

Eu sinto você e percebo como reajo a você.

Nossas ações tocam uns aos outros.

Quando faço algo ou você faz algo a mim, preciso permanecer atento para perceber como o que sinto me faz reagir. Se fico leve ou pesado, tenso ou aliviado, forte ou fraco.

Nesta postura consigo diferenciar melhor o que é meu e o que não é, ou seja, se estou ou não em meu lugar. Pois somente no meu lugar (ordem) cresço equilibradamente.

 

4) Estar presente

Esta postura reforça o sentimento de pertencimento.

Me mantenho atento tendo como prioridade você em seu momento, em sua fala, em suas expressões. Adio minha pressa, minhas tarefas, para me dedicar, mesmo que por poucos minutos, interiormente à você.

7 orientações para melhorar a comunicação com seus filhos