Sobre as doenças psicossomáticas

Por Audrey Leme

Considerando que para ser um indivíduo saudável precisamos buscar o equilíbrio entre mente e corpo, um desequilíbrio emocional pode afetar nosso corpo, bem como uma alteração orgânica no corpo pode afetar nosso psiquismo. Temos aí as doenças psicossomáticas (psique = alma / soma= corpo).

As doenças psicossomáticas caracterizam-se por desafiar constantemente os métodos utilizados pela Medicina, que não consegue por meio de exames e diagnósticos, explica-las e encontrar suas causas.

Talvez a principal diferença em abordar as doenças psicossomáticas seja o fato de a Medicina utilizar-se da “clínica do olhar”, percebendo o corpo como uma máquina que pode ser manipulada, enquanto a Psicanálise utiliza-se da “clínica da escuta”, enxergando o corpo como marcado pela linguagem e pela pulsão.

Para a Psicanálise a doença é um meio de encontrar uma solução (ainda que problemática) para os conflitos inconscientes, buscando saídas através do corpo.

Podemos dizer que acometido por uma doença psicossomática, o indivíduo é atingido por aquilo que é impossível de dizer ou de nomear, e que possivelmente relaciona-se com sua fase do desenvolvimento pré-verbal, ou seja, com as relações afetivas vivenciadas no início de sua vida junto de seu cuidador (comumente a mãe).

O processo de psicoterapia psicanalítica coloca em questão a participação do paciente em seus sintomas, no intuito de interrogar o lugar que ele ocupa no caos em que se encontra, dando o direito de, através da palavra, romper com o ‘silêncio dos órgãos’, partindo do pressuposto de que o sujeito sabe melhor do que ninguém sobre a sua história…

 

Clara Averbuck: As mulheres não estão no mundo para enfeitar

  

Após perder o pai e o emprego, jornalista perde 15kg e fica gata.” Juro pra vocês que isso é uma manchete real, de um site real. Não sei nem por onde começar. Mas vamos.

Quem disse que uma mulher precisa ser magra pra ser gata? Eu sei, eu sei: a sociedade inteira. A mídia toda. A sua tia quando diz que você engordou no Natal. Seu pai quando te olha daquele jeito que você sabe que ele está julgando sua barriga e pensando “tsc”. Como se não fôssemos mais do que um corpo com um padrão a ser seguido.

Eu sei. Sei tudo isso na pele. Durante minha adolescência em Porto Alegre, sofri de bulimia e anorexia. Quando emagreci, sempre à base de remédios que destroem qualquer pessoa saudável por dentro e sequer são mais legais, recebi apenas elogios. Magra! Linda. Você é tão bonita de rosto, ficou linda mais fininha. Sabemos que não devemos viver em função da aprovação alheia, mas a adolescência é uma época confusa, então eu só conseguia ver que estava funcionando. Eu estava bonita. Eu era merecedora de amor. Porque ainda tem isso, né? Somos ensinadas que apenas mulheres dentro de um padrão são merecedoras de amor, de atenção, de carinho. Depois tive isso de novo, na vida adulta, em decorrência de uma depressão. 48 quilos. Todos elogiando. Não, não, não. Não, gente.

E aí vemos uma mulher que claramente esteve doente. Sofreu. Passou por uma depressão. Perdeu gente que amava. Mas de que importa a saúde dela? O estado emocional dela? Emagreceu e está gata. Pois bem, leitoras, vou compartilhar algo pessoal com vocês. Nos últimos meses, fiquei doente. Também perdi 15 quilos. Sabe o que era? Saúde mental comprometida. Gastrite. Estresse. A vida cobrando os maus-tratos que o excesso de trabalho e estresse, estresse, estresse me trouxeram. Adivinha se não veio gente elogiar? Afinou, né? Afinei. Fiquei 10 dias vomitando até água e mais 40 sem conseguir comer direito. Uma delícia! Adorei pagar mil exames e não ter forças para andar uma quadra. Muito bacana e saudável mesmo.

Isso mata. Essa cultura da magreza a qualquer custo mata. Essa indústria da dieta mata, nos enfraquece, nos enlouquece. E, é claro, nos mantém focadas no físico, além ou acima de todas as outras coisas que poderiam nos trazer liberdade e poder. Eu digo “nós”, mesmo, porque me incluo nessa. Sou mulher e também sou alvo. Não passo ilesa. Quase ninguém passa.

Não estou sozinha. Saber que essa indústria da dieta e da magreza, da plástica e da beleza que movimentam milhões existem e nós somos os alvos não é o suficiente. E combatê-la também não é nada fácil, pois não vivemos em uma bolha e nossos conceitos, desejos e senso estético foram criados pela mesma cultura que alimenta isso tudo.

É um respiro saber que hoje existem movimentos, blogs e sites que tentam, se não quebrar, ao menos ampliar esse padrão, pois é só olhar em volta pra ver que existem belezas de todos os tamanhos e todas as cores. Ainda é um movimento pequeno e que sofre muitos ataques, mas que bom que existe.
É bom já esclarecer: não estou falando que não devemos buscar uma vida saudável. Devemos – se quisermos, pois a vida é de quem? Isso, a vida é nossa.

O que está errado é controlar o corpo das mulheres com essa desculpa. Ou você sai dando um tapa no cigarro de cada fumante que vê passando?

É bom também lembrar: não somos apenas corpos. Somos indivíduos complexos que merecem mais do que uma vida buscando uma perfeição que não nos cabe no reflexo de um espelho ou no ângulo de uma selfie.

Encerro com aspas da Naomi Wolf, cujo livro O Mito da Beleza deveria ser lido por todas nós: “Uma cultura focada na magreza feminina não revela uma obsessão com a beleza feminina. É uma obsessão sobre a obediência feminina. Fazer dietas é o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população passivamente insana pode ser controlada”.

Imagem de capa: Shutterstock/Anastasia_B

TEXTO ORIGINAL DE REVISTA DONNA

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/clara-averbuck-as-mulheres-nao-estao-no-mundo-para-enfeitar/

Transtorno Bipolar não tratado prejudica o cérebro

 

Por Chris Bertelli

A cada crise de mania ou depressão vivenciada pelo paciente bipolar, importantes partes do cérebro são danificadas. Repetidas ocorrências podem levar a danos muitas vezes irreversíveis.

“O transtorno bipolar é uma doença tóxica, ou seja, são liberadas toxinas que atuam na destruição dos neurônios, levando a perda de capacidade mental”, explica Angela Miranda Scippa, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB).

A crise pode mexer como o equilíbrio do organismo, aumentando o estresse oxidativo em todo o corpo e agravar a doença em si.

“Cada episódio faz com que a doença piore um pouco”, alerta Flavio Kapczinski, psiquiatra e pesquisador da Universidade federal do Rio grande do Sul (UFRGS).

“A cada cinco quadros depressivos, há uma perda de 10 a 20% no hipocampo”, quantifica Fabio Gomes, psiquiatra e professor da Universidade Federal do Ceará. O hipocampo é uma estrutura localizada no lobo temporal do cérebro, responsável principalmente pela memória e pela cognição. Nesses casos, por exemplo, os resultados são a falta de concentração e dificuldade na leitura.

“Muitas mudanças reversíveis podem gerar uma grande mudança irreversível”, diz Kapczinski.

Os danos no cérebro podem ser maiores ou menores, dependendo da intensidade e duração dos sintomas e da crise em si. “É como ter um corte no braço. Se você agir logo, pode reduzir as chances de infecção e deixar uma cicatriz menor. Cada episódio de mania ou depressão deixa uma espécie de cicatriz”, relata Angela.

Cada crise gera também um desgaste no corpo. Diversos estudos já demonstraram que a mortalidade entre os pacientes não tratados é maior do que aqueles em tratamento.

“Os bipolares não tratados morrem em média 20 anos antes da população em geral”, alerta Kapczinski.

Além do alto índice de suicídio – estimativas da ABTB apontam que até 50% dos portadores da doença tentam o suicídio pelo menos uma vez na vida e 15% realmente se suicidam – há também uma incidência maior de comorbidades como doenças cardiovasculares e câncer, o que aponta para um deterioração progressiva e consequente agravamento do quadro, que pode até levar à morte.

“O bipolar pode ficar dois anos apresentando sequelas de uma crise ou, em alguns casos, nunca se recuperar. Sem tratamento, as crises vão piorando e as sequelas se acumulando”, completa Antonio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoce dessa doença crônica são tão importantes.

Atualmente, os pacientes levam em média 10 anos para serem diagnosticados com transtorno bipolar. O desconhecimento e o preconceito e sobre esse transtorno do humor são os principais motivos que levam à demora. Na tentativa de reverter o quadro, a Associação Brasileira de Psiquiatria lançou esta semana, em Natal (RN), durante o Congresso Brasileiro de Psiquiatria, uma campanha nacional de alerta sobre a doença, que atualmente afeta 2,2% da população brasileira.

“As pessoas não se tratam porque não sabem o que tem, não entendem a doença, não conhecem seu prognóstico. É possível identificar os primeiros sinais e saber que assim que eles aparecem deve-se ir ao médico para evitar uma crise”, diz Antonio Geraldo.

Os principais sintomas do transtorno bipolar são irritação e agitação, depressão, insônia, sentimento de êxtase, fala rápida, distração, alegria exagerada, excitação sexual exacerbada, perda do apetite e pensamentos suicidas.

“Mas não são alterações comuns de humor, como a que estamos acostumados a vivenciar. O comportamento muda, a pessoa age diferente do que costuma ser e os sintomas se apresentam durante sete dias, em média. Parentes, companheiros e amigos são os primeiros a notar”, esclarece Angela.

A doença normalmente se manifesta pela primeira vez na adolescência, mas a pessoa pode apresentar os sintomas em qualquer idade.

“O ritmo biológico desregulado, a privação do sono, ou um evento estressante podem desencadear uma crise. A instabilidade que se instala não é exclusivamente de humor, mas também de funções biológicas como pensamento, metabolismo e ritmo. O humor é somente a que mais aparece”, explica Teng Chei Tung, psiquiatra do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

Existem dois tipos mais comuns de transtorno bipolar: o 1 e 2. O primeiro é caracterizado por quadros de euforia e mania intensas, ideias de grandeza, inquietação e comportamento suicida. O segundo apresenta quadro mais leve na intensidade com mania leve, costuma ser falante, tem problemas para dormir e costuma ser agitado.

“Esse é o que passa mais despercebido na sociedade e o mais difícil de ser diagnosticado”, afirma Angela.

O tratamento mais adequado para a doença inclui psicoterapia, medicamentos para regular o humor e psicoeducação (conscientizar o bipolar e a família sobre o transtorno e ajudá-los a identificar as crises e agir).

Os médicos são unânimes em afirmar que os remédios não criam dependência química e ressaltam que eles são necessários e indispensáveis. O tratamento deve ser seguido para toda a vida.

“O objetivo é não só controlar as crises, mas evitar que elas apareçam”, ressalta Antonio Geraldo.

TEXTO ORIGINAL DE IG

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/transtorno-bipolar-nao-tratado-prejudica-o-cerebro/

6 sinais de mau comportamento perigosos que jamais os pais podem ignorar

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A revista Pais e Filhos reuniu algumas situações enfrentadas por qualquer pai e mãe, principalmente, de filhos pequenos que estão aprendendo a testar seus limites e capacidade de realizar certas atividades. Fique atenta, alguns desvios de conduta podem ser nocivos se você não intervir enquanto é tempo de mudar.

Perceba 6 sinais claros de problema de comportamento, e sugestões para solucioná-los através de diálogo:

1.  Fingir que não ouve
Ter de repetir várias vezes a mensagem ou pedido ao seu filho passa a mensagem de que está tudo bem se ele ignorar você. Em vez de chamar a atenção de longe, vá até ele, olhe nos olhos e diga o que precisa. Fale somente quando ele estiver olhando para você e espere até que responda. Pegar na mão, e desligar a TV também ajudam a conseguir a atenção.

2. Fazer birra
Se você ignora porque pensa que é apenas uma fase, pode ser que mais tarde seu filho tenha problema para reagir às más notícias e frustrações, como a imposição de limites por você, professores, e amigos. Deixe seu filho consciente do próprio comportamento. Sinalize: “quando você faz essa careta, parece que não gosta do que eu estou dizendo”. A ideia não é fazer com que se sinta mal, mas para que perceba como está agindo.

3. Interromper sua fala
Permitir que ele interrompa uma conversa não o ensina a ser atencioso com as pessoas. Como resultado, seu filho vai pensar que sempre tem direito a ter a atenção dos outros, assim que desejar, e não será capaz de lidar com frustrações.

4. Ser agressivo nas brincadeiras
Considere ações violentas mais sutis, como empurrar o irmão ou tirar algo da mão de um amigo. Se você não intervir, comportamentos ásperos podem se tornar um hábito. Além disso, a mensagem que fica é que ferir pessoas é aceitável e fácil. Antes do próximo encontro com amigos, ajude a lembrá-lo de que não deve ser agressivo e como deve agir quando ficar irritado.

5. “Inventar” verdades
É bastante importante confrontar qualquer tipo de atitude que não seja honesta, desde que não seja num momento fantasioso de brincadeira, claro. Mentir pode se tornar uma atitude automática, se a criança aprende que é um jeito fácil de parecer mais legal, evitar fazer algo que não quer fazer ou evitar problemas por alguma coisa que já fez. Procure descobrir qual é a motivação para sua mentira e se certifique de que ele cumpra o que fingiu ter feito.

6. Ser independente demais
É preciso deixar muito esclarecido que algumas atividades não são recomendadas para crianças da idade dele, que é preciso ser maior, mais adulto, para conseguir e poder executá-las com segurança. Estabeleça um pequeno número de regras da casa e fale sobre elas com frequência.

TEXTO ORIGINAL DE BOLSA DE MULHER

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/6-sinais-de-mau-comportamento-perigosos-que-jamais-os-pais-podem-ignorar/

Vídeo fala sobre a descoberta da sexualidade de um garoto e viraliza

Uma animação está derretendo corações de muita gente ao mostrar com sutileza a descoberta da sexualidade entre dois meninos gays. In a Heartbeat surgiu como o trabalho de final de curso dos estudantes Beth David e Esteban Bravo na Ringling College of Art and Design.

A animação conta a história do menino Sherwin, que se apaixona pelo popular Jonathan. Quando seu coração sai voando em direção ao amado, Sherwin tenta de tudo para não revelar sua sexualidade – até descobrir que não precisava ter medo de se abrir.

Através do Kickstarter, os estudantes reuniram fundos para contratar um compositor e um designer de som para a criação da trilha sonora do filme. O valor previsto pela campanha inicial foi financiado em apenas 3 horas após o lançamento do projeto, que arrecadou quase cinco vezes a quantia estimada.

Publicado no Youtube no dia 31 de julho, o vídeo já foi visto por mais de 6 milhões de pessoas e reúne centenas de comentários. Pega o lencinho e dá o play:

TEXTO ORIGINAL DE HYPENESS

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/video-fala-sobre-a-descoberta-da-sexualidade-de-um-garoto-e-viraliza/

A corajosa geração que tem medo de amar

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Você sabe, não é tarefa fácil amar alguém. É preciso ter uma energia, uma generosidade, uma cegueira. Há até um momento, bem no início, em que é preciso saltar por cima de um precipício: se refletirmos, não o fazemos.

Jean-Paul Sartre

Cuidado para não guardar esse potencial para amar por toda uma vida e privar-se dos seus sonhos mais clichês pensando ter agido por coragem, quando na verdade deixou que seus medos o dominassem. Neste momento, não diga que está sozinho por ter sido nobre quando decidiu não magoar, e quem sabe até mesmo não destruir, pessoas especiais que encontrou pelo caminho.

E matou lindos amores antes de terem nascido. Por um tempo a mais para viver livremente. Por um tempo extra pra se autodescobrir, criar coragem, ter certeza. Esperando a hora exata. Só não sabia que quanto mais se descobrisse, mais se daria conta de seus vazios, mais medo teria e mais incertezas te assombrariam a cada decisão. Só não entendia que amar – de verdade – não implica em parar todo esse processo. Onde aprendeu que amor é sinônimo de estar algemado, trancado, impedido de mudança e crescimento?

E quem disse que tem obrigação de só fazer escolhas certas? De que não pode simplesmente encarar uma decisão errada e mudar de direção conscientemente? Agora, encontrar um caminho cheio daquilo que gostaria e abandoná-lo não é prudência – é covardia.

Não me entenda mal. Respeito seu momento e suas angústias. Elas não são sem sentido. Existe sim nobreza em assumir suas fraquezas e não querer que elas destruam a quem você viu um brilho. Deve sentir-se orgulhoso em não estar mais naquele ponto em que se arrisca e, se não der certo, dane-se o outro. Mas quem é você para saber o que a cada um é fatal? Deixe disso. Tem medo é de perder-se novamente e de não saber quem você é no meio de dois. Tem medo de não conseguir enxergar onde estará a vírgula, as reticências e o ponto final.

Preciso te contar uma coisa. Sabe aquele seu relacionamento fodido? Que te deixou com tanto receio de amar novamente? Doeu demais, não é? Como é triste ver transformar-se em estranheza algo que fora um dia tão lindo. Quanto sofrimento. Quanto dano foi causado em vocês. Você não quer isso novamente. É prudente, entendo. Você sofre por algo que quebrou. Não tinha mais jeito. O apego te deixou naquela situação até que os sentimentos apodrecessem. Não se sinta culpado, talvez não haja um só ser que não tenha passado por um desses.

Acontece que o problema nunca foi amar e ser amado. O problema nunca foi estar em um relacionamento. E agora acredita que este é o perigo. O perigo é a falta de sinceridade e respeito. É continuar pisando em terra onde o amor já morreu faz tempo. E ao tentar evitar sofrimento igual fugindo de planícies férteis, talvez encontre um novo tipo de dor mais a frente: a dúvida do que poderia ter sido, mas não foi por receio do mesmo (ou do pior). E tenho dito, medo é algo que cresce rapidamente mesmo em ambientes inóspitos. Imagine nesse seu coração?

Se me ouviu até aqui, deixe-me prolongar mais um pouco… Não existe tempo certo além do agora. Cuidado com as decisões que toma e que são baseadas em pensamentos sobre o futuro, pois quem fala por ele é o medo ou a ansiedade, os quais não são lá muito conhecidos pela criação de roteiros bonitos. O amor só fala no presente, em breves momentos. Na vontade de ter mais um abraço daqueles que aquecem a alma. De sentir aquela sintonia em uma conversa que vai muito além de papos Leblon. Ok, talvez seja bom somente por um final de semana, um mês, um ano… Vai saber? Mas, por que privar-se desse presente da vida ao preferir o pretérito imperfeito? Meu bem, viver não pede que sejamos perfeitos. Às vezes vale a pena pagar pra ver.

Talvez pense que estou a tentar convencê-lo. Negativo. É que vi em você algo especial, um potencial para o profundo e fiz questão de deixar a reflexão. Pode não ser pra agora, mas que seja feita a cada vez que a vida te trouxer uma boa razão. Se minhas palavras pareceram praga, não é a intenção tão pouco. Nada do que falo é livre de erros. Aqui não existe verdade absoluta, somente o que sinto – o que vai muito além do que vejo. Além disso, não há problema algum em querer estar sozinho. Até mesmo em passar a vida em breves paixões. Só tenha certeza de que estará agindo pelos motivos certos e fique atento, pois o medo, apesar de pessimista, é esperto e se disfarça de nobre intenção.

 

http://www.contioutra.com/corajosa-geracao-que-tem-medo-de-amar/

 

Imagem de capa: Alexander Milov, Burning-Man

Você sabe, não é tarefa fácil amar alguém. É preciso ter uma energia, uma generosidade, uma cegueira. Há até um momento, bem no início, em que é preciso saltar por cima de um precipício: se refletirmos, não o fazemos.

Jean-Paul Sartre

Cuidado para não guardar esse potencial para amar por toda uma vida e privar-se dos seus sonhos mais clichês pensando ter agido por coragem, quando na verdade deixou que seus medos o dominassem. Neste momento, não diga que está sozinho por ter sido nobre quando decidiu não magoar, e quem sabe até mesmo não destruir, pessoas especiais que encontrou pelo caminho.

E matou lindos amores antes de terem nascido. Por um tempo a mais para viver livremente. Por um tempo extra pra se autodescobrir, criar coragem, ter certeza. Esperando a hora exata. Só não sabia que quanto mais se descobrisse, mais se daria conta de seus vazios, mais medo teria e mais incertezas te assombrariam a cada decisão. Só não entendia que amar – de verdade – não implica em parar todo esse processo. Onde aprendeu que amor é sinônimo de estar algemado, trancado, impedido de mudança e crescimento?

E quem disse que tem obrigação de só fazer escolhas certas? De que não pode simplesmente encarar uma decisão errada e mudar de direção conscientemente? Agora, encontrar um caminho cheio daquilo que gostaria e abandoná-lo não é prudência – é covardia.

Não me entenda mal. Respeito seu momento e suas angústias. Elas não são sem sentido. Existe sim nobreza em assumir suas fraquezas e não querer que elas destruam a quem você viu um brilho. Deve sentir-se orgulhoso em não estar mais naquele ponto em que se arrisca e, se não der certo, dane-se o outro. Mas quem é você para saber o que a cada um é fatal? Deixe disso. Tem medo é de perder-se novamente e de não saber quem você é no meio de dois. Tem medo de não conseguir enxergar onde estará a vírgula, as reticências e o ponto final.

Preciso te contar uma coisa. Sabe aquele seu relacionamento fodido? Que te deixou com tanto receio de amar novamente? Doeu demais, não é? Como é triste ver transformar-se em estranheza algo que fora um dia tão lindo. Quanto sofrimento. Quanto dano foi causado em vocês. Você não quer isso novamente. É prudente, entendo. Você sofre por algo que quebrou. Não tinha mais jeito. O apego te deixou naquela situação até que os sentimentos apodrecessem. Não se sinta culpado, talvez não haja um só ser que não tenha passado por um desses.

Acontece que o problema nunca foi amar e ser amado. O problema nunca foi estar em um relacionamento. E agora acredita que este é o perigo. O perigo é a falta de sinceridade e respeito. É continuar pisando em terra onde o amor já morreu faz tempo. E ao tentar evitar sofrimento igual fugindo de planícies férteis, talvez encontre um novo tipo de dor mais a frente: a dúvida do que poderia ter sido, mas não foi por receio do mesmo (ou do pior). E tenho dito, medo é algo que cresce rapidamente mesmo em ambientes inóspitos. Imagine nesse seu coração?

Se me ouviu até aqui, deixe-me prolongar mais um pouco… Não existe tempo certo além do agora. Cuidado com as decisões que toma e que são baseadas em pensamentos sobre o futuro, pois quem fala por ele é o medo ou a ansiedade, os quais não são lá muito conhecidos pela criação de roteiros bonitos. O amor só fala no presente, em breves momentos. Na vontade de ter mais um abraço daqueles que aquecem a alma. De sentir aquela sintonia em uma conversa que vai muito além de papos Leblon. Ok, talvez seja bom somente por um final de semana, um mês, um ano… Vai saber? Mas, por que privar-se desse presente da vida ao preferir o pretérito imperfeito? Meu bem, viver não pede que sejamos perfeitos. Às vezes vale a pena pagar pra ver.

Talvez pense que estou a tentar convencê-lo. Negativo. É que vi em você algo especial, um potencial para o profundo e fiz questão de deixar a reflexão. Pode não ser pra agora, mas que seja feita a cada vez que a vida te trouxer uma boa razão. Se minhas palavras pareceram praga, não é a intenção tão pouco. Nada do que falo é livre de erros. Aqui não existe verdade absoluta, somente o que sinto – o que vai muito além do que vejo. Além disso, não há problema algum em querer estar sozinho. Até mesmo em passar a vida em breves paixões. Só tenha certeza de que estará agindo pelos motivos certos e fique atento, pois o medo, apesar de pessimista, é esperto e se disfarça de nobre intenção.

Imagem de capa: Alexander Milov, Burning-Man

Amor romântico e amor genuíno

Você sabe a diferença entre o amor genuíno e amor romântico? Amor genuíno é aquele que deseja o bem e felicidade do outro. Segundo Skinner, existem três níveis de seleção. No 1º nível há interação erótica; paixão; não se fala em Amor, mas em desejo. É o amor Eros, segundo os gregos. No 2º, denominado Philia, tem amizade individualista, é egoísta, desprovida de admiração, fraternidade, companheirismo; ocorrem interações de opressão e submissão; amizade imatura e sensorial. As pessoas podem evoluir em sua história ontogenêtica, até chegar no nível cultural.

Quando o individualismo é medido e polido pelo 3º nível; a amizade é madura e regulada por sensibilidade, onde o belo está naquele que amo, sem erotismo e sem preconceitos ou preferências; estamos falando do terceiro nível de seleção e essas pessoas são tidas como acolhedoras, amorosas, tranquilas, tolerantes diante das dificuldades da vida, altruístas etc.
Na Grécia Antiga, esse terceiro nível de seleção era denominado de Ágape.

A história de contingências de reforçamento cultural estabelece limites para os determinantes filo e ontogenéticos, uma vez que inclui e amplia, decididamente, a importância do outro na interação amorosa e, como tal, alça o Amor ao seu nível mais elevado. Então, o amor genuíno é caracterizado pela compaixão, caridade, fraternidade, cooperação. Vai além de amar o outro como a si mesmo; é amar o outro mais do que a si mesmo. É Belo aquele que amo, sem erotismo e sem preconceitos ou preferências; é Belo o outro ser humano ” (GUILHARDI, 2015).

Pode ser que haja interação entre os níveis, como o 2º com o 3º, aonde prevalecem amizade, admiração, fraternidade, companheirismo, desde que as interações de controle e contracontrole (como cada uma das partes se influenciam) se equilibrem. Assim, não há relação de opressão, nem de submissão. Segundo Skinner, o amor mais maduro seria regido pela interação equilibrada dos três níveis. Porém, vale considerar, que nas profissões em que lidam com outros seres humanos, que ajudam vidas, a prioridade deve ser o amor genuíno, aonde o que mais importa é de quem se cuida.

FONTE: ITCR- Interações Amorosas sob perspectiva comportamental.

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