A estranha atração de algumas mulheres por homens que estão no fundo do poço.

Pare de agir como “recicladora” de homens problemáticos.

Amiga, ouvi seu áudio sobre o seu novo namorado e preferi respondê-lo aqui, olhando em seus olhos. Amiga, perdoe-me se minhas palavras vão fazer o seu entusiasmo despencar, mas acredito que amigos de verdade nos dizem o que sentem, ainda que isso possa gerar em nós algum desconforto.

Amiga, o que acontece contigo? Desde as primeiras paqueras, nos tempos de colégio, vejo tudo se repetindo em sua vida. Você sempre teve uma espécie de ímã para homens que estão, de alguma forma, no fundo do poço. Eu me lembro de todos eles. Um chegou em sua vida todo endividado, apesar de ter um excelente cargo público. E você o acolheu com toda a sua generosidade. Foram muitos anos de namoro em que você deixou de viajar porque ele não tinha condições de ir contigo e você não tinha condições de bancar a viagem dele, embora tivesse vontade. Você bem que cogitava viajar com alguma amiga, mas ele fazia chantagem emocional e você cedia sempre. E lá se foram muitas férias em casa, anulando-se por conta dele.

Mas o pior de tudo, amiga, foi o desfecho daquela história. Você conseguiu ajudá-lo a se livrar das dívidas, inclusive fazendo empréstimos em seu nome e, adivinha? Ele se deu conta, ao quitar a última dívida, que você não era a mulher ideal para ele. Deu-lhe um pé na traseira e arrumou outra rapidinho. E você ficou assistindo, de camarote, as postagens sobre as viagens dele nas redes sociais com outra à tiracolo. Puxa vida, amiga, você nunca conseguiu fazer uma viagem com ele. Amiga, você ficou mergulhada numa depressão terrível, por um longo período. Lembro do quanto você sangrou emocionalmente, ficou só pele e osso. Mas como sempre foi guerreira, acabou se reerguendo.

Levou-o ao psiquiatra, psicoterapeutas, igrejas, centros espíritas e tudo o que estava ao seu alcance. Deu certo, o cara ficou bom das emoções, saiu daquele humor moribundo e endireitou a vida financeira, afinal, você arcava com tudo sozinha para que ele se organizasse. E, outra vez, o terrível desfecho: o cara veio com aquele papo de que não queria uma relação séria porque ficou muitos anos casado e te deu tchau. A consideração contigo foi tanta que ele teve a coragem de terminar a relação pelo whattsapp. Ele foi embora, mas não te deixou sozinha, como companhias ficaram a depressão e as dívidas

. Ah, já ia me esquecendo, ele não queria uma relação séria contigo, mas com outra, sim. Está num amor roxo nas redes sociais.

E, agora, você me aparece com essa história de namorado novo? Mulher, você ainda nem se recuperou do baque do último tombo e já tá querendo outra sarna para se coçar? E o histórico desse rapaz é praticamente a cópia do anterior. Acorda, amiga, pare de se mutilar emocionalmente. Por que você não dá um tempo para você mesma? Você precisa se encontrar. Você precisa buscar a raiz desse interesse por homens que não tem nada a te oferecer e, para piorar, te deixam cada vez mais fragmentada. Por onde anda a sua autoestima, se é que ela existiu algum dia?

Que atração mórbida é essa por resgatar homens que estão no fundo do poço e que te viram as costas, tão logo conseguem andar com as próprias pernas? Tudo bem, eu sei que acontecem casos em que nos interessamos por alguém que, aparentemente, é sem futuro. Sei lá, acontece de surgir uma conexão tão forte ao ponto daquele que está bem optar por pagar o preço pelo “investimento”, e, pode, sim, ocorrerem finais felizes. As exceções existem, claro. Acontece que, contigo, isso virou uma regra. Você só se interessa por homens que já aparecem com uma faixa escrita com letras garrafais: “SOU UMA BARCA FURADA”!

Amiga, será que você não se sente merecedora de um homem que possa cuidar de você, ao invés de usá-la como muleta? Olha, vou te falar uma coisa: enquanto você não buscar entender o que existe por trás desse seu comportamento e encarar de frente, você vai continuar andando em círculos. Eles, os homens problemáticos, chegarão e sairão da sua vida como passageiros numa estação de metrô. Eu nunca te vi com um homem equilibrado, que te tratasse bem e que te valorizasse.

Só te vejo aos trancos e barrancos, chorosa, ressentida e machucada. Amiga, faça algo enquanto é tempo. Pare de tampar o sol com a peneira. Pare de agir como “recicladora” de homens problemáticos. Você não é um banco, tampouco uma clínica psiquiátrica. Você é uma mulher incrível, cheia de amor para dar e que, óbvio, merece ser amada de volta

.
Pronto, já disse o que pensava. Deixo bem claro aqui, amiga, que se quiser ir em busca de ajuda, estou aqui.

Imagem de capa: Shutterstock/Chepko Danil Vitalevich

Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.
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Quem escolhemos amar e por quê

Já ouviu aquela expressão «me apaixonei pela pessoa errada?». Bem, de fato isso pode acontecer. Afinal, o motivo pelo qual nos apaixonamos por alguém nem sempre é racional.

Por Irina Chesnova

Já ouviu aquela expressão «me apaixonei pela pessoa errada?». Bem, de fato isso pode acontecer. Afinal, o motivo pelo qual nos apaixonamos por alguém nem sempre é racional.

A terapeuta familiar Irina Chesnova tentou investigar quem nós escolhemos para amar e por quê. Nós, do Incrível.club, estamos de acordo com ela.
Aquela mesma imagem.

Às vezes é difícil explicar por que nos interessamos por determinada pessoa e nos sentimos atraídos por ela. Porque nossa escolha é instintiva e inconsciente. Cada um de nós guarda nas profundezas do nosso ser as imagens das pessoas que participaram de nossa criação e crescimento. São as imagens dos nossos pais e outros entes queridos que marcaram nossos destinos.

Nestas imagens, muitas vezes, realidade e fantasias infantis se misturam. No entanto, essas imagens são precisamente aquelas que associamos ao amor: da mesma maneira que entendíamos e recebíamos (ou não) esse sentimento durante nossa infância. E, se alguém que conhecemos ’encaixa’ naquela imagem, desperta em nós antigas lembranças sobre o primeiro relacionamento significativo, e já não podemos simplesmente deixar essa pessoa e tornar-nos indiferentes. Nos sentimos curiosos, emocionados, e em pouco tempo estamos apaixonados.

Traumas da infância.

Na psicologia se diz que a pessoa que escolhemos é ’o pai aperfeiçoado’. Quer dizer, de alguma forma essa pessoa se parece com nossos pais (por isso sabemos como agir com ela), e em alguns sentidos é totalmente diferente deles, até mesmo melhor do que eles.

Se, quando você era criança, faltava algo na relação com seus pais, você tentará preencher esse vazio e suprir essa carência no relacionamento amoroso (inconscientemente). Portanto, muitas vezes escolhemos aquelas pessoas que, ao nosso ver, nos ajudarão a curar traumas, realizar necessidades psicológicas, cumprir expectativas, esperanças, sonhos, e obter aquilo que faltou em nossa infância: amor, proteção, aprovação, admiração e até mesmo independência, importância própria e perfeição.

Um dado curioso: sentimos a pessoa escolhida como uma alma gêmea, que às vezes é parecida conosco e ao mesmo tempo diferente, nos ’completa’ por possuir qualidades que não temos tão desenvolvidas. Nos ’completamos’ mutuamente: seu parceiro é determinado e resistente, enquanto a você falta firmeza. O outro é racional e você, mais impulsivo. Um é reservado, e o outro, espontâneo. Um rígido, outro flexível.

Não lembro onde li esta afirmação genial: «As pessoas se unem como peças de quebra-cabeças: onde uma tem um protuberância, a outra tem um buraco».

As pessoas com personalidades distintas se complementam? De acordo com esta lógica, se eu sou manco da perna direita e você da esquerda, juntos podemos caminhar rapidamente e até correr. Por outro lado, o histórico de muitos casamentos mostra que a harmonia entre o casal é mais decorrente das similaridades entre os dois do que de suas diferenças. Destacamos três critérios fundamentais que deveriam estar presentes em ambas as partes de um casal.

O primeiro é o temperamento, seu calor ou frieza. Se uma pessoa se apaixona com intensidade, seu parceiro ideal deve ser igualmente intenso, não o contrário. Caso trate-se de uma pessoa mais fria, sua companhia perfeita deve ser a ’Rainha das Neves’.

O segundo é o nível de abertura. Até mesmo duas pessoas muito fechadas se entendem entre si muito melhor do que uma pessoa aberta com uma pessoa fechada.

O último é quanto ciúme existe em cada um. Os ciumentos se entendem muito bem. Sua relação pode ser muito atribulada, difícil, com altos e baixos, mas na verdade é mais duradoura e forte do que a relação entre uma pessoa ciumenta com outra que não tem ciúmes.

A união de duas pessoas que não são ciumentas também tem mais perspectiva do que as opções ’misturadas’. Nunca vi nenhum estudo que comprove de forma objetiva que pessoas diferentes se completam entre si.

Vadim Petrovsky, psicólogo, analista de relacionamento.

É como uma obra teatral: optamos por aqueles que conseguem desempenhar um papel em nosso espetáculo, com quem nos sintonizamos, quem sabe de cor o texto do seu papel e cujas funções complementem as nossas. Porém, assim como no teatro, a vida nem sempre é uma comédia romântica com final feliz. Às vezes é um melodrama, às vezes, uma tragédia. Tudo depende do cenário que estamos montando com nosso parceiro.

Descobrindo-se mutuamente.

A relação entre duas pessoas é um organismo vivo que evolui, e que às vezes adoece. Pode ser curado e pode morrer prematuramente. No começo de um relacionamento, com os efeitos dos sentimentos e emoções fortes, não enxergamos nenhum defeito em nosso companheiro. Para nós, aquela pessoa é perfeita. Na realidade nos apaixonamos por alguém que não conhecemos totalmente. E quando o véu cai diante dos nossos olhos, vemos uma pessoa viva que não se parece muito conosco, alguém que tem debilidades e fraquezas.

E aqui temos duas opções: nos separar, decepcionados e começar novamente a busca por um novo ideal ou aprender a dialogar, respeitar as diferenças, aceitar as imperfeições de ambos e admitir o direito que cada um tem de não ser perfeito. É muito importante que você não tente mudar o seu parceiro, que tenha em conta seus pontos fortes nos quais você pode se apoiar no decorrer da vida e que lhe atraíram um dia.

Não há nada mais valioso do que ver as qualidades do nosso companheiro que não existem em nós. Sobre esta base é possível formar uma relação na qual ambas as pessoas se apoiem mutuamente. E não acumular durante a vida rancores e reclamações, e sim maneiras de superar as dificuldades, belas lembranças, momentos de intimidade espiritual, alegria e amor.

O segredo de uma união boa e de sucesso é a comunicação, a interação confortável e segura (sem depreciação, manipulação ou chantagens), o desejo mútuo de buscar compromissos, a disposição para falar sobre aquilo que mais dói, não calar diante dos problemas, a capacidade de suportar os sentimentos negativos (tanto os próprios quanto os alheios), a habilidade de pedir, receber e apoiar, e também de rejeitar aquilo que não convém, respeitando o direito do seu parceiro a fazer o mesmo.

TEXTO ORIGINAL DE INCRÍVEL CLUB

https://www.psicologiasdobrasil.com.br/quem-escolhemos-amar-e-por-que/

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.

Oração do Amor Próprio

Por Meire Oliveira

Que eu saiba primeiro me encontrar, antes de me doar.

Que eu possa respeitar os meus próprios limites e aprender a dizer não quando essa é a minha real vontade e direção.

Nos erros que cometo, que eu possa me olhar com todo amor e compaixão, pois sei que faço e dou o meu melhor, que eu aprecie a autogratidão.

Em cada alegria celebro a grandeza de ser quem sou, sem querer ser uma imagem que pintaram de mim, esse tempo acabou.

Com carinho eu me cuido e me amparo a cada passo, a cada queda. Sei que minha força se refaz no meu tempo, e nele meu coração celebra.

Que eu não me critique ou me culpe, drenando assim minha própria energia. Que eu saiba respeitar o meu tempo de florescer a cada dor, que eu possa também me permitir a alegria.

Que antes de eu cuidar do outro, eu olhe para a minha vida, regue o meu jardim para que a doação não me deixe um buraco e eu me sinta depois dolorida.

Que eu não abandone a mim mesma, esperando que alguém venha me salvar, ao invés disso que eu saiba me olhar com amor e me curar.

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FONTEA Soma de Todos os Afetos

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Nunca se esqueça: relacionamento é consequência, não obrigação

Liberdade e amor caminham juntos. Não adianta fechar os olhos e acreditar em mentiras floreadas. A realidade está nua e crua diante dos nossos olhos: amor quando é cobrado, deixa de ser amor.

Por Pamela Camocardi em Conti Outra

Liberdade e amor caminham juntos. Não adianta fechar os olhos e acreditar em mentiras floreadas. A realidade está nua e crua diante dos nossos olhos: amor quando é cobrado, deixa de ser amor.

Relacionamento é troca. Você já decorou, comprovou na pele e entendeu às mais duras penas que histórias sem reciprocidades não são histórias, são ilusões criadas para suprir carências emocionais.

Desde muito cedo lidamos com sentimentos de frustações e de desencanto com maestria. Os pais que deixam de ser nossos heróis, os foras que levamos nas primeiras paixões e o amigo que trai nossa confiança, são apenas algumas das situações que precisamos lidar no início da vida como condição de amadurecimento emocional.

Nas relações amorosas a situação exige mais percepção. É preciso entender que uma relação nasce da consequência de sentimentos mútuos e não da obrigação de um encontro de sexta à noite.

Jantares nos finais de semana não garantem compromissos. Troca de telefones não representam reciprocidade e encontros esporádicos não significam relacionamentos sérios. Sejamos coerentes: o fato de alguém não querer um relacionamento sério depois de um primeiro encontro, não o torna cafajeste. Ela deixar claro que não está apaixonada, não a torna uma menina fútil. As pessoas têm o direito de querer (ou não) um relacionamento e isso é uma das coisas mais naturais do mundo.

Infelizmente, como as paixões para algumas pessoas são sinônimo de irracionalidade, a naturalidade do término de uma relação vira tortura psicológica. Para elas, todas as relações são respaldadas em um comportamento passional e, claro, o efeito disso é sempre catastrófico.

Para que uma relação dê certo, é preciso ter em mente que qualquer tipo de vínculo se cria na afetividade e sintonia dos envolvidos. Não dá para forçar a barra, nem tentar convencer o outro que namorar é a melhor opção da vida. A verdade é uma só: só sabe de amor que, primeiro, aprendeu a ser livre. “A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo”. (Fernando Pessoa).

Liberdade e amor caminham juntos. Não adianta fechar os olhos e acreditar em mentiras floreadas. A realidade está nua e crua diante dos nossos olhos: amor quando é cobrado, deixa de ser amor.

É preciso muito equilíbrio e muito amor próprio para entender que nem toda relação nasce para durar. Às vezes, a gente só precisa de alguém que goste das mesmas músicas, de risadas despretensiosas, de gente corajosa para chutar o balde conosco e só! Não é porque o coração bateu forte no primeiro encontro que o pedido de casamento virá no segundo.

Imagem de capa: Brooke Winters on Unsplash

É tão raro quem conversa; as pessoas só querem falar.

Em muitos momentos, precisaremos de alguém que nos ouça, que preste atenção em nossos sentimentos, que divida a dor que nos assola, apenas ali do lado, olhando-nos os olhos e acolhendo nossa alma quebrada.

Se prestarmos atenção, perceberemos que o costume de aguardar a vez para falar está desaparecendo entre muitas pessoas. Todo mundo quer falar, extravasar, opinar, mas poucos estão dispostos a ouvir e realmente escutar o que o outro tem a dizer. Não importa o quanto precisemos de alguém que nos ouça, raramente encontraremos quem consiga parar de pensar em si mesmo, para nos dispensar um mínimo de atenção.

E esse comportamento, infelizmente, acaba atrapalhando também a leitura de textos escritos. Se o que importa é tão somente a própria opinião, como conseguir ler um ponto de vista diferente e pensar sobre aquilo? Geralmente, as pessoas leem só o superficial, sem se aprofundar no que está subentendido, porque querem estar certas, querem ser as donas da razão, portanto, nada do que as contradiz é levado em conta.

Em muitos momentos, precisaremos de alguém que nos ouça, que preste atenção em nossos sentimentos, que divida a dor que nos assola, apenas ali do lado, olhando-nos os olhos e acolhendo nossa alma quebrada. Não será preciso falar nada, apenas escutar, entender, abraçar e ficar junto de fato. Alguém que não corte nossa fala, que não diga que também sofre, que não abra concorrência com a nossa dor – muitas pessoas sempre acham que sofrem mais do que qualquer um.

É como se quase ninguém mais conseguisse conversar, ou seja, trocar ideias, opiniões e pontos de vista de forma compartilhada, pois muita gente quer somente falar, impondo o que acha ser o certo e ponto final. Assim, tornam-se incapazes de se colocar no lugar de alguém e de refletir sobre a própria vida. Gente assim é incapaz de mudar, de perceber-se errada, de melhorar. Não conversam com pessoas, não interagem com textos, nem dialogam com o mundo, pois só o que existe é seu próprio mundinho.

Devemos, portanto, valorizar as pessoas com quem conseguimos conversar de fato, com quem chegamos a trocar ideias de forma saudável, quem nos escuta e nos acolhe, quando mais precisamos. É preciso que nos demoremos junto às pessoas que nos devolvem sentimento, porque, caso acumulemos pesos demais dentro de nós, dificilmente teremos a chance de seguir em busca de nossa felicidade. E isso ninguém merece.

Imagem de capa: Nathan Anderson on Unsplash

O perigo de não tratar as origens psicológicas das doenças

Por 

Entendendo as origens psicológicas das doenças

No início dos anos 1990, no Japão, foi reconhecido um distúrbio, a “lesão miocárdica por estresse, ou síndrome de Takotsubo (ST)”.

Nesse distúrbio observa-se, mediante exames de imagem, um tipo de “estrangulamento” da parte superior do coração, o qual toma a forma de um saco, apertado na parte superior e cheio na extremidade inferior, ou como um “vaso de polvo”, do qual deriva o nome japonês “Tako-tsubo”.

O distúrbio ocorre após um trauma ou um grande estresse emocional, como separações, perdas por morte, doenças graves de pessoas queridas e outros, nos quais a pessoa sente angústia extrema, e, devido a isso, é chamado também de “síndrome do coração partido”.

Os sintomas físicos são semelhantes ao do infarto agudo do miocárdio; podem ocorrer: forte dor torácica, dispneia, síncope e choque cardiogênico. Mas não são encontradas obstruções arteriais significativas, como poderiam ser encontradas num caso de infarto: normalmente, no infarto existe uma ou mais obstruções de artérias, que prejudicam seriamente o fluxo de sangue cardíaco, gerando danos severos ao coração, podendo levar a pessoa à morte.

Apesar da gravidade dos sintomas, a síndrome do coração partido é um distúrbio transitório, na qual o prognóstico é de recuperação total. Mas, isso mostra o quão poderosa e determinante é a mente para a nossa saúde ou na formação das doenças: através da influência da mente até mesmo a estrutura anatômica de um órgão pode ser dramaticamente alterada.

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Síndrome de takotsubo: a imagem mostra o coração estreitado em sua parte superior e “cheio” em sua parte inferior. Nessa síndrome a alteração anatômica do coração é ocasionada totalmente pela condição emocional da pessoa (Tara C Gangadhar, Elisabeth Von der Lohe, Stephen G Sawada and Paul R Helft/Wikimedia Commons)

A ciência ortodoxa reconhece, hoje, inúmeras doenças que têm bases emocionais, como a fibromialgia, a artrite, o lúpus, diversos tipos de alergias, a gastrite nervosa e as úlceras do aparelho digestivo, a síndrome do cólon irritável, enxaquecas, hipertensão, asma, rinite, vitiligo, psoríase, diversos tipos de câncer e muitas outras. Devido a isso, novas ciências como a psiconeuroimunologia e a psico-oncologia foram sendo desenvolvidas, de modo a possibilitarem a compreensão das relações entre as características psicológicas dos indivíduos e suas doenças orgânicas.

É claro que algumas doenças ou distúrbios orgânicos têm origens puramente físicas. Alguns tipos de gastrite são fruto da má alimentação e do alcoolismo, as doenças sexualmente transmissíveis ocorrem devido ao contato sexual, alguns tipos de câncer se desenvolvem após intoxicações severas – como sérias exposições à radiação -, o resfriado vem depois de uma exposição ao frio. Mas, mesmo nesses casos, podem haver conteúdos inconscientes nas mentes de algumas pessoas que as tornem mais vulneráveis do que outras a esses eventos.

“Trate a pessoa e não a doença”

De forma geral, uma parte considerável das doenças desenvolve-se devido às tendências psicológicas e/ou conflitos emocionais latentes, mas, infelizmente, na maior parte das vezes, os profissionais da saúde se atêm apenas aos sintomas físicos e aos distúrbios orgânicos observáveis, deixando as configurações emocionais do paciente totalmente de lado, não tratando da causa fundamental das doenças.

Isso faz perpetuar a inconsciência do indivíduo sobre as raízes psicológicas de suas doenças e permite a continuidade dos distúrbios orgânicos, que tendem a se tornar mais complexos e difíceis de tratar a cada supressão feita pelos medicamentos ou tratamentos paliativos. Como resultado, muitíssimas pessoas são prejudicadas pelo uso crônico dos medicamentos e/ou mutiladas por cirurgias desnecessárias.

Dr. Edward Bach (1886 – 1936), médico, patologista, bacteriologista e sanitarista inglês, que posteriormente descobriu e desenvolveu a terapia floral, compreendeu com clareza a relação entre o padrão mental dos indivíduos e o surgimento das doenças, e percebeu o erro de tratar somente os resultados físicos de uma pessoa doente:

“A tendência atual da ciência médica, por interpretar erroneamente a verdadeira doença e por fixar toda a atenção, com sua visão materialista, no corpo físico, tem aumentado sobremodo o poder da doença; em primeiro lugar, por desviar a atenção das pessoas da verdadeira origem da enfermidade e, portanto, da estratégia eficaz para combatê-la; em segundo, por localizá-la no corpo, obscurecendo, assim, a verdadeira esperança de recuperação e criando um enorme complexo de doença e medo, complexo que nunca deveria ter existido.” (Edward Bach – Os Remédios Florais do Dr. Bach. Ed. Pensamento)

A doença é o reflexo fiel dos conflitos e desarmonias da mente

“O corpo é uma espécie de sensor que acusa as atitudes inadequadas que persistimos em manter. Essas posturas desencadeiam a desarmonia interior, causando as doenças.” (Valcapelli & Gasparetto – Metafísica da Saúde. Vol I. Ed. Vida e Consciência)

O sintoma ou a doença física é o reflexo de como o indivíduo está reagindo à vida; é o “mapa” que mostra uma parte de seu estado psicológico em desarmonia.

Isso se dá porque todo distúrbio físico tem uma contraparte psicológica que lhe antecede e origina. Ou seja, existem condições mentais e/ou emocionais que mantêm continuamente funções orgânicas em estado desequilibrado ou que as prejudicam de algum modo. Isso porque todo e qualquer pensamento, sentimento ou emoção se expressa necessariamente através de nossas estruturas físicas. Não existe outra forma de expressão de nossos estados psicológicos no mundo físico que não seja através de nosso corpo.

“Cada sintoma é a expressão de uma ideia que penetrou [expressou-se] no corpo, sendo, portanto, um padrão que falta à consciência.” (Rudiger Dahlke. A doença como linguagem da alma. Ed. Cultrix)

Quando adoecemos, existe originalmente um processo de desarmonia em nossa consciência e em nossos sentimentos, que se expressam de forma caótica em nosso organismo. Os impulsos nervosos, as produções hormonais e os fluxos de energia física transmitem fielmente ao organismo cada estado psicológico nosso, alterando nossas funções orgânicas identicamente aos nossos estados psicológicos.

Por exemplo, uma pessoa deprimida sente um profundo desânimo, uma profunda tristeza, ela mantém cronicamente dentro de si uma visão pesada, pessimista e até apática sobre a vida e o futuro – além de estar sempre num estado de choro ou de lamentação dentro de si mesma. Seu estado psicológico interior é o de “largar a si mesma”, de desistir da vida. Em pouco tempo começam a surgir os sintomas físicos, que podem ser: perda do apetite, corpo pesado e falta de vitalidade, hipotireoidismo, aperto e peso no peito, resfriado crônico, deficiência circulatória e outros.

Uma outro exemplo pode ser o de uma pessoa que está prestes a perder uma pessoa muito amada por doença grave: ela pode sentir uma angústia profunda, ansiedade crônica e desespero. Depois de um tempo surgem os sintomas físicos: taquicardia, aperto no peito, hipertensão, insônia severa, boca seca, tensões musculares, distúrbios intestinais e outros.

A pergunta é: devemos tratar as condições psicológicas dessas pessoas ou apenas tratar seus sintomas físicos diretamente? A resposta agora nos parece óbvia: tratemos de suas condições emocionais e conjuntamente apoiemos a melhora de seus sintomas físicos com alguns tratamentos.

Porém, quando essas pessoas vão aos profissionais da saúde, buscando tratamentos para seus desconfotos e distúrbios, invariavelmente seus estados psicológicos não são abordados ou questionados: raramente existe um profissional atento, que considere as condições emocionais da pessoa com atenção e inteligência, para compreender seus distúrbios e sintomas e adotar um tratamento realmente inteligente e curativo. As abordagens tendem a ser puramente sintomáticas e parciais, considerando os sintomas e as condições dos órgãos e suas funções como estados puramente orgânicos.

Sendo assim, em poucos minutos, os médicos lhes dão apenas remédios químicos, para tratar suas condições orgânicas de forma isolada de suas origens psicológicas (origens essas que boa parte dos médicos sequer conhece ou tenha estudado). Assim eles receitam analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares, antiácidos, anti-hipertensivos e outros. Algumas vezes receitam ansiolíticos, sedativos ou antidepressivos, porque percebem o nervosismo, a ansiedade ou o abatimento da pessoa, mas como não abordam as causas emocionais subjacentes esses mesmos remédios atuam de forma supressiva, apenas mascarando as causas originais dos distúrbios, tratando-a de forma paliativa, apenas reduzindo os seus sintomas.

Algumas pessoas podem dizer: “Mas o médico não é responsável pela vida das pessoas ou por resolver os seus problemas pessoais, ele só tem que dar remédios para curar suas doenças.” O fato é que ele nunca irá curar as doenças das pessoas usando esse tipo de abordagem superficial, já que ele não trata e nem ajuda a dissolver os padrões psicológicos ou emocionais que causaram as doenças. Além disso, ele torna as pessoas dependentes desses remédios, já que as raízes emocionais de seus distúrbios não foram abordadas e curadas convenientemente, e tendem a ficar ativas, ressoando contínua e negativamente dentro da pessoa, alterando constantemente o seu organismo.

Autoconsciência e responsabilidade

“O sintoma, quando liberado de sua valoração negativa, pode se transformar em um excelente indicador de caminho e guiar-nos aos temas carenciais, ajudando a que nos tornemos mais saudáveis e íntegros.” (Rudiger Dahlke. A doença como linguagem da alma. Ed. Cultrix)

De fato, em geral, a nossa visão e atitude em relação à doença é a inconsciência e a supressão: nós não nos perguntamos por que estamos doentes, ou seja, por que nosso organismo está em tal estado e qual a relação de nosso comportamento e de nossas posturas mentais e emocionais com a doença. Fomos educados para combater e eliminar a doença o mais rápido possível e de qualquer jeito.

Mas, essa é uma visão pobre e enganosa, já que estamos entendendo agora a relação natural e indissociável entre a nossa mente e o nosso corpo.

Essa pobre visão se desenvolveu devido à perda da sensibilidade e da sabedoria que nossos ancestrais possuiam (mas alguns povos tradicionais e culturas que ainda vivem uma vida simples e integrada com a natureza ainda mantêm). A visão cartesiana e empirista adotada pela ciência moderna – em resposta ao dogmatismo religioso absoluto do passado -, isolou ou descartou as condições psicológicas das pessoas de sua condição integral de seres humanos, considerando os seres humanos apenas como corpos físicos, estruturas puramente materiais e biológicas, atribuindo, por isso, as doenças a “defeitos” nesses corpos físicos.

Hoje, depois de grandes estudiosos não ortodoxos e cientistas menos rígidos e de mente mais ampla divulgarem suas descobertas, elucidando a completa e profunda relação entre mente e corpo, estamos voltando a entender que o ser humano é um ser complexo e integrado, cujo aspecto físico é apenas uma de suas partes.

Por isso, cabe a cada um de nós aprendermos com os próprios distúrbios e doenças, procurando identificar nossos estados psicológicos que estão associados às nossas doenças físicas, para entendermos e curarmos nossas tendências mentais desarmônicas, aliviando e curando a nossa mente, curando, assim, definitivamente o nosso corpo (e isso é totalmente possível e um fato cotidiano para verdadeiros médicos e terapeutas que tratam as condições causais das doenças das pessoas, que provêm de sua parte psicológica) .

Cada distúrbio ou doença é o resultado de comportamentos e tendências psicológicas, que revelam, para aquele que quer realmente se curar e se conhecer, seus conflitos interiores, suas tendências desarmônicas, suas falhas de caráter e os aspectos de sua personalidade que podem ser melhorados.

Nenhuma doença é casual, nem mesmo as infecciosas e as degenerativas. Não há cura definitiva enquanto o padrão mental ou emocional distorcido ou cristalizado não for conhecido, abordado com paciência e amor, compreendido com inteligência e transformado pela vontade bondosa e sincera de melhorar a si mesmo.

Existem parceiros e profissionais que podem nos ajudar nesse caminho de aut0cura: bons psicoterapeutas, terapeutas florais, terapeutas corporais, médicos de visão ampla e humana e outros. Também existem métodos e terapias como o Self-Healing, a Terapia Floral, o Método Alexander e outros, que utilizam a autopercepção, o autoconhecimento e possibilitam o desenvolvimento da autocura.

Alberto Fiaschitello é terapeuta naturalista e cientista social

Fonte indicada: Epoch Times 

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.

Diga o que o incomoda quando incomodar, não quando já for tarde

A hora mais acertada para apontar que alguma coisa o incomoda, extrapola as suas capacidades e o machuca, é agora. Somente nesse instante você poderá dizê-lo com as suas melhores palavras e com assertividade, antes que seja demais e você acabe tendo um ataque que, no fundo, é o que você não quer.

Há quem pense que fazer uso da assertividade na medida certa seja algo duro ou inclusive egoísta. No entanto, fazer isso sem agredir os outros é a atitude mais eficaz para defender os nossos direitos pessoais e afetivos, sabendo respeitar, por sua vez, quem temos diante de nós.

Me incomoda que você invada os meus espaços pessoais, que você me coloque em situação vulnerável, que você me faça sentir pequeno quando o meu coração e a minha vontade são grandes. Me incomoda e me defendo para que você saiba onde estão os meus limites e que você saiba que não deve cruzar essa linha se você gosta de mim de verdade.
Um aspecto a considerar e que artigos como o que apareceu no jornal “The Guardian” costumam nos apontar é a necessidade de desenvolver a assertividade já nos contextos escolares e universitários. Uma criança, um estudante ou um adulto assertivo é uma pessoa mais livre, mais respeitosa e mais feliz.

O que me incomoda: uma questão de dignidade pessoal
Uma coisa curiosa que costuma acontecer na nossa língua é que começar uma frase com o pronome pessoal “EU” costuma dar a imagem, as vezes, de certa soberba. Contudo, no inglês, ninguém acha estranho ouvir frases como “Eu sinto (I feel)”, “Eu acredito que (I believe)”, “Eu preciso (I need)”…

Mesmo sem fazer uso da primeira pessoa de forma muito habitual, é bom ter consciência dos nossos direitos cada vez que interagimos com alguém. É questão de dignidade, e a dignidade sempre deveria estar por cima do medo, da preocupação por não agradar ou do temor de não ser como os outros esperam.

Agir com assertividade faz parte de uma boa autoestima, é a capacidade chave e respeitosa de saber se afirmar nesses contextos sociais tão complexos que vivemos atualmente. Também é óbvio que não podemos agir com agressividade reclamando os nossos direitos como se estivéssemos em uma selva. A chave está no equilíbrio, no respeito, no saber fazer…

A necessidade de agradar a todos
Não existe pior fonte de estresse e sofrimento pessoal do que a necessidade de agradar a todo mundo e de se encaixar no que o resto das pessoas espera de nós. Não é uma prática saudável: o desgaste pessoal ao qual se pode chegar, sem dúvida, é enorme.

Por trás deste tipo de exigência se esconde uma constante necessidade de aprovação. Além disso, significa seguir a ideia errada de “o que outros pensam de mim é mais importante do que a opinião que tenho de mim mesmo”.

A primeira regra da autoestima diz que antes de sermos aceitos pelos outros devemos aceitar a nós mesmos. Isso implica sermos corajosos para desfazer vários nós:

O nó que une você às pessoas que não aceitam a sua forma de sentir e ver as coisas.
A coragem de cortar o fio que amarra você à necessidade de aprovação e realização. Atreva-se a pensar por si mesmo e a aceitar que o resto das pessoas não precisa compartilhar a sua visão de mundo, a sua forma de entender a felicidade.

Atreva-se também a quebrar o nó da passividade e o medo do que irão dizer.Como expressar os nossos sentimentos de forma assertiva
O que incomoda e é silenciado forma uma crosta. Se engolimos um incomodo atrás do outro, no fim das contas ficaremos doentes com o nosso próprio veneno. Portanto, se optarmos por reagir no último momento, alimentados pela raiva e a frustração, os outros olharão desnorteados ao descobrir tudo o que havia sido mantido em silêncio.

A assertividade é a bússola da autoestima, é a voz que nos dá dignidade e que defende os nossos direitos, de modo que é vital desenvolver estratégias adequadas para poder integrá-la ao próprio comportamento.

Estas são algumas orientações básicas:

Introduza na sua linguagem habitual verbos como “quero”, “gosto”, “me sinto”. Tome consciência da emoção ou sentimento que aparece em você cada vez que você faz uso deles. Se você experimenta uma situação confusa, não passe por cima disto. Se alguma coisa o incomoda, preocupa ou inquieta, esclareça-o “na hora”.
Reconheça o que as pessoas têm de positivo: ofereça incentivos a condutas que o enriquecem e que você considera positivas ou, como diria Kant, que são a representação de uma “cooperação universal”. Quando você experimenta uma situação que o enche de ira ou raiva, tome um pouco de ar, respire e traduza em palavras cada sensação fazendo uso adequado de frases como “estou desconfortável porque…”, “eu me sinto ofendido porque…”
Não faça muito uso de censuras, e muito menos de ironias ou desprezos. Fale dos seus direitos e necessidades, ouça os outros e não tenha medo de se defender. Respeite a si mesmo, assim como aos outros. Seja inteligente, seja digno.
A assertividade é a alma da inteligência, e quando usada com sabedoria é a melhor energia da qual a sua autoestima poderá se nutrir.

TEXTO ORIGINAL DE A MENTE É MARAVILHOSA

 https://www.psicologiasdobrasil.com.br/diga-o-que-o-incomoda-quando-incomodar-nao-quando-ja-for-tarde

 

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