As crianças não são definidas por notas escolares

Por Raquel Brito

As crianças não são definidas por suas notas escolares

A sociedade alimentou a hiper-paternidade ou, o que é a mesma coisa, a obsessão dos pais para que os filhos alcancem habilidades acadêmicas específicas que garantam uma boa profissão no futuro. E por vezes esquecemos, como sociedade e como educadores, que as notas escolares não definem o valor de uma criança.

Como consequência, acabamos descuidando das habilidades da vida ao não aliviar o nosso empenho para priorizar os resultados acadêmicos. Nossos filhos são pequenas pessoas que não são definidas pelo seus êxitos ou fracassos, mas sim por serem eles mesmos, únicos por natureza.

É mais fácil criar crianças fortes do que consertar adultos quebrados

Para garantir o bem-estar infantil e adolescente, é preciso fortalecer psicologicamente as crianças e prepará-las para encarar as dificuldades emocionais e interpessoais que acompanham de maneira intrínseca a vida cotidiana.

Porque, ao final, a vida não é apenas o que se lê nos contos de fadas, e isso é algo que devemos ter muito presente nas nossas crianças. Apenas dessa maneira daremos às nossas crianças habilidades para minimizar o mal-estar e prevenir os problemas psicológicos que surgem das próprias dificuldades vitais.

Isso as ajudará a crescer saudáveis e a desenvolver uma personalidade saudável que foque no bem-estar e na qualidade de vida. Assim, as bases desse mesmo fortalecimento  são estabelecidas por 3 pilares:

  • O equilíbrio emocional.
  • As relações interpessoais satisfatórias.
  • O desenvolvimento pessoal e profissional.

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A infância é uma etapa crucial para adquirir e desenvolver competências psicológicas que permitem uma evolução favorável desses três pilares do nosso bem-estar. No entanto, como comentamos anteriormente, como sociedade priorizamos em nossos filhos o desenvolvimento de competências acadêmicas, esquecendo de ajudar-lhes a pensar, sentir e atuar de forma mais proveitosa.

Notas escolares: a matéria mais importante da sua vida não é a matemática

A matéria mais importante na vida de nossas crianças não é a matemática nem as ciências ou os idiomas estrangeiros, mas sim sua capacidade para se adaptar ao seu redor, administrar suas relações, suas emoções e seus pensamentos. Para isso é fundamental que a educação comece por nós.

Ou seja, se queremos ajudar nossas crianças a gerir bem sua raiva, não podemos conseguir isso se explodimos toda vez que não gostamos de algo. Da mesma maneira, se não estamos bem, não educaremos da forma correta. Por exemplo, não conseguiremos calma e motivação em nossos filhos se temos altos níveis de estresse e frustração.

Não medir o afeto é essencial para transmitir amor aos nossos filhos: o excesso de afeto não é desejável, aquele que surge depois de episódios negativos de má conduta. Não é adequado reforçar a desmotivação diante das tarefas escolares. Além disso, é importante destacar que:

  • É adequado dar afeto físico: ou seja, abraços, beijos, carinhos, olhadas…
  • Devemos elogiar os êxitos das crianças de maneira correta.
  • Devemos estar dispostos a ver e responder às necessidades emocionais das crianças.
  • Devemos proporcionar um refúgio seguro onde a criança sinta o nosso apoio.

É essencial nos interessarmos pelas suas motivações, interesses e preferências. Mesmo assim, é importante se envolver na escola e evitar se intrometer na vida das crianças de maneira crítica e desafiadora.

Mas, sobre todas as coisas, não podemos defini-los com base nas notas escolares. Eles não são preparados ou desorientados, ou bons, nem maus, são ELES mesmos na essência e com liberdade.

TEXTO ORIGINAL DE A MENTE É MARAVILHOSA

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/as-criancas-nao-sao-definidas-por-notas-escolares/

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5 sinais que caracterizam às mulheres maltratadas

As mulheres maltratadas reagem de uma maneira determinada ante diferentes estímulos encontrados na vida diária. É uma forma de identificar quando uma pessoa está sendo maltratada no momento que, por razões desconhecidas, não é capaz de pedir ajuda ou abrir os olhos ante o que está se passando.

Alguma vez você ficou na dúvida se alguém estava sendo maltratada por ter percebido os seguintes sinais?

1. Tentam esconder sua pele o máximo possível

Mesmo que muitas mulheres maltratadas sofram maus tratos psicológicos, outras são submetidas a maus tratos físicos e, às vezes, os golpes não acontecem em lugares pouco visíveis. Se, de repente, começam a usar muita maquiagem quando normalmente não usam ou se incomodam quando lhes pedem para mostrar o braço, o ombro ou outra parte do corpo, podem estar sofrendo maus tratos.

Como distinguir? Se observarmos ansiedade na tentativa de esconder a pele, uma preocupação visível e uma reação muito agressiva e defensiva.

2. Antecipam o aborrecimento de seu maltratador

As mulheres maltratadas vivem em um constante estado de alerta para evitar que a pessoa que as maltrata se aborreça ou esteja descontente com elas. Por isso, às vezes evitarão perguntar certas coisas ou dirão frases tais como “não, não sairei com vocês porque meu parceiro não gosta”, “é que ele trabalha tanto, que o pouco tempo que tem quer passar comigo”.

Em tudo isso observamos uma falta de assertividade, de atender as próprias necessidades e uma necessidade de estar em constante submissão ante os desejos do parceiro.

3. Ocultam informação sobre sua vida

As pessoas que maltratam costumam ir afastando seus parceiros de seus amigos e familiares. Mas, quando estes entram em contato, as mulheres maltratadas ocultam muita informação e criam várias desculpas para não dizer o que na verdade está acontecendo.

Além disso, sempre que se encontram em uma conversa e são perguntadas coisas sobre sua vida, respondem de forma superficial e tentam mudar rapidamente de tema. Tudo isso lhe faz viver com muito estresse e ansiedade, pendentes de cada palavra que digam, caso seu parceiro saiba e fique aborrecido.

4. Sempre estão na defensiva

Como bem mencionávamos o fato de manter bem ocultas partes do corpo, as mulheres maltratadas estão sempre assustadas com qualquer toque ou contato que os demais tenham com elas.

Por exemplo, um simples toque no braço pode fazer com que se sobressaltem de forma inesperada, como se sempre estivessem esperando um ataque da qual precisem se defender. Isso pode ser notado quando alguém eleva o braço e, de repente, a mulher maltratada cobre a cara como se fosse apanhar.

5. Carregam todo tipo de responsabilidade

As mulheres maltratadas acreditam que são culpadas, muitas vezes consideram que merecem que seu parceiro lhes bata ou lhes machuque. Isso se traduz em outros campos da vida, onde sempre carregaram todas as culpas e responsabilidades que, na realidade, não lhes correspondem.

Esta atitude denota uma baixíssima autoestima e uma tendência a se mostrar sempre em uma atitude submissa.  Este tipo de mulher é muito frágil. Muitas vezes, ajudá-las é algo muito difícil, em certos casos até impossível, pois acreditam que merecem tudo que lhes acontece.

Sua autoestima é tão baixa que se machucam desta maneira por si só. No entanto, saber prestar atenção a estes sinais nos ajudará a não julgar uma atitude como má ou negativa para não potencializar ou afundar ainda mais a pessoa que, talvez, esteja realmente mal na vida.

O maltrato segue sendo algo que está muito presente na sociedade que vivemos. No entanto, existe cada vez mais ajuda para todas aquelas mulheres que estão buscando sair desta situação. Lembremos que, se nos encontramos sozinhas e perdidas, sempre podemos ligar 180, o número da Central de Atendimento à Mulher, que pode fazer com que sua vida mude para sempre.

Imagem de capa: Shutterstock/Federico Marsicano

TEXTO ORIGINAL DE MELHOR COM SAUDE

3 passos para aumentar seu controle emocional

Por Lucas Liberato

Eu já fui, por anos, uma marionete das minhas emoções e sentimentos. Me sentia um refém do que meu descontrole emocional fazia comigo. Era como se eu fosse diferentes pessoas ao longo de um mesmo dia e, ao final, eu estava exausto e querendo sumir.

Até mesmo hoje em dia, quando deixo minhas emoções e sentimentos simplesmente fluírem, me dá vontade de tirar férias de mim mesmo. Eu aprendi que para estar bem, para ter foco, para ser feliz, eu preciso estar no controle das minhas emoções e sentimentos. É esse o papel que o controle emocional ocupa em nossa vida: permitir que você se sinta bem com quem você é.

Absolutamente qualquer crescimento sustentável parte de nos sentirmos bem. Qualquer coisa que você realizar sentindo-se mal, eu te garanto por experiência própria que não irá se sustentar e nem frutificar.

Por isso, saber como fazer para se sentir bem de forma constante e sustentável é uma habilidade tão importante. Neste artigo, quero mostrar a você o que eu aprendi sobrecontrole emocional e como você pode aplicar isso em sua vida. Mas para isso, preciso primeiro te explicar a diferença entre emoções e sentimentos, o que é controle emocional e a diferença entre controle emocional e inteligência emocional.

A diferença entre emoções e sentimentos

Emoções são o resultado de conjuntos de respostas químicas e neurais do cérebro a estímulos externos e são baseadas em nossas memórias emocionais. Os sentimentos são uma consequência da emoção, uma resposta do cérebro à emoção causada pelo estímulo.

Portanto, emoções são físicas e instintivas (embora você possa treinar novas respostas emocionais aos mesmos estímulos) enquanto sentimentos são associações mentais e reações à emoções, e são totalmente pessoais e definidos por nossa experiência. Assim, a forma como como você reage a um medo (emoção) seu, o sentimento gerado, depende da sua experiência e subjetividade.

Frequentemente há uma mistura entre sentimentos e emoções, e tudo bem.

Agora vamos entender melhor o que é Controle Emocional e qual relação tem com emoções e sentimentos.

O que é Controle Emocional

É a capacidade de lidar com as próprias emoções e sentimentos, modificando e adaptando-os conforme a situação e expressando-os de maneira saudável para si mesmo e as pessoas à sua volta.

Frequentemente, as pessoas confundem Controle Emocional e Inteligência Emocional, e embora à primeira vista pareçam a mesma coisa, não são. Pode-se dizer que Controle Emocional seja a Inteligência Emocional posta em prática; seria como a diferença entre ter um conhecimento e utilizá-lo. Você pode ter um alto índice de inteligência emocional e, ainda assim, deixar-se controlar por suas emoções e sentimentos, ou seja, você não tem controle emocional.

Como Desenvolver o Controle Emocional

Engana-se quem pensa que ser refém de si mesmo é uma sentença perpétua. Você pode começar hoje mesmo a desenvolver sua capacidade de controlar suas emoções e sentimentos. Vamos ver alguns passos que você pode exercitar para desenvolver seu controle emocional:

1. Aumentar o tempo de resposta/reação

Essa é provavelmente a característica que todo mundo que é meio ‘no limite’ tem em comum: ser muito reativo.

Algo te incomoda e você ‘pá!’ responde ‘na lata’ e sem pensar direito. Eu já fiz muito isso e de vez em quando ainda deslizo e faço de novo.

Nesse comportamento, tem um forte traço de orgulho, respondemos rápido porque estamos (consciente ou inconscientemente) ansiosos em estarmos certos.

Os mais velhos já falavam sobre a importância de ‘contar até 10’, para não se arrepender do que se fala.

Faça o seguinte: respire pelo nariz contando até cinco, prenda o ar contando até quatro, depois solte o ar pela boca contando até 10.

Repita cinco vezes o processo.

Depois disso, decida como você vai reagir.

2. Avalie as suas reações de acordo com o que você merece

Me apoia imensamente analisar minhas emoções da perspectiva do que eu sei que mereço. Até mesmo quando não estou bem, consigo evitar ficar pior.

Quando sinto algo que não me apoia, eu paro e penso: eu mereço me sentir assim?

Ao ser confrontado com a pergunta assim diretamente, a resposta costuma ser a mais verdadeira: não, não mereço. Mereço muito melhor.

E me conscientizar ativamente disso é o primeiro passo para mudar esse estado.

3. Busque novas possibilidades de ação

Em absolutamente qualquer situação, há muitas formas de sentir e reagir, mesmo que a princípio nossa mente esteja programada para pensarmos que ‘não tenho opção’.

Sempre, antes de efetivamente agir, pergunte-se ‘e o que mais é possível?’ e esforce-se para se conscientizar de ao menos uma diferente forma de agir, para que você amplie ao mesmo tempo o seu controle sobre suas reações e sua habilidade de encontrar soluções que te apoiem.

Desenvolver o controle emocional é um trabalho interno que te trará imensos benefícios, e fico muito feliz em poder te apoiar com esse artigo. Quero muito ver você aplicando essas dicas e me contando como elas te afetaram.

Deixe um comentário me dizendo como esse artigo te apoiou nesse teu momento e terei o maior prazer em te responder!

Imagem de capa: Shutterstock/agsandrew

TEXTO ORIGINAL DE BRASILPOST

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/3-passos-para-aumentar-seu-controle-emocional/

Terapia : Desabafar muda o cérebro

Entrevista publicada em janeiro de 2008 na Revista Época, mas que mantém sua valia. Segue reprodução.

Falar sobre as dores vividas é essencial para superar um trauma. Ao fazer isso, a pessoa é capaz de reorganizar sentimentos. Até aí, nenhuma novidade. O psicólogo Julio Peres, de 38 anos, foi além. Conseguiu mostrar que a conversa modifica o funcionamento do cérebro. A pesquisa, tema de doutorado de Peres em Neurociências e Comportamento pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, deve ser publicada em junho na revista Journal of Psychological Medicine. O estudo foi feito com 16 pacientes que sofreram estresse pós-traumático parcial (que não apresentam todos os critérios de diagnóstico). Eles passaram por oito sessões de psicoterapia. Os indivíduos narraram o momento traumático várias vezes. Depois, foram convidados a relembrar situações difíceis que viveram anteriormente e a sensação positiva que tiveram ao superar o problema. Exames de tomografia ao final do tratamento revelaram que o funcionamento cerebral é modificado com a narração. “Quem passou pela psicoterapia apresentou maior atividade no córtex pré-frontal, que está envolvido com a classificação e a ‘rotulagem’ da experiência”, diz Peres. “Por outro lado, a atividade da amígdala, que está relacionada à expressão do medo, foi menos intensa.” Isso fortalece a tese de que falar sobre o problema ajuda a pessoa traumatizada a controlar a memória da dor que sofreu.

ÉPOCA – Como foi realizado o estudo? 


Julio Peres – Aplicamos questionários para estabelecer as modalidades sensoriais (o rosto do ladrão, o cheiro da gasolina, o barulho da freada do carro) que permaneceram na mente dos indivíduos. Antes da psicoterapia, essas sensações estavam exacerbadas. Depois dela, verificamos que o valor sensorial das memórias traumáticas diminuiu. O que aumentou foi o valor narrativo, junto com a atividade do córtex pré-frontal. É um achado importante. Significa que, à medida que a narração do evento aumenta, as respostas emocionais e as sensações são atenuadas.

ÉPOCA – Como o senhor teve a ideia do estudo? 


Peres – Muitos profissionais da saúde não creditam o devido valor ao tratamento pela ausência de marcadores biológicos do efeito psicoterápico. Quis estudar a produção científica com o uso do método de neuroimagem funcional com a psicoterapia. No Brasil, é o primeiro estudo desse tipo. Fiz uma revisão de todos os estudos publicados no mundo. Qual foi minha surpresa? Existiam apenas 20 estudos sobre o assunto. E a neuroimagem já existe há 20 anos!

ÉPOCA – Dá para dizer que a psicoterapia muda o funcionamento cerebral?


Peres –
 Sim. A maneira como o cérebro processa as informações muda. Os psicólogos deveriam estudar seus pacientes com métodos neurofuncionais. No Brasil, ainda é difícil. Poucas pessoas têm conhecimento sobre o assunto.

ÉPOCA – Qual é o perfil dos pacientes estudados? 


Peres – São pessoas que sofreram traumas, mas não preencheram todos os critérios do estresse pós-traumático. São pessoas que passaram por eventos como perda de entes queridos, acidentes, separação, abuso sexual, assalto, seqüestro. Eles representam 30% da população geral.

ÉPOCA – Quem não pode fazer psicoterapia deve compartilhar seus problemas com alguém? Isso também muda o cérebro? 


Peres – Sim. Em geral, as pessoas traumatizadas tendem a se isolar. Não verbalizam o evento, não compartilham suas histórias. Justamente pela falta de contar e recontar essas histórias, as pessoas ficam com as memórias traumáticas fragmentadas. Medo, sensações dispersas, sem atribuição de um significado para o que aconteceu. Quando ela constrói esse significado, tem a possibilidade de reconstruir o momento trágico, trazendo um aprendizado daquele evento. Isso alivia a dor.

ÉPOCA – Relembrar a situação traumática não é pior? 


Peres – É exatamente isso o que os traumatizados pensam. Lembrar outra vez da dor? É como se o indivíduo voltasse ao horror experimentado. Mas, se ele não falar sobre sua memória, não consegue dar significado e entender o acontecimento. Falar modifica a interpretação. Converse com pessoas de confiança: amigos, familiares, alguém vinculado a sua crença religiosa. O mais importante é que possa de fato compartilhar. Não é falar para qualquer um. Deve ser alguém que tende a acolher. Escrever também é um caminho. O publicitário Washington Olivetto escreveu durante o trauma (enquanto estava seqüestrado). Certamente, isso o beneficiou. É um exemplo de superação.

ÉPOCA – Em traumas semelhantes, as pessoas têm reações parecidas?


Peres – Os estudos mostram que em tragédias naturais avassaladoras, como tsunamis e terremotos, a resposta de cada envolvido é absolutamente diferente. Não existe uma resposta universal ao trauma. Temos estudado o que predispõe à recuperação. O que as pessoas que superam essas situações difíceis desenvolvem como qualidades? E por que aquelas que continuam traumatizadas não conseguem desenvolvê-las, pelo menos por algum tempo?

ÉPOCA – O que fazer para não ficar preso às lembranças de uma tragédia? 


Peres –
 Criar novos objetivos. É ver o acontecimento como uma oportunidade para o aprendizado e o crescimento pessoal. Sentimentos positivos, como o altruísmo, ajudam a pessoa a melhorar rapidamente em vez de sucumbir ao trauma. É essencial não se sentir enfraquecido, incapaz perante o que viveu. E o trauma está muito ligado à incapacidade. Por exemplo, num acidente de carro, a pessoa pensa: “Eu não pude controlar o carro e fiquei preso nas ferragens”. O trauma pode marcar o indivíduo nesse sentido. Ele se sente sem condições de superá-lo. Quem cria uma aliança positiva com aquele momento sai mais facilmente da dificuldade.

ÉPOCA – O que perpetua um trauma? 



Peres –
 Em geral, os traumatizados têm a tendência de querer pagar na mesma moeda. Com pensamentos do tipo: “Mataram minha mulher e agora vou matar cada um desses caras”. Quando existe
o sentimento de vingança, a repetição do ciclo traumático não acaba. Não resolve o problema, e os traumas vão aumentando.

ÉPOCA – Que substâncias o cérebro libera quando a pessoa sofre um trauma? 


Peres – O trauma pode se estabelecer de duas maneiras. Uma é a hiperestimulação, que envolve o sistema simpático, relacionado à adrenalina. O indivíduo fica em alerta, irritado, com insônia, pensamentos intrusivos. O outro lado é a dissociação, que envolve o sistema parassimpático e a endorfina. É também uma estratégia de adaptação, de sobrevivência ao evento. Um anestesiamento. Acontece especialmente com crianças que sofreram abuso sexual, porque geralmente o agressor está em casa. E diante disso ela não pode fugir. Ela dissocia, como se não estivesse acontecendo nada. Só que as conseqüências dessa dissociação são gravíssimas. Em geral, viram adultos que não conseguem estabelecer vínculos afetivos. Aquele processo de dissociação ficou tão enraizado, como uma defesa de sobrevivência, que também tende a continuar por um bom tempo.

ÉPOCA – Quanto tempo uma pessoa leva para superar um trauma?

 

Peres – Depende de cada pessoa, do processamento interno em relação ao ocorrido. No caso do estudo, fizemos oito sessões de terapia, com duração de uma hora e meia cada uma. E essas sessões foram suficientes para o grupo modificar as respostas emocionais. Eles ficaram mais equilibrados psicologicamente.

Após oito sessões de psicoterapia, os pesquisadores observaram mudanças nas seguintes regiões do cérebro

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Maior atividade no córtex pré-frontal
Ele está envolvido na classificação das experiências

Menor atividade na amígdala
Ela está relacionada à expressão do medo

Por Suzane Frutuoso

Revista Época, janeiro/2008

Foto: Claudio Rossi/ÉPOCA e reprodução

 

Via: Instituto de Psicologia da Usp

 

Ditadura da beleza: a busca inatingível do corpo perfeito!

 

Vivemos numa sociedade onde a ditadura da beleza estabelecida pela grande mídia é inatingível, impondo a magreza, o corpo sarado, a pele e os cabelos perfeitos, etc, como padrões de beleza. Isso representa uma visão subjetiva, que pode induzir a distúrbios psicológicos, transtornos alimentares e consumistas graves.
O público feminino é o alvo principal da mídia, que mostra uma gama de produtos e serviços estéticos para, supostamente, melhorar a performance das mulheres: pílulas, sucos, comidas diet, light e zero, parelhos de ginásticas, academias, vídeos para perder medidas, revistas, cosméticos, cirurgias plásticas e redução de estômago.
Hoje o corpo da mulher está exposto a essa pressão. É para atingir o sucesso das pessoas magras, a indústria da beleza cria as necessidades de como obter um corpo perfeito. Não é por caso que inúmeras adolescentes aprendem como perder peso, como passar horas sem se alimentar, a fim de ter o corpo da atriz famosa, que a mídia exibe como sendo o corpo ideal. Esse pseudo conceito do corpo perfeito tem ocasionado inquietações à nossa sociedade, uma vez que a ditadura da beleza – não tem por finalidade cuidar da qualidade de vida das pessoas, mas produzir cada vez mais gente ansiosa e consumista.

No Brasil, foi fabricado um imaginário de beleza jovem, útil e erótica. Por isso, muitas mulheres acabam praticando exercícios em excesso, levando a exaustão física, que associada a falta de alimentos são capazes de produzir doenças como anorexia, bulimia e vigorexia, ou por meio de cirurgias estéticas – que já arrastaram à morte jovens famosas e anônimas.

Atrás das doenças como a bulimia e a anorexia incidem os fenômenos das mudanças corporais adquiridas pelas cirurgias plásticas, ou seja, 50% das intervenções são feitas por causa da estética e muitas são realizadas em adolescentes, que ainda não têm o seu corpo formado e agora está sendo mudado para atender as exigências dos atuais padrões de beleza. Além da sociedade exigir das mulheres uma pesada jornada de trabalho: cuidar da casa, do marido, das crianças e do emprego, elas também sofrem as cobranças para alcançar o ilusório padrão de beleza, gerando stress na busca de uma barriga sarada, numa permanente luta contra a balança, na diminuição das silhuetas do corpo e das calorias das refeições de cada dia.
Não importa os apelos mediáticos da ditadura da beleza, fixando a magreza e o rejuvenescimento como meta inatingível, pois cada pessoa tem uma beleza única e precisa ser sentida como natural. O envelhecer é um caminho inexorável – que pode ocorrer com saúde e dignidade. Portanto, temos que encontrar o equilíbrio na busca do bem-estar do corpo, sem descuidar da saúde mental e espiritual. Ser saudável não é somente ter um belo e magro corpo, mas sentir-se feliz e bem consigo mesmo, sem recorrer as ilusões da ditatura da beleza.

A dificuldade de deixar um ( a ) ex ir….

Quando um relacionamento de casal termina, ambos acabam passando por um período de luto. Independentemente dos motivos que levaram à ruptura, às vezes nos vemos incapacitados e não conseguimos deixar à outra pessoa ir.

A dor e o sofrimento dependerão muito do tempo que ficaram juntos. Se foi apenas alguns meses, será muito mais fácil do que se a relação foi uma relação de anos. De qualquer jeito, é importante saber virar a página, ainda que, em algumas ocasiões, não sejamos capazes de fazer isso devido a outro tipo de problema.

Deixe ir para você se permitir seguir

Por que é tão difícil nos desvincularmos dessa pessoa? É porque a amamos tanto? Um relacionamento termina por motivos que ambos sabem, mas, às vezes, é difícil, pois acreditamos que ainda estamos apaixonados. Em alguns casos, inclusive nos forçamos a tentar uma segunda vez, mas os problemas não se resolvem e voltam a aparecer.

O resultado é que nós enfrentamos o segundo término, mais doloroso e pior do que o primeiro. A seguir, queremos compartilhar com vocês alguns motivos com os quais podemos nos identificarmos, quando o assunto é o fim de um relacionamento.

1. Dependência emocional

Muitas são as pessoas que sofrem de dependência emocional, a incapacidade de poder viver sem estar em casal. Às vezes, esse é o resultado de carências afetivas que viemos arrastando desde a infância.
A dependência emocional faz com que não possamos nos separar dessa pessoa. Inclusive, se não temos um parceiro, suplicamos para tapar o buraco criado com outra companhia. Dessa maneira, a pessoa dependente tenta não ficar nunca sozinha.
Nesse tipo de problema, a pessoa não se dá conta de que não ama seu companheiro, apenas necessita dele.

2. Não gostamos de perder

Sim,temos que admitir. Ninguém gosta de perder, pelo menos não a maioria das pessoas. Isso faz com que esse fim e essa desvinculação sejam algo que não está nos nossos planos. Além disso, essa situação piora com a ideia do amor romântico, onde quando a relação termina acreditamos que a vida se vai com ela, que tudo se paralisa, que nada mais pode seguir adiante.

Pensar em você, na verdade dói bastante, ou sua mente o faz a creditar que dói. Às vezes, vemos a situação desde uma perspectiva onde nossas emoções e sentimentos se confundem. Não quero deixar essa pessoa ir porque a amo ou porque me sinto ferida.

3. Sair da zona de conforto

Muitos podem confundi-lo com o medo da solidão, mas isso vai muito além. Temos medo de perder esse estado tão cômodo onde nos encontramos, porque a mudança sempre nos causou pavor.

Se você viveu uma situação com seu parceiro por muito tempo, mudar tudo isso é o que você rejeita. Acredita se sentir seguro em algumas circunstâncias porque teme que tudo pode piorar.

Mas, pense: do que você tem medo?

Às vezes, nossos temores são completamente infundados. Em muitos casos, nos vemos arrastados e obrigados a sair da nossa zona de conforto. Não gostamos disso, mas quando não temos opção, não é uma alternativa. Não tenha medo da mudança, pense que se o seu relacionamento terminou, o melhor é tomar outro caminho.

São muitas as vezes nas quais não queremos deixar ir um ex, porque nos sentimos inseguros para enfrentar a vida sem essa pessoa que tanto esteve ao nosso lado. A isso denominamos egoísmo. Temos que aprender a deixá-lo partir, pois só assim poderemos seguir adiante. Além disso, cometemos um grande erro, fruto da nossa percepção sobre o amor romântico: acreditamos que não há vida depois de terminada a relação.

Uma ruptura no relacionamento não significa que sua vida se acabou, implica em um capítulo da sua vida que terminou. Mas, desde quando um livro termina com um único capítulo? Comece a virar a página e continue escrevendo o livro de sua vida. Ainda restam muitas experiências a viver.

Imagem de capa: Shutterstock/SvetaZi

TEXTO ORIGINAL DE MELHOR COM SAÚDE

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Não tenha medo de ficar só: 9 conselhos para aceitar os momentos de solidão

 

Não existe algo mau ou bom sobre a solidão. Tudo está em como nos dedicamos a usar esse tempo que passamos sozinhos. De fato, passar tempo o suficiente em solidão pode nos beneficiar mais do que imaginamos, sempre e quando decidirmos aproveitar estes momentos a favor de nossa felicidade.

A grande maioria das pessoas, em algum momento de suas vidas, sentiu medo de ficar só.

Sem dúvidas, o ser humano é um ser social e as relações sociais são vitais para a saúde mental, mas, o que está acontecendo para que a solidão seja atemorizante para algumas pessoas e acolhedora para outras? Culturalmente criou-se em muitas sociedades o medo à solidão, de uma perspectiva negativa e angustiante. Há a tendência de relacionarmos a solidão com um estado de desânimo e depressão.

Aqui compartilharemos com você alguns conselhos para esses momentos de solidão, os quais talvez possam parecer angustiantes, mas que podem se transformar em momentos maravilhosos consigo mesmo. Confira.

1. Reconheça seus medos de ficar só.

Às vezes, custa nos darmos conta de que ficarmos sós nos afeta negativamente porque usamos escapes para ignorar estes sentimentos.

Cada pessoa é diferente e custa identificar quais podem ser as atividades que permitem “matar o tempo”, mas não necessariamente lhe favoreçam para alcançar suas metas ou para fazer você se sentir uma pessoa mais plena.

 2. Ouça o seu corpo

Sem dúvidas, o corpo transmite e registra todas as emoções que surgem diariamente. Quando você estiver só, tente fechar seus olhos por alguns segundos, respirar e ouvir seu corpo para identificar qual é o origem do medo quando você se encontra em solidão.

3. Limpe seus pensamentos

Durante o dia recebemos uma grande quantidade de informação dos meios de comunicação, nossos amigos, companheiros e familiares. Inconscientemente, toda essa variedade de informação repercute em nossas mentes. Por isso é necessário passar um tempo só, para poder ouvir nossa voz interior e assim descartar as coisas que podem chegar a nos afetar.

4. Reinvente-se

Em momentos de solidão é recorrente que o aborrecimento o faça sentir nostálgico e agoniado. Para evitar isso, tente fazer atividades diversas fora da sua rotina diária, como aprender um esporte novo.  Leia sobre temáticas desconhecidas, aprenda um novo idioma ou ouça um gênero musical diferente.

5. Escreva suas prioridades

Ao escrever, seja em papel ou em meio digital, todas as coisas que você deve e quer fazer durante o mês e lê-las durante seu tempo de solidão, será mais fácil sair dos pensamentos conturbados.

Desta forma você poderá detectar aquelas necessidades que são uma prioridade para você e aquelas que talvez o sejam para alguém mais. Lembre-se: a pessoa mais importante em sua vida é você mesmo.

6. Procure por ajuda profissional

Cuidar da saúde mental é vital para nos sentirmos em harmonia e tranquilidade com o mundo e conosco mesmos em qualquer situação. Para isso é importante conhecer a origem e as causas de sensações como o medo através de pessoas, terapias e outras alternativas que possam ajudá-lo a viver sua vida em paz.

7. Tempo a sós para crescer

Socializar é natural entre os seres humanos. Não há nada de errado em fazer amigos e conviver com outras pessoas, mas habitualmente o medo de ficar só surge da dependência e do apego aos outros.

Adquirir o hábito de passar o tempo sozinho proporciona um equilíbrio emocional vital para sermos felizes. Desta forma você pode conhecer a raiz dessa dependência que lhe impede de viver a autonomia, liberdade e saúde mental e, pouco a pouco, deixará de dar importância à aprovação dos outros. Desta forma começará a se sentir com mais segurança e independência.

8. Desconectar-se de tudo para se conectar consigo mesmo

Desconectar-se do exterior pode ser altamente benéfico para se conectar consigo mesmo ao ouvir com atenção suas sensações, pensamentos e emoções. É saudável se perguntar e se questionar, nestes momentos, se você se sente contente consigo mesmo. Ou, em todo caso, se você gostaria de mudar algo em sua vida ou se propor novos objetivos.

A solidão contribui para o fortalecimento da autonomia pessoal

É uma oportunidade para se mimar e cuidar de você mesmo. Desfrute de seu tempo a sós com mais frequência, e dê-se uma permissão para descobrir novas habilidades. Procure fortalecer sua confiança pessoal e crescer.

Pode parecer incrível, mas a liberdade é uma das conquistas mais benéficas da solidão.

Esta permite questionar, aprender, desaprender e realizar o que realmente faz com que nos sintamos bem.

Imagem de capa: Shutterstock/Kalamurzing

TEXTO ORIGINAL DE MELHOR COM SAÚDE

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