Olhe para o que vier

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“Acho que todos nós estamos nos deparando com as feridas mais profundas… aquelas que nos impedem de sequer entrar em contato com elas por medo de sofrer de novo.
Estamos passando por um tempo de purificação, de olhar nos recantos mais escondidos aquilo que está no mundo das sombras, por nos trazerem memórias de dor.
Parece que nesse tempo nada mais quer ficar escondido e tudo vai se revelando de uma forma ou de outra. É tempo de olhar lá no fundo, onde guardamos coisas das quais nem nos lembramos mais, mas que escondidas ficam ainda maiores do que realmente são…

O tão temido mundo das sombras pode não ser tão ruim assim… e quando entramos em contato e permitimos que as dores antigas cheguem à superfície, se não voltamos com elas para o lugar onde estavam escondidas, podemos nos surpreender como temos todos os recursos para curá-las e deixá-las ir de vez.
As dores que estão aí guardadas são memórias de dores já passadas… e, quanto mais tentamos evitar esse contato, maiores elas nos parecem… se as temos na memória é porque já vivemos e, portanto, pertencem ao passado… mas guardadas aí elas criam nosso presente dia após dia…. porque, na sombra, elas têm o potencial de se manifestar de novo e de novo… e a cada repetição mais limitam nossa realidade.
Se as liberamos elas param de se manifestar na nossa realidade.

Claro que quando elas vêm à tona, acessamos um pouco do estado de consciência em que elas foram criadas… e nosso primeiro impulso pode ser de guardar de novo o que nos causa dor… assim, como quando tiramos de uma gaveta uma foto que nos lembra situações de sofrimento, logo queremos guardá-la em um local onde não vamos encontrá-la nunca mais, escondemos o mais que podemos as coisas que nos remetem à dor…

Mas nesse tempo, penso que elas não têm mais como ficarem escondidas e pedem por resolução… por liberação de tudo que nos impede de Ser livres e plenos.

Entendo que tudo que foi criado no grande ciclo que estamos finalizando, deve ser liberado para que o novo chegue.
E a melhor forma de lidar com o que está no mundo das sombras… é olhar para o que vier, sabendo que são coisas já vividas, sem julgamento… Não classificar como bom ou ruim nos mantêm em um estado de observação distanciada que faz com que tudo encontre naturalmente o seu lugar. Eu acredito que o Universo tem uma energia de resolução que poderia funcionar em todas as situações, se nossas crenças não atrapalhassem.

Estamos alimentando e criando as mesmas situações, quando temos apego ou aversão a elas… apego e aversão têm o poder de manter o nosso foco em coisas que “queremos” ou “não queremos”. De uma forma ou de outra estamos criando a mesma realidade momento a momento…. e como apego e aversão são do ego, em ambos os casos estamos criando coisas que podem não ser o que vai nos trazer felicidade.

Se você quer, a todo custo, ter ou evitar algo, está impedindo o presente de se manifestar com toda sua força, porque apego e aversão vêm de memórias de experiências passadas.

Olhar para o que se manifesta na nossa realidade, no presente, com distanciamento, sem julgar, sem tentar prender ou excluir, é um caminho que pode liberar o que guardamos no mundo das sombras, com mais suavidade… e a partir daí podemos nos abrir para receber o novo… que só está esperando que deixemos espaço para ele…”
Rúbia Dantés

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Esperar o que?

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Esperar o que?

Quando demoramos a decidir trilhar um caminho que está no nosso destino, de uma forma ou de outra somos colocados nele…

Em poucos meses a minha vida tomou um rumo tão diferente e inesperado que me pego perguntando onde isso tudo vai dar… A única certeza que tenho é que parece que tudo já estava mesmo planejado e eu é que ainda não sabia. Mas a minha alma com certeza sabia e apoiava essas mudanças todas! E nesse caso só me resta entregar e estar disponível para seguir os desígnios dessa força que me guia.

Acho que o Universo age assim, algumas vezes, de forma tão rápida para não nos dar muito tempo de usar a razão porque, se tivéssemos tempo, com certeza ficaríamos presos ao casulo do velho, do que dá segurança e nunca arriscaríamos um voo para além do que é conhecido.

O novo e a felicidade requerem muita coragem, muitas vezes uma coragem que só descobrimos a partir do momento em que nos decidimos ir, sem segurança e sem nenhuma garantia, experimentar o que ainda não foi experimentado, inventar coisas, misturar cheiros e cores, espalhar sementes, jogar água nas flores, e ver nascer passo a passo uma nova história!

Quantas vezes tentamos segurar um passado que já foi vivido e que, como o nome diz, já passou e não tem sentido nenhum, por não ter coragem de arriscar o novo!

Esperar o quê? A hora é esta, o presente é agora!

Sinto que nos preparamos tanto para esse momento e para essa hora, onde cada um deve entrar na sua história; parece que a história já estava escrita e que já foi muitas vezes ensaiada… Mas na hora H vem aquele friozinho na barriga e podemos correr o risco de morrer sufocados como uma borboleta que se agarra ao casulo por não ter coragem de saltar no vazio!

Ah, se ela soubesse que a natureza é tão perfeita que o tempo do casulo só termina quando as asas já estão prontas para voar…

Rúbia A. Dantés.

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