Estudo de Harvard revela que desemprego é o fator que mais provoca divórcios (e expõe consequências do machismo)

Estudo de Harvard revela que desemprego é o fator que mais provoca divórcios (e expõe consequências do machismo)

Não é sobre o que você fez, geralmente é sobre o que você deixou de fazer

Não é sobre ajudar com trabalhos domésticos. Também não é sobre a mulher ter o próprio emprego. Nem sobre o homem passar muito tempo trabalhando e pouco com a família. Pelo contrário. Um estudo recente da Universidade de Harvard indicou que a principal causa de divórcios nos Estados Unidos é o desemprego dos homens.

Para chegar a esta conclusão, a professora e socióloga Alexandra Killewald analisou mais de 6300 casamentos heterossexuais realizados nos Estados Unidos entre 1968 e 2013, nos quais os parceiros tinham entre 18 e 55 anos e estavam no primeiro matrimônio. Desse total, 1684 acabaram em divórcio e tiveram suas causas analisadas em comparação aos casamentos duradouros.

A pesquisadora decidiu realizar o estudo porque, segundo ela, a maioria das pesquisas que já analisaram fatores econômicos do divórcio se concentram apenas nas características das mulheres. Por assim dizer: (1) se ela tem sua própria carreira; (2) se tem ajuda nos trabalhos domésticos; (3) se é independente financeiramente; e (4) se teria estabilidade após a separação. Killewald alerta que embora os homens tenham recebido menos atenção dos estudos acadêmicos, eles também levam esses fatores em consideração em casos de divórcio.

Foi então que, decidida a estudar também as condições do marido num cenário pré-separação, ela chegou à conclusão que surpreendeu a todos: o desemprego do homem na relação é o fator que mais gera divórcios.

Os motivos

Intitulado “Money, Work, and Marital Stability: Assessing Change
in the Gendered Determinants of Divorce
“, a pesquisa se propunha a analisar as relações entre dinheiro, trabalho, gênero e estabilidade no casamento. Para isso, a pesquisadora começou dividindo o estudo em duas partes: antes e depois de 1975.

Segundo ela, é nessa data que começam a se consolidar os matrimônios que já levam em consideração mulheres que queriam e estudaram para ter suas próprias carreiras e não para serem apenas cuidadoras do lar. Ou seja, é nessa data que as primeiras consolidações da segunda onda do movimento feminista nos Estados Unidos começam a se refletir nos dados analisados.

A partir desse marco, a pesquisadora investigou hipótese por hipótese levantada, começando pelo emprego em tempo integral das mulheres:

“Avaliar a associação entre o emprego das esposas e o risco de divórcio e como essa associação pode ter mudado entre os recortes de casamento é um desafio. Quando todos os recortes são reunidos, o emprego das mulheres está associado ao risco maior de divórcio. Porém, esse risco diminui com o passar dos anos e não posso descartar a possibilidade de que esses divórcios aconteceram por efeitos antecipados. Os resultados são condizentes com a mudança sobre a expectativa do emprego das esposas, mas as conclusões sobre esses recortes cruzados devem permanecer especulativas.”

Já sobre a maior participação dos homens nos trabalhos domésticos, Killewald declarou:

“Para os casamentos fundados a partir de 1975, qualquer mudança na responsabilidade doméstica das esposas não está linearmente associada a uma maior estabilidade conjugal. Modelos suplementares revelaram que, pelo menos no recorte mais recente, algum igualitarismo na divisão do trabalho doméstico pode aumentar as chances do relacionamento ser duradouro. Porém, mais pesquisas também são necessárias para investigar de forma precisa essa relação.”

O que a pesquisa foi capaz de solucionar sem dúvidas, diz respeito ao desemprego do homem e seu impacto no divórcio:

“A evidência mais forte para a perspectiva da instituição de gênero é que, para os casamentos iniciados em 1975 ou posterior, o divórcio é mais provável quando os maridos não estão num emprego de tempo integral. Assim como o provedor do sexo masculino permaneceu importante para a formação do casamento como nós conhecemos, os resultados aqui demonstram sua importância duradoura também para a estabilidade do casamento. Os resultados são condizentes com as alegações de que o provedor masculino continua a ser um componente central no contrato conjugal.”

As explicações

As mudanças a partir de 1975 e o fato de que o (des)emprego masculino é tão preponderante para o (in)sucesso do casamento sugerem a mesma coisa. As relações e as expectativas entre os gêneros dentro de uma relação heterossexual estão sendo transformadas, mas em ritmos diferentes.

Ainda que lento em ambos os casos, a pesquisa indica que as mulheres estão conseguindo se livrar das amarras do sexismo mais rápido do que os próprios homens. Ou seja, elas sofrem mais com os efeitos do machismo, mas também estão combatendo isso de forma mais efetiva do que eles.

Objetivamente: enquanto a divisão de tarefas em casa e a independência financeira das mulheres é algo que vem caminhando cada vez mais para o comum, a responsabilidade do homem como provedor maior da casa continua.

“O casamento continua sendo uma instituição de gênero, incorporada na estrutura de gênero maior. Os diferentes resultados do recorte marital sugerem que os determinantes da estabilidade conjugal provavelmente continuarão a mudar em conjunto com as mudanças na estrutura de gênero mais ampla. O fato de que, nos recortes recentes, o emprego das esposas não está associado ao risco de divórcio, enquanto a falta de emprego dos maridos está, sugere que as mudanças na estrutura de gênero podem não ter prosseguido uniformemente para os homens e mulheres. As expectativas do trabalho doméstico das esposas podem ter mudado, mas a norma do marido defensor da família persiste.”

A pesquisadora também explicou como isso efetivamente se reflete no término dos relacionamentos:

“É possível que o desemprego dos maridos esteja associado à ruptura conjugal mais forte do que as esposas, não por interpretações de gênero somente, mas porque essa falta de emprego deles está mais propensa a ser involuntária e o desemprego involuntário pode afetar os casamentos mais fortemente do que o voluntário, afetando resultados como a saúde mental dos parceiros.”

No entanto, a própria professora faz a ressalva de que mais pesquisas seriam necessárias para tirar conclusões sobre isso. Ela argumenta que a quantidade de famílias deliberadamente não-tradicionais ainda é pequena. Ou seja, ainda há poucos casais nos quais o homem escolhe cuidar da casa e dos filhos enquanto a mulher trabalha fora.

Nos dados analisadas pela pesquisa em questão, em 2012, apenas 20% dos pais que estavam em casa, fizeram essa escolha consciente com o objetivo de cuidar da família. Sobre esse contexto especificamente, nós do PdH fizemos uma entrevista há não muito tempo com o Marco Antônio DiPreto para a nossa série Caixa Preta:

Link Youtube

A essa altura, porém, você deve estar pensando que no Brasil esses dados podem ser diferente e, de fato, não há pesquisas que confirmam se o desemprego masculino tem fator decisivo nos divórcios realizados aqui no país, mas nós mesmos do PapodeHomem fizemos recentemente uma pesquisa completa junto à ONU Mulheres que indicou, entre outras coisas, que 44% dos homens se sentem pressionados por ser o provedor da casa, mas não falam sobre isso:

Tudo isso só indica que os efeitos do machismo seguem afetando homens, mulheres e a relação entre eles. Nós já falamos sobre o assunto em diversos outros artigos (linkados abaixo), mas agora queremos te ouvir:

Afinal, você acha que perder seu emprego poderia acabar com o seu relacionamento?

Leituras sugeridas para aprofundamento:

https://papodehomem.com.br/estudo-de-harvard-revela-que-desemprego-e-o-fator-que-mais-provoca-divorcios-e-expoe-consequencias-do-machismo?utm_content=buffer7100d&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

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Ninguém cura ninguém, somos apenas Facilitadores

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Ninguém cura ninguém, somos apenas FACILITADORES!

De Vera Luz.

” Recebo tantas mensagens a perguntar se os meus “tratamentos” funcionam, se com uma sessão ficam curadas, se os ataques de pânico desaparecem, se o medo se evapora, se depois já conseguem isto e aquilo, etc. Ou seja, a era do click chegou ao mundo da terapia!

Admito que é uma tentação a ideia de que possa haver fast-healing tal como há fast-food, mas obviamente há que separar as águas…

1º Eu não faço “tratamentos”. Aplico ferramentas, exercícios, técnicas que têm como objectivo levar a pessoa a tomar consciência da sua história, perceber que energias carrega e como pode transformá-las. Cada um fará os devidos ajustes e mudanças na sua vida lá fora de acordo com o que percebeu em consulta.

2º Nada irá mudar se TU não mudares também. Quando não fazemos mudanças, a realidade à nossa volta mantém-se, os padrões repetem-se e o que origina queixume, vitimização e tendência a culpar os outros, mantêm-se até que a mudança interior aconteça. Cada um terá a disciplina mental interior ou não para mudar estes padrões dentro de si.

3º Não somos vítimas de sorte ou azar, de bons ou maus pais, de ter ou não emprego, de ter bons ou maus relacionamentos, de ter filhos mais ou menos difíceis. Tudo o que nos rodeia é um espelho da relação que temos connosco próprios. Cada um irá ou não aproveitar os espelhos para corrigir em si os seus próprios desequilíbrios.

4º Responsabiliza-te pela tua cura. A cura não se faz numa sessão ou com um livro. Ela é a viagem da nossa vida, implica trabalho permanente a nível fisico, mental, emocional e espiritual. Implica respeitar os ciclos da vida, tanto naturais como astrológicos e numerológicos. Implica ir fluindo com a vida fazendo do nosso equilíbrio interior, uma prioridade. Cada um irá ser capaz de aplicar esta visão ou não.

5º Não controlamos seja o que for. Apenas temos o poder de responder aos eventos da vida e de colocar em acção determinadas forças. Não controlamos o impacto que elas irão ter ou a que nos irão chegar. Saber isto ajuda-nos a desactivar a ansiedade e os medos e a aprender a confiar no movimento inteligente das energias. Cada um irá manter ou não esta consciência e fará ou não este trabalho.

6º Temos TUDO dentro de nós. “sou insegura, não tenho auto-estima, estou presa no medo” estas e outras são afirmações falsas que acreditamos erradamente. Cada um de nós traz energias desequilibradas que precisam de novos movimentos nossos para se equilibrarem. O medo precisa de coragem. O pânico precisa de fé. A tristeza precisa de alegria. A raiva precisa de criatividade. A frieza precisa de amor, etc. Cada um irá ou não responsabilizar-se pelos novos movimentos que contrariem os velhos excessos ou faltas.

7º O amor é um estado de SER e não um estado de ter. São muito poucos os que já perceberam o conceito de amor próprio.
A maioria tem apenas noção de amor em termos românticos a dois e por isso a rejeição, abandono, solidão, violência, cobrança e julgamento abundam dentro das relações. Antes de chegarmos ao outro temos que fazer a nossa parte para que depois então não haja nem submissão nem exigência. Cada um irá ou não fazer este resgate de amor próprio.

8º Adivinhação e futurismo…. Sim ainda há quem pague, e muito, para ouvir alguém que lhes dizer quando vão casar, ter filhos, ser promovidos, etc. Pior do que viverem enganados é viverem inconscientes do poder que têm de mudar as suas vidas. Cada um irá lá fora investir o seu tempo e dinheiro onde bem entende.

Poderia dar infinitos exemplos de como podemos cair no erro de achar que uma consulta pode “curar” seja o que for. O trabalho de crescimento interior e desenvolvimento pessoal é e será sempre um trabalho interno, pessoal, individual que terá quando assim o entendermos, a ajuda de um facilitador, terapeuta ou simplesmente um agente de transformação disfarçado que nos irá empurrar para o nosso equilíbrio.

Todo o meu trabalho tem como base, a responsabilidade que cada um tem pela sua existência, pelo estado da sua energia, pelas energias que traz do passado e como aceder ao potencial a que se propôs.

Foi inspirada por estes princípios que mudei a minha vida e encontrei o trilho da minha existência e logo são estes mesmos princípios que acredito irão fazer magia na vida de quem os aplicar.

Tenho perfeita consciência que há infinitos caminhos para a luz e que o primeiro passo tem que acontecer dentro de nós. Não pretendo por isso indicar caminhos, apenas ajudar quem se perdeu a voltar ao seu.”

Parabéns prá você.

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“Parabéns para você, que tem um sonho.
Que não desiste, apesar do que falam.
Que não se abala, apesar do medo.
Que sente uma fraqueza interna, mas caminha com passos firmes. Que apesar de cada pedra no caminho, corre.
Que reclama dos problemas, mas entende que a vida é feita deles. Que tenta entender o defeito alheio – e procura perceber os seus.

Clarissa Corrêa

Se Você Estiver Cansada De Tudo, Por Favor, Leia Isso

cansada 2

 

Quando falamos em cansaço, logo vem à mente o cansaço físico, mas não é nesse sentido que continuaremos esse texto, porque às vezes, o cansaço psicológico machuca tanto quando o cansaço do corpo.

Existem momentos em nossas vidas que nos esgotamos de tal maneira que acabamos ficando sem forças, querendo simplesmente pular um período da vida, dormir e acordar quando tudo estiver melhor.

A vontade é manter distância do mundo, porém acabamos descobrindo que essa não é a melhor opção, pois está longe da solução.

O mundo em que vivemos é extremamente cansativo. É muito ingrato. É possível cansar simplesmente por viver nele e assistir diariamente tantas coisas ruins acontecendo, você passa olhar só o lado ruim. Você está cansado de amar muito, dar algo ao mundo que nunca lhe dá nada em troca. Você está cansado da incerteza e da monotonia da vida cotidiana.

Talvez você costumasse acreditar, talvez vivesse cheio de belas esperanças, pensando que o otimismo superava o cinismo e se sentia pronto para recomeçar. Mas, após ter o coração despedaçado, promessas não cumpridas e planos fracassados, você sente que perdeu tudo.

O mundo nem sempre lhe tem sido bom, você perdeu mais do que ganhou e agora não sente absolutamente nenhuma inspiração para tentar novamente. Entendo. No fundo, estamos todos cansados. Cada um de nós. Ao chegar a certa idade, não somos mais do que um exército de corações partidos e almas doloridas buscando desesperadamente pela harmonia.

Queremos mais, mas estamos cansados demais para pedir. Não gostamos de onde estamos agora, mas estamos com muito medo de começar algo do início. Temos de assumir riscos, mas sentimos medo de ver como tudo em nosso entorno pode simplesmente desmoronar. No final, não temos certeza de quantas vezes podemos começar tudo de novo.

A verdade é que, às vezes, cansamos uns dos outros. Estamos cansados dos jogos que jogamos, das mentiras que contamos a nós mesmos, da incerteza que semeamos entre nós. Não queremos usar máscara, mas tampouco queremos continuar a ser tolos e ingênuos. Temos de jogar nossos odiados papeis e fingir sermos alguém, porque não temos certeza da nossa escolha.

Sabemos o quão difícil é seguir fazendo algo ou fingir fazer novas tentativas, quando já estão acabando as forças mentais. E aqueles ideais otimistas que estavam tão próximos parecem inatingíveis e ilógicos. Mas já que você está tão perto de desistir de tudo, pedimos uma coisa: tente de novo, com todas as suas forças!

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Uma grande verdade é que somos muito mais resistentes e alegres do que podemos imaginar e isso é uma verdade inquestionável. Somos capazes de dar mais amor, mais esperança, mais paixão do que damos hoje. Queremos resultados imediatos e desistimos se não os vemos. Estamos desapontados com a falta de respostas e deixamos de tentar.

Você entende que nenhum de nós consegue estar inspirado todos os dias? Todos ficamos chateados e cansados. O fato de você se sentir exausto e cansado da vida não significa que esteja imóvel. Cada pessoa que você já admirou, quando buscou seus sonhos, também já falhou algum dia. Mas isso não o impediu de alcançar seus objetivos. Não desista, não importa o que você esteja fazendo, seja uma tarefa comum ou planos grandes e magníficos.

Quando estiver cansado, vá devagar. Mova-se com calma, sem pressa. Mas não pare! Você está cansado por razões objetivas. Sente-se esgotado porque está mudando e fazendo muitas coisas. Está exausto porque está crescendo. Algum dia este crescimento poderá realmente lhe inspirar.

 

http://www.fasdapsicanalise.com.br/se-voce-estiver-cansado-de-tudo-por-favor-leia-isso/

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amor própeio

Oração do Amor Próprio
Com carinho eu me cuido e me amparo a cada passo, a cada queda.

Sei que minha força se refaz no meu tempo e nele meu coração celebra.

Que eu não me critique ou me culpe, drenando assim minha própria energia.

Que eu saiba respeitar o meu tempo de florescer a cada dor, que eu possa também me permitir a alegria.

Que antes de cuidar do outro, eu olhe para a minha vida, regue o meu jardim para que a doação não me deixe um buraco e eu me sinta depois dolorida.

Que eu não abandone a mim mesma, esperando que alguém venha me salvar, ao invés disso que eu saiba me olhar com amor e me curar.

Que eu saiba primeiro me encontrar antes de me doar.

Que eu possa respeitar os meus próprios limites e aprender a dizer “não” quando essa é a minha real vontade e direção.

Nos erros que cometo, que eu possa me olhar com todo amor e compaixão, pois sei que faço e dou o meu melhor, que eu aprecie a auto gratidão.

Em cada Alegria celebro a grandeza de ser quem sou, sem querer ser uma imagem que pintaram de mim, esse tempo acabou.

Com carinho eu me curo e me amparo a cada passo, a cada queda. Sei que minha força se refaz no meu tempo e nele meu coração celebra.

“Se engana quem pensa que o amor serve para preencher as partes vazias. O amor serve pra ocupar tudo sem se preocupar com os limites”. (Ad)

 

“Uma das leis desse plano é que você não tem o poder de transformar o outro – você só pode transformar a si mesmo, pois o livre arbítrio é soberano”. (sri prem baba)

 

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/oracao-do-amor-proprio/

 

Oração do Amor Próprio

Posted: 29 Sep 2017 11:59 AM PDT

 

 

Com carinho eu me cuido e me amparo a cada passo, a cada queda.

 

Sei que minha força se refaz no meu tempo e nele meu coração celebra.

 

Que eu não me critique ou me culpe, drenando assim minha própria energia.

 

Que eu saiba respeitar o meu tempo de florescer a cada dor, que eu possa também me permitir a alegria.

 

 

Que antes de cuidar do outro, eu olhe para a minha vida, regue o meu jardim para que a doação não me deixe um buraco e eu me sinta depois dolorida.

 

Que eu não abandone a mim mesma, esperando que alguém venha me salvar, ao invés disso que eu saiba me olhar com amor e me curar.

 

Que eu saiba primeiro me encontrar antes de me doar.

 

Que eu possa respeitar os meus próprios limites e aprender a dizer “não” quando essa é a minha real vontade e direção.

 

 

Nos erros que cometo, que eu possa me olhar com todo amor e compaixão, pois sei que faço e dou o meu melhor, que eu aprecie a auto gratidão.

 

Em cada Alegria celebro a grandeza de ser quem sou, sem querer ser uma imagem que pintaram de mim, esse tempo acabou.

 

Com carinho eu me curo e me amparo a cada passo, a cada queda. Sei que minha força se refaz no meu tempo e nele meu coração celebra.

 

 

“Se engana quem pensa que o amor serve para preencher as partes vazias. O amor serve pra ocupar tudo sem se preocupar com os limites”. (Ad)

 

“Uma das leis desse plano é que você não tem o poder de transformar o outro – você só pode transformar a si mesmo, pois o livre arbítrio é soberano”. (sri prem baba)

 

http://www.psicologiasdobrasil.com.br/oracao-do-amor-proprio/

 

Ortorexia: estamos ficando doentes de tanto comer bem?

POR SILVIA LISBOA | COLABORAÇÃO JUAN ORTIZ E RAÍZA VIEIRA

 (Foto: Ícones: Gabriela Namie)(FOTO: DULLA)

Dos 14 aos 16 anos, Anna Júlia Moll comeu frango, batata-doce e brócolis em todas as refeições. Mais precisamente, 100g de frango e 40g de batata-doce e brócolis, pesados numa balança. A carne era temperada apenas com limão, alho e cebola e grelhada numa panela antiaderente sem sal ou óleo. Tudo era preparado pela estudante, moradora de Cachoeirinha, região metropolitana de Porto Alegre. “Eu não deixava minha mãe fazer porque tinha medo que ela colocasse azeite ou algo que pudesse ‘estragar’ a comida”, conta Anna, hoje com 20 anos. Ela lia as novidades da ciência e sabia que o sal causava “retenção hídrica” e a deixava inchada, e o azeite era culpado pela gordura. “Tudo o que era gordura era ruim. Ponto”, explicou.

Um dia ela decidiu que não voltaria a comer doces e laticínios. O açúcar era um veneno conhecido, e os derivados do leite tinham um efeito semelhante ao do sal: causavam inchaços indesejados para sua meta de estar em dia com a saúde e a silhueta. Mas, para se convencer mesmo a não ingerir mais nada de iogurte ou brigadeiro, colocou na cabeça que sofria de diabetes e intolerância à lactose, apesar de não ter nenhum sintoma das duas doenças. Se tivesse muita vontade de comer algo da lista proibida, cheirava o prato até a vontade passar. Funcionava.

A mania de comer só o que faz bem à saúde e demonizar certos ingredientes é conhecida por parte da comunidade médica como ortorexia nervosa. A desordem ainda não faz parte do DSM, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, a Bíblia da Psiquiatria, o que significa que ainda não há protocolos para diagnosticar e tratar a ortorexia. Mas especialistas acreditam estar diante de uma nova faceta de um transtorno alimentar que começou com a cultura da geração saúde.

+ Leia também: ‘O Suficiente para Viver’: como representar transtornos alimentares?

O termo foi cunhado pelo médico norte-americano Steven Bratman em 1996 e vem das palavras gregas orthos, que significa certo, e orexis, apetite. Na época, Bratman não tinha intenção de nomear um novo distúrbio, mas preocupava-se com o comportamento peculiar de um grupo de pacientes que chegavam ao seu consultório de medicina alternativa perguntando o que podiam cortar da dieta.

“Era mais como um movimento de contracultura”, escreveu, por e-mail. Mais de 20 anos depois, o fenômeno ganhou proporções epidêmicas. “Hoje, a ortorexia é totalmente mainstream”, disse Bratman. Estima-se que em torno de 1% da população mundial sofra dessa fixação em se alimentar de forma correta, de acordo com um estudo da University of Northern Colorado, dos Estados Unidos, publicado neste ano. Em números absolutos, é um contingente de 70 milhões de pessoas. Entre certos grupos, como atletas, modelos e estudantes da área de saúde, o risco é bem mais alto.

Uma pesquisa feita na Universidade de Taubaté, interior de São Paulo, com 150 alunas do curso de Nutrição revelou um índice alarmante: 88,7% delas tinham risco de desenvolver comportamento ortoréxico. No experimento, as pesquisadoras Quetsia de Souza e Alexandra Rodrigues mediram o Índice de Massa Corporal (IMC) das participantes e aplicaram testes que avaliavam o nível de distorção da imagem corporal e o risco para desenvolver o distúrbio.

Entre blogueiros fitness e seus seguidores, os números também são altos, segundo a nutróloga Maria del Rosário, coordenadora do Departamento de Transtornos do Comportamento Alimentar da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran): “Esse tipo de publicação chama pessoas com propensão a desenvolver transtornos alimentares.”

Preocupada com a explosão do fenômeno, a Abran criou oficinas para treinar médicos de diferentes especialidades para identificar, o mais cedo possível, casos em que a preocupação com alimentação saudável tenha se transformado num comportamento obsessivo. Como outras desordens psiquiátricas, os distúrbios alimentares se manifestam de forma misturada. A anorexia, por exemplo, pode ter padrões ortoréxicos: a pessoa restringe a alimentação a alimentos saudáveis e com baixas calorias para perder peso. Em geral, a distorção da imagem corporal acompanha o quadro. Bratman alerta que esses seriam os casos mais graves.

É o que parece ter acometido a estudante de Nutrição Anna Júlia Moll. Ela nunca foi diagnosticada por um profissional, mas, durante uma aula sobre transtornos alimentares, viu-se descrita. “Quando aprendi sobre a ortorexia na faculdade, me reconheci em tudo”, lembra. No período de um ano e meio em que se limitou a uma dieta à base de frango, legumes, sem laticínios ou doces, Anna perdeu 36 kg e chegou aos 50 kg distribuídos pelos seus 1,66 metro. A obsessão com comida influiu até na escolha do curso universitário, a Nutrição. “Na ortorexia, o pensamento sobre alimentos saudáveis se torna o tema central em todos os momentos do dia, descreve Bratman.

 (Foto: Dulla)(FOTO: DULLA)

DISTÚRBIO ACEITO

Identificar a ortorexia não é fácil. Em um mundo atolado de pizza e lasanha congelada, dar preferência a alimentos frescos e sem aditivos é algo bem-visto e até invejado por quem não consegue dar tanta atenção ao que põe na boca. Isso explica o sucesso dos perfis fitness no Instagram. Nutricionistas viraram celebridades nas redes sociais com dicas de como pesar as refeições ou comer batata doce antes de ir para a academia.

A própria ciência — e a divulgação feita pelo jornalismo — também tem sua parcela de culpa. Cada dia sai um novo estudo sobre comida, ora demonizando, ora celebrando determinado alimento. O caso do ovo é exemplar. A Associação Americana do Coração (AHA, na sigla em inglês) recomenda que uma pessoa não coma mais que 300 mg de colesterol por dia. Um ovo contém 185 mg de colesterol, logo não é indicado ultrapassar dois ovos por dia, certo? Não exatamente. Segundo a diretriz da AHA, o colesterol que você ingere vai direto para a corrente sanguínea, mas não é bem assim que funciona.

O corpo tem uma espécie de termostato, regulado pela genética, pelos hábitos e pelo estresse, que determina o quanto ele produzirá de colesterol por dia. É curioso, mas a dieta quase não tem participação nisso. Não à toa, um estudo de 2013 mostrou que até três ovos por dia, o equivalente a mais de 550 mg de colesterol, ajudam a perder peso, reduzir inflamações e — pasme — a manter os níveis de colesterol sob controle. Outra pesquisa, essa de 2006, não evidenciou qualquer associação entre consumo de ovos e risco de doenças coronarianas. Isso porque, na verdade, o colesterol é um dos nutrientes mais importantes do corpo: está presente em cada célula e participa da produção hormonal.

Isso não quer dizer que você deva comer uma dúzia de ovos por dia, apenas que você deve consumi-los sem medo. O mesmo ocorre com o leite, o café e a bola da vez, o glúten. Se você não tem nenhuma alergia, intolerância ou problema intestinal, não há por quer eliminar qualquer ingrediente da dieta. “O corpo precisa de uma variedade de alimentos e não consegue fazer substituições fáceis”, diz a nutróloga Maria Del Rosário, da Abran.

+ Leia também: Suco de laranja não engorda e faz bem para a saúde, afirma estudo

Em geral, a ortorexia obedece a um ciclo. No início, vem a preocupação em comer de forma saudável e correta. Depois, o indivíduo começa a restringir alguns alimentos ou grupos alimentares inteiros. Em seguida, a obsessão se instala: a pessoa só pensa em comida o dia inteiro e passa a negar convites ou evitar lugares onde possa cair em tentação. A estudante Anna Júlia Moll passou a rejeitar convites para aniversários, encontros com amigos ou jantares em família. “Sinto que perdi a minha adolescência”, desabafa.

No auge do transtorno, porém, Anna sentia-se motivada. “Eu comia de forma saudável e estava perdendo peso. Isso que importava”, contou. Ela ia religiosamente na academia e dormia “as oito horas por noite necessárias para o músculo descansar”. Seguia dezenas de modelos e blogueiras fitness no Instagram e, quando as restrições alimentares a deixavam triste, olhava a timeline e enchia-se de autoconfiança para continuar na linha.

Os especialistas não têm dúvidas sobre a influência das redes sociais no avanço dos transtornos alimentares. Pelo menos dois estudos mediram o impacto dos perfis fitness na autoimagem e no risco de ortorexia. Um deles, feito por pesquisadores do University College de Londres, revelou uma associação entre o uso intenso do Instagram e o transtorno. A prevalência entre os usuários da rede social foi de 49% contra 1% da população em geral. Em outro estudo, realizado pela universidade australiana Macquarie, 150 estudantes disseram que se comparar com outras mulheres nas redes sociais as deixava infelizes e, ao mesmo tempo, motivadas a fazer dietas loucas.

O fato de estar em sintonia com a cultura tem um efeito negativo no tratamento da ortorexia. “Familiares e amigos demoram a se dar conta. Por isso, o comportamento [de fazer restrições alimentares severas] é tolerado”, diz a psiquiatra Miriam Garcia Brunstein, coordenadora do Programa de Transtornos Alimentares em Adultos do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. É aí que mora o problema. Poucos contestam alguém que usa como argumento a saúde para justificar as escolhas alimentares. Em determinados grupos, quem come junk food ou alimentos tidos como “não saudáveis” é hostilizado.

Foi o que ocorreu com a blogueira norte-americana Jordan Younger. Jordan alçou fama na internet quando adotou o veganismo como estilo de vida. Em nove meses, ela amealhou 300 mil fãs no seu blog The Blonde Vegan, onde pregava os benefícios da yoga, do mindfulness e da dieta raw e vegana, em que excluía não só alimentos de origem animal como os cozidos. “Comecei a viver em uma bolha de restrição. Totalmente à base de plantas, sem glúten, sem óleo, sem açúcar refinado, sem farinha”, declarou. Em junho de 2014, Jordan percebeu que a dieta ultrarrestritiva estava a deixando doente. Foi então que escreveu o texto Por que estou me afastando do veganismo — que acabou se transformando no livro Breaking Vegan (Quebrando o Veganismo, em tradução livre).

Foi o suficiente para sofrer represálias. Um dos leitores raivosos escreveu: “Bem, se todos nós podemos ‘fazer o que queremos’, eu estarei aí para assar a sua família mais tarde”. Jordan se manteve firme na mudança e trocou o nome do blog para The Balanced Blonde(A Loira Equilibrada). “Estou avaliando minha dieta e dizendo adeus aos rótulos”, escreveu. “Isso é terrível para mim e estou totalmente fora da zona de conforto depois de viver tanto tempo sob o guarda-chuva do veganismo. Mas faço isso para ao bem da minha saúde física e mental”, contou, falando sobre como se livrou da ortorexia.

 (Foto: Ícones: Gabriela Namie)A CARNE VERMELHA COSTUMA SER VISTA APENAS COMO VILÃ, MAS BANI-LA DO CARDÁPIO SEM ACOMPANHAMENTO MÉDICO PODE TRAZER PREJUÍZOS NUTRICIONAIS E EMOCIONAIS. (FOTO: DULLA)

MUITO ALÉM DOS NUTRIENTES

Demonizar certos alimentos faz parte do comportamento dos viciados em comida saudável. Carne vermelha, comidas processadas, embutidos, farinhas brancas e açúcar costumam encabeçar a lista proibida. É claro que, em excesso, eles podem fazer (muito) mal — o açúcar, por exemplo, é tão viciante quanto a heroína. Os embutidos, quando consumidos diariamente, podem aumentar em 18% o risco de câncer de cólon. Mas bani-los do cardápio também traz prejuízos nutricionais e emocionais. Isso porque comer não é apenas mastigar um punhado de nutrientes. A comida, bem como a forma como a consumimos — muitas vezes, ao lado de pessoas que amamos —, mexe com o humor, impacta a inteligência e interfere nas relações sociais.

Veja o caso da carne vermelha. Um estudo da Universidade Harvard publicado em 2015 revela que podemos atribuir às doses maciças de proteína animal o fato de sermos seres pensantes hoje. Sua entrada na dieta há 2,6 milhões de anos foi decisiva para o crescimento do cérebro humano. Isso porque frutas e vegetais, apesar de ricos em vitaminas, são pobres em calorias e insuficientes para as altas demandas de energia do cérebro. A outra alternativa seria extrair calorias das raízes. O problema era mastigar um aipim cru — tarefa difícil até para os Australopithecos, parentes dos chimpanzés (o hábito de cozinhar os alimentos só chegou bem mais tarde, 500 mil anos atrás).

Para saber quanto tempo nossos antepassados pouparam ao incluir a carne na dieta, os biólogos Katherine Zink e Daniel Lieberman recrutaram 24 pessoas e deram a elas três tipos de vegetais, como cenouras, inhames e beterrabas, e um tipo de carne vermelha. Tudo cru, é claro. Eles calcularam então a quantidade de energia gasta para mastigar e engolir as amostras inteiras, e descobriram que ingerir a carne exigia entre 39% e 46% menos força do que mascar as raízes.

Logo, uma dieta com um terço de proteína animal “poupou” 2 milhões de mastigações por ano, uma redução da ordem de 13% no esforço e na queima de calorias apenas no jantar. Na prática, essa economia não significava mais horas livres no dia, mas muito mais calorias ingeridas em menos tempo. Resultado: passou a sobrar energia para o desenvolvimento desse órgão altamente complexo que carregamos sobre o pescoço. Zink e Lieberman também acreditam que o fato de não precisarmos mais de dentes afiados para rasgar carcaças de animais silvestres resultou em mandíbulas menores e órgãos de fala mais avançados. Ponto para a carne.

Embora não precisemos mais de um churrasco por dia para alimentar nossos cérebros em desenvolvimento, a carne vermelha, junto com peixes gordos, como o salmão, continua encabeçando a lista dos alimentos que fazem bem para a cuca. “Pessoas que eliminam a carne vermelha podem desenvolver demência por causa da falta da vitamina B12”, alerta a nutróloga Maria del Rosário. “Geralmente, medicamentos e problemas intestinais podem prejudicar a absorção de B12, mas estamos detectando isso em ortoréxicos”, alerta. “Nossa fisiologia determina que nossa dieta seja variada, e não restritiva”, diz a psiquiatra Miriam Brunstein.

As razões são evolutivas. Segundo a neurocientista britânica Nicole Avena, o cérebro humano evoluiu ao longo dos séculos para prestar atenção a sabores novos e diferentes. Primeiro, para identificar alimentos estragados — comer algo ruim podia pôr a vida em risco. Segundo porque, quanto mais variada é a nossa dieta, maiores são as chances de obter todos os nutrientes de que precisamos. Por causa disso, nosso cérebro se move por novidades gastronômicas — é por isso que perfis de alimentação no Instagram e programas de culinária na TV fazem tanto sucesso. Só o que é diferente e saboroso consegue fazê-lo liberar a dopamina, o neurotransmissor do prazer. Se você comer a mesma coisa todo santo dia, o organismo se acostuma e deixa de se sentir satisfeito e feliz após a refeição.

Depois de passar um ano e meio à base de frango, batata-doce ou arroz integral e brócolis, Anna Júlia sentiu os cabelos e unhas enfraquecerem e parou de menstruar durante quase seis meses. “Hoje não posso nem sentir o cheiro de batata-doce e arroz integral”, diz. A restrição compulsória dos laticínios também a fez desenvolver uma intolerância à lactose que não tinha.

Nem o vilão açúcar pode ser banido por completo. Os doces, por exemplo, têm papel relevante não só para o paladar — quem não fica feliz diante de um bolo no meio da tarde? —, mas para estreitar laços sociais: você divide uma torta no aniversário dos amigos ou uma sobremesa no almoço de família. Se corta o açúcar, fica difícil encontrar ocasiões sociais tão afetivas ao compartilhar um brócolis. Antropólogos não têm dúvidas de que a comida foi um dos fatores que nos transformaram em animais sociais.

Imagine nossos antepassados há alguns milhões de anos, antes do invento da agricultura. Para não morrer de fome, eles precisavam colher raízes e caçar animais silvestres, duas tarefas difíceis de serem feitas por um homem só. De acordo com os estudos da equipe da antropóloga Susanne Shultz, da Universidade de Oxford, a necessidade de buscar comida foi um dos primeiros estímulos à formação de bandos maiores. Compartilhar a presa também fazia todo o sentido. Ninguém conseguia comer um animal inteiro sozinho e não havia geladeira para guardar os restos para mais tarde. Depois de matar um bicho, era preciso cortá-lo em pedacinhos, fazer fogo e assar a carne antes do ataque de moscas e bactérias. Fazia-se, então, uma fogueira, e essas reuniões em volta das brasas forjaram a linguagem, as crenças e, em última análise, as civilizações. Esse comportamento segue no nosso DNA. Ainda hoje, a comida é o maior (e mais saboroso) pretexto para confraternizar.

Anna Júlia percebeu que era hora de parar com as restrições à mesa quando conheceu o namorado. “Fiquei pensando que ele ia me achar uma chata ao me convidar para ir ao cinema e eu recusar a pipoca”, lembrou. “O dia mais difícil foi quando aceitei um convite para ir a um churrasco na casa de amigos dele. Eu sabia que teria de comer batata e carne. Mas a ideia de ser taxada de fútil era pior.” No início, Anna sofreu para se livrar do controle total sobre o que ingeria. “Fui e comi churrasco com a consciência pesada. Sonhei a noite inteira com a salada de batata”, lembra. Mas o medo de desagradar o namorado funcionou como mola propulsora. No dia da entrevista, uma sexta-feira à tarde, ela estava feliz porque antes do almoço tinha comido um bolo que sua avó havia preparado. “Comida é não é só caloria. É afeto, é emoção”, disse, aliviada com a nova fase.

1% da população mundial sofre de ortorexia
University of Northern Colorado Fontes: Transtornos Alimentares; Sudden Death in Eating Disorders; Mortality Rates in Patients with Anorexia Nervosa and Other Eating Disorders — A Meta-analysis of 36 Studies

Outros transtornos associados à comida
Aprenda a reconhecer alguns dos mais comuns

Anorexia nervosa
É marcada por uma restrição alimentar progressiva, com a eliminação dos alimentos considerados “engordantes”. Em geral, os pacientes têm uma distorção da imagem corporal. Leva à morte até 20% das vítimas.

Bulimia nervosa
Episódios de compulsão alimentar acompanhados de sentimento de culpa. Para manter o peso, o indivíduo recorre ao vômito autoinduzido e/ou uso de laxantes. Afeta entre 0,9% e 4,1% de adolescentes e adultos jovens.

Síndromes atípicas ou parciais de anorexia e de bulimia
Assemelham-se à anorexia e à bulimia, mas não preenchem totalmente seus critérios ou seus sintomas não são suficientemente graves para definir o diagnóstico. Metade dos casos evolui para quadros completos.

Pica
É um transtorno de alimentação típico da primeira infância. Consiste na ingestão persistente de substâncias como terra, cabelo e até fezes de animais, que não fazem parte de uma dieta culturalmente aceita.

Transtorno de ruminação
Episódios de regurgitação repetidos que podem levar a complicações médicas como desnutrição, perda de peso, desidratação e, nos casos mais graves, até à morte.

Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP)
Os pacientes, na maioria obesos, apresentam episódios de compulsão alimentar, mas não utilizam medidas extremas para evitar o ganho de peso, como os pacientes de bulimia nervosa.

Nós e a comida
O impacto da comida, do modo de prepará-la e da nossa relação à mesa ao longo da evolução

 (Foto: Ícones: Gabriela Namie)(ÍCONES: GABRIELA NAMIE)

1. Churrasco
Há 1,8 milhão de anos
A ingestão de carne assada foi fundamental para que virássemos humanos porque fez o corpo economizar energia. Com isso, o sistema digestivo encolheu e o cérebro ficou maior, alterações que marcam a transição entre Homo habilis e Homo erectus.

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2. Sopa de raízes
Há 500 mil anos
Depois da carne, os hominídios começaram a cozinhar todos os outros alimentos. Assim, as raízes duras e fibrosas ficaram bem mais digeríveis quando colocadas em água. Isso causou um segundo grande aumento do cérebro que deu origem aos ancestrais diretos do Homo sapiens.

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3. Pão
Há 22,5 mil anos
O pão foi inventado antes da agricultura. Não conseguimos comer grãos silvestres, mas, quando moídos e transformados em pães, esses cereais liberam carboidratos altamente energéticos.

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4. Salsicha
Há 20 mil anos
Os embutidos nasceram na pré-história. Mais tarde, os povos germânicos medievais desenvolveram as salsichas, das quais a carne de porco é a principal matéria-prima.

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5. Batata
Há 9 mil anos
Principal tubérculo das civilizações andinas, a batata se tornou popular na Europa durante os anos de guerra e fome. Atualmente, é o quarto alimento mais cultivado no mundo, ficando atrás do trigo, do milho e do arroz.

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6. Cerveja
Há 7 mil anos
A cerveja nasceu como subproduto da fermentação do pão de trigo. Nas cidades medievais, foi uma alternativa para a água, muitas vezes contaminada. É a bebida alcoólica mais consumida no mundo.

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7. Sal
2000 a.C.
Produzido pelos chineses, servia para conservar e temperar alimentos numa época pré-geladeira. O sódio (40% do sal) participa da condução dos impulsos nervosos, mas também está associado à hipertensão.

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8. Frituras
600 a.C.
Os primeiros registros estão no Antigo Testamento. O livro de Levítico descreve a diferença entre cozinhar o pão ou fritá-lo na panela. Antes usada por egípcios e chineses, a técnica ganhou espaço na Europa medieval.

 (Foto: Ícones: Gabriela Namie)(ÍCONES: GABRIELA NAMIE)

9. Açúcar
500 a.C.
Nativa da Nova Guiné, a cana-de-açúcar era refinada desde os tempos de Alexandre, o Grande. Recentemente, a indústria trocou a especiaria pelo xarope de milho, um dos culpados pelo surto de obesidade no mundo.

 (Foto: Ícones: Gabriela Namie)(ÍCONES: GABRIELA NAMIE)

10. Sabores sintéticos
1851
Balas com sabor de fruta entraram na história durante uma exposição em Londres no auge da Era Vitoriana. Sem os sabores sintéticos, boa parte da comida dos supermercados seria intragável.

 (Foto: Ícones: Gabriela Namie)(ÍCONES: GABRIELA NAMIE)

11. Suplementos vitamínicos
1937
Em 1913, cientistas descobriram como produzir a vitamina A. Hoje, encontram-se vários nutrientes em forma de pílula, mas pesquisas indicam que os multivitamínicos não melhoram a saúde.

Fontes: The Cambridge World History of Food; Pão: Uma História Global; Pegando Fogo: Por que Cozinhar nos Tornou Humanos; Comidas que Mudaram a História
Ícones: Gabriela Namie

Os sinais da ortorexia
O médico Steven Bratman, inventor do termo ortorexia, criou um teste para saber se a preocupação em comer virou obsessão

Se você é entusiasta da alimentação saudável e concordar com qualquer uma das afirmações abaixo, pode estar desenvolvendo um transtorno alimentar

1. Perco muito tempo pensando, escolhendo ou preparando comida saudável e isso interfere em outras dimensões da minha vida, como o amor, a criatividade, a família, a amizade, o trabalho ou a escola.

2. Quando como um alimento que considero não ser saudável, me sinto ansioso, culpado, sujo ou contaminado — só estar perto desse tipo de comida me perturba e sou crítico em relação às pessoas que o consomem.

3. Meu senso pessoal de paz, felicidade, alegria, segurança e autoestima dependente excessivamente da minha alimentação ser íntegra e correta.

4. Às vezes, gostaria de relaxar na minha autoimposição de sempre “comer bem” em ocasiões especiais, como um casamento ou jantar, mas não consigo.

5. Ao longo do tempo, tenho constantemente eliminado mais alimentos e expandido a minha lista de normas alimentares numa tentativa de manter ou melhorar os benefícios para a saúde.

6. Seguir minha teoria de alimentação saudável me fez perder mais peso do que a maioria das pessoas diria que é bom para mim, ou causou outros sinais de desnutrição, como perda de cabelo e falhas no ciclo menstrual.

*Se você tem uma condição médica em que não é seguro abrir exceções na dieta, ignore a questão.

Fonte: The Authorized Bratman Orthorexia Self-Test

http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2017/09/ortorexia-estamos-ficando-doentes-de-tanto-comer-bem.html

Sua mãe

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” Se sua mãe nunca lhe consolou, provavelmente será difícil que encontre um verdadeiro consolo para o coração nas relações que você estabeleça com outras pessoas. Seu trabalho será criar esse sentido de consolo para o coração dentro de si mesma.

Se sua mãe nunca se compadeceu de você, provavelmente terá pouca paciência com suas próprias falhas, assim como com as dos outros. Seu trabalho será observar alguém que pratique a compaixão e praticá-la você mesma.

Se sua mãe silenciava sua própria criatividade, seu trabalho será dar voz a cada impulso criativo que se apresente. Pinte, escreva poesia, toque o tambor, cuide das plantas, cozinhe e dance.

Se sua mãe desprezava ou rejeitava seu próprio corpo como mulher, seu trabalho é abraçar e honrar o seu corpo e a sua sexualidade.

Se você se sente abandonada por sua mãe, seja por qualquer razão, seu trabalho será escutar a seus próprios sentimentos e nunca abandonar a si mesma.

Para que possamos curar a profunda ferida da nossa natureza feminina  é importante que você aceite a sua mãe, compreendendo que talvez ela também tenha recebido pouco… e que você mesma possa se tornar uma boa mãe – assumindo a tarefa de ser maternal consigo mesma.”

___Maureen Murdock__

Forjando a armadura

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FORJANDO A ARMADURA

(Rudolf Steiner, tradução Ute Cramer)

“Nego-me a me submeter ao medo que me tira a alegria de minha liberdade, que não me deixa arriscar nada, que me torna pequeno e mesquinho,que me amarra, que não me deixa ser direto e franco, que me persegue, que ocupa negativamente minha imaginação, que sempre pinta visões sombrias.

No entanto não quero levantar barricadas por medo do medo.
Eu quero viver, e não quero encerrar-me. Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero. Quero pisar firme porque estou seguro e não para encobrir meu medo.

E, quando me calo, quero fazê-lo por amor e não por temer as conseqüências de minhas palavras.

Não quero acreditar em algo só pelo medo de não acreditar. Não quero filosofar por medo que algo possa atingir-me de perto. Não quero dobrar-me, só porque tenho medo de não ser amável. Não quero impor algo aos outros pelo medo de que possam impor algo a mim: Por medo de errar, não quero tornar-me inativo.

Não quero fugir de volta para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro de novo. Não quero fazer-me de importante por ter medo de ser ignorado.

Por convicção e amor, quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.

Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.

E quero crer no reino que existe em mim.”